Peladões na Faculdade

Peladões na Faculdade

Se você não tem estômago forte é bom parar por aqui. Esse texto é para quem consegue lidar com imagens chocantes.

As instituições, supostos exemplos de moralidade, onde professores e acadêmicos deveriam se unir para trazer o que há de mais avançado em nossa cultura se tornaram centro de balbúrdia e picardias estudantis. Mesmo me considerando uma pessoa liberal e avançada, minha pesquisa me levou a tal baixeza que fiquei em dúvida se seria capaz de dividir com o leitor minhas descobertas.

Não há o que dizer, depois de se inteirar das informações que estou prestes a compartilhar, o leitor concordará comigo que estas instituições de ensino precisam de uma interferência urgente, quem sabe até mesmo, o fechamento definitivo.

Vamos às acusações:

1 – Na universidade de Harvard, em Boston, duas vezes por ano os estudantes correm nus de madrugada, em uma festa chamada Primal Scream.

2 – Com muito beijo na boca, muita tinta no corpo e pouquíssima roupa, a Universidade de Stanford na Califórnia celebra a primeira lua cheia do outono.

3 – Já na universidade de Santa Cruz, também na Califórnia, os estudantes correm nus para celebrar a primeira chuva do ano, desrespeitando o nome sacro da instituição e se arriscando a pegar um resfriado.

4 – Ainda na Califórnia, na Universidade de Berkeley, os estudantes correm nus na semana da prova final. Essa Califórnia é uma vergonha. Duvido que alguma empresa prospere por lá.

5 – A decadente universidade de Princeton, em Nova Jersey, tomou vergonha na cara e acabou com as Olimpiadas Nuas que ocorreram dos anos 1970 até 1999.

6 – O estado do Arizona é muito tradicional, portanto, jamais poderia imaginar que na Universidade Estadual de Phoenix, eles estivessem fazendo um esforço para bater o recorde mundial de corrida de peladões.

Se você teve coragem de chegar até aqui, venha comigo. Vamos juntos pedir o fim do ensino superior gratuito no Brasil e principalmente, o corte de todo o investimento em pesquisa e pós-graduação nas terras tupiniquins. Essa balbúrdia precisa acabar!!! Vamos evitar que o ensino brasileiro se torne decadente como nos exemplos acima. E principalmente, evitar que pobres e negros estudem. Senão, no futuro, vai faltar gente para manobrar os carros e lavar as calcinhas da classe média e isso quase tão ruim como um peladão na faculdade.

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Minha Viagem à Venezuela

Minha Viagem à Venezuela

Todos estão muito preocupados com a Venezuela. Claro que também tenho de me preocupar. O país vizinho vive uma imensa crise política, econômica e social. Não obstante os problemas, há muita polêmica, gente atacando e defendendo o presidente Maduro. Eu queria me aprofundar no assunto e decidi ir à Caracas para ver de perto a situação.

Aos que não acompanharam, segue um resumo do que tem acontecido por lá:

Há alguns anos os venezuelanos elegeram um militar nacionalista e populista para a presidência. Esse militar tinha ideias autoritárias, atacava a imprensa e ofendia os inimigos. Ele detonou a economia e se apoiou em milícias para o oprimir o povo. Quando o militar miliciano morreu foi sucedido por um aliado e o país entrou em parafuso.

Eu toquei para Venezuela para contar a verdade para vocês.

A verdade é que os Venezuelanos estão na miséria. Melhor do que falar é mostrar. As fotos abaixo me cortam o coração. O povo mora na rua, por vezes com os móveis que sobraram de suas antigas casas. Isso quando a polícia não passa e tira tudo o que eles têm. Muitos puxam carroças que usam para recolher entulho e latinhas de alumínio. Cheguei a ver gente pegando comida no lixo. Aliás lixo é o que mais se vê pela cidade. A população revoltada joga tudo no chão, talvez para provocar o governo. O resultado é muito triste.

Torço para que a ajuda humanitária do governo Brasileiro chegue logo a essas pessoas que precisam de tudo, desde comida a produtos de limpeza. Fico feliz em saber que nosso país é tão generoso a ponto de apoiar os necessitados Venezuelanos.

Melhor do que falar é mostrar. Então seguem algumas fotos:

É comum ver pessoas morando em barracas na Venezuela
Em Caracas, sob os viadutos, há comunidades inteiras.
Carroças de entulho são meio de vida para os venezuelanos.
Revoltados, os venezuelanos sujam as próprias ruas.
Quem poderá ajudar essas pessoas?

É uma pena que a Venezuela fique tão longe. Tenho certeza que se ficasse mais perto, os brasileiros com sua infinita solidariedade ajudariam. Tomara que o generoso governo brasileiro consiga fazer a ajuda humanitária chegar logo aos que precisam.

O limite do pragmatismo

O limite do pragmatismo

Sempre achei que se um dia encontrasse um dos membros da família Bolsonaro, me negaria a estender a mão. Os Bolsonaros são a antítese dos meus valores. O oposto de tudo o que prezo e acredito.

Porém, semana passada encontrei um deles e não foi isso que aconteceu. Estendi a mão a sorri, pois estava num evento de trabalho. Agi como um profissional. Fui pragmático e contei essa história no último post.

Temi a reação dos amigos, mas aparentemente os elogios foram maiores que os puxões de orelha. Mesmo assim a situação me instigou a fazer uma reflexão.

Até que ponto podemos abrir mão de nossas convicções por pragmatismo?

Minha atitude na Rio2C poderia ter consequências desastrosas. Se eu ofendesse o político todo o diálogo de nosso setor estaria comprometido. Uma atitude irresponsável poderia afetar a vida e o emprego de 300.000 pessoas que trabalham no audiovisual.

A política é feita assim, de diálogo. É absolutamente comum no mundo inteiro que adversários tomem decisões juntos em função interesses institucionais.

Mas será há limites para o pragmatismo? Num exemplo exagerado, se o encontro fosse com Hitler eu deveria ter o mesmo sangue frio?

Bolsonaro age por convicções e abandona o pragmatismo. Briga com todos, não abre canais de diálogo, ofende povos e países sem se preocupar com as consequências econômicas e diplomáticas de seus atos. Isso faz dele mais nobre?

Na minha opinião, essa convicção de que somos o grande exemplo de retidão moral nos aproxima mais do fanatismo do que da verdade. Há mais honestidade em quem tem dúvidas de suas convicções do que em tem certezas absolutas. Ao não ouvir o diferente, não crescemos, não aprendemos, não evoluímos.

Por outro lado, não há o que se aprender com o ódio, com quem apoia a tortura, com quem defende a morte, o preconceito, a homofobia, a mentira e o ódio como forma de exercer o poder.

De certa forma, eu abracei o capeta e superei meus próprios limites em nome do diálogo e ainda não sei se me orgulho ou se me arrependo disso.