O Amigo que não me conhecia

O Amigo que não me conhecia

Hoje morreu um amigo que não me conhecia. Ricardo Boechat era para mim o que foi para muita gente, uma companhia constante das manhãs.

Só o rádio é capaz disso. No rádio há uma proximidade mágica com os apresentadores. Ouvimos suas vozes em conversas soltas diariamente como se não houvesse distância nos separando e ninguém sabia se aproveitar disso como Boechat. Era aberto o suficiente para falar bobagens e soltar um palavrão cabeludo de vez em quando, como se estivéssemos com ele numa mesa de bar.

Os últimos tempos estão sendo duros para os fãs do rádio. O grande locutor esportivo Deva Pascovicci morreu no acidente da Chapecoense; Joseval Peixoto e Salomão Esper, ícones do jornalismo se aposentaram e agora o maior dos âncoras se foi. Ouço fielmente a Bandnews por causa dele, dos comentários inteligentes e muitas vezes duros, das brincadeiras soltas, do jeito humano e confessional.

Boechat representa valores opostos aos do novo Brasil.

No país que cultua a mentira, ele era a luta constante pela verdade.

No país que cultua o ódio, ele era a alegria.

No país que cultua a ofensa, ele era o respeito.

Quem sabe as pessoas aprendam um pouco com o seu bom senso e substituam o revanchismo e a fúria por uma postura mais ponderada, mesmo nos momentos de endurecer.

Boechat nos ensinou a rir de nós mesmos e acho que essa alegria foi um de seus maiores legados. Buemba Buemba!

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