A escalada do ódio

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Na foto, Rodrigo Constantino pregando a cassa aos artistas de esquerda.

Quando crianças brigam e um adulto vai separá-las é inevitável ouvir a desculpa clássica:

“Foi ele que começou.”

Com alguns adultos da nossa querida e polarizada sociedade não é diferente. A violência e o ódio estão ultrapassando o espaço virtual e os grupos de Whatsapp para chegar as ruas e isso não é bom.

Os coxinhas dizem que quem começou foram os petralhas e vice-versa. Eu não tenho as coisas registradas em calendário para saber, mas tenho certeza que alguns formadores de opinião contribuíram e continuam contribuindo para transformar o debate numa rinha.

Começamos pelo suposto filósofo Olavo de Carvalho. Digo suposto porque o vídeo abaixo mostra que ele não usa o tipo de linguagem que se espera de um filósofo, nem o mesmo tipo de raciocínio. Ultimamente ouvi muita gente desmerecendo o Lula porque ele fala palavrões. Pelo jeito, alguns deles fazem parte da filosofia moderna.

De qualquer forma, na última quinta-feira, em plena semana santa, uma mulher agrediu Dom Odilo. Será que foi incentivada pelo vídeo abaixo?

A filosofia anda me decepcionando muito. Nos meus tempos de USP, Marilena Chauí era uma espécie de Madonna dos professores universitários. Era a grande estrela. Líamos seus livros com a mesma dedicação que o Olavo de Carvalho lê as encíclicas do Vaticano. Pois vejam este o discurso famoso da filósofa da esquerda. Percebam o tom com que ela expõe  seus argumentos e notem que ela pede desculpas por estar sem voz. E o mais assustador. Ouçam o apoio da platéia enquanto ela joga lenha na nossa triste fogueira do ódio de classes.

Mas não pensem que o incentivo ao ódio é exclusividade dos filósofos.

Já ouviram falar em jornalistas? Aqueles sujeitos com a importante missão de informar a população?  Aqueles que aprendem desde o primeiro dia de aula a importância da isenção. A responsabilidade do seu ofício. Pois, bem, jornalistas tem feito coisas muito estranhas.

Vejam o tom com que o jornalista Reinaldo Azevedo trata um ministro do STF. Vejam a frase “Vão ter que se acertar com a população”. É quase um chamado ao linchamento, talvez físico, com certeza intelectual. É uma tipo de jornalismo que incentiva com a humilhação completa de quem pensa diferente. E não é a única vez. Não basta discutir o tema, é preciso difamar a parte contrária.

 

E quando vamos para o lado vermelho da força o que encontramos? Mídia Ninja, Jornalistas Livres, supostos profissionais da notícia vasculhando as passeatas que encheram as ruas para encontrar uma imagem que remeta a luta de classes. Pronto, a voz de 6 milhões não precisa ser ouvida. “Temos uma foto da babá com o carinho. Todo o resto não interessa. Podemos usar a luta de classes a nosso favor.”

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Não é a toa que um bispo apanhou na missa, não é a toa que intimidaram o Chico Buarque, não é a toa que minha amiga foi xingada no metrô por uma professora petista. Se os jornalistas agem assim, se os filósofos agem assim, se os políticos agem assim, porque nós haveríamos de agir de outra maneira?

Eu lhes respondo.

Temos que agir de outra maneira porque não há coxinha ou petralha qe não sonhe com mais segurança, educação melhor e saúde de qualidade. Se cada um parar um pouco de gritar e começar a ouvir, o tom da conversa muda.

Não creiam que esses sujeitos são melhores que nós ou exemplo de algo. Gaste algum tempo ouvindo os argumentos das pessoas equilibradas que pensam de forma diferente a sua (sim, elas existem). Na hora de discordar evite o sarcasmo, evite elevar o tom de voz, evite as letras maiúsculas.

E antes que comecem a argumentar, já vou avisando. Eu não quero saber quem começou.

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E fica um recadinho final, pra terminar o texto de um jeito fofo. Roubei do Alessandro Bender.

 

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8 comentários sobre “A escalada do ódio

  1. Excelentepost. Estamos em uma fase politica e econômica que deixa a todos vulneráveis, e quando se está perdido, como se sente agora, qualquer um que fale sua lingua vai fazer o truque. Falta pensamento próprio e assim, qualquer formador de opinião encontra terreno fértil, um cabo de guerra sem fim. Seria perfeito se ouvissemos mais, mas, infelizmente não vejo isso acontecendo ainda. Mas artigos como o seu fazem parte daqueles grãos que a galinha usa pra enxer o papo. Continuemos tentando.
    Parabéns Lúcio.

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