De volta às cavernas?

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Num passado muito distante, quando nossos ancestrais dormiam em cavernas e usavam uma pele de mamute no lugar da calça Diesel, sua comunicação se dava por grunhidos.

Com o tempo, eles foram dando significado aos sons que conseguiam produzir com a boca e a evolução destes sons se tornou a nossa fala.

Paralelamente aos grunhidos, eles também pintavam as cavernas e estas pinturas exerceram um papel importante em sua comunicação.

Nos antigos alfabetos, como os hieróglifos do Egito, vemos que os sinais ainda eram muito baseados em figuras. Podemos imaginar que para os antigos era mais fácil desenhar uma cobra do que criar símbolos que representassem o som da palavra “cobra”.

Mas o homem é uma criatura muito inquieta e a comunicação verbal e escrita foi ficando cada vez mais sofisticada até chegar em Shakespeare, Camões, Miguel de Cervantes, Dante e tantos outros que nos mostraram suas infinitas possibilidades.

Isso sem falar nos alemães que criavam termos complexos para absolutamente tudo. Pelo que dizem, em alemão há uma palavra para: “Angústia suave que sentimos em dias frios” e outra palavra para “angústia suave que sentimos em dias chuvosos”.

Mesmo nós que não somos Camões, podemos usar a língua e sua imensa beleza.

Imagine uma carta no começo do século XX:

Minha amada, 

Espero que esta mensagem te encontre gozando de perfeita saúde. As noites que passo distante de ti são uma tortura que se recusa a cessar. O único alívio que ainda sinto vem das suas missivas. Você não pode imaginar a alegria que me inundou quando o portador trouxe-me notícias suas.

Porém se fosse escrita nos anos 1980, quando já havíamos ficado mais informais, a carta seria algo assim:

Amor, 

Tudo bem? Adoro suas cartas. Estou morrendo de saudades.

Com a chegada do e-mail e da comunicação digital, mudanças grandes foram sentidas. Em pouco tempo, o Twitter nos limitou a 140 caracteres e o MSN reduziu a língua a letras soltas e iniciais.

O que fora uma carta de amor virou isso:

Oi td bem? Sdds. S2.

O passo seguinte foi o desenvolvimento dos aplicativos de conversa imediata e com eles, os emoticons. De repente nossa comunicação tornou-se uma mistura de hieróglifos com pintura rupestre. Não precisamos mais escrever “cobra”, agora temos um emoji para isso. Não precisamos descrever nossa “angústia suave nos dias de frio”, basta escolher a carinha triste.

A carta de amor ficou assim:

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Será que estamos voltando a nossas origens? Estariam nossos grandes escritores destinados ao esquecimento? Será que deixaremos de ler Machado de Assis posto que Dom Casmurro não pode ser traduzido em pequenos símbolos? E no futuro? Voltaremos aos grunhidos?

Se isso acontecer, não haverá quem leia este blog de textos enormes e provavelmente ultrapassados. Estou me sentindo assim…

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2 comentários sobre “De volta às cavernas?

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