O Melhor Jogador de Todos os Tempos

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Essa discussão do melhor de todos os tempos não existia na minha infância. Naquela época (e os mais velhos defendem isso até hoje) o melhor do mundo era o Pelé e pronto. Sem discussão. Só depois da Copa de 1986 alguns argentinos quiseram colocar o Maradona no posto, acirrando a já famosa rivalidade regional. Hoje ainda, para apimentar a conversa,  há um novo Argentino na parada, que encanta aos fãs da arte e surge como recordista de qualquer coisa, o Messi. Aos mais novos, esse é a grande referência.

Mas estão todos errados. Nem Pelé, nem Maradona e nem Messi merecem o título. O melhor jogador de todos os tempos é o “Ganso Imaginário”.

Poucos perceberam que  existem três Gansos. O Ganso do Santos, que era uma jovem revelação ao lado do Neymar, o Ganso do São Paulo, um sujeito de grande talento e preguiça ainda maior e o maior deles o “Ganso Imaginário”, que une todos os predicados que um jogador pode ter. Ele finaliza como ninguém, é inteligente e seu chute da entrada da área supera a Didi, Cristiano Ronaldo ou Nelinho. Como passador, então, faz Zidane corar de vergonha. Ele corre, marca, ataca, defende, tem vigor físico. E se há alguma dúvida de seu reinado, é só lembrar que muitos diziam ser ele bem superior a Neymar.

Fico até com pena do Ganso real, deve ser muito difícil ser comparado a todo o momento com Ganso Imaginário e saber que nunca será ele.

Isso faz pensar em como a memória das coisas boas nos engana.

Quantas vezes revemos um filme que nos encantou no passado e ficamos decepcionados com ele hoje em dia? E quando voltamos a um restaurante que foi especial em um momento da vida e nos decepcionamos com o filet à parmegiana que nos enchia de alegria?

A música de nossa juventude, os craques da infância, a casa de praia em que fomos com a primeira namorada, as roupas, os cheiros, qualquer coisa envolvida em boa nostalgia se transforma em algo difícil de superar.

O Ganso paga por isso até hoje. Jogou bem num time em que tudo dava certo, as peças se encaixavam, todos eram jovens e encantavam. E ainda estava ao lado do Neymar, o único craque brasileiro de sua geração. Seria melhor que as pessoas parassem de compará-lo com “aquele” Ganso, que só existe na fantasia romântica das nossas memórias distorcidas pela nostalgia. Deixem o jogador ser o mediano talentoso que é.

E que as nossas boas lembranças continuem nos traindo, enchendo de doçura e sentido este mundinho amargo em que vivemos.

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