O Tricolor e a Política

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Falemos das duas coisas que mais preocupam os brasileiros: A Política e o Tricolor Paulista. Ambos em fase de agitação intensa e grande instabilidade.

O que a imprensa golpista não mostrou, o que a CPI escondeu e até o juiz Moro tirou dos autos é semelhança assustadora dos dois. Mas aqui, no “Toda Unanimidade”, temos plena liberdade editorial e portanto, revelaremos aos nossos leitores essa coincidência estarrecedora:

Muricy Ramalho e Dilma Roussef

Estão no cargo por direito, falam grosso e não tem paciência nas entrevistas. Nenhum dos dois gosta de amaciar com os subalternos e lhes falta jogo de cintura. Todo mundo diz que podem perder o cargo num curto prazo.

Rogério Ceni e Lula

Ao que parece, essa dupla manda mais que a dupla de cima. Senão, pelo menos é a quem Muricy e Dilma recorrem quando precisam conselhos.

Já foram elevados a mitos, cada um com uma história mais impressionante que o outro, mas hoje estão em péssima fase. Só seus fãs de verdade ainda os respeitam.

Ganso e PSDB

Todo mundo esperava deles mais do que apresentaram na vida, apesar disso gozam da simpatia da imprensa. Quando erram, suas falhas são logo perdoadas e quando acertam são comparados a deuses.

Pato e Aécio Néves

São charmosos, galãs e fazem enorme sucesso com as mulheres. Juntos detém a mais incrível coleção de ex-namoradas da história. De resto dividem opiniões, podendo ser amados ou odiados por parcelas da sociedade.

Luis Fabiano e Marina Silva

Outra dupla de quem esperávamos mais. Desempenham bem no geral, mas quando o embate é decisivo acabam encolhendo.

Preciso parar agora, estou indo comprar minha passagem para Brasília. A simples posse dessas informações garante a credencial para o interrogatório na CPI. Mas fiquem tranquilos, não vou abrir a boca. Esses segredos ficam entre nós e as torcidas do Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos…

A Conspiração

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Versão da esquerda

Em maio de 2014 as cinco maiores petrolíferas do mundo decidiram pegar todo o petróleo do pré-sal sem gastar num tostão. Deram um telefonema para o Rodrigo Constantino que concordou em fazer parte do plano. Foi ele quem fez a ponte com a Globo, a Veja e o Lobão.

O plano foi simples, convenceram a diretoria da Petrobras e o juiz Moro a fazer uma encenação de que a corrupção na Petrobras persistiu mesmo depois do governo FHC. Bancos estrangeiros depositaram enormes quantias em dólar na conta dos diretores da Petrobras e eles usaram este valor para dizer que eram corruptos e ajudavam o PT. O dinheiro serviu de prova. A imprensa pediu a privatização e os brasileiros (que não sabem pensar) ecoaram o pedido.

O golpe termina com a derrubada o PT, os militares conduzem FHC ao poder na condição de ditador vitalício, a Petrobras é vendida a preço de banana para George Soros e as reservas do pré-Sal são distribuídas gratuitamente para as petrolíferas estrangeiras.

Como cereja do bolo, os pobres ficam proibidos de entrar nos aeroportos.

Versão da direita

Fidel deseja terminar seu plano comunista antes que seja tarde demais. Ele chama o Lula e o José Dirceu e eles inventam o “Mais Médicos”. Uma forma do Brasil trazer 10 mil espiões cubanos e ainda pagar por isso.

Com ajuda de Nicolas Maduro e do exército do Stédile, o Golpe começa. A Globo e a Veja são estatizadas, livros de Paulo Freire são distribuídos e todas as empregadas domésticas e porteiros pedem a conta, passando a viver de bolsa família. O Sakamoto vira âncora do Jornal Nacional e o Cristo Redentor é substituído por uma estátua do Che Guevara.

Como ato final, o Governo Bolivariano comandado pelo filho do Lula proíbe voos para Miami, obrigando as elites a fugirem em jangadas improvisadas.

Deixem em paz a Senhora Corrupção

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Vivemos um período de ânimos acirrados e fortes emoções. Cada dia os jornais e sites nos premiam com uma novidade quente, um motivo para discussão calorosa, daquelas que terminam com amigos bloqueados no Face.

Entre os temas do momento, a corrupção ganhou um lugar de destaque. Parece que o pobre brasileiro está condenado a conviver com políticos que metem a mão no seu bolso desde que as caravelas de Cabral estacionaram no monte Pascoal para acabar com o sossego dos índios.

A nossa granda presidenta usou uma figura de linguagem interessante. Disse que no Brasil a corrupção é uma velha senhora. E Dilma não foi a única a personificar a bandida. Ouço muitos políticos e articulistas tratando a corrupção como um ser mítico que se movimenta nos corredores embolorados de nossas repartições.

Fiquei imaginando essa velha senhora fantasmagórica participando de reuniões com fornecedores das estatais como um ser invisível que sopra ideias nos ouvidos de servidores e lobistas, que toma café na lanchonete do congresso atenta às conversas dos deputados, que caminha nos tribunais ansiosa por seduzir juízes, que flana nos escritórios iluminados das grandes corporações.

Todos pedem que se combata a corrupção, desde opositores até a granda presidenta e isso me deixa confuso, quase que indignado. Combater a corrupção? Não podemos combater a corrupção.

Como assim? – Pergunta o estarrecido leitor.

Explico:

Essa senhora corrupção é um conceito, uma abstração, uma ideia. Você não pode imaginar o juiz Moro mandando uma ordem de prisão contra a senhora corrupção, ou um mandato de busca e apreensão na casa dela. A polícia não poderá interroga-la e nem o fantástico vai mostrar sua mansão em Angra.

Temos que combater os corruptos. Eles sim, seres humanos de carne e osso com endereço, CPF e perfil no Twitter.

  • Quem desviou dinheiro da Estatal, foi a Corrupção? Não, foi o corrupto.
  • Quem fraudou a licitação foi a corrupção? Não, foram corruptos.
  • Quem montou uma cartel para aumentar os valores de contrato?
  • Quem colocou cupinchas em cargos estratégicos nos ministérios?
  • Quem fez vistas grossa diante dos rios de dinheiro que sumiam de nossos cofres?

E não me venham com reforma política como caminho para o fim da corrupção. Ou vocês acham que se mudarem as regras de financiamento de campanha o Renan, o Collor, o Maluf, o Sarney, o Cunha, o PP, o Kassab, os fiscais e os diretores das construtoras vão ficar todos honestos?

Enfim, poupem a nossa Velha Senhora. Ela é uma velhinha ativa e esperta e está a tanto tempo entre nós que podemos vê-la como aquela vizinha da Vila que ainda faz compotas aos 92 anos.

Sugiro deixem ela em paz e que a gente se concentre nos seres humanos que agem a seu favor.

Ainda sobre os 50 Tons (contém spoiler)

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Cheguei ao final (com muito esforço) do maior fenômeno cultural de 2012, o 50 Tons de Cinza. Já falei dele no último post, mas decidi voltar ao tema.

O que me levou a escrever desta vez é a minha surpresa em relação a quanto o meu gosto pessoal é diferente da maioria das leitoras.

Explico: Achei o livro muito chato. Diria até modorrento. Chegou uma hora em que vencer as páginas era um verdadeiro peso. Nem as trepadas animavam mais.

E como a gente lê sabendo que o final não é o fim, que para saber o destino da Srta. Steele é preciso vencer outras mil páginas em dois volumes, a tarefa fica ainda mais desanimadora.

Isso é exatamente o oposto da opinião de milhões de mulheres que leram a trilogia no mundo todo e agora lotam os cinemas.

Será que por ser homem eu não consigo ter a sensibilidade necessária para gostar do romance? Talvez as mulheres possam me explicar melhor por que o livro é tão apaixonante.

Eu, do alto da minha masculinidade emburrecedora, resumiria o livro assim.

(Aqui é a parte do spoiler)

Gente , que homem lindo esse Grey, ele jamais vai gostar de mim. Minha deusa interior está triste.

_ Quero sair com você Srta. Steele.

Ele disse que quer sair comigo. O que isso significa? Será que ele quer sair comigo? Ele gosta de mim?

Trepa, trepa, trepa, trepa.

_ Gosto de você Srta. Steele.

Ele disse que gosta de mim. O que será que isso quer dizer? Será que ele gosta de mim? Minha deusa interior está confusa.

Trepa, trepa, trepa, trepa.

_ Você me deixa louco Srta. Steele.

Ele me liga todos os dias, me leva para jantar e me deu um Audi. O que isto quer dizer? Ele é muito gato. Será que ele gosta de mim? Minha deusa interior está enlouquecendo.

_ Não sei ficar sem você Srta. Steele.

Ele pegou um avião e cruzou os EUA para ficar perto de mim. O que isso significa? Será que ele gosta de mim? Minha deusa interior está debaixo do sofá.

Surra, surra, trepa, trepa.

_ Você é única na minha vida Srta. Steele.

Ele me apresentou para a família dele, quis conhecer minha mãe, dorme comigo toda as noites e diz que gosta de mim. O que isso significa? Será que ele gosta de mim?

 Fim

Enfim, se as mulheres puderem me explicar melhor a graça disso eu agradeço. E se não for pedir demais, também me contem o que acontece nos outros dois livros. Tenho mais o que fazer.

P.S. Só para não transformar esse post numa inutilidade completa termino com uma piadinha divertida dessas do Youtube: Atrizes pornô criticando o filme

É o amor

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Me chamem de piegas e eu chorarei de emoção.

Preciso avisar aos leitores que este texto não terá a arrogância pseudo-intelectual dos meus outros. Não me levem a mal, apenas resolvi abrir meu coração.

Sou daqueles que pega o violão numa noite solitária para tocar “Moça” do Wando ou “O que é que há” do Fábio Júnior.

Sou daqueles que continua precisando de lenços para rever o Dumbo. Aliás, prefiro nem falar do Rei Leão senão sou capaz de deitar no chão em posição fetal com o polegar na boca e perder o resto do dia.

Sim, eu gosto dos clipes com os atores se abraçando nos finais das novelas ou dos filmes românticos dos anos 50 em que as moças pareciam asmáticas de tanto suspirar.

Resumindo, o amor me emociona. Há coisa mais inexplicável do que ele? Nos une a estranhos, nos faz solidários a dor alheia. Amamos quem convive conosco, amamos pessoas distantes, amamos animais de estimação e não encontramos razão e lógica para isso.

Nada mais espontâneo do que o prazer de estar na companhia de um velho amigo. Porém o que faz com que filtremos as pessoas do nosso convívio de forma que uns nos tragam esse prazer e outros não? Não me venham com respostas racionais, falo dessa coisa sem sentido que aproxima corintianos de palmeirenses, carnívoros de vegetarianos, aristotélicos de platônicos, Tucanos de Petistas. Ops, será que exagerei?

Pois é, consultando minhas grandes fontes de entendimento do mundo, as redes sociais, vejo que esse tal de amor anda meio em baixa ultimamente. E não falo de terras distantes onde se cortam cabeças e queimam livros. Falo daqui, do nosso Brasil dividido entre petralhas e coxinhas.

Não há mais discursos. Ouço gritos de raiva, textos em caixa alta e dedos apontados. A defesa de cada um é o ataque ao outro:

_ Por que votei no Aécio? Porque o PT blábláblá blá!!!!!

_ Por que votei na Dilma? Por que nos tempos do FHC bláblábláblá!!!

Os comentários de qualquer postagem tem tudo, menos amor. Idem para os discursos de governo e oposição.

Além disso, agora surgiram uns fanáticos religiosos na política que pregam o ódio e pedem a decapitação de gays ou opositores, criando uma espécie de Isis tupiniquim.

Afinal, queremos construir algo ou simplesmente destruir o outro e provar para todos que estávamos certos desde o começo?

Eu gostaria de imitar as torcidas de Grêmio e Internacional e unir a todos numa mesma arquibancada, um do ladinho do outro. Cada um torce para quem quiser mas sem palavrões e golpes baixos. Iria ainda mais longe, substituiria o hino nacional por “We are the World” de forma que pudéssemos cantar todos abraçados num lindo coral. Juntaria o MPL, os caminhoneiros, os black blocs, os articulistas da Veja, o Lobão e o Luis Nassif nessa arquibancada para terminar a canção com todos de braços dados, o amor conquistando novamente os corações e eu, como era de se esperar, banhado pelas lágrimas ou em posição fetal no chão da sala.