Nojinho

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Vamos aos fatos, todos eles todos extremamente verídicos, coletados da maior fonte de informações confiáveis no planeta: Os compartilhamentos nas redes sociais.

1 – Um a cada três homens tem nojo de fazer sexo oral

2 – Homens assustados com pelos pubianos em fotos da Playboy 

3 – Depilação é a nova tendência entre os homens

A essas três evidências junto mais algumas constatações.

  • Os quintais das casas, outrora de terra, foram todos cimentados e cobertos por azulejos.
  • O plástico que envolve os canudinhos
  • O álcool gel nas bolsas das mulheres

Uno todas essas provas para dizer que:

O nojinho está es tornando uma das características mais marcantes de nossa sociedade.

Já tivemos sociedades marcadas pela extrema religiosidade, sociedades tecnológicas, paternalistas, maternalistas, coletoras… Agora temos uma sociedade do nojinho.

Perdoem o machismo mas eu aceitaria melhor as mulheres sendo mais fresquinhas. Sempre foram os homens da minha turma os que comiam o torresmo peludo da rodoviária, os que encaravam caldo de mocotó pedaçudo ou que não se importavam levar pequenas mochilas com duas cuecas e uma escova de dentes para os três dias de viagem à praia. As mulheres de meu convívio eram mais exigentes, desde jovens já precisavam de malas maiores e tinham nécessaires onde separavam em compartimentos os 26 produtos de saúde e limpeza indispensáveis para o fim de semana.

Explicada a origem do meu preconceito, penso nos motivos pelos quais ficamos assim. Quando pisar descalço na grama passou a ser um desafio ao nosso caráter? Quando o plástico que envolve os talheres nos buffets apareceu? Porque não éramos assim no passado? Me arrisco a alguns palpites:

As crianças dos anos 70 ainda tinham mais chance de encontrar quintais de terras e até mesmo ruas de terra. Era comum que invadíssemos teremos baldios para brincar no mato ou subir em árvores. Aliás, não se tratava de uma invasão, naquele tempo os terrenos não eram murados e estavam espalhados por aí, à nossa disposição.

Pelos também não nos incomodavam. Quando conseguíamos botar as mãos numa Status ou numa Playboy  eles estavam lá, adornando os corpos de nossas musas, tornando Magda Cotrofe ou Claudia Egito ainda mais maravilhosas.

E não podemos esquecer das casas de avós dos anos 70. Elas eram aquelas que haviam sido construídas 30 anos antes (pelo menos) e seu piso não era de porcelanato, era de madeira, de caquinhos de cerâmica. As paredes podiam ter marcas de humidade, os talheres eram pesados. Na casa das nossas avós não havia espaço para nojinho. O tal do porcelanato, por sua vez, me parece seu grande incentivador. Como se morar dois meses num casa com este piso nos impedisse de andar descalços na grama pelo resto da vida.

Ainda assim, todas essas são teorias que não tenho como comprovar. O nojinho está aí e quem sofre são 33% das mulheres que perderam o direito ao sexo oral. A natureza também sofre, já que aparentemente o plástico que embalada tudo é a salvação contra os micróbios que nos assolam. Puxo pela memória e não me lembro de alguém que tenha adoecido por usar um canudo não embalado em plástico.

Acho ainda mais engraçada a lei que obriga restaurantes “por quilo” paulistanos a usarem talheres embalados em plástico. Como se as bactérias estivessem nos talheres e não naquela comida exposta aos perdigotos de 200 pessoas.

Enfim, espero que não caminhemos para aquelas sociedades de ficção científica como se fôssemos todos embalados em plástico, comendo alimentos sintetizados e nos amando de forma perfeitamente higiênica através do computador. Será?

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