Lula, Jesus e Luke Skywalker

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O leitor que não é familiarizado com roteiros talvez não tenha ouvido falar na “Jornada do Herói”.

Trata-se de uma estrutura básica narrativa onde o herói é um jovem com algum tipo de predestinação messiânica. Este herói (que ainda não conhece sua missão) sai de casa e se lança numa aventura onde vão aflorar seu heroísmo e habilidades especiais, até que se confirme a profecia.

Se você prestar atenção em Guerra nas Estrelas, Matrix, Harry Potter, O Senhor dos Anéis e Jogos vorazes verá que todos se encaixam neste formato. Aliás, as origens da Jornada do Herói vem da antiguidade. As histórias bíblicas das vidas de Moisés e Jesus são típicos exemplos.

E onde entra o Lula na história?

A vida de Lula (excluindo-se os últimos anos) tem as estrutura narrativa idêntica à maioria destes personagens. Ele nasceu um ser humano comum, pobre, pertencente a um mundinho pequeno. Com o tempo, desenvolvendo habilidades de negociação, convencimento e carisma,  Lula evoluiu, enfrentou inimigos, dificuldades, até se parecer com um Messias que saiu do povo para salvar esse mesmo povo.

Nos primeiros anos de seu goveno, a profecia se concretizou: A inflação caiu, a economia cresceu, o desemprego sumiu, ganhamos a Copa. A narrativa perfeita se fechou.

Porém, por mais lindo que tenha sido observar uma Jornada do Herói na vida real, Lula não era Harry Potter e muito menos Jesus Cristo. Pena que seus seguidores acreditaram nisso. Ainda Pior, o próprio Lula parecia sentir-se ungido.

As maracutaias que vieram à tona mostram que a vida real é menos óbvia que a ficção e foi justamente o que disse Palocci na carta de desfiliação que enviou ontem.  Ele questiona se o PT é de fato um partido político ou uma “seita guiada por uma pretensa divindade”.

Lula nasceu pobre como Jesus, fez a travessia no deserto como um Moisés, tinha o corpo marcado como Harry Potter e enfrentou o Império como Luke Skywalker. Isso ajuda explicar porque tantos acreditaram em seus poderes. Porém, ao contrário de Frodo, Lula não resistiu a tentação do anel e o anel destrói que se deixa seduzir por ele.

A Jornada do Herói é linda, mas pertence ao mundo da narrativa, da ficção. Não podemos esperar que um Messias surja no Planalto e venha nos salvar. É o que muitos desejam quando idolatram seus candidatos. Mesmo o clamor de alguns pela volta dos militares não deixa de ser uma esperança num ente mágico que vai nos redimir.

Não se iludam meus caros, nosso futuro depende do trabalho com erros e acertos de muitos homens de carne e osso e não da Força de Luke Skywalker, por mais sedutor que isso possa parecer.

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Adeus Harry Potter. Muito obrigado!

Terminei o segundo livro do Harry Potter, A Câmara Secreta. Sei que não parece algo extraordário, a maioria das pessoas fez isso há muito tempo. Porém, esse foi um fato marcante para mim.

Até uns 4 ou 5 anos atrás eu inventava histórias diariamente para minha filha dormir. Era um desafio, ela era exigente. Eu espremia a cachola para botar ideias para fora.

Um dia, para facilitar a minha vida e porque ela já estava ficando grandinha, comecei a ler o primeiro Harry Potter. Minha filha dorme em casa de 4 a 6 dias por mês e muitas vezes ela está cansada e pega no sono logo que deita. Assim, eu levei anos para ler dois livros da saga e terminei neste final de semana.

Foram inúmeras noites repetindo o ritual e me embrenhando nas aventuras do bruxinho enquanto via minha filha crescer. No fim, ela já estava com 11 anos. Não é idade para ouvir histórias na cama, mas decidimos juntos ir até o fim deste e encerrar essa etapa da nossa relação.

Ao ler a última página percebi que virava também uma página da minha vida. Que abandonaria esse hábito como já abandonei muitas coisas que amava fazer.

– Nunca mais troquei uma fralda sem me me importar com o cheiro azedo.

– Nunca mais peguei minha filha no colo e a senti leve como um esquilo e nunca mais senti medo de tocar na moleira macia.

– Voltando ainda mais no tempo, nunca mais joguei futebol com os amigos num certo campo em São Bernardo que era nada e tudo ao mesmo tempo.

– Nunca mais sentei num banco de colégio acreditando que o futuro estava a minha frente e que eu poderia ser tudo o que quisesse.

– Nunca mais beijei meu avô.

Agora é a vez de, nessa eterna sucessão de abandonos, deixar para trás Hogwarts e as vozes que inventei para cada personagem. Minha filha vai terminar a saga lendo em silêncio como é mais adequado para sua idade.

Adeus Harry Porter, obrigado por estar ao meu lado nestas noites tão felizes.  Só espero que a voz que criei para você sobreviva na cabeça da Esther e que ela ressoe ainda que em pensamento, nos feitiços e magias da adolescência.

Resumão das sacanagens de ontem

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Dia cheio para os jornalistas, foram tantas notícias bombásticas que algumas mal tiveram tempo de no espantar. Para que a gente não esqueça de nenhuma, fiz um resumão.

Da menos impressionante para a mais impressionante.

1 – PF faz operação contra membros do COB e Cabral que compraram votos para garantir a Olimpíada no Rio.

Bacana. Palmas para a PF. Mas sem novas. Tudo mundo já sabia, né?

2 – Malas com milhões achadas no apartamento do Geddel

A imagem é assustadora, tanto que encobriu as outras notícias, mas também ninguém imaginava que o Geddel era honesto. Eu fico pensando nele, que além de perder esse dinheiro todo ainda precisa tentar convencer a patuleia que a grana não era dele. Dia difícil.

3 – Janot faz denúncia contra a cúpula do PT.

Me surpreendeu. Sempre achei que o Janot pesava a mão contra os adversários do PT e era mais leve com a galera do Lula. No fim ele atirou para todos os lados antes de se afastar da PGR.

4 – Gravação de Joesley cita Supremo, PGR e José Eduardo Cardozo.

Essa é a grande informação cabeluda que ficou em segundo plano no meio de tantas notícias.

O que eles falam do Janot e do seu braçao direito, Marcelo Muller, é de arrancar os cabelos. Aparentemente Marcelo Muller já trabalhava para a JBS quando ainda era procurador da República.

Para quem não lembra, depois disso, o Marcelo Muller se desligou da PGR e tornou-se sócio do Trench, Rossi e Watanabi, escritório de advocacia que atende à JBS. Isso desqualifica totalmente o trabalho de Janot e da PGR.

Contra o Supremo, ainda não me parece haver nada consistente. Parece que a JBS quis contratar o Cardozo e ele não aceitou. A ver. Apenas Janot e Muller ficaram em situação extremante constrangedora.

Resumo feito, espero que tenha sido útil. Se souberem de outros apartamentos com grana dentro me avisem. Eu faço uma visitinha lá antes de denunciar para a PF.