Meu sucesso no Whatsapp

Meu sucesso no Whatsapp

Acordei e levantei-me com cuidado para não atrapalhar a moça que dormia ao meu lado. O nome dela é Karen e eu a conheci numa festa na noite anterior. Tomei uma ducha rápida e passei um café. Ela apareceu na porta da cozinha, vestindo minha camiseta com um sorriso sem graça.

Conversamos melhor na padaria, onde fizemos um brunch juntos. Ela é simpática e extrovertida e me surpreendeu com uma afirmação.

“Estava louca pra te conhecer”

“Como assim? Alguém falou de mim pra você?”

“No meu grupo de Whatsapp, o Viúvas do Grey. Todas te achamos fofo”.

Eu quis entender melhor a história. Como virei assunto no grupo de Whatsapp dela? Que grupo é esse?

Ela explicou que é um grupo de mulheres e uma tal de Vanessa (amiga da amiga) me compartilhou de um outro grupo que ela participava. Aparentemente ganhei alguma competição de solteiro mais interessante da semana. Assim, quando Karen me viu na festa, já estava interessada em mim.

Ela me mostrou a foto da Vanessa e eu não a conhecia. Mas, guardei o sobrenome para procurar no Facebook. Nada de amigos em comum.

Na noite seguinte fui jantar com dois casais de amigos e contei a história que me intrigava. Carolina, esposa do Rogério, trouxe luz ao caso.

“Uma amiga do meu grupo Advogadas PUC 98 se divorciou e eu te indiquei pra ela. Eu postei uns links das suas fotos do Face. Acho que eu dei uma exagerada nos elogios. Falei que você era pra casar.”

A confissão da Carol era um bom começo para entender o que se passara. Ainda assim, havia um gap entre as Advogadas da PUC 98 e as Viúvas do Grey. Será que os grupos tinham alguém em comum?

Mal tive tempo de ter dúvidas. Carolina com os dedos ligeiros já havia perguntado às amigas e descobriu que Karine havia compartilhado minhas fotos em outro grupo, o Runner do Tatuapé e que Carmem havia me sugerido para sua prima Ana Lúcia, que acabara de chegar de Cuiabá.

Em dois dias, Carolina, absolutamente curiosa e engajada, conseguira remontar a linha que separava a mensagem que ela enviara até o grupo da simpática Karen, o Viúvas do Grey. Minhas fotos e elogios cada vez mais exagerados sobre meu charme circulavam como piadas velhas em grupos de família.

Eu devia ter desconfiado.

Antes mesmo de conhecer Karen, desconhecidas começaram a pedir amizade no Facebook e a me seguir no Instagram. Eu ignorei o fenômeno no começo, mas não pude ignorar quando atingiu proporções épicas. Diziam já haver grupos de Viúvas do Marco Aurélio no Whatsapp. No Twitter, #marcoaureliofofo virou TT. Criaram memes com minhas fotos. Recusei um convite para ir ao programa da Luciana Gimenez.

Agora, quando entro em um restaurante, tenho a impressão que há olhos me fitando. Mesmo na rua, sinto dedos a me apontar. Percebo que sou assunto nas conversas em voz baixa no metrô.

Nunca mais fui a uma balada. Saí das redes sociais. Não quero ser celebridade, muito menos por um motivo tão estranho. Só não consigo evitar uma ou outra abordagem na rua quando respondo de forma seca.

“Não minha querida, apenas pareço com o Marco Aurélio, não sou fofo, não sou pra casar”.

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Lula, culpado por ser um anão

Lula, culpado por ser um anão

Assunto da semana: O Julgamento de Lula.

Já aviso que nada entendo de direito e não tenho a mais puta ideia de quem era o dono do triplex.

Por outro lado, eu entendo tudo de Game of Thrones, a série. Lembro (spoiler alert) do episódio do Julgamento de Tyrion, o anão tarado. Quando o juiz pergunta se ele era culpado por determinado crime, o anão (que era inocente) responde:

_ “Eu me confesso culpado! Culpado por ser um anão! Sou culpado por ser uma criatura horrorosa que sempre trouxe vergonha a minha família!”

Foi o desabafo de uma vida.

Agora voltemos ao petista.

Eu não tenho ideia de quem seja o dono do triplex, mas tenho certeza de que para boa parte da população, Lula sempre foi culpado, muito antes da obra no Guarujá começar. Não por determinada acusação de corrupção. Como Tyrion, sua culpa é ser quem é.

Aposto que alguns leitores aqui sentirão vontade de gritar “mas ele é ladrão!”.

Pode ser, porém não é o  comportamento (honesto ou não) de Lula que atrai os olhos para este julgamento. Não é a desonestidade de Lula que faz com que paneleiros e bolsozumbis mandem fazer faixas e saiam às ruas.

Vejam bem, Maluf foi condenado por lavar 1 bilhão de reais. É dinheiro para 555 triplexes (existe plural de triplex?). Ainda assim não houve desfiles em comemoração ou balões com Maluf presidiário. Serra foi acusado numa delação recente de ter levado 28 triplexes e isso não comoveu ninguém.

Porém Lula, com alguns imóveis sob suspeita é considerado o grande bandido da história.

Hoje mesmo ouvi o radialista Marco Antonio Villa da Joven Pan dizer que Lula é o maior bandido da história da humanidade. Isso vindo de um homem que se diz historiador.

Villa um dia desses revelou que Lula tem uma patrimônio maior do que o visível. Além dos apartamentos e do sítio em Atibaia ele teria (na palavras de Villa), um posto de gasolina em São Bernardo. Prova definitiva de que é o maior criminoso de todos os tempos.

Curiosamente, a rádio Jovem Pan parece existir exclusivamente para tocar música ruim e atacar o Lula. O mesmo acontece com a Veja que persegue o barbudo em 12 de cada 10 capas.

Eu não sei o que provoca o ódio ao petista, mas evidentemente não é a corrupção, se fosse, haveria outros políticos que provocariam repugnação maior. E isso não há.

Um apressadinho dirá que o PT destrui o Brasil e trouxe 14 milhões de desempregos. A ele eu reponderei que o ódio a Lula era idêntico quando tudo ia bem e o Brasil crescia e o emprego bombava.

A resposta pode estar no editorial de hoje do Marco Antonio Villa. Ele disse que espera ver Lula preso para as coisas no Brasil serem como eram antigamente. Entendo o que ele quis dizer. Antigamente não tinha pobre em cargo importante. Antigamente os donos do poder eram pessoas nascidas das famílias certas.

Se eu fosse o Lula, pediria a palavra no dia do julgamento. Imitaria Tyrion.

_ Quero dizer que sou culpado!  Culpado por nunca ter pertencido aos grupos aceitos para mandar, para dominar. Culpado por não ser um dos 5 brasileiros que detem 50% da renda do país! Culpado por ser nordestino. Por ter sido operário. Culpado como a maioria  dos brasileiros, a quem se culpa pela pobreza, pela falta de mérito. Culpado por ser um anão!

O Romance do passado

O Romance do passado

Quando a gente chega aos 40 conhece uma série de pessoas com histórias parecidas. São pessoas que tiveram um romance marcante quando jovens e anos depois, ainda solitárias, se lembram desse affair como um ponto de quebra em suas vidas.

Triste mesmo é a forma que as tias se referem a essas pessoas.

“O Fernando é tão bonzinho, pena que o namoro com a Judith não deu certo”.

Só que o namoro da Judith foi há 17 anos. Judith já casou, teve dois filhos, operou a vesícula e mal se lembra do Fernando. Mas para ele e as tias, o fim daquele romance teria sido uma condenação à solidão.

Às vezes uma tia encontra Judith no shopping:

“Eu vi a Judith com o marido. Está feia. Eu não acho que ela é feliz”.

Mas de todos os romances frustrados da juventude, nenhum é tão triste como a história que contarei agora, história real, envolvendo pessoas muito famosas, cujos nomes protegerei já que não há como comprovar nada do que digo.

Essa história se passou no início dos anos 80 e envolveu os seguintes personagens.

Um cineasta amigo meu – Vamos chamá-lo de Cineasta

Uma modelo muito famosa – Chamemos de Senhorita X

Um esportista mundialmente famoso – Fica sendo o Craque

Um jovem ator de novelas – Doravante, Galã.

Quem me contou essa história foi o Cineasta que no início dos anos 80 fez um filme baseado numa música de sucesso da época, que falava de um automóvel.

O casal protagonista do filme era formado pelo Galã (na época ele fazia algum sucesso na TV) e a Senhorita X, que era uma modelo em acensão e namorava com o Craque.

Durante as filmagens, a equipe ficou semanas hospedada em uma cidade do interior. Senhorita X e o Galã começaram um namoro nos bastidores de maneira tórrida.

Me disse o  cineasta que Senhorita X estava apaixonada, queria largar seu famoso namorado para juntar-se ao Galã e este a recusou no final das filmagens.

Passaram-se os anos, a carreira do Galã foi curta, hoje ninguém lembra dele. Senhorita X, por outro lado,  abandonou o Craque e ascendeu ao estrelato, tornando-se uma das figuras mais famosas da TV brasileira, conhecida em vários países.

Trinta anos depois Galã e Cineasta encontram-se casualmente na feira, ambos senhores com mais de sessenta anos, arrastando seus chinelos enquanto apalpam frutas. Eles conversam lembrando os velhos tempos, o filme que fizeram juntos, a história de amor que não continuou. Perto deles, as pessoas que passam devem ser fãs da senhorita X e não tem ideia de quem seja Galã. Ele lamenta:

_ O pior é que não adianta eu contar a história do meu romance para ninguém. Quem iria acreditar?

Mais Embratel

Mais Embratel

Semana passada tive momentos emocionantes tentando falar com a Embratel, como você pode verificar aqui.

Agora vou tentar ligar de novo. Vamos ver o que dá…

14h44 – Liguei  no 13021 e comecei a ouvir os menus

14h45 – recebi o protocolo – Via Robot – 2018650586243

14h46 – Robot me transfere para o atendente e avisa que a ligação será gravada.

14h52 –  – Pedro confirma o protocolo – 2018650586243

Repito para o Pedro toda a história que já contei em 11/12/2017 e ele diz que não há registro das minhas ligações e pedidos anteriores.

15h54 – Fui muito bem atendido pelo Pedro, porém ele não tinha registros das minhas reclamações anteriores. Ele anotou todos os meu pedidos e disse que encaminharia o caso internamente. Foi aberto um procedimento com 5 dias úteis para uma averiguação. Como vocês podem ver a ligação foi longa. daqui a 5 dias conto para vocês o que aconteceu.

 

 

Ligando para Embratel

Ligando para Embratel

 

Resumo até agora: No dia 02 de Outubro de 2015 uma senhora chamada Cinthia Nabarrete usou o número do meu CNPJ para abrir uma conta Embratel.

Soube disse em dezembro de 2017 com a Embratel me cobrando um dinheirão pelas contas que a Cinthia nunca pagou.

No dia de dezembro de 2017 eu liguei na Embratel e um número transferia para o outro: 10321/0800-701-2121/0800-70110321/300-30222-08007012145 – Fiz por telefone a contestação da conta, o cancelamento da mesma e pedi a gravação do dia 02/10/2015 quando a Cintia abriu a conta.

Hoje, sem resposta da Embratel, liguei no 10321 para cobrar uma posição e a gravação. A atendente pediu para eu ligar no 0800-701-0321

Liguei no – 0800-701-0321 e a moça pediu para ligar no 0800-701-2145

Liguei no – 0800-701-2145 e a Renata pediu para ligar no 10321 (tudo com protocolo)

Agora ligarei de novo no 10321 e vou relatar a ligação em detalhes:

12h08 – O robo pede que eu digite o número da conta várias vezes e não reconhece o número.

12h10 – O Robô me dá esse protocolo – 2018649156077

12h12 – Me informa que a chamada está sendo gravada

12h15 – Sou atendido por Viviane que me informa que apertei a opção errada e pede para eu desligar e ligar de novo.

12h19 – Ligo de novo no 10321

12h19 – O robo pede que eu digite o número da conta várias vezes e não reconhece o número.

12h20 – O Robo passa o protocolo 2018649159905

12h22 – O robo me guia por vários menus

12h22 – Sou atendido por alguém mas a ligação passa imediatamente para a pesquisa de satisfação (outro robô).

Estou estressado. Tento de novo amanhã.

Três bilhetes, uma bala e uma criança

Três bilhetes, uma bala e uma criança

Na preparação para o ano novo, um homem na zona sul de São Paulo se vestia sem saber que no dia anterior havia cometido um erro que iria mudar sua vida.

Ainda na zona sul de São Paulo, outro homem também se arrumava com as esperanças e sonhos que todo ano novo traz. Ele estava prestes a cometer o maior erro de sua vida.

Perto dele, uma família tinha os mesmo sonhos e esperanças, que estavam para ser completamente destruídos.

Imagino que eles, assim como a maioria de nós, olhavam os relógios esperando a meia-noite enquanto celebravam e comiam com as pessoas amadas.

O primeiro homem não devia estar pensando nos vários bilhetes que preenchera na lotérica no dia 30. Ele não sabia que por engano lançara três bilhetes com números idênticos, repetindo a mesma aposta. Quando os fogos começaram a estourar  ele se abraçou à família, desejou coisas boas e imaginou que teria um ano melhor. Como todos nós fizemos.

A família que estava no quintal de casa também celebrava. Entre eles havia um menino de 5 anos. Emocionados, viam os fogos no céu. Eram lindos. Não parecia haver uma ameaça.

Perto dali, o segundo homem não tinha fogos para estourar. Tinha um revólver e decidiu usá-lo para dar tiros ao alto, fazer barulho, marcar a passagem do ano.

Uma das balas, conforme subia, ia perdendo velocidade. Deve ter atingido uns 750 metros de altura até descrever uma curva e começar a descer. Ninguém sabe das outras balas disparadas. Podem ter caído na rua, em árvores, telhados, mas aquela única bala tinha um destino certo.

Destino? Será isso mesmo? Alguns dirão que isso é coisa do universo aleatório, que foi puro acaso. Outros dirão que é coisa de Deus, do diabo. Borges diria que é a loteria da Babilônia.

O primeiro homem passou a noite de ano novo sem saber que preenchera três bilhetes com os mesmos números na Megasena da Virada. Enquanto o Brasil sonhava com a sorte impossível (uma chance em 50 milhões), ele estava prestes a ganhar três prêmios e tornar-se multimilionário (destino, universo, Deus?).

Já a bala que subira 750 metros, passou a descer numa aceleração de 10 metros por segundo ao quadrado, poderia ter atingido uma árvore, um carro estacionado, um telhado, mas acabou atingindo um menino de cinco anos. Aquele que estava com a família olhando os lindos fogos que anunciavam 2018 (18 é o número da vida para os judeus).

Nos primeiros dias do ano, enquanto a maioria das pessoas pensava em seus planos e esperanças, um homem se espantava com o erro que lhe deu três prêmios da megasena. Outro homem lamentava erro que o transformou num assassino,  levando-o para a cadeia. Já uma família teve o novo ano e todos os seguintes arruinados por uma bala que poderia ter caído em qualquer lugar, mas caiu num quintal onde uma criança de 5 anos se encantava com os fogos da meia noite.

Selfie Sophia

Selfie Sophia

A palavra ecoava nos ouvidos de Sophia:

“Influencer”

Aparentemente, era um termo usado pelo mundo inteiro, menos por ela.

Compreendido o significado, Isabela passou a tarde toda no Instagram vendo as mais diversas influencer de moda. Algumas tinham milhões de seguidores.

Elas viviam fazendo selfies. Começavam no closet (e que lindo closet) mostrando o look do dia. Depois iam para  restaurantes estrelados, encontros com outras influencers, viagens magnificas. Eram lindas, estavam sempre alinhadas, perfeitamente maquiadas e ganhavam presentes das marcas.

Influencers!

Era tudo o que Sophia sempre sonhou.

No dia seguinte, assim que deixou os filhos na escola Sophia voltou para casa e passou uma hora na penteadeira se arrumando. Tinha bastante experiência para  disfarçar as linha de expressão e um excepcional gosto para se vestir, pelo menos as outras mães sempre elogiavam.

Não tinha closet, mas com um espelho e as portas do armário abertas fez um cenário digno e mandou ver na selfie “look do dia”.

Postou no Instagram, “linkou” no Facebook e foi cuidar da vida. Planejando a foto da tarde.

Dias depois o marido começou a ficar preocupado. Eram selfies de manhã, tarde e noite. Fotos dos pratos bacanas que comiam e algumas frases inspiradoras.

A vida da família não foi muito afetada, apenas deixaram de comer hamburgueres e passaram a frequentar restaurantes com opções mais fotogênicas como sushis e ceviches.

Sophia passou a gastar com roupas e se apertou o cartão, mas explicou para o marido que isso era apenas um investimento, em breve, quando ficasse famosa, haveria um compensador retorno financeiro.

Assim, família e amigos foram se acostumando com as inúmeras selfies: Looks do dia, pratos, pezinhos na praia, tbt´s, biquinhos de pato, olhos perdidos no infinito ou procurando algo no chão. O guarda-roupa de Sophia enriquecia na proporção inversa de sua conta bancária e os seguidores cresciam, mas não no ritmo esperado.

Depois de quase dois anos como influencer, Sophia não conseguia ultrapassar as 30 curtidas por foto. Uma vez viralizou, quando pediu para fazer uma selfie ao lado  da Bruna Marquezine num Shopping Center, mas nem a Bruna lhe trouxe seguidores.

Sophia continua tentando, afinal, só os fracos desistem. Ela tem certeza que é questão de tempo e capricha cada vez mais nas selfies. O marido não reclama. Curte todas as fotos para dar uma força, mas sabe que o tal retorno financeiro nunca virá. Só que não divide a opinião com Sophia, deixa que ela continue acreditando. Afinal, é o que a faz feliz e pensando bem, não é isso que importa?