Eu, o Crente

 

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O mundo comemora, os jornais noticiam, cientistas confirmaram a teoria de Einstein que trata de ondas gravitacionais.

Eu até explicaria para o leitor o que isso significa, mas não o farei porque não consegui minimamente compreender o fenômeno mesmo, lendo o infográfico do UOL.

Fiquei tão excitado como no dia em que o CERN provou que existem partículas minúsculas que são ainda menores que as partículas minúsculas que já se conhecia.

Ao que parece, estão tentando entender o Universo e suas origens.

Antes dos cientistas, os religiosos explicavam essa origem de outra forma. A bíblia, por exemplo, diz o seguinte:

No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

Já segundo os Gregos, Caos era um Deus solitário que reinava sobre o nada e ele, cansado da solidão, criou Gaia. Gaia criou Eros, Urano e os deuses foram brigando, transando e comendo (literalmente) uns aos outros e em algum momento criaram a Terra.

Para os astecas, no princípio, tudo era negro e morto. Um dos deuses, Nanahuatzin, se lança a uma fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, outro deus joga-se na mesma fogueira transformando-se em Lua. Os deuses vão se sacrificando e virando elementos até a Terra nascer.

E para os Cientistas toda a energia do universo estava concentrada em um único ponto, não havia nada fora dele e não existia o tempo. Esse ponto explodiu e formou o sol, a lua, a galáxia de Orion, os buracos negros, o tempo, as ondas gravitacionais e a Scarlett Johansson.

Coloquei os mitos e a explicação científica em sequência de propósito, para mostrar que em relação ao surgimento do mundo,  acreditar nos cientistas exige a mesma dose de fé do que acreditar no deus Nanahuatzin.

Não vou dizer que eles estão errados, mas minha mente não consegue ver lógica em um ponto que explode e gera tudo. Eu assisti a série Cosmos, li explicações  e continuo achando tudo isso tão excitante como a descoberta de partículas menores que as outras partículas.

Se é para não entender uma explicação ou outra, então prefiro as versões mitológicas. Prefiro acreditar no deus Caos, no sacrifício de Nanahuatzin ou discutir o significado de “O espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.

Cansei da ciência, cansei da lógica, as mil matérias sobre ondas gravitacionais me fizeram sentir falta dos deuses pagãos. Que voltem todos eles, Baco, Eros, Mercúrio, Tutatis, Belenos, Baal, Tupã, Afrodite e Iara. Façamos rituais nus dançando entre fogueiras, pedindo chuva.  Nosso Deus único está muito solitário e não consegue evitar que seus filhos se matem aos montes. A frieza da exploração científica não evitou que se criasse a bomba atômica. Quem sabe as cores e nuances dos seres elementais venham nos redimir.

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Eu, o Crente

  1. Bela reflexão, Lúcio! Me fez lembrar de uma frase da Ursula K. Le Guin, no seu “Mão Esquerda da Escuridão”: “a Verdade é uma questão de imaginação”. A fé e a razão moderna, científica (que, concordo com você, acaba servindo como “sucessora” das religiões – e tenho divertidas discussões com um amigo médico sobre isso) acabaram nos enchendo de tantas certezas que conseguiram matar o mistério e romantismo desse mundo. Acho mesmo que o que nos falta é um pouco dessa ingenuidade que nos permitira ver a vida com as cores do amor e da compreensão mútua…

    Abraços, e parabéns pelo texto!

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