E Se

Há um ano aconteceu o terrível acidente com o avião da Chapecoense.

Toda Unanimidade

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E se o avião tivesse atrasado

E se o aeroporto tivesse sido interditado

E se o táxi não chegasse a tempo

E se o passaporte estivesse na gaveta

E se houvesse um overbooking, um desmaio, uma fratura

E se o semáforoestivesse fechado

E se o caminho fosse outro

E se o destino fosse outro

E se a gente tivesse dado bola para aquela dorzinha, aquela queimação

E se a gente tivesse ido antes ao hospital

E se o médico descobrisse a tempo

E se naquele dia, naquele fatídico dia, alguém mudasse os planos

E se a onda não se levantasse

E se a terra não tremesse

E se o ladrão não atirasse

E se a bala parasseno osso

E se fosse só um susto

E se fosse um milagre

E se o universo fizesse sentido

E se mundo fosse justo

E se os pais nunca tivessem de enterrar os filhos

Ver o post original 18 mais palavras

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Somos todos Bolsonaro

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Encontrei Jair Bolsonaro sem querer numa padaria perto da Paulista, há uns meses. Ele chamava pouca atenção enquanto tomava café no balcão numa tarde chuvosa. Sentado próximo, pude ouvir a sua conversa com dois funcionários. Praguejava contra os políticos, todos iguais, e dizia que sem pulso, o Brasil não tomaria jeito.

Pensei em intervir na conversa mas tenho alergia a intervenções e encarei meu pão na chapa calado e pensativo.

Depois o vi na fila do Aeroporto, onde falava com dois amigos e dizia algo como:

“Eu não sou preconceituoso mas…”

Todos sabem o que vem depois do “mas” quando a frase começa assim. Um terrível discurso sobre os negros não darem certo em lugar nenhum. “Veja os japoneses, chegaram pobres no Brasil…”

A coincidência maior foi ter encontrado Bolsonaro uma terceira vez. Agora dirigindo um Uber. Pedia a volta dos militares ao poder enquanto gentilmente me oferecia balas 7 Belo. Pode ser estranho, mas neste dia Bolsonaro era uma mulher ligeiramente obesa e muito simpática. Falou dos filhos como havia falado de política e dei a ela 4 estrelas no final da corrida.

Nos dias seguintes comecei a encontrar o Bolsonaro em muitos lugares: No mercado, na banca de jornais, no trabalho, na oficina mecânica. Ele assumia várias formas e jeitos, era alto, baixo, magro, moreno, loiro, bigodudo, peituda e até grávida.

Hoje mesmo, enquanto voltava para casa, o vi várias vezes no metrô. Falava do ódio aos vagabundos, de chineses, de artistas de esquerda, de presidiários que levam uma vida de marajá nas prisões. Pedia armas para pessoas de bem, maldizia o PT e lembrava saudoso dos tempos do Figueiredo.

Uma hora me vi cercado por eles, milhares de Bolsonaros que riam, faziam do V da Vitória e e apontavam para mim. A porta do vagão abriu e eu corri, desviando de Bolsonaros nas ruas, nos carros, nos andaimes, nos faróis.

Cheguei em casa com o coração disparado, o suor escorrendo em esguichos. Respirei fundo e pensei em me lavar, mas parei assustado, sem coragem de olhar o espelho, com medo da imagem que veria refletida.

200 posts

200 posts

 

A WordPress acaba de me informar que publiquei 200 posts no Blog. Uau! até eu me assustei agora…

Está sendo bem divertido, conheci gente legal e participei de ótimas conversas. Bora pros 400 posts.

Quilombo Literário

 

Meu livro infantil, Cadu e o mundo que não era, recebeu uma resenha em vídeo no canal Quilombo Literário, do Leo O`Bento.

Sou autor há pouco tempo, ainda não acostumei com essas surpresas. O Leo O´Bento comprou o livro em uma feira literária, a crítica foi espontânea, não fruto de um trabalho de divulgação. O que a torna mais surpreendente e agradável.

Espero que outros leitores que gostarem do livro deixem suas opiniões. É gostoso de ouvir. Espero estar preparado para possíveis críticas negativas que também tem seu valor.

Livro de Graça!

Hoje e amanhã meu livro está de graça na Amazon.

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Muito melhor que Black Friday!

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Simpathy for William Waack

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Sou um sujeito estranho se comparado à maioria.

Sinto muitas vezes um negócio chamado empatia*.

Mesmo por aquelas pessoas que todo mundo odeia, ou que tem baixíssima popularidade, eu acabo tendo empatia.

O William Waack é uma delas, mas não a única.

Tenho empatia pela Katia Abreu, pelo Renan Calheiros, pelo Sarney, pelo Serra, pelo Zé Dirceu, pela Dilma, pelo Genoíno, pelo Ciro, pelo FHC, pelo Boulos, pelo Maluf, pelo Caiado…

Pode parecer incoerente, mas consigo ter empatia pelo Lula e pelo Temer ao mesmo tempo.

Acho que enquanto o mundo os vê como bandidos, eu os enxergo como meramente humanos. Donos de fraquezas (inclusive morais) que todos nós somos sujeitos a ter. Cada um deles com a ilusão de ser único e especial, cada um com  a ideia infantil de que deixamos uma marca positiva por onde passamos.

Isso não significa que concordo com seus erros ou crimes. Apenas não faço questão de me juntar à manada que com raiva julga e condena, que atira pedras e memes a esmo.

Também não pensem que sou santo. Há um grupo de humanos com quem não consigo solidarizar. Um grupo cuja forma de agir é imperdoável. São os profetas do ódio. Aqueles cujo discurso é repleto de dentes serrados e caixas altas. Os que agridem e criam as hashtags maldosas. Prefiro não citar seus nomes, mas vou citar assim mesmo: Alexandre Frota, Kataguri, Constantino e os reis de todos eles: Bolsonaro e Olavo de Carvalho, o pregador-mor do ódio.

Eu preciso me policiar para não ter raiva deles e  acabar ficando parecido com essa turma.

Opa, já ia me esquecendo do Waack.

Esse é outro ser humano com fraquezas e virtudes. É racista? O vídeo não me permite saber. Fez um comentário horrivelmente racista? Fez. Preciso atacá-lo louca e furiosamente? Acho que não.

Sinto pena dele, mais um humano tão parecido com todos os outros.

Vou pegar emprestada a frase do Papa Francisco – “Quem sou eu para julgá-lo?”

Quando ouço alguém chamando os outros de “essa gente”, penso com meus botões: “Essa gente somos todos nós”.

*Empatia significa a capacidade psicológicapara sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

 

Férias na Bahia

Férias na Bahia

Férias causam um impacto na gente. Especialmente quando são férias na Bahia. Na volta comecei a comparar os dias de ócio com a vida normal. Deu nisso:

Férias x Vida normal

Terra x Asfalto

Praia x Escritório

Quadriciclo x Metrô

Bar congestionado x Avenida Rebouças

Off para dormir x Frontal para dormir

Azeite de dendê x Azeite de Oliva

Transpirar assim que sair do banho x Ar condicionado do carro

Restaurante pé sujo delícia x Pagar uma fortuna por um espaguetti ao sugo

“Meu Rei”  x “CPF na nota?”

Pôr do Sol x Stranger Things 2

Santo André em Cabrália x Santo André no ABC

Baseado no Mirante x Marlboro no fumódromo da balada*

Havaianas x  Sapatênis

Ivete Sangalo x Coldplay

Kalango x Barata

Menos é mais x Mais é menos**

Rede no terraço x Rede Social

Relaxar na  praia x Relaxar escrevendo no blog

 

Se você acha que tem outras diferenças, me mande que eu coloco e dou crédito. 

*Sugestão de Marcelo B.

** Sugestão de Glauco Araújo