Deus no coração

Deus no coração

Meu nome em iídich é Leib (Leão).

Um rabino um dia me disse que Leib se escreve com as mesmas letras de Lev (coração), porém há a letra Yod no meio. Yod é o símbolo de Deus. Logo eu teria Deus no meio do coração.

Nenhum cientista conseguiu provar esta presença, mas há alguns anos médicos detectaram uma hipertrofia no meu miocárdio. Na época era um problema discreto, mas se crescesse, poderia ter consequências graves, entre elas a morte súbita.

No começo desse ano o problema cresceu e depois de estudos e exames decidimos fazer a operação que corrigiria a hipertrofia. Aproveitaríamos e corrigiríamos também um defeitinho no átrio, e faríamos uma ablação, afinal o peito já estaria abertinho, o que custa fazer uma ablação? Retífica completa.

Assim, faz duas semanas que estou no Incor, vivendo aquela rotina básica de hospital que é dividida entre agulhas e esparadrapos.

Quando somos crianças uma única injeção nos tira o sono, quando adultos, nos internam e passam o dia nos espetando como canapés e arrancando tiras a ponto de a gente nem ligar.

Já fiz a retífica do motorzinho, umas coisas tiveram que ser ajustadas no meio do caminho, mas pelo jeito a máquina vai ficar boa. Entretanto, ainda estou no hospital, sendo espetado e tendo esparadrapos arrancados do meu corpo a toda hora.

Tive meus momentos de medo, me perguntei se Deus esquecera de mim. Numa madrugada na UTI lembrei do sofrimento dos judeus nos campos de concentração. Eles aguentaram tanto, por que não eu?

Não sei se sou forte, não consegui provas da existência de Deus no meu coração. Assim como eu, milhares passaram as mesmas noites de angústia em hospitais de todo Brasil, isso faz deles especiais? Na cabeceira da cama, Guimarães Rosa, que eu não consigo acabar nunca, me ensina: ”O que a vida quer da gente é coragem.”

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A Melhor Música de Todos os Tempos

A Melhor Música de Todos os Tempos

Se você entrou no blog a procura de polêmica, se deu mal. Ao contrário dos meus textos provocadores e controversos, hoje vou falar da maior das obviedades, daquilo que todos já sabem e estão cansados de repetir: Qual é a maior música de todos os tempos.

Claro que há sempre polemistas de plantão. Há sempre quem quer ser do contra só pelo prazer de ganhar o debate, de parecer diferente.

Então não estranhe se aparecer um comentário me desafiando, dizendo que outras músicas são as campeãs, indicando candidatas como My Way, No Regret Rien, Yesterday, Todo o Sentimento, Carinhoso ou For Once in My Life.

Claro que estas são lindas, mas é evidente que a melhor música de todos os Tempos é The Greatest Love of All, da Whitney Houston. Não preciso nem explicar os motivos, muito menos adjetivar a interpretação dela. Mas vale a pena lembrar um pedaço precioso da letra:

I decided long ago
Never to walk in anyone’s shadows
If I fail, if I succeed
At least I’ll live as I believe
No matter what they take from me
They can’t take away my dignity

Traduzindo toscamente:

“Eu decidi há muito tempo, nunca andar à sobra de ninguém

Tanto faz se eu fizer sucesso, nunca vou abrir mão de minhas convicções

Não importa o que tirem de mim, não vão roubar minha dignidade”

Curiosamente Whitney não seguiu estas palavras. Ela viveu sob a sombra de um marido abusador, ficou viciada em drogas e morreu no fundo do poço, sem nenhuma dignidade.

Mais uma daquelas estórias tristes que acabam tornando a música ainda mais interessante.

Então caro leitor, não faça como ela fez e acredite no que ela cantou magnificamente:

Learning to love yourself is the greatest love of all.

P.S. E na sua opinião, que música merece o segundo lugar?  

P.S.2 Antes que eu me esqueça, olha a música aqui.