Na preparação para o ano novo, um homem na zona sul de São Paulo se vestia sem saber que no dia anterior havia cometido um erro que iria mudar sua vida.

Ainda na zona sul de São Paulo, outro homem também se arrumava com as esperanças e sonhos que todo ano novo traz. Ele estava prestes a cometer o maior erro de sua vida.

Perto dele, uma família tinha os mesmo sonhos e esperanças, que estavam para ser completamente destruídos.

Imagino que eles, assim como a maioria de nós, olhavam os relógios esperando a meia-noite enquanto celebravam e comiam com as pessoas amadas.

O primeiro homem não devia estar pensando nos vários bilhetes que preenchera na lotérica no dia 30. Ele não sabia que por engano lançara três bilhetes com números idênticos, repetindo a mesma aposta. Quando os fogos começaram a estourar ele abraçou a família, desejou coisas boas e imaginou que teria um ano melhor. Como todos nós fizemos.

A família que estava no quintal de casa também celebrava. Entre eles havia um menino de 5 anos. Emocionados, viam os fogos no céu. Eram lindos. Não parecia haver uma ameaça.

Perto dali, o segundo homem não tinha fogos para estourar. Tinha um revólver e decidiu usá-lo para dar tiros ao alto, fazer barulho, marcar a passagem do ano.

Uma das balas, conforme subia, ia perdendo velocidade. Deve ter atingido uns 750 metros de altura até descrever uma curva e começar a descer. Ninguém sabe das outras balas disparadas. Podem ter caído na rua, em árvores, telhados, mas aquela única bala tinha um destino certo.

Destino? Será isso mesmo? Alguns dirão que isso é coisa do universo aleatório, que foi puro acaso. Outros dirão que é coisa de Deus, do diabo. Borges diria que é a loteria da Babilônia.

O primeiro homem passou a noite de ano novo sem saber que preenchera três bilhetes com os mesmos números na Megasena da Virada. Enquanto o Brasil sonhava com a sorte impossível (uma chance em 50 milhões), ele estava prestes a ganhar três prêmios e tornar-se multimilionário (destino, universo, Deus?).

Já a bala que subira 750 metros, passou a descer numa aceleração de 10 metros por segundo ao quadrado, poderia ter atingido uma árvore, um carro estacionado, um telhado, mas acabou atingindo um menino de cinco anos. Aquele que estava com a família olhando os lindos fogos que anunciavam 2018 (18 é o número da vida para os judeus).

Nos primeiros dias do ano, enquanto a maioria das pessoas pensava em seus planos e esperanças, um homem se espantava com o erro que lhe deu três prêmios da megasena. Outro homem lamentava erro que o transformou num assassino, levando-o para a cadeia. Já uma família teve o novo ano e todos os seguintes arruinados por uma bala que poderia ter caído em qualquer lugar, mas caiu num quintal onde uma criança de 5 anos se encantava com os fogos da meia noite.

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