O político e a empreiteira

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Ele avançou pelo recepção da empreiteira com passos tímidos. O tamanho do prédio o impressionara. Não sem motivo, o hall de entrada tinha proporções exageradas, a luz do sol atravessava as paredes de vidro espelhado e vazia brilhar o mármore do piso.

Diante de uma das recepcionistas, anunciou:

“Vim falar com o seu Marcelo”.

“Qual Marcelo?”.

“Ué? O Dono. O homem que manda”.

A recepcionista estranhou os modos e as roupas simplórias do visitante.

“O senhor é aguardado?”

“Eu sou político, minha filha. Não preciso marcar hora.” Respondeu transformando a timidez em prepotência.

O tom alto da voz chamou a atenção dos seguranças que se aproximaram discretamente. Outros visitantes que estavam na fila também se interessaram pela conversa.

“Qual o nome do senhor?”

“Claudisson Silva, mas meu apelido é Kaka do Posto”.

A essa altura a segurança já se comunicava por rádio e o departamento de RP havia sido avisado. A recepção estava cheia. Fornecedores engravatados, portadores segurando pastas, candidatos a vagas de emprego e entregadores de lanchonetes testemunhavam a cena.

A recepcionista pediu que o homem esperasse num sofá ao lado, alguém desceria para atendê-lo.

Em 4 minutos apareceu um assessor gordinho, apertado em um terno Hugo Boss e chamou o homem de lado.

“Prazer, eu sou político, Kaka do Posto. O senhor é o seu Marcelo?”

“O Marcelo não está. Eu posso te ajudar?” O assessor falava baixo na esperança de que o homem o imitasse.

“Eu sou político. Eu tenho apelido. Eu vim porque estou precisando de um dinheirinho”.

As pessoas na fila da recepção encaravam os dois. O Assessor vislumbrou a porta que dava para a escada de emergência e puxou Claudisson até lá. Atento, um segurança os acompanhou.

Isolados pela escada, o clima mudou.

“Político o Caralho!” Esbravejou o assessor enquanto procurava um grampo na roupa do visitante. Este, se defendeu puxando um papel dobrado do bolso.

“Olha aqui então” Bradou mostrando o diploma de posse. Claudisson era vereador eleito em Jandira. Conhecido como Kaka do Posto.

O assessor olhava o diploma xingando mentalmente o chefe que o colocara naquela situação. Kaka do Posto insistia.

“Eu sou vereador, eu tenho apelido. Eu sei que vocês ajudam tudo que é político com apelido. Eu tô ferrado de grana”.

“Taqueopariu, era o que me faltava”. Depois de xingar o mundo o assessor agiu de improviso, sacou uma nota de R$100,00 da própria carteira e ofereceu.

“Só isso?” resmungou Kaka. O assessor olhou para o segurança com cara de súplica e ouviu como resposta.

“Só tenho vinte”

“Serve!” Sorriu o visitante.

“Então pega essa grana e some da minha frente”.

Kaka pegou as duas notas o mais rápido que pode, deu uns passos na direção da saída, mas parou repentinamente e voltou-se para o assessor.

“Tem algum prá condução?”

Obteve um dedo do meio como resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

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