Bem-vindo a era do pós-emprego. Sem crachá, sem salário e com propósito

A VIDA SEM CRACHÁ

Na era do pós-emprego, o trabalho formal se precariza, muda de natureza e adquire novo sentido associado a causas, ao prazer e ao empreendedorismo social

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Há exatos 20 anos, o economista Jeremy Rifkin e o consultor William Brigdes, ambos norte-americanos, lançaram dois livros gêmeos: O Fim dos Empregos e Um mundo sem empregos. O assunto era moda nos Estados Unidos, porque uma crise econômica lambia o mundo. À época, a crítica considerou Rifkin excessivamente pessimista e apocalíptico. Bridges foi chamado de marqueteiro porque oferecia um guia de auto-ajuda para executivos fadados a sobreviver sem crachá. No Brasil de FHC, com o início da estabilidade econômica e o fim da inflação, a conversa era outra. Renato Russo, do Legião Urbana, cantava Música de Trabalho, sucesso do disco A Tempestade, para protestar contra os empregos (abundantes) com salários miseráveis e o trabalho como falsa identidade do indivíduo.

Sem trabalho…

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O político e a empreiteira

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Ele avançou pelo recepção da empreiteira com passos tímidos. O tamanho do prédio o impressionara. Não sem motivo, o hall de entrada tinha proporções exageradas, a luz do sol atravessava as paredes de vidro espelhado e vazia brilhar o mármore do piso.

Diante de uma das recepcionistas, anunciou:

“Vim falar com o seu Marcelo”.

“Qual Marcelo?”.

“Ué? O Dono. O homem que manda”.

A recepcionista estranhou os modos e as roupas simplórias do visitante.

“O senhor é aguardado?”

“Eu sou político, minha filha. Não preciso marcar hora.” Respondeu transformando a timidez em prepotência.

O tom alto da voz chamou a atenção dos seguranças que se aproximaram discretamente. Outros visitantes que estavam na fila também se interessaram pela conversa.

“Qual o nome do senhor?”

“Claudisson Silva, mas meu apelido é Kaka do Posto”.

A essa altura a segurança já se comunicava por rádio e o departamento de RP havia sido avisado. A recepção estava cheia. Fornecedores engravatados, portadores segurando pastas, candidatos a vagas de emprego e entregadores de lanchonetes testemunhavam a cena.

A recepcionista pediu que o homem esperasse num sofá ao lado, alguém desceria para atendê-lo.

Em 4 minutos apareceu um assessor gordinho, apertado em um terno Hugo Boss e chamou o homem de lado.

“Prazer, eu sou político, Kaka do Posto. O senhor é o seu Marcelo?”

“O Marcelo não está. Eu posso te ajudar?” O assessor falava baixo na esperança de que o homem o imitasse.

“Eu sou político. Eu tenho apelido. Eu vim porque estou precisando de um dinheirinho”.

As pessoas na fila da recepção encaravam os dois. O Assessor vislumbrou a porta que dava para a escada de emergência e puxou Claudisson até lá. Atento, um segurança os acompanhou.

Isolados pela escada, o clima mudou.

“Político o Caralho!” Esbravejou o assessor enquanto procurava um grampo na roupa do visitante. Este, se defendeu puxando um papel dobrado do bolso.

“Olha aqui então” Bradou mostrando o diploma de posse. Claudisson era vereador eleito em Jandira. Conhecido como Kaka do Posto.

O assessor olhava o diploma xingando mentalmente o chefe que o colocara naquela situação. Kaka do Posto insistia.

“Eu sou vereador, eu tenho apelido. Eu sei que vocês ajudam tudo que é político com apelido. Eu tô ferrado de grana”.

“Taqueopariu, era o que me faltava”. Depois de xingar o mundo o assessor agiu de improviso, sacou uma nota de R$100,00 da própria carteira e ofereceu.

“Só isso?” resmungou Kaka. O assessor olhou para o segurança com cara de súplica e ouviu como resposta.

“Só tenho vinte”

“Serve!” Sorriu o visitante.

“Então pega essa grana e some da minha frente”.

Kaka pegou as duas notas o mais rápido que pode, deu uns passos na direção da saída, mas parou repentinamente e voltou-se para o assessor.

“Tem algum prá condução?”

Obteve um dedo do meio como resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

Acabem com a democracia

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O Brasil celebrando minha ideia

Já dizia Raul Seixas: “A solução pro nosso povo eu vou dar. Negócio bom assim ninguém nunca viu”.

Tal como ele, eu tenho a saída para o nosso país. E já adianto que a minha solução não é alugar o Brasil (embora não ache a proposta do Maluco Beleza de todo mal).

Mudemos a constituição ao meu modo, façamos a reforma política sob as regras que descreverei agora e teremos o país de nossos sonhos, o sistema perfeito e irretocável.

Em primeiro lugar esqueçam a democracia representativa como ela existe hoje. Nossos políticos apenas representam seus próximos interesses. Esqueçam a ditadura militar, os milicos estão muito felizes batendo continência e esperando suas aposentadorias fabulosas. Esqueçam a monarquia, os Orleans e Bragança preferem seus pijamas. Esqueçam o comunismo, a dieta de criancinhas dá azia em nossos frágeis estômagos.

Conheçam a Luciocracia.

Na Luciocracia todos os membros do legislativo serão escolhidos por sorteio puro e simples. E quem serão os candidatos? Qualquer brasileiro maior de 18 anos.

Assim caro leitor, a cada 4 anos o Faustão aparece na TV ao lado do Silvio Santos e do Datena e anuncia o nome dos 300 sorteados. E você assistirá ao sorteio com o coração na mão, torcendo para ter um salário decente pelos próximos 4 anos, com direito a apartamento funcional e vale transporte (porque carro oficial não existe na Luciocracia).

Entre os trezentos congressistas sortearíamos o primeiro ministro e a cada 4 anos trocaríamos a tropa toda.

Pensem:

  • Sem eleições não haveria motivo para as empreiteiras bancarem os candidatos.
  • A Verba partidária seria imediatamente transferida para o ministério da educação (o ministro seria um professor sorteado, evidentemente).
  • No final dos 4 anos bons e maus voltariam para os seus estados e novos membros seriam escolhidos.
  • O congresso teria uma representação mais fiel da sociedade: 1% de ricos, 51% de mulheres, 9% de fãs do Bolsonaro, 13% de São Paulinos, 5% de palmeirenses e assim por diante.

O plano é perfeito, nem precisa de grandes discussões, já está aprovado.

Eu não quero nada em troca pela salvação do Brasil. Apenas peço que diminuam as notícias de política no Jornal Nacional (saudades das notícias do bebê panda no zoológico) e que voltem as velhas tomadas. Basta de adaptadores.

 

 

 

Inveja

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Inveja é um sentimento muito feio. O leitor há de concordar. Prova disso é que as invejosas são as grandes vilãs da nova música Brasileira.

Infelizmente, preciso confessar que fui acometido deste sentimento nos últimos dias. Eu me envergonho disso, mas não consigo evitar.

Deixem-me explicar.

Desde que era um pirralho calçando Congas nos idos dos anos 70, eu ouvia os adultos elogiando minha criatividade. Eu voltava da escola ostentando notas 10 em minhas provas de redação com o mesmo orgulho de quem ganha um Oscar.

Ao crescer, comecei a admirar e me inspirar em grandes mentes criativas: Spielberg, Gabriel Garcia Marques, Chico Buarque. Aliás, sempre tive uma certa preferência por aqueles que dominavam a arte do humor, talento dos mais difíceis e arriscados. O que dizer de Woody Allen, Luis Fernando Veríssimo ou Mel Brooks? Eu aprendia com eles, crescia com eles, tentava trazer um pouco de sua genialidade para o meu trabalho.

Mas ainda estamos falando de admiração, de inspiração, de bons sentimentos.

Essa semana conheci algo novo, algo que é mais forte e doloroso. Uma sensação que nos consome, nos queima por dentro.

Essa semana eu senti inveja de alguém que une bom humor, sarcasmo, criatividade, sagacidade, senso de oportunidade como eu nunca havia visto antes. Uma pessoa que deixou no chinelo os ídolos que tanto admirava.

Falo do sujeito que inventou os apelidos na lista de corruptos da Odebrecht. 

Caro funcionário anônimo da Odebrecht. Você superou a todos nós. Você é o cara!

Você que apelidou Gim Argello (ex-senador pelo PTB) de “Campari”. Devo-te todas as honras e retiro-me do recinto, aceitando minha derrota.

Atributos de Renan Calheiros

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Renan, numa manhã tranquila.

A última página do Guiness (livro dos recordes) diz em letras miúdas: “Todos os recordes do mundo pertencem a Renan Calheiros. Nós apenas nos damos o trabalho de listar os segundos colocados em cada categoria.”

Quando Renan Calheiros recebe os impostos, ele manda de volta folhas brancas com uma foto dele com cara de insatisfeito. Renan Calheiros não teve que pagar impostos nunca.

Quando Deus disse “Que se faça a luz!”, Renan Calheiros falou “Diga ‘por favor’.”

Renan Calheiros jogou roleta russa com um revólver totalmente carregado e ganhou.

Renan Calheiros pediu um Big Mac no Bob’s. Ele foi atendido.

Renan Calheiros não tem medo do escuro, mas a recíproca não é verdadeira.

Renan Calheiros uma vez tomou um vidro inteiro de pílulas para dormir. Elas fizeram ele piscar.

Renan Calheiros pode dividir por zero.

Renan Calheiros venceu o Campeonato Mundial de Poker com um dois de paus e uma carta “Saída Livre da Prisão” do Banco Imobiliário.

Deus precisava de 10 dias para construir o mundo. Renan Calheiros deu a ele 6 e olhe lá.

Renan Calheiros não tem casa. Ele escolhe uma casa e seus moradores se mudam.

Os dinossauros olharam torto para Renan Calheiros uma vez. Uma vez.

Quando o Bicho Papão vai dormir, ele deixa a luz acesa com medo de Renan Calheiros.

Antes de esquecer um presente de Renan Calheiros, Papai Noel existia.

Ao responder as questões de uma prova, escreva sempre “Renan Calheiros”. Você vai sempre tirar nota 10.

Quando Bruce Banner fica irado, ele se transforma no Hulk. Quando o Hulk fica irado, ele se transforma em Renan Calheiros.

Renan Calheiros não usa relógio. Ele decide que horas são.