Os caminhoneiros e a piada do cu

Os caminhoneiros e a piada do cu

Vocês conhecem a piada do cu? É assim:

Os orgãos do corpo começaram um debate para escolher quem seria o presidente do corpo.

_ É claro que serei eu – afirmou o cérebro com segurança – sou o único que pensa.

_ De jeito nenhum – replicou o coração – eu bombeio o sangue para o corpo todo. Sou a máquina que faz tudo funcionar. Além de tudo sou reponsável pelas emoções.

De cima ouviu-se um grito:

_ Pera lá!!! Nem um nem outro – eram os olhos – somos os único com com visão para comandar o corpo.

_ Esqueçam isso –  disseram as pernas – só nós temos capacidade de levar o corpo adiante!

A discussão estava acirrada. Todos falando ao mesmo tempo, defendendo suas candidaturas quando ouve-se uma voz, um novo candidato.

_ Ei, eu também quero concorrer – Disse o cu com sua voz grossa e engraçada.

Os outros orgãos que estavam quase brigando uniram-se numa longa gargalhada.

_ Você, cu? Quem votaria em você? Você não é ninguém!

Ofendido, o cu iniciou uma greve, deixando de exercer sua tão famosa função.

No começo ninguém ligou, mas ao chegar no quarto dia o cérebro não conseguia pensar, os olhos estavam pesados, o coração batia mais rápido e as pernas tremiam.

Irredutível, o cu não atendeu aos apelos de trégua, até que no 5o. dia os outros orgãos entregaram os pontos e o cu foi eleito líder do corpo.

Enfim, a comparação com nossa greve dos caminhoneiros é bastante óbvia. O poder emerge de onde menos esperamos e a arrogância nem sempre é o melhor negócio.

 

 

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Abaixo o Patriotismo

Abaixo o Patriotismo

No século XVIII o filósofo inglês Samuel Johnson cunhou a famosa frase: “O Patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Não sei o contexto em que isso foi dito. Não sou tão culto assim, sem o Google nem saberia quem é o tal Samuel.

Porém gosto muito da frase e concordo com ela. Quanto mais patriota o cidadão, menos eu o admiro. Tenho imensa ressalva ao patriotismo.

Por outro lado, a frase que resume o patriotismo por essas terras tupiniquins é “Brasil acima de Tudo”, assim como nos EUA, o slogan do topetudo Trump “America First” acirra esse infeliz sentimento.

Serei bem direto e didático na minha argumentação. O Patriotismo “sucks” como diriam os americanos:

  • Está sempre na boca de imbecis. Panacas como Alexandre Frota, Bolsonaro, Kataguri ou Janaína Paschoal não perdem tempo em bater o peito em sinal de patriotismo. Se essa galera gosta de algo, a gente já começa a sacar que é ruim.
  • O Patriotismo já foi justificativa pra todo o tipo de barbaridade que o ser humano cometeu.  Hitler, Mussolini, Pinochet, Pol Pot, Mao, todos os grandes assassinos mataram e oprimiram em nome do patriotismo.
  • Patriotismo é um sentimento falso. Afinal, as fronteiras foram colocadas onde estão por fatores históricos. Por que eu defenderia o Brasil contra o Uruguai? Só porque alguém traçou uma linha imagiária separando os países? E por que eu tenho de gostar mais dos brasileiros que dos croatas ou dos Marroquinos? Não somos todos humanos?
  • O Patriota adora forjar um inimigo e com isso unir a pátria, criando ódio e acirrando o preconceito. Assim Hitler usou os judeus e o comunismo para unir a Alemanha nazista, Trump está usando os imigrantes para atrair os rednecks e Bolsonaro usa o comunismo e os muçulmanos. Crie um inimigo, gere medo do inimigo e una o país no ódio. Esse é o maior legado do patriota.
  • O Patriotismo (e seu irmão nacionalismo) levam a atos estúpidos. Na ditadura militar havia a Lei da Informática, que nos impedia de importar qualquer artigo de alta tecnologia em defesa da indústria nacional que ainda não tinha como produzir esses produtos. Graças a essa ideia patriótica, usávamos máquinas de escrever enquanto o mundo desenvolvia computadores.
  • Falando nos nossos militares, eles são vistos como bastiões do patriotismo. Pois quando estiveram no poder por 21 anos, defenderam as fronteiras ao mesmo tempo que matavam e torturavam os filhos da pátria. Defendiam a bandeira enquanto violentavam nossas mulheres. O patriota Brilhante Ulstra sequestrou crianças de 4 anos para que elas assistissem à tortura de suas mães.

É esse o patriotismo que defendem? É defender a bandeira? As fronteiras? O território? Pois podem ficar com ele.

Sou anti-patriota. Quero fronteiras abertas para que venham haitianos, venezuelanos, sírios e médicos cubanos. Quero ser como Londres que tem 40% de estrangeiros, como Nova York, que chegou a receber mais de 5.000  imigrantes por dia.

Se um dia o Acre quiser se separar e juntar-se a outro país, deixemos. Se o Sul quiser se separar como às vezes dá a entender, que saiam. Vamos defender as pessoas e não conceitos abstratos como a integridade territorial.

A Alemanha disputou a Álsácia por 70 anos com a França e perdeu. Que falta faz a Alsácia à Alemanha? Aliás, não é melhor hoje, que a alemanha e a França tem fronteiras abertas do que no tempo das infinitas guerras entre os dois países?

Então sugiro que troquemos o “Brasil Acima de Tudo” por um novo brado:

” Brasil, who cares? Eu gosto mesmo dos brasileiros! E dos estrangeiros também”!

P.S. Antes que me acusem de não amar o Brasil, já digo que amo muito essa terrinha. Pago meus impostos com orgulho e pagaria até mais, afinal, impostos são a forma de ajudar o país.

Deus do mal

Deus do mal

Sinto um pouco de inveja dos antigos gregos e romanos em sua pluridade de deuses. Havia deuses para o amor, para a guerra, para o vinho e até para as orgias. Hoje, temos um Deus só e ele acaba servindo para muita coisa.

Talvez por algum romantismo infantil, sempre achei que Deus era um defensor do amor. Eu sei que é meio piegas, mas sou assim mesmo, assumo. Pena que nem sempre a vida é como a gente quer.

Afinal, em nome de Deus mulheres e judeus foram queimados na idade média, condenados pelas maiores figuras religiosas. Em nome de Deus se derrama sangue em Jerusalém há 2.000 anos e em nome de Deus negros foram caçados e vendidos como escravos.

Ainda hoje há mortes aos montes em nome de Deus. Olavo de Carvalho usa a bíblia para defender que as pessoas devem andar armadas e seus seguidores pedem sangue em nome do mesmo Deus. Um pastor e Deputado chamado Feliciano fazia piada com a morte da vereadora Marielle na semana do crime. Pelo jeito, Deus curte um assassinato também.

A visão sanguinária de Deus não é um absurdo tirada da cabeça oca de pessoas também sanguinárias. A Bíblia está aí para quem quiser ler, cheia de passagens de intolerância e todo o tipo de atrocidade. Se você duvida, leia “Caim” de José Saramago.

Deus é capaz de escolher um favorito entre os filhos de Adão, provocando a fúria do preterido. Deus resolve que Sodoma e Gomorra devem ser destruídas, devido ao mal comportamento de seus cidadãos. Só que em sua fúria Deus mata a todos, homens, mulheres, crianças e animais (bebês, labradores, poodles e gatinhos).

Deus pede que Abraão mande um de seus filhos para morrer no Deserto e sacrifique o segundo em ritual, transformando o velho patriarca num potencial infanticida. Os exemplos são inuneráveis, poderia ficar até amanhã citando barbaridades bíblicas.

Não me espanta que tantos pastores, bolsonaros e seus fãs preguem o ódio com o livro sagrado debaixo do braço.

Mas não é só para o ódio que Deus serve. Ouço as rádios evangélicas e descubro que todas as passagens da bíblia tem apenas uma finalidade, convencer as pessoas a pagar o dízimo.

Jesus transformou a água em vinho para te explicar que o dízimo é importante.

Moisés abriu o mar morto para convencer o cristão a abrir o bolso.

Noé constriuiu a arca só para que você pague o dízimo.

Como sou ingênuo… Com tantos usos para Deus, só um tolo senil para acreditar que Deus se preocupa com o amor. Felizmente, não estou sozinho.

Rabi Akiva, um dos maiores sábios judeus dizia que amar ao próximo é o mais importante mandamento da Torah. Para ele, amar ao próximo é como cumprir todos os 613 mandamentos judaicos. Jesus afirma algo bem parecido.

Já São Paulo, em Corintios, defende que de nada vale falar a língua dos homens e dos anjos, conhecer os mistériso e a ciência, sem amor.

Não sou teólogo ou estudioso, mas na minha filosofia de boteco prefiro ficar no time de Jesus, Rabi Akiva e São Paulo. Se Deus serve pra tudo, há de servir também para o amor, para o perdão, para a caridade e para a compaixão.

E você leitor? Seu Deus serve pra quê?

Bocó de Mola

Bocó de Mola

Sou um nostálgico doentio. A idade faz isso. Quando era jovem me aborrecia com a ladainha do meu pai saudoso do bonde* e do Frank Sinatra. Hoje minha filha tem de me aguentar lembrando do Videocassete Betamax e do Ritche.

Porém a coisa que me faz mais falta é o vocabulário. Lembro com um aperto no coração do jeito que a gente falava antigamente. Principalmente dos xingamentos.

Não tinha essa de lixo humano, petralha ou coxinha, tão usados hoje em dia. Havia termos pitorescos como “cabeça de pudim, “Pedro Bó” ou “bocó de mola”. Sinto imensa falta deles. Acho até que se as pessoas discutissem hoje usando o “bocó de mola”, as diferençcas nas redes sociais seriam amenizadas.

Imagine uma briga de torcida organizada. Corinthianos gritam “Pedro Bó” para ofender Palmeirenses. Seria impossível haver uma morte.

Aliás quando eu era jovem a coisa mais ofensiva que vinha da torcida era o seguinte:

_ É canja, é canja, é canja de galinha, arranja outro time pra jogar na nossa linha!

Hoje usa-se o “Vai tomar no cu” em coro até no campeonato infantil de Judô do clube Pinheiros. Tempos horríveis.

Naquela época não havia Fake News. dizíamos “paia”. Um mentiroso como o Dória seria paieiro ou paiudo, depende da cidade. Diríamos assim:

_ Só um bocó de mola para acreditar nas paias do Dória.

Eram bons tempos…

Entendeu, Pedro Bó?

*Bonde era um meio de transporte, não tinha nada a ver com baile funk.

** Na foto do post: Eu no dia em que ganhei um videocassete Betamax.

*** Depois da postagem alguns leitores disseram que eu estava tam-tam ou lelé da cuca.

O prédio caiu? Bom pra nós!

O prédio caiu? Bom pra nós!

Como funciona a ciência?

De uma maneira grosseira podemos dizer que a ciência existe graças à observação dos fatos. Desde os tempos mais antigos o homem observava de onde o sol nascia e onde descia, observava o movimento das ondas, o comportamento dos bichos e daí tirava suas conclusões, aprendia a lei natural.

Observação e aprendizado. A base do nosso conhecimento.

Mas no Brasil as regras nunca são as mais normais, não é mesmo? No Brasil, são os fatos que devem servir às ideias e não o contrário.

Aqui as pessoas tem ideias tão arraigadas, certezas tão certas, convicções tão convictas que os fatos pouco importam.

Lembro do Ricardo Amorim atribuindo a vitória da Espanha na Copa de 2010 ao Neoliberalismo, seja lá qual for o raciocínio que o levou a isso. Vejo a Gleici do PT defendendo a democracia na Venezuela, usando o mesmo racicínio sem sentido.

O prédio que desmoronou no centro de São Paulo é um exemplo perfeito dessa característica tupiniquim. A queda de um edifício que havia sido invadido por famílias muito pobres pode nos dar muitas lições e pode ser uma oportunidade para pensar melhor a questão da moradia. Há muitas perguntas para serem respondidas:

_ O que fazer com as centenas de edifícios vazios que existem nos centros das cidades?

_ Considerando os padrões de segurança desses prédios abandonados, essas invasões são aceitaveis?

_ Numa cidade como São Paulo, trabalhadores que ganham um ou dois salários mínimos conseguem ter moradia? É possível pagar um aluguel se você ganha cerca de R$1.000,00 por mês?

_ Quem são as pessoas que vivem nessas invasões? O quanto ganham?

_ Quem são os movimentos que promovem as invasões?

Antes de tentar responder a essas perguntar e minimamente entender os fatos, já havia gente explorando a queda do prédio:

_ São vagabundos!

_ Só o meu partido defende os sem teto.

_ São membros de uma facção criminosa! (essa veio do Dória)

_ Meu pai comprou a própria casa, não precisou invadir nada! (Danilo Gentile)

_ A culpa é do neoliberalismo…

Enfim, não são poucos os que querem aproveitar a queda do prédio para ganhar pontos com o eleitorado ou tentar provar seus pontos de vista. O mesmo aconteceu com a crise de 2015 e com tudo que sucede ao Sul de Parador. Ignoramos as chances de aprender com os erros para repeti-los indefinidamente cheios de orgulho, batendo no peito com autoridade como se entendêssemos 10% do que está acontecendo.