O Romance do passado

O Romance do passado

Quando a gente chega aos 40 conhece uma série de pessoas com histórias parecidas. São pessoas que tiveram um romance marcante quando jovens e anos depois, ainda solitárias, se lembram desse affair como um ponto de quebra em suas vidas.

Triste mesmo é a forma que as tias se referem a essas pessoas.

“O Fernando é tão bonzinho, pena que o namoro com a Judith não deu certo”.

Só que o namoro da Judith foi há 17 anos. Judith já casou, teve dois filhos, operou a vesícula e mal se lembra do Fernando. Mas para ele e as tias, o fim daquele romance teria sido uma condenação à solidão.

Às vezes uma tia encontra Judith no shopping:

“Eu vi a Judith com o marido. Está feia. Eu não acho que ela é feliz”.

Mas de todos os romances frustrados da juventude, nenhum é tão triste como a história que contarei agora, história real, envolvendo pessoas muito famosas, cujos nomes protegerei já que não há como comprovar nada do que digo.

Essa história se passou no início dos anos 80 e envolveu os seguintes personagens.

Um cineasta amigo meu – Vamos chamá-lo de Cineasta

Uma modelo muito famosa – Chamemos de Senhorita X

Um esportista mundialmente famoso – Fica sendo o Craque

Um jovem ator de novelas – Doravante, Galã.

Quem me contou essa história foi o Cineasta que no início dos anos 80 fez um filme baseado numa música de sucesso da época, que falava de um automóvel.

O casal protagonista do filme era formado pelo Galã (na época ele fazia algum sucesso na TV) e a Senhorita X, que era uma modelo em acensão e namorava com o Craque.

Durante as filmagens, a equipe ficou semanas hospedada em uma cidade do interior. Senhorita X e o Galã começaram um namoro nos bastidores de maneira tórrida.

Me disse o  cineasta que Senhorita X estava apaixonada, queria largar seu famoso namorado para juntar-se ao Galã e este a recusou no final das filmagens.

Passaram-se os anos, a carreira do Galã foi curta, hoje ninguém lembra dele. Senhorita X, por outro lado,  abandonou o Craque e ascendeu ao estrelato, tornando-se uma das figuras mais famosas da TV brasileira, conhecida em vários países.

Trinta anos depois Galã e Cineasta encontram-se casualmente na feira, ambos senhores com mais de sessenta anos, arrastando seus chinelos enquanto apalpam frutas. Eles conversam lembrando os velhos tempos, o filme que fizeram juntos, a história de amor que não continuou. Perto deles, as pessoas que passam devem ser fãs da senhorita X e não tem ideia de quem seja Galã. Ele lamenta:

_ O pior é que não adianta eu contar a história do meu romance para ninguém. Quem iria acreditar?

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Você ficaria do lado de Jesus?

Você ficaria do lado de Jesus?

Sou judeu, por isso me sinto um tanto constrangido em falar de Natal.

No meu ponto de vista, todo evento religioso (de qualquer crença) é uma forma das pessoas se aproximarem de Deus e uma chance de reflexão. Por outro lado, conheço pouco o novo testamento.

Entre o pouco que conheço, há uma história que me chama a atenção, a de Jesus e a adúltera.

Um grupo de pessoas leva à presença de Jesus uma mulher flagrada em adultério para que ele a julgue. A lei da época era clara, a mulher deveria ser apedrejada até a morte. Esse era o desejo de seus acusadores. Eles queriam curtir uma tarde amena apedrejando uma mulher que se comportou mal.

Jesus os desapontou com a famosa frase: “Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou“.

Acho que a mensagem de Jesus dizia 3 coisas:

1 – Tenhamos compaixão até por quem erra.

2 – Quem somos nós para julgar os outros?

3 – Cuidemos dos nossos próprios erros no lugar de ficar olhando os outros.

Imagino que os apedrejadores ficaram bem decepcionados com a mensagem, porém os mais espertos deles podem ter aprendido uma boa lição.

Você já pensou quantas situações em nossas vidas são parecidas com essa? Quantas vezes julgamos os outros e nos esquecemos de olhar no espelho?

Como nos colocamos diante de alguém que roubou, que mentiu, quem não agiu como deveria? Como nos colocamos diante do gay cujo jeito nos incomoda, da mulher que se veste de forma vulgar? Na hora de julgar, estaríamos no lugar de Jesus ou dos apedrejadores?

Vejam uns exemplos que achei nas redes sociais:

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Essas pessoas estariam de que lado? Será que estariam do lado de Jesus?

Como já falei no começo, nada entendo de cristianismo e não tenho a menor autoridade para falar do assunto. Tudo o que dissse aqui é palpite.

Ontem acabou a festa de Chanuka, quando os judeus tentam espalhar luz pelo mundo. Na minha ignorância, quando eu vejo as luzes natalinas penso que no fundo, todos gostam de espalhar a luz.

Então eu desejo a todos amigos cristãos um feliz natal e deixo a pergunta no ar:

No ano que vem, de que lado você quer estar? Da compaixão ou dos apedrejadores?

Vaca Profana

Vaca Profana

Sempre fui fã de “Vaca profana” do Caetano Veloso, embora nunca entendesse exatamente o que ele quis dizer na letra. Gostava da figura profana, desafiando as leis e costumes com suas divinas tetas. Deusa pagã, mulher, com a cabeça erguida acima da manada.

Caetano pedia que ela derramasse sobre ele o leite bom e deixasse o leite ruim para os caretas.

Pra mim havia arrogância nesse pedido.

Nós, que nos vemos como artistas, como intelectuais, nos achamos especiais, superiores, dignos do leite bom da vaca profana. O leite ruim vai para os caretas, que não entendem Thelonius Monk, que não são torres traçadas por Gaudi.

Talvez pela falta desse leite profano/sagrado, os caretas se tornaram perigosos, rancorosos. Agora eles não evitam mais os museus. Vãos aos museus com pedras na mão, tal qual os que apedrejariam Maria Madalena, estão em uma cruzada contra a cultura, contra a arte, contra Caetano.

Estão cegos e raivosos. Querem evitar que crianças vejam exposições. Além de pedras estão armados com mentiras e memes falaciosos. Não servem à Vaca Profana. servem aos homens dos podres poderes.

Caetano sabia que não devíamos ficar com o leite apenas para nós. Mesmo arrogante, ele viu que era preciso dividir o que é bom para todos, assim pede no final da música:

“Gotas de leite bom na minha cara

Chuva do mesmo bom para os caretas”

Mas é tarde demais: Picasso, Maria Bethania, Thelonius Monk, Toms e Miltons ou o som do Tim Maia, nada disso sensibiliza aqueles que vivem do ódio. Eles atacam Adriana Varejão, agridem a tigresa Sônia Braga, seguem sua inquisição particular.

Não vamos lutar com as mesmas armas, não vamos pedir a mordaça ou responder mentiras com mentiras. É hora da arte ser mais arte. Da contestação ser mais verdadeira, dos filmes serem mais contundentes. Vamos aproveitar o leite bom e espalhá-lo para quem quer e quem não quer. Respeitemos nossas lágrimas, mas ainda mais nossa risada. Vamos ressuscitar um refrão que fazia sentido há 50 anos: “É Proibido Proibir”!


 

Vamos censurar!

Vamos censurar!

Já que está na moda também quero censurar! Vamos preservar a família e valores ímpios das pessoas de bem! Vamos meter a tesoura na música, no teatro e nas artes, vamos acabar com esses cineastas vagabundos que defendem o livre pensamento e com essa elite intelectual doutrinada por Trotsky e Rasputin.

As normas de censura definidas exclusivamente por mim, de forma totalmente democrática, são as seguintes:

1 – Combate ao vilipêndio religioso – Nada que ofenda as religiões será permitido na arte e na comunicação

Os primeiros a terem a língua cortada serão os Titãs por “Igreja”.

Seguidos por Eça de Queiroz e seu Crime do Padre Amaro

Novelas como Roque Santeiro e Tieta assim como toda a obra do Dias Gomes serão banidas.

Não para por aí, também estão proibidos:

O Poderoso Chefão 2

A série Young Pope

O Exorcista

A banda Iron Maiden (por The Number of The Beast)

Black Sabbath

Judas Priest

John Lennon e os Beatles: “Somos mais populares que Jesus Cristo”

Saramago, o ateu.

Quero que vá tudo para o Inferno (Roberto Carlos)

Rolling Stones (banidos do Brasil por Simpathy for the Devil)

A igreja evangélica (por chutarem a santa e por atacarem as religões africanas)

Todos os filmes do Almodóvar mas especialmente “Maus Hábitos”.

O Alto da Compadecida e seu Deus negro e piedoso diante do Bispo corrupto é imperdioável.

2 – Zoofila e todas as práticas de sexo heterodoxas na arte.

Começemos a banir o Ultraje a Rigor e sua ode à zoofilia “Mary Lou”.

Woody Allen será seriamente castigado por “Tudo o Que Você Queria Saber sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar.

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Em filme de Woody Allen, psicólogo se apaixona por ovelha

Vamos proibir Pulp Fiction do Tarantino, onde, nas palavras de Paulo Francis, “dois homens sodomizam um criolo”.

Lulu Santos deve ser impedido de cantar a baixaria de “Toda Forma de Amor”.

Hieronymos Bosch: Encontrem onde esse pilantra mora e vamos colocá-lo atrás das grades!

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Obra do Esquerdopata Bosch

Mandem prender esse tal de Sófocles e aproveitemos para levar junto Nelson Rodrigues, Philip Roth e João Ubaldo Ribeiro!

Não se esqueçam da Netflix com seu Sense 8 dirigido pelos irmãos travecos.

Game of Thrones, meu Deus, quase ia me esquecendo: Tem incesto, deuses falsos, sexo de todos os tipos, prostituição, pederastia, nu masculino. Censurem já!

 

3 – Combate à doutrinação Comunista

Vamos atacar esses livros e filmes que ensinam valores deturpados para nossas crianças passando a pior de todas as doutrinas: O comunismo!

Agora me lembro de um livro perigoso, só que esqueci o nome, será que vocês conhecem?

Tem um personagem rebelde que enfrenta o sistema e os líderes religiosos da época. Lembro-me de uma frase desse livro, dita pelo tal desajustado:

“_Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico subir ao reino dos céus”.

No mesmo livro esse personagem divide pães e peixes, sem perguntar qual o mérito das pessoas que recebem o alimento.

Numa passagem, ele salva uma mulher adúltera do apedrejamento que as pessoas de bem estavam prestes a executar.

Se alguém puder me lembre o nome desse livro. Precisamos impedir que a sua mensagem comuna chegue aos ouvidos das inocentes criancinhas. E principalmente, evitar que um livro desse chegue às escolas!

 

*Não falei de pedofilia no texto porque acho um tema muito pesado para piadas e ironias.

**Para quem não conhece o tom sarcástico do Blog, deixo um aviso que aqui tudo e nada são verdades ao mesmo tempo. “Toda Unanimidade” é um espaço de provocação e incentivo ao pensamento crítico.

 

 

Quando levei minha filha para ver Zoofilia na Rouanet

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No ano passei levei minha filha, então com 10 anos, para o Anima Mundi, o maior Festival de Animação do Brasil na Cinemateca. Patrocinado pela IBM através da lei Rouanet. O Anima Mundi tem diversas sessões de curtas metragens do mundo inteiro e oficinas onde as famílias fazem mini filmes com animação de massinha. Um programa gostoso, cultural e gratuito.

Porém eu cometi um erro. Entrei com a minha filha numa sessão sem ler de que se tratavam os filmes. Eram 6 curtas. 4 sobre morte e 2 sobre sexo. Não era uma sessão infantil.

Os filmes sobre morte eram lindíssimos. Os filmes eróticos eram totalmente inapropriados para minha filha. Um deles terrivelmente inapropriado. Envolvia zoofilia. Pra piorar, convidei um casal de amigos para o programa e eles levaram um filho de 10 anos.

Durante a sessão, as crianças fecharam os olhos enquanto eu, coberto de culpa, me ajoelhava no milho pedindo perdão aos amigos. Fiquei chateado.

Depois tive uma conversa com a minha filha e expliquei que o filme era inadequado para a idade dela e tratava de uma pessoa com desequilibrio sexual. Dito isso, as crianças continuaram brincando e a vida seguiu normalmente.

Evidentemente a organização errou ao não deixar um aviso sobre o conteúdo adulto da sessão. Pensei em mandar um e-mail com uma reclamação. Acabei esquecendo.

Quem vai a muitas exposições acaba correndo alguns riscos.

No Museu Dorsay, em Paris, fiquei constrangido ao entrar com minha filha na sala onde estava a obra “A Origem do Mundo” de Coubert. Algumas obras da mostra de Marina Abramovic também exibiam nus. Mas minha filha nunca se importou.

Ontem visitamos o Sesc 24 de Maio e havia uma instalação lembrando a operação Camanducaia, que eu nem sabia ter existido. Eis aqui na foto que fiz, um resumo da operação.

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Em 1974 o exército e a PM prenderam 300 crianças e adolescentes (alguns com 9 anos). 93 deles, depois de torturados, foram levados de ônibus a Camanducaia – MG e soltos à beira da estrada, no meio da noite, nus e sem um tostão. 55 crianças desapareceram para sempre.

Minha filha ficou muito assustada. É difícil explicar para uma criança que adultos agem assim. Seria mais difícil explicar que há brasileiros sonhando com a volta ao poder dos assassinos dessas crianças.

Eu mesmo não entendo como a operação Camanducaia ofende menos do que o peladão do Museu.

Um dia, ela vai aprender que o amor ofende mais do que as armas e que a verdadeira guerra do mundo é entre ódio e amor. Prefiro não procurar entender. Me limito defender o amor  sempre. Mesmo sabendo que os militantes do ódio estão ganhando a guerra.

 

Adeus Harry Potter. Muito obrigado!

Terminei o segundo livro do Harry Potter, A Câmara Secreta. Sei que não parece algo extraordário, a maioria das pessoas fez isso há muito tempo. Porém, esse foi um fato marcante para mim.

Até uns 4 ou 5 anos atrás eu inventava histórias diariamente para minha filha dormir. Era um desafio, ela era exigente. Eu espremia a cachola para botar ideias para fora.

Um dia, para facilitar a minha vida e porque ela já estava ficando grandinha, comecei a ler o primeiro Harry Potter. Minha filha dorme em casa de 4 a 6 dias por mês e muitas vezes ela está cansada e pega no sono logo que deita. Assim, eu levei anos para ler dois livros da saga e terminei neste final de semana.

Foram inúmeras noites repetindo o ritual e me embrenhando nas aventuras do bruxinho enquanto via minha filha crescer. No fim, ela já estava com 11 anos. Não é idade para ouvir histórias na cama, mas decidimos juntos ir até o fim deste e encerrar essa etapa da nossa relação.

Ao ler a última página percebi que virava também uma página da minha vida. Que abandonaria esse hábito como já abandonei muitas coisas que amava fazer.

– Nunca mais troquei uma fralda sem me me importar com o cheiro azedo.

– Nunca mais peguei minha filha no colo e a senti leve como um esquilo e nunca mais senti medo de tocar na moleira macia.

– Voltando ainda mais no tempo, nunca mais joguei futebol com os amigos num certo campo em São Bernardo que era nada e tudo ao mesmo tempo.

– Nunca mais sentei num banco de colégio acreditando que o futuro estava a minha frente e que eu poderia ser tudo o que quisesse.

– Nunca mais beijei meu avô.

Agora é a vez de, nessa eterna sucessão de abandonos, deixar para trás Hogwarts e as vozes que inventei para cada personagem. Minha filha vai terminar a saga lendo em silêncio como é mais adequado para sua idade.

Adeus Harry Porter, obrigado por estar ao meu lado nestas noites tão felizes.  Só espero que a voz que criei para você sobreviva na cabeça da Esther e que ela ressoe ainda que em pensamento, nos feitiços e magias da adolescência.

Esquerda x Direita x Amor (parte 2)

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A Lente do Amor

Comecei a falar deste tema num post anterior (esse aqui). É um assunto complexo que move paixões.

O sujeito acorda um belo dia e se coloca um rótulo: “Sou reaça”. A partir desse dia ele usa uma lente e vê tudo de um único ponto de vista: Economia, direitos humanos, educação… O mesmo ocorre com com quem usa o prisma da esquerda.

Pois eu sugiro meu a gente faça um teste e substitua as duas lentes pela lente do amor.

Funciona assim:

Um prefeito de direita propõe uma ação na cidade, tipo mudar o horário das escolas. Pela lente da esquerda o cara é um canalha que quer vender a alma dos alunos aos imperialistas. Pela lente da direita os alunos precisam ter mérito em qualquer horário. E pela lente do amor?

Por ela nos preocupamos se vai ter ônibus para os alunos, pensamos no horário dos pais que levam os filhos pequenos, ouvimos as justificativas do prefeito para tal medida. Depois a gente se posiociona.

Vou dar exemplo mais factuais:

Feminismo

Não tem nada a ver com esquerda x Direita, mas por um motivo estranho, os coxinhas começaram a detonar as feministas e os mortadelas as defendem cegamente. E pela lente do amor?

Pela lente do amor direitos iguais e proteção contra a violência são sempre essenciais. Mas as pessoas que amam não gostam quando as feministas dizem que todo homem é um opressor ou estuprador como muitas dizem por aí. Isso não é amor.

Manifestaçãoes

O amor adora manifestações. Adora gente na rua marchando por um ideal, braços dados, caminhando, cantando e seguindo a canção. Mas as lentes do amor não gostam de gente quebrando tudo ofendendo quem pensa diferente, agredindo por ideologia.

Meio ambiente

O amor adora os bichos e as florestas, há que se defender o que restou delas. Mas temos de entender o ponto de vista do agricultor que rala para caramba e enfrenta pragas, mudanças no clima, ocilações de preço…

Agora é sua vez.

Da próxima vez que alguém te perguntar sobre golpe, escolas, velocidade nas vias, privatizações, impostos, bicicletas, corrupção, eleições, Lava Jato, Cuba, Temer, hospitais, Bolsa Família ou armas, tire as lentes da esquerda, tire a lente da direita e coloque as lentes do amor. Faça um teste, veja se ficam bem em você. Aposto que te ajudarão demais. E será ainda melhor para quem está em seu entorno.