Cinco Brasileiros

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1.

Pirulito é o apelido de Clairyson Silva. Prestes a completar dezoito anos ele recebeu uma oferta para trabalhar no estoque de um supermercado. Os novecentos reais de ordenado ajudariam a família e lhe renderiam umas sobras para a baladinha do final de semana.

Pirulito queria mais e trocou as duas horas de ônibus até o centro e a carteira assinada por um trampo de olheiro na boca.

Agora ele exibe um tênis de mil reais para as novinhas do baile funk.

2.

Jorge Fernando Machado tinha orgulho do cargo  – Analista de Compras II – em uma indústria de auto-peças. Dava para pagar as prestações do apartamento juntando o salário com o da esposa, professora numa escola do bairro. Só não sobrava para luxos. A viajem à Disney era adiada ano após ano.

Jorge queria mais e fez alguns acertos com certos fornecedores que precisavam garantir contratos melhores.

Agora ele vai todo ano para o exterior. A família nunca posta as fotos das viagens em redes sociais.

3.

Priscila Cortez jamais vai se esquecer do dia em que passou no concurso da magistratura. Ela adora dizer no clube que é juíza. Só que nas mesmas conversas, quando as amigas contavam sobre casas em Aspen, ela se sentia inferiorizada.

Priscila queria mais e combinou com um advogado amigo que facilitaria a vida de alguns dos seus cliente.

Agora Priscila também tem uma casa em Aspen.

4.

Eduardo Becker só começou a trabalhar aos 30 anos na construtora do pai. Antes, estudou e curtiu a vida. Escolheu fazer a pós-graduação em Berna, para estar bem no Centro da Europa. Ao voltar, tornou-se CEO da empresa.

Eduardo queria mais e fez um plano de crescimento que envolvia a construção de obras públicas. Contava para isso com o apoio de Miguel, seu velho amigo, atual governador de Santa Catarina.

Agora a construtora da família detém alguns bilhões em contratros de obras com o governo e Eduardo é padrinho do neto do Presidente da República.

5.

Maria de Lourdes Rosário está desempregada há anos e vive de faxinas ocasionais. Ela nunca pegou nada de ninguém.

Maria de Lourdes quer mais e por isso faz aulas noturnas para ser manicure.

Agora, ela está na fila de um hospital qualquer na periferia, rezando para que a dor no peito não seja nada demais.

 

 

 

 

 

 

 

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