Pornografia e política

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Aviso: Não leia se você tem menos de 18 anos.

Sempre me diverti com os títulos que produtores de filmes pornô escolhem para suas paródias de cinema. “Despedida em Las Vegas” vira “Despedida em Las Pregas” e “Senhor dos Anéis” se transforma em “Senhor dos Anais”.

Lembrei disso ao ler na Folha que uma produtora brasileira lançou um filme pornô parodiando a atual situação política brasileira: Operação Leva-Jato.

Imagino que o filme deva ser bem realista. Afinal, se tem suruba, sacanagem, troca-troca e um tentando “foder” o outro, qual a diferença em relação ao nosso atual cenário político?

Aliás uma das figuras que mais apareceu no movimento pró impeachment foi o ator pornô Alexandre Frota.

Mas não consegui deixar de imaginar qual seria o roteiro do filme. Sem ter acesso ao original, resolvi criar uma sinopse, ou pelo menos, um apanhado de ideias, usando alguns personagens reais num ambiente onde elogiar a mandioca tem um significado totalmente diferente.

O Filme tratará do embate entre o MBL e o MST. Ou seja Movimento da Bunda Livre contra o Movimento dos Sem Teta.

Tudo começa com uma grande suruba na Petrobras, porém as tramoias são descobertas pelo Teori Xavasca e pelo Lavandorolowski.

O ator principal é um japonês que prende Delcídio Amapau,  Jorge Luiz Pelada e Marcelo Odeprexecat.

O diálogo mais marcante acontece entre um deputado e um juiz:

_ Pode liberar o CUnha, não precisa Temer.

No final, todos vão presos (até o Felicianus) e continuam suas orgias atrás das grandes enquanto Tirapica, o único deputado remanescente, assume a presidência.

P.S. Contribuíram involuntariamente com esse texto Caetano Scatena e Adriana Brunstein, em um almoço regado a molho Shoyo e abobrinhas.

 

 

 

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Poesia de pai para a filha 2

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O último texto que publiquei ficou muito bonito, falava de minha filha e de poemas que eu escrevia e que ela escreve.

 Porém escolhi um título tão ruim que quase ninguém leu. Decidi alterá-lo mas era tarde demais, o post ficou no passado.

Então reciclarei o título e vou publicar um soneto que escrevi dias antes do nascimento dela em 2006.

A Espera de Esther

Antes a vida tão certa e clara

O dia, a casa, o tudo saber

Em um dado momento o medo de ser

Depois a surpresa que se depara.

Antes o sonho, a esperança, o ideal

A confirmação, o cuidado e a fé

Em amar-se o que ainda não é

O que depois será tudo afinal.

Antes a espera, o torcer, a ansiedade

de pais e avós, de tios e amigos

O tempo, os meses, o aviso e o alarde

Um universo em ti resumido

Antes o silêncio encobrindo a cidade

Depois o teu choro rompendo o infinito

P.S. Há uma baita discussão no país sobre o papel da Cultura em tempos de crise. Eu me posiciono aqui, como besta e sonhador: A cultura e a arte podem nos salvar da crise, nos levar a outros mundos onde não há escassez de recursos, de gentileza, de entendimento e de moral. Podem ainda ajudar-nos a ver este mundo sobre outros prismas. Quem sabe assim possamos compreender o incompreensível e romper as barreiras invisíveis que nos dividem.

Poesia, de pai para filha

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Quando eu tinha 12 anos fiz esse poema para a escola:

 

O Duelo

 

Tirei minha espada, olhei para o céu 

Começa o Duelo, duelo cruel

 

E vendo sentada, de arquibancada,

a morte

 Ali o Eterno, esperando alguém

pra levar para o inferno

 

Dei um golpe no ouvido e ainda duvido

Como ele ficou apenas ferido

 

Tirou minha espada num golpe audaz

Jogou-a para longe, deixou-me incapaz

 

Termina o duelo e dois machões 

dormem ao lado em seus caixões

 

Era um texto pueril, dava pra perceber que eu me esmerava em escrever porém minhas preocupações eram fantasiosas e superficiais.

Lembrei deste texto ao ler uma poesia escrita pela minha filha de 10 anos (espero que ela não se ofenda pela reprodução sem pagamento de royalties). Foi feita para a escola e o tema eram os contos de fadas:

 

Caminho para a Liberdade

 

Quando você for caminhar

Menina do vestido vermelho como o fogo

Lembre-se do conselho que vou te dar

 

Quando estiver assustada 

Com medo e se sentindo assombrada

Menina que caminha pela floresta

não tente ficar parada

 

Quando estiver em um momento

Que se resume apenas em sofrimento

Menina do rosto sorridente 

Saiba que estará sempre em meu pensamento

 

E quando decidir no fundo do teu coração

que não precisa mais segurar minha mão

nem ouvir os meus tantos conselhos 

inimiga de lobos traiçoeiros

saiba que não terei receios.

 

O poema me emocionou. Minha filha aos 10 anos mostrou profundidade e maturidade que eu estava longe de alcançar aos 12. Isso para não falar da qualidade do texto em si.

Eu me coloquei no lugar do narrador dos versos dela e a vi como essa chapeuzinho valente que caminha clamando por liberdade.

Ela pertence a uma nova geração, mais avançada que a nossa. Creio que ser superado pelos filhos é o sonho de todo pai. Sinto que isso vai acontecer.

Será que sou corajoso como esse personagem ou como o espadachim que sonhei ser na infância? Em breve chegará o dia em que ela largará minha mão e não ouvirá mais os meus conselhos. Sei que desbravará inúmeras florestas e que estará em meu pensamento. Como não ter receios?

 

 

 

Essa tal de amizade

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Queimando os miolos para não falar de política no texto da semana, ninguém aguenta mais, né?

Pois bem, algumas coincidências ajudam a trazer inspiração. E foi assim que aconteceu.

Semana passada, falei de amigos bloqueados mas também citei amigos com quem gosto muito de debater nas redes. Dias depois um deles me ligou e fez um convite super generoso, dessas coisas que só grandes amigos fazem (duvido muito que ele tenha lido o texto).

Ainda estava tocado com o gesto quando fui ao cinema ver o filme Truman, cujo cartaz ilustra essa matéria. Fui sem saber muito do que se tratava e eis que é uma história de amizades e grandes gestos de afeto.

Isso me fez pensar que a vida tem altos e baixos, ganhamos e perdemos, acertamos e erramos. Se eu olhar para trás e fizer um balanço, tenho certeza que o maior patrimônio que acumulei foram as amizades.

Sim, eu tenho amigos capazes de grandes gestos, tenho amigos que lembram de mim e me estendem a mão espontaneamente quando eu preciso, mesmo que eu fique quieto no meu canto, mesmo que eu não queira dividir os problemas com ninguém.

Há um ditado que diz: “Sorria e o mundo sorrirá com você. Chore e vai chorar sozinho”. Pois pra mim esse ditado não serve, sempre haverá alguém ao meu lado, para celebrar as vitórias ou para me amparar caso eu precise.

Acho que me emocionei com o filme por identificação. Por reconhecer meus amigos nos personagens (não vou entrar em detalhes para não dar spoiler, só posso dizer que é mais uma daquelas interpretações fantásticas do Ricardo Darin).

Espero ser digno deste carinho. Espero ser capaz de apoiar meus amigos tanto quanto eles me apoiam. Espero que o blog seja uma forma de me aproximar de todos e de conhecer novas pessoas legais e quem sabe, fazer novos amigos.

E finalmente espero que os amigos ao lerem este texto, se sintam abraçados. É o mínimo que posso fazer.

 

 

Desculpe amigo, mas vou te bloquear

 

 

yelling.jpgMeu caro amigo, gosto muito do Facebook. é um lugar onde troco fotos com pessoas queridas, fico sabendo como estão os conhecidos que não consigo ver no dia a dia e converso sobre assuntos que me interessam.

Sim, é um lugar onde também me divirto falando de política com aqueles que respeito e admiro.

Falar de política é saudável, importante e está na moda. Claro, o país vive um momento de grande agitação, é natural que as pessoas se envolvam e mais natural ainda que alguns se exaltem.

Mesmo assim, gosto das discussões que tenho. São conversas que me divertem e me dão prazer. O mesmo acontece com o Blog e os comentários dos queridos seguidores.

E vivo discordando de todo mundo.

Discordo dos meus amigos de esquerda como o Pedro Menezes, a Flávia Coelho e o Paulo Boccato. Travamos longos debates. Discordo de amigos de direita, como o Fabio Rosas ou o Marcelo Gentil.

Discordar é saudável. Aprendo muito com quem pensa diferente.

Mas com você tenho algumas questões:

  • Você não discorda pra trocar ideias, você precisa vencer qualquer batalha retórica em que se envolve.
  • Você não está interessado na minha opinião. Pouco te importa o que eu penso. Você quer apenas exibir suas convicções.
  • Aparentemente sua missão de vida é provar que estou errado.
  • Você acha que quem pensa de forma diversa a sua é necessariamente mal intencionado ou pouco inteligente.
  • Você escolhe o caminho de desmerecer o oponente no lugar de rebater as ideias deste.
  • Eu prego a paz e simplesmente deixo de seguir as pessoas que estão sempre postando mensagens de ódio e preconceito (sim, não te sigo há tempos). Você me trata com sarcasmo graças a essa minha atitude, ironizando meus textos pacifistas.
  • Você me manda links de jornalistas ruins e cheios de ódio para provar seus pontos de vista.
  • Nossas discussões quase sempre terminam com você me rotulando.

Resumindo, enquanto eu me divirto ao falar com os outros, eu me irrito quando debato com você. É desagradável, é cansativo, tem energia ruim.

Você não soube brincar. Estragou o brinquedo, ou como dizem os jovens, zoou o rolê.

Portanto meu caro, para salvar a minha alegria de usar o Facebook e pela preservação de meu espaço, me valho de toda a pompa para anunciar aos ventos que você está sendo bloqueado.

Não me leve a mal. Podemos nos encontrar ainda no mundo real, um espaço com uma série de vantagens, entre elas um certo constrangimento que as pessoas sentem antes de ofenderem umas as outras.

Enfim, nos vemos por aí.

 

 

 

 

 

 

O Dia em Que o Whatsapp Parou

Toda Unanimidade

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Manu acordou e logo puxou o celular que estava no criado mudo para ter certeza de que não era um pesadelo: O Whatsapp não funcionava.

Na noite anterior aguardara com ansiedade o horário previsto para a interrupção do serviço, ainda com esperanças de que tudo não passasse de um boato. Infelizmente era verdade e nada podia fazer.

Chegou a mesa do café sentindo uma angústia difícil de explicar. O rádio dava as notícias da manhã, incluindo a da liminar que proibia o aplicativo. Seus pais conversavam como todos os dias, falando do trabalho ou da programação do final de semana. Manu segurava o celular, com vontade de ler os “bom dias” dos amigos e de ver ícones de rostos sorrindo, mas isso não aconteceu.

Entediada, começou a observar o movimento da cozinha enquanto comia. O pai falava gesticulando, levantava-se para preparar novas torradas, exibia seu sorriso matinal. A mãe limpava…

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