Quando acabar a pandemia

Quando acabar a pandemia

Quando acabar a Pandemia

Ah meu Deus que alegria

Quantos eu vou abraçar!

Hei de correr todas ruas

Deixarei minhas palmas nuas

Quando a pandemia acabar

.

Quando acabar a pandemia

Será num lindo dia

De céu azul outonal

A turba virá às praças

Em estado de graça

Como fosse carnaval

.

Quando acabar a pandemia

Será assim por magia

Todos vão saber

Que este escritor sozinho

Nem por um segundinho

Deixou-se entristecer

.

Pois sabia que separadas

Nas janelas e sacadas

Estavam a lhe esperar

Tantas pessoas amadas

Também desesperadas

Para lhe abraçar

.

Quando acabar a pandemia

Imagine a euforia

Imagine o fervor

Cantaremos juntos

E seremos muitos

Emanando amor

.

Quando acabar a pandemia

 Ah meu Deus que alegria

Que mundo vamos encontrar?

Será que o duro aprendizado

Nos terá modificado

Quando a pandemia acabar?

Quero Um Abraço

Quero Um Abraço

Caro Leitor, serei um pouco confessional, vou compartilhar detalhes picantes da minha vida. Moro sozinho, sou um sujeito um tanto solitário. Além disso, sou freelancer. Chego a passar dias seguidos aqui em casa.

Quando o noticiário começou a falar da necessidade de isolamento social em função da pandemia de coronavírus (ou covid-19 para os íntimos), eu não me preocupei. Imaginei que pouco mudaria na minha vida e efetivamente, até agora, pouco mudou.

Porém há uma diferença importante. Quando encontro amigos e colegas de trabalho, não nos tocamos mais. Nossos cumprimentos são dados a distância. Quando muito, tenho encostado o cotovelo no cotovelo das pessoas que amo.

Não me considero um sujeito particularmente carinhoso. Não sou chegado a exageros, mas sou brasileiro. É comum abraçar amigos, amigas, parentes e colegas de trabalho. Até nossos apertos de mão costumam ser carinhosos. Chego a beijar as bochechas de velhos amigos.

Agora sinto-me um lutador de sumô, minha intimidade máxima é curvar as costas em sinal de respeito.

Quando sem querer aperto a mão de alguém, o ato acaba gerando enorme constrangimento e muitos pedidos de desculpas, todos eles com os dois metros protocolares de segurança.

Não aguento mais. Estou virando o Olaf, o que eu mais quero são abraços quentinhos. Quero pousar a mão no ombro das pessoas que amo, sentir o calor da amizade.

Senhores cientistas, inventem logo essa tal vacina. Não quero mais entrevistas coletivas do Paulo Guedes, não quero mais quedas da bolsa, choro de jornalistas ou matérias com imagens de homens metidos em escafandros. Eu quero sentir o toque da pele, a energia do corpo humano. Eu quero um abraço!!!!!!

(Nem que seja do Drauzio Varella)

Democracia em Vertigem

Democracia em Vertigem

Faltam poucos dias para a cerimônia do Oscar e o Brasil está presente em 3 filmes. Ad Astra, Dois Papas e Democracia em Vertigem.

Imaginei que o patriotismo e a chance de uma premiação internacional iriam unir o Brasil, imaginei que as famílias estariam reunidas no domingo, com a camisa da seleção diante da dublagem sem graças da cerimônia, torcendo abraçadas pela cultura brasileira, mas isso não vai acontecer.

Novamente esquerda e direita estão trocando farpas em função do documentário da Pietra Costa. Como sou ingênuo.

Democracia em Vertigem é um filme de grande impacto. Quem recomendou que eu assistisse foi um cineasta americano que já concorreu ao Oscar de melhor documentário. Outros produtores americanos elogiaram o filme para mim.

Lógico que as pessoas que tem visão de mundo oposta à de Pietra não concordam com o ponto de vista dela, mas isso não diminui o filme. É um filme sobre um ponto de vista. Eu diria que é um filme sobre a destruição do sonho da esquerda contada por pela própria esquerda.

Como cinema tem inúmeras virtudes. Tem imagens impactantes e exclusivas. Tem uma narrativa coerente e instigante dada muito pela ótima montagem e pesquisa de imagens. Além disso coloca uma discussão que vale não apenas para o Brasil. O mundo inteiro está vivendo a época das Fake News e das democracias em vertigem, a experiência brasileira é super universal.

O filme tem defeitos também, mas não me importa falar deles. Eu torço para o São Paulo independentemente de suas fraquezas (Alexandre Pato, Pablo, Leco…) e vou torcer para o Brasil da mesma forma.

Vale dizer que a vitória de Pietra é improvável. Os concorrentes são muito fortes. American Factory é um maravilhoso retrato da transformação dos EUA, um filme impecável. Há dois filmes impactantes sobre a Guerra da Síria, difícil ganhar deles.

Mesmo assim acho devemos celebrar o avanço de nosso cinema. Se temos três filmes no Oscar, isso se deve ao sangue e suor de muita gente. Em 2019 foram dois filmes premiados em Cannes. Agora em janeiro Mamãe É Uma Peça 3 bateu os 140 milhões de reais de bilheteria, um recorde histórico. Essas coisas não acontecem por acaso.

Vamos continuar lutando pelo cinema no Brasil, vamos celebrar cada vez mais nossas vitórias e torcer para que um dia a cultura volte a ser valorizada por todos os brasileiros.

Amar é Perigoso 2

Amar é Perigoso 2

Meu último texto, Amar é Perigoso fez bastante sucesso. Muitos views. Vou aproveitar e repetir o título, mas mudo o enfoque.

Comecemos com um parágrafo impactante (e um pouco brega):

Amar só é de verdade, se corremos riscos. Se caminhamos de olhos vendados à beira do abismo. Amar com segurança, na impossibilidade de algo dar errado, não existe. Amar é encarar o risco da perda.

Pensem em Elsa, a querida princesa da Disney com poderes congelantes. No primeiro filme Frozen, enquanto Ana se entregava ao amor sem a menor racionalidade (e pagava um preço alto por isso), Elsa construía um castelo de gelo para se isolar do mundo e evitar o risco de machucar ou ser machucada pelo amor. Ela poderia se afastar de tudo, se livrar do risco da dor e passar o resto da vida cantando a sua ode ao desapego “Let It Go”. Mas acabou optando por encarar o risco de ter de volta o amor da irmã e os abraços quentinhos de Olaf.

Pensem em quem tem um animalzinho de estimação. Eles fazem cocô, trazem custos, trabalho e problemas. Ficam doentes, nos enchem de preocupação e num prazo irritantemente curto se mandam para o céu dos pets deixando apenas fotos que se transformam em homenagens no Instagram. Mesmo assim, as pessoas passam por todos estes infortúnios pela alegria que os bichinhos trazem.

Eu nem precisaria me aprofundar nos relacionamentos amorosos, mas cometerei o pecado da obviedade ao dizer que se não nos apaixonamos, não corremos o risco de sofrer, de ter um coração partido. Atire a primeira pedra quem num ouviu música brega no escuro, abraçado a uma almofada e se entupindo de Napolitano da Kibon. Amar é arriscado e muitas vezes engorda.

Mesmo assim as pessoas continuam amando, ganhando, perdendo, adotando bichinhos e de quando em quando sofrendo. Às vezes sofrendo mais do que o combinado. Acredito que elas estão certas. Talvez o amor seja a única coisa que valha algo neste mundinho sem sentido e vergonha na cara. Sem o amor, não passamos de macacos pelados brigando por política nas redes sociais. Portanto meu caros, não tenham medo de sofrer e de amar.

Amar é perigoso

Amar é perigoso

Amar é perigoso. Você duvida? Pois bem, então pense nesses caras:

Martin Luther King quis unir brancos e negros.

John Lennon cantou “All You Need is Love” e “Give Peace a Chance”.

Mahatma Gandhi pregou a resistência sem violência.

Yitzhak Rabin firmou tratados de paz entre israelenses e palestinos.

A freira Dorothy Stang defendeu a floresta.

Anwar Sadat fez a paz entre egípcios e israelenses.

Abraham Lincoln libertou os escravos nos EUA.

Todos defenderam o amor e a paz. Todos assassinados.

Teve mais um, o mais famoso, aquele rapaz de Nazaré cujo nascimento é comemorado na festa de Natal. Jesus, o filho de José, falou de amor, de perdão, defendeu uma adultera quando os cidadãos de bem queriam apedrejá-la e para completar brigou com aqueles que queriam transformar o Templo sagrado num lugar onde se ganha o dinheiro dos fiéis. Terminou executado com requintes de crueldade.

Pregar o amor é perigoso e talvez por isso, tão necessário.

O Grande Rabi Akiva dizia que todos os 613 mandamentos da Torá podem ser substituídos por apenas um: Ame ao próximo como a ti mesmo. Já o apóstolo Paulo escreveu que não adianta conhecer a língua dos homens e a dos anjos se não temos amor.

Aliás uma coincidência une Paulo e Akiva. Ambos foram presos pelos romanos e não se sabe com exatidão a causa de suas mortes. Pode ser que eles tenham sido executados, o que não me espantaria. Falaram demais no amor.

Se você ainda duvida deste risco, pense em quantos casais gays tem sido espancados simplesmente por andar de mãos dadas nas ruas. Ou nas mães que tem sido reprimidas por amamentar seus filhos em lugares públicos. Existe ato de amor mais lindo?

Por outro lado, faz muito sucesso quem usa a arma como símbolo, quem prega o ódio, a segregação e o fechamento de fronteiras, quem defende a supremacia de um povo sobre outro, quem defende a destruição da matas e a caça, quem usa a religião como forma de enriquecer. As pessoas do time do ódio conseguem tudo, até mesmo a presidência dos países.

Creio que cada um nós escolhe um time, as vezes fazemos isso sem perceber. Escrevo em pleno Natal, época propícia para este tipo de reflexão. Será que o amor vale o risco?

P.S. Esse deve ser o último texto do ano. Então boas festas e um lindo 2020 para todos vocês meus queridos leitores amigos.

7 de setembro

7 de setembro

Sete de setembro

Viva o Brasil

Sobreviva o Brasil

Viva a alegria do brasileiro

Sobreviva aos gritos de quem te quer triste

Viva nossa cultura, mais linda não há

Sobreviva aos que atacam sua arte

Vivam os beijos de todos os sabores

Sobreviva ao culto das armas e da morte

7 de setembro

Viva o Brasil

Sobreviva o Brasil

Viva o amor

Sobreviva ao ódio

Viva o respeito

Sobreviva à grosseria

Viva o misturado

Sobreviva à intolerância

7 de setembro

Viva o Brasil das matas

Viva o Brasil das onças

Viva o Brasil do carnaval

Viva o Brasil dos corpos exuberantes

Viva o Brasil do ritmo

Viva o Brasil de portas e janelas abertas

Viva o Brasil do toucinho na feijuca

Da carne de sol

Da caipirinha

Do barreado

Viva o Brasil do abraço apertado

Viva o Brasil da criança que aprende

Do jovem que compartilha

Do idoso que sorri

7 de Setembro

Viva o Brasil que não é bandeira,

Brasil não é fronteira

O Brasil é gente, gente, gente

Gente de Portugal

Gente da África

Gente da Itália

Gente do Japão

Gente da Bolívia

Gente da Coréia

Gente do Haiti

Gente da Síria

Gente muçulmana

Gente do Candomblé

Gente do Afoxé

Gente Cristã

Gente de tribos nem conhecemos

Gente que estava aqui antes do Brasil ter nome e fronteira

Gente que é mais brasileira que as cores da Bandeira

Sete de setembro

Viva o Brasil do Amor

Viva o amor

Somente o amor

O Tempo do Amor

O Tempo do Amor

Quando minha filha tinha 5 ou 6 anos levei-a a uma reza em memória de uma tia recém falecida. Para distraí-la, uma prima deu-lhe papel e lápis. Quando saímos da reza, minha filha mostrou o que fizera.

A obra era o desenho de uma ampulheta em forma de dois corações, não toda bonita como essa da ilustração, mas num traço bem infantil. Logo abaixo, ela escreveu a frase.

Rápido, o tempo do amor está correndo.

Provavelmente o ambiente triste serviu de inspiração. Minha filha não tinha passado perto de experiências de morte até então. Eu perguntei sobre as suas motivações, mas ela se recusou a falar.

Creio que ao ver as pessoas se lembrando e ao sentir o clima de despedida, ela intuiu a finitude da vida. O tempo nos faz órfãos, o tempo corre indiferente aos nossos desejos e frustrações.

O pai babão fez o que qualquer pai babão faria: Enquadrei a obra e a pendurei na parede.

Acontece que agora, passados alguns anos, reparei neste quadro e para minha surpresa, o desenho e o texto se apagaram. Na parede havia uma folha em branco, mas no vazio pude ler uma mensagem subliminar.

Rápido, o tempo do amor está correndo.

Novamente e de uma forma inesperada o destino deu seu recado. Nada é perene. Nem os recados. O tempo do amor é finito como somos nós e por isso ele é tão importante. Não podemos parar a areia que cai da ampulheta, mas podemos usar o tempo da melhor forma possível. Quem está ao nosso lado hoje pode não estar na semana que vem e isso não é uma revelação incrível, é a maior das obviedades. Até uma criança de 5 ou 6 anos sabe.