Livro de Graça!

Hoje e amanhã meu livro está de graça na Amazon.

Baixe agora e economize quase 10 pilas!

16 felizes leitores já aproveitaram a promoção!

Muito melhor que Black Friday!

Faça um dowload e contribua com a felicidade egocêntrica de um autor.

Anúncios

Simpathy for William Waack

william-waack

Sou um sujeito estranho se comparado à maioria.

Sinto muitas vezes um negócio chamado empatia*.

Mesmo por aquelas pessoas que todo mundo odeia, ou que tem baixíssima popularidade, eu acabo tendo empatia.

O William Waack é uma delas, mas não a única.

Tenho empatia pela Katia Abreu, pelo Renan Calheiros, pelo Sarney, pelo Serra, pelo Zé Dirceu, pela Dilma, pelo Genoíno, pelo Ciro, pelo FHC, pelo Boulos, pelo Maluf, pelo Caiado…

Pode parecer incoerente, mas consigo ter empatia pelo Lula e pelo Temer ao mesmo tempo.

Acho que enquanto o mundo os vê como bandidos, eu os enxergo como meramente humanos. Donos de fraquezas (inclusive morais) que todos nós somos sujeitos a ter. Cada um deles com a ilusão de ser único e especial, cada um com  a ideia infantil de que deixamos uma marca positiva por onde passamos.

Isso não significa que concordo com seus erros ou crimes. Apenas não faço questão de me juntar à manada que com raiva julga e condena, que atira pedras e memes a esmo.

Também não pensem que sou santo. Há um grupo de humanos com quem não consigo solidarizar. Um grupo cuja forma de agir é imperdoável. São os profetas do ódio. Aqueles cujo discurso é repleto de dentes serrados e caixas altas. Os que agridem e criam as hashtags maldosas. Prefiro não citar seus nomes, mas vou citar assim mesmo: Alexandre Frota, Kataguri, Constantino e os reis de todos eles: Bolsonaro e Olavo de Carvalho, o pregador-mor do ódio.

Eu preciso me policiar para não ter raiva deles e  acabar ficando parecido com essa turma.

Opa, já ia me esquecendo do Waack.

Esse é outro ser humano com fraquezas e virtudes. É racista? O vídeo não me permite saber. Fez um comentário horrivelmente racista? Fez. Preciso atacá-lo louca e furiosamente? Acho que não.

Sinto pena dele, mais um humano tão parecido com todos os outros.

Vou pegar emprestada a frase do Papa Francisco – “Quem sou eu para julgá-lo?”

Quando ouço alguém chamando os outros de “essa gente”, penso com meus botões: “Essa gente somos todos nós”.

*Empatia significa a capacidade psicológicapara sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

 

Férias na Bahia

Férias na Bahia

Férias causam um impacto na gente. Especialmente quando são férias na Bahia. Na volta comecei a comparar os dias de ócio com a vida normal. Deu nisso:

Férias x Vida normal

Terra x Asfalto

Praia x Escritório

Quadriciclo x Metrô

Bar congestionado x Avenida Rebouças

Off para dormir x Frontal para dormir

Azeite de dendê x Azeite de Oliva

Transpirar assim que sair do banho x Ar condicionado do carro

Restaurante pé sujo delícia x Pagar uma fortuna por um espaguetti ao sugo

“Meu Rei”  x “CPF na nota?”

Pôr do Sol x Stranger Things 2

Santo André em Cabrália x Santo André no ABC

Baseado no Mirante x Marlboro no fumódromo da balada*

Havaianas x  Sapatênis

Ivete Sangalo x Coldplay

Kalango x Barata

Menos é mais x Mais é menos**

Rede no terraço x Rede Social

Relaxar na  praia x Relaxar escrevendo no blog

 

Se você acha que tem outras diferenças, me mande que eu coloco e dou crédito. 

*Sugestão de Marcelo B.

** Sugestão de Glauco Araújo

 

 

Vaca Profana

Vaca Profana

Sempre fui fã de “Vaca profana” do Caetano Veloso, embora nunca entendesse exatamente o que ele quis dizer na letra. Gostava da figura profana, desafiando as leis e costumes com suas divinas tetas. Deusa pagã, mulher, com a cabeça erguida acima da manada.

Caetano pedia que ela derramasse sobre ele o leite bom e deixasse o leite ruim para os caretas.

Pra mim havia arrogância nesse pedido.

Nós, que nos vemos como artistas, como intelectuais, nos achamos especiais, superiores, dignos do leite bom da vaca profana. O leite ruim vai para os caretas, que não entendem Thelonius Monk, que não são torres traçadas por Gaudi.

Talvez pela falta desse leite profano/sagrado, os caretas se tornaram perigosos, rancorosos. Agora eles não evitam mais os museus. Vãos aos museus com pedras na mão, tal qual os que apedrejariam Maria Madalena, estão em uma cruzada contra a cultura, contra a arte, contra Caetano.

Estão cegos e raivosos. Querem evitar que crianças vejam exposições. Além de pedras estão armados com mentiras e memes falaciosos. Não servem à Vaca Profana. servem aos homens dos podres poderes.

Caetano sabia que não devíamos ficar com o leite apenas para nós. Mesmo arrogante, ele viu que era preciso dividir o que é bom para todos, assim pede no final da música:

“Gotas de leite bom na minha cara

Chuva do mesmo bom para os caretas”

Mas é tarde demais: Picasso, Maria Bethania, Thelonius Monk, Toms e Miltons ou o som do Tim Maia, nada disso sensibiliza aqueles que vivem do ódio. Eles atacam Adriana Varejão, agridem a tigresa Sônia Braga, seguem sua inquisição particular.

Não vamos lutar com as mesmas armas, não vamos pedir a mordaça ou responder mentiras com mentiras. É hora da arte ser mais arte. Da contestação ser mais verdadeira, dos filmes serem mais contundentes. Vamos aproveitar o leite bom e espalhá-lo para quem quer e quem não quer. Respeitemos nossas lágrimas, mas ainda mais nossa risada. Vamos ressuscitar um refrão que fazia sentido há 50 anos: “É Proibido Proibir”!


 

Livros e mais livros

CONVITE_SP_MF.jpgCaros amigos e leitores,

dia 29/10, às 15h, eu e o Pedro Menezes vamos lançar nossos dois novos livros infantis e ficarei muito feliz em encontrar vocês lá, na Martins Fontes da Paulista.

Os dados e detalhes vocês encontram na arte aqui do Post.

É uma alegria muito grande ver dois filhotes ganhando vida.

Os livros já estão a venda no site da Pólen:

https://polenlivros.lojavirtualnuvem.com.br/

Vejo vocês lá.

Vamos censurar!

Vamos censurar!

Já que está na moda também quero censurar! Vamos preservar a família e valores ímpios das pessoas de bem! Vamos meter a tesoura na música, no teatro e nas artes, vamos acabar com esses cineastas vagabundos que defendem o livre pensamento e com essa elite intelectual doutrinada por Trotsky e Rasputin.

As normas de censura definidas exclusivamente por mim, de forma totalmente democrática, são as seguintes:

1 – Combate ao vilipêndio religioso – Nada que ofenda as religiões será permitido na arte e na comunicação

Os primeiros a terem a língua cortada serão os Titãs por “Igreja”.

Seguidos por Eça de Queiroz e seu Crime do Padre Amaro

Novelas como Roque Santeiro e Tieta assim como toda a obra do Dias Gomes serão banidas.

Não para por aí, também estão proibidos:

O Poderoso Chefão 2

A série Young Pope

O Exorcista

A banda Iron Maiden (por The Number of The Beast)

Black Sabbath

Judas Priest

John Lennon e os Beatles: “Somos mais populares que Jesus Cristo”

Saramago, o ateu.

Quero que vá tudo para o Inferno (Roberto Carlos)

Rolling Stones (banidos do Brasil por Simpathy for the Devil)

A igreja evangélica (por chutarem a santa e por atacarem as religões africanas)

Todos os filmes do Almodóvar mas especialmente “Maus Hábitos”.

O Alto da Compadecida e seu Deus negro e piedoso diante do Bispo corrupto é imperdioável.

2 – Zoofila e todas as práticas de sexo heterodoxas na arte.

Começemos a banir o Ultraje a Rigor e sua ode à zoofilia “Mary Lou”.

Woody Allen será seriamente castigado por “Tudo o Que Você Queria Saber sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar.

30082016-gene-wilder-tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-sexo-e-tinha-medo-de-perguntar
Em filme de Woody Allen, psicólogo se apaixona por ovelha

Vamos proibir Pulp Fiction do Tarantino, onde, nas palavras de Paulo Francis, “dois homens sodomizam um criolo”.

Lulu Santos deve ser impedido de cantar a baixaria de “Toda Forma de Amor”.

Hieronymos Bosch: Encontrem onde esse pilantra mora e vamos colocá-lo atrás das grades!

bosch-temptations-of-saint-anthony-left-panel-18.jpg
Obra do Esquerdopata Bosch

Mandem prender esse tal de Sófocles e aproveitemos para levar junto Nelson Rodrigues, Philip Roth e João Ubaldo Ribeiro!

Não se esqueçam da Netflix com seu Sense 8 dirigido pelos irmãos travecos.

Game of Thrones, meu Deus, quase ia me esquecendo: Tem incesto, deuses falsos, sexo de todos os tipos, prostituição, pederastia, nu masculino. Censurem já!

 

3 – Combate à doutrinação Comunista

Vamos atacar esses livros e filmes que ensinam valores deturpados para nossas crianças passando a pior de todas as doutrinas: O comunismo!

Agora me lembro de um livro perigoso, só que esqueci o nome, será que vocês conhecem?

Tem um personagem rebelde que enfrenta o sistema e os líderes religiosos da época. Lembro-me de uma frase desse livro, dita pelo tal desajustado:

“_Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico subir ao reino dos céus”.

No mesmo livro esse personagem divide pães e peixes, sem perguntar qual o mérito das pessoas que recebem o alimento.

Numa passagem, ele salva uma mulher adúltera do apedrejamento que as pessoas de bem estavam prestes a executar.

Se alguém puder me lembre o nome desse livro. Precisamos impedir que a sua mensagem comuna chegue aos ouvidos das inocentes criancinhas. E principalmente, evitar que um livro desse chegue às escolas!

 

*Não falei de pedofilia no texto porque acho um tema muito pesado para piadas e ironias.

**Para quem não conhece o tom sarcástico do Blog, deixo um aviso que aqui tudo e nada são verdades ao mesmo tempo. “Toda Unanimidade” é um espaço de provocação e incentivo ao pensamento crítico.

 

 

Quando levei minha filha para ver Zoofilia na Rouanet

download.jpg

No ano passei levei minha filha, então com 10 anos, para o Anima Mundi, o maior Festival de Animação do Brasil na Cinemateca. Patrocinado pela IBM através da lei Rouanet. O Anima Mundi tem diversas sessões de curtas metragens do mundo inteiro e oficinas onde as famílias fazem mini filmes com animação de massinha. Um programa gostoso, cultural e gratuito.

Porém eu cometi um erro. Entrei com a minha filha numa sessão sem ler de que se tratavam os filmes. Eram 6 curtas. 4 sobre morte e 2 sobre sexo. Não era uma sessão infantil.

Os filmes sobre morte eram lindíssimos. Os filmes eróticos eram totalmente inapropriados para minha filha. Um deles terrivelmente inapropriado. Envolvia zoofilia. Pra piorar, convidei um casal de amigos para o programa e eles levaram um filho de 10 anos.

Durante a sessão, as crianças fecharam os olhos enquanto eu, coberto de culpa, me ajoelhava no milho pedindo perdão aos amigos. Fiquei chateado.

Depois tive uma conversa com a minha filha e expliquei que o filme era inadequado para a idade dela e tratava de uma pessoa com desequilibrio sexual. Dito isso, as crianças continuaram brincando e a vida seguiu normalmente.

Evidentemente a organização errou ao não deixar um aviso sobre o conteúdo adulto da sessão. Pensei em mandar um e-mail com uma reclamação. Acabei esquecendo.

Quem vai a muitas exposições acaba correndo alguns riscos.

No Museu Dorsay, em Paris, fiquei constrangido ao entrar com minha filha na sala onde estava a obra “A Origem do Mundo” de Coubert. Algumas obras da mostra de Marina Abramovic também exibiam nus. Mas minha filha nunca se importou.

Ontem visitamos o Sesc 24 de Maio e havia uma instalação lembrando a operação Camanducaia, que eu nem sabia ter existido. Eis aqui na foto que fiz , um resumo da operação.

camanducaia.jpg

Em 1974 o exército e a PM prenderam 300 crianças e adolescentes (alguns com 9 anos). 93 deles, depois de torturados, foram levados de ônibus a Camanducaia – MG e soltos à beira da estrada, no meio da noite, nus e sem um tostão. 55 crianças desapareceram para sempre.

Minha filha ficou muito assustada. É difícil explicar para uma criança que adultos agem assim. Seria mais difícil explicar que há brasileiros sonhando com a volta ao poder dos assassinos dessas crianças.

Eu mesmo não entendo como a operação Camanducaia ofende menos do que o peladão do Museu.

Um dia, ela vai aprender que o amor ofende mais do que as armas e que a verdadeira guerra do mundo é entre ódio e amor. Prefiro não procurar entender. Me limito defender o amor  sempre. Mesmo sabendo que os militantes do ódio estão ganhando a guerra.