Marli ´n Kedin

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Marli estava ansiosa, precisava chegar em casa a tempo de ver Camila acordada. A menina, em fase de tirar as fraldas, não via a mãe todas as noites.

Era comum Marli ficar até mais tarde no banco. Verificava planilhas, refazia cálculos. Quando tinha uma apresentação importante passava horas revendo o Power Point e treinando suas falas.

Miguel, o marido, estava acostumado. Dono de uma loja de pneus, sofreu um pouco no começo com as ausências da esposa. Depois, porém, passou a se acostumar com o conforto material que os bônus de Marli proporcionavam.

A primeira vez que o bônus superou os cem mil reais foi comemorada em Paris, na segunda vez, Marli já estava grávida.

Camila crescia menos rápido do que a fama da mãe no banco. Impiedosa com a equipe e obcecada por detalhes, Marli brilhou em todos os projetos que se envolveu.

Ao chegar em casa naquela noite, deu com Miguel saindo do quarto de Camila. A menina acabara de dormir. Ele fez sinal de silêncio com o dedo indicador em frente aos lábios e a chamou para comer algo. Ela o beijou na bochecha e disse que precisava trabalhar um pouco. Pegou um pacote de Pringles e abriu o notebook.

Ele, cansado de esperar por companhia, ficou em pé ao lado observando-a entrar no LinkedIn.

_ Faz duas semanas  que você faz isso toda a noite.

_ É importante. Preciso saber o que está acontecendo no mundo. No banco eu não tenho tempo para nada.

_ O LinkedIn não é o mundo – Retrucou Miguel contrariado.

_ O mundo é o que você vai conhecer se eu não perder o foco.

Miguel saiu de mansinho, pegou outro pacote de Pringles e foi ver futebol na TV.

A Verdade Sobre a prisão Eike Batista

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Compartilhe antes que o Facebook e o WhatsApp censurem. A verdade que o jornal Nacional e a Folha não tiveram coragem de publicar.

Em 1990, Donald Trump esteve no Brasil cuidando de negócios e conheceu Luma de Oliveira em um evento. O Multimilionário americano ficou encantado com a beleza da modelo e começou a assediá-la sem sucesso. Ela dizia que era noiva. De nada adiantou a insistência de Trump. Luma o ignorou. Algo que nunca havia acontecido em sua vida.

Já nos EUA, Trump soube que o noivo era um jovem e pouco conhecido empresário brasileiro: Eike Batista.

Mesmo casado, Trump ainda tentou contatar Luma que continuou irredutível. Trump não aceitou a derrota. Jurou que se vingaria destruindo Eike, usaria seus recursos, sua fortuna, o que fosse possível para acabar com os negócios do rival.

Porém, Trump não imaginava que enfrentar Eike era tão difícil. O Milionário carioca ficava cada vez mais rico. Se envolvia em diferentes ramos e não parava de crescer. Mesmo com toda a sua fortuna, houve um momento em que Trump parecia um escoteiro diante de um gigante. O Mundo se curvava frente ao capitalista brasileiro.

Isso aumentou um o ódio de Trump que não aceitando a derrota, traçou seu plano. Só havia uma forma de ser mais poderoso que Eike, conquistando a Casabranca, possuindo o maior exército do mundo.

Tantos anos tinham se passado que Trump praticamente se esquecera de Luma. Eike já estava com outra esposa. A disputa não era mais pela atenção de uma mulher, Trump queria provar a si mesmo que era superior, que era maior.

Primeiro foi preciso destruir o império de Eike, plantando notícias falsas que derrubaram as ações de suas empresas. Até seu filho Thor foi atacado por um ciclista suicida.

Quando Trump soube que no Brasil juízes estavam prendendo políticos e milionários numa gigantesca ação contra a corrupção, ele percebeu a chance de fazer sua grande jogada.

Durante a Campanha para a presidência, o candidato republicano pediu ao amigo Putin que usasse seus espiões para forjar provas falsas contra Eike. O governador Cabral acabou sendo incriminado sem ter nada com a história, apenas para que as acusações contra Eike fizessem sentido.

Finalmente, no começo de 2017. o plano de Trump deu certo. Ele se tornou presidente e logo depois veio a ordem de prisão de Eike. o Ex-bilionário, em desespero, tomou um vôo para nova Iorque para implorar perdão ao seu algoz.

Só que com Trump não há perdão. ele sequer recebeu Eike. Apenas assistiu satisfeito a derrocada do rival. Entre charutos e taças de Dom Perignon, Trump dançou no salão oval, batendo na mesa e revendo cem vezes as fotos de Eike algemado. Agora a America pode ser grande de novo!

(Não vamos deixar que nos escondam essa verdade. Passe essa mensagem para o maior número de pessoas possível.)

O político e a empreiteira

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Ele avançou pelo recepção da empreiteira com passos tímidos. O tamanho do prédio o impressionara. Não sem motivo, o hall de entrada tinha proporções exageradas, a luz do sol atravessava as paredes de vidro espelhado e vazia brilhar o mármore do piso.

Diante de uma das recepcionistas, anunciou:

“Vim falar com o seu Marcelo”.

“Qual Marcelo?”.

“Ué? O Dono. O homem que manda”.

A recepcionista estranhou os modos e as roupas simplórias do visitante.

“O senhor é aguardado?”

“Eu sou político, minha filha. Não preciso marcar hora.” Respondeu transformando a timidez em prepotência.

O tom alto da voz chamou a atenção dos seguranças que se aproximaram discretamente. Outros visitantes que estavam na fila também se interessaram pela conversa.

“Qual o nome do senhor?”

“Claudisson Silva, mas meu apelido é Kaka do Posto”.

A essa altura a segurança já se comunicava por rádio e o departamento de RP havia sido avisado. A recepção estava cheia. Fornecedores engravatados, portadores segurando pastas, candidatos a vagas de emprego e entregadores de lanchonetes testemunhavam a cena.

A recepcionista pediu que o homem esperasse num sofá ao lado, alguém desceria para atendê-lo.

Em 4 minutos apareceu um assessor gordinho, apertado em um terno Hugo Boss e chamou o homem de lado.

“Prazer, eu sou político, Kaka do Posto. O senhor é o seu Marcelo?”

“O Marcelo não está. Eu posso te ajudar?” O assessor falava baixo na esperança de que o homem o imitasse.

“Eu sou político. Eu tenho apelido. Eu vim porque estou precisando de um dinheirinho”.

As pessoas na fila da recepção encaravam os dois. O Assessor vislumbrou a porta que dava para a escada de emergência e puxou Claudisson até lá. Atento, um segurança os acompanhou.

Isolados pela escada, o clima mudou.

“Político o Caralho!” Esbravejou o assessor enquanto procurava um grampo na roupa do visitante. Este, se defendeu puxando um papel dobrado do bolso.

“Olha aqui então” Bradou mostrando o diploma de posse. Claudisson era vereador eleito em Jandira. Conhecido como Kaka do Posto.

O assessor olhava o diploma xingando mentalmente o chefe que o colocara naquela situação. Kaka do Posto insistia.

“Eu sou vereador, eu tenho apelido. Eu sei que vocês ajudam tudo que é político com apelido. Eu tô ferrado de grana”.

“Taqueopariu, era o que me faltava”. Depois de xingar o mundo o assessor agiu de improviso, sacou uma nota de R$100,00 da própria carteira e ofereceu.

“Só isso?” resmungou Kaka. O assessor olhou para o segurança com cara de súplica e ouviu como resposta.

“Só tenho vinte”

“Serve!” Sorriu o visitante.

“Então pega essa grana e some da minha frente”.

Kaka pegou as duas notas o mais rápido que pode, deu uns passos na direção da saída, mas parou repentinamente e voltou-se para o assessor.

“Tem algum prá condução?”

Obteve um dedo do meio como resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um Guitarrista Estupendo

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Comecei a reparar nos dedos dele, rápidos, precisos e cheios de ginga. Não batiam nas casas de forma mecânica. Cada nota tinha a intensidade que precisava ter.  Fiquei tão hipnotizado pelo som da guitarra que não ouvia mais o que falavam em minha mesa.

Era uma trio que misturava soul, blues e jazz com muito swing e ousadia, mas isso não interessava aos frequentadores do bar. Nossa mesa, formada por quatro economistas jovens que comemoravam mais um bônus polpudo estava mais interessada em escolher rótulos caros de vinho e encontrar no google modelos de carros extravagantes. Não fazia sentido ganhar aquele dinheiro todo e comprar outra BMW.

Eles falavam em relógios exclusivos, restaurantes em Boston e mulheres siliconadas. Eu estava distante, atento a uma versão magnífica de “Nothing But a Woman”. Acho que só eu sabia que aquele guitarrista era extraordinário.

E por que eu sabia isso? Por que que tinha tanta certeza?

Porque sou um ótimo guitarrista. Toco desde a adolescência. Eu tirei Starway to Heaven e Sultans of Swing de ouvido e não tinha mais de 15 anos. Ainda hoje muitos ficam impressionados com minha versões de Highway Star ou Back To Black. Porém conheço os meus limites e sei a diferença do ótimo para o extraordinário e o que via era verdadeiramente especial.

No intervalo, quando os músicos pararam para descansar um pouco, abordei o tal guitarrista no fumódromo. Reparei de perto que suas roupas estavam em péssimo estado. Os sapatos imprestáveis. Chamava-se Samuel.

Obviamente, falamos de música, listando os guitarristas e bandas que mais admirávamos. Ele deu uma aula sobre George Benson e Steve Lukather, me indicou alguns álbuns deles. Era culto, estudioso do assunto. Tive de controlar minha prepotência habitual e apenas ouvir.

Quando esperava o manobrista trazer meu carro ele apareceu com a guitarra nas costas. Ofereci uma carona. Ele disse que ia para a Giovanni Gronchi, era perto de casa.

No carro voltamos a falar de música, arranjos, do prazer que é trabalhar com aquilo que se gosta. De repente ele pediu que eu parasse o carro em um posto de gasolina e o deixasse lá. Eu disse que podia levá-lo em casa mas ele insistiu em ficar no posto. Nos despedimos e ainda o vi pelo retrovisor caminhando sozinho com seus sapatos desgastados.

Quando cheguei no meu apartamento saí para fumar o último cigarro no terraço. Eu moro num andar alto e tenho uma boa vista da zona sul. Deixei Samuel num ponto próximo a prédios muito luxuosos e a favela do Paraisópolis. As roupas gastas e o fato dele ter preferido ficar no posto de gasolina me fizeram pensar que mora na favela. Ele ficou constrangido em  me dizer.

Ainda tragando e olhando a neblina que surgia na madrugada pensei no meu potencial como economista. Sou igual a meus pares. Estudei bastante, trabalho direito, mas jamais serei brilhante. Samuel era diferente tinha algo de único, era especial no que fazia, tinha um talento que sonhei em ter. Com os acordes de Robert Cray ainda ecoando na cabeça, apaguei o cigarro e deitei-me confortavelmente no lençol de algodão egípcio que comprei com o bônus do ano passado.

 

 

 

O Novo Sexo Seguro

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Giovanni decidiu ficar um pouco mais no bar depois que os colegas saíram. Haviam comemorado uma decisão favorável a um cliente que lhes garantiria um belo prêmio. Giovanni coordenara toda a estratégia de defesa e tomava seu último drink com a alegria do piloto que estoura champagne quando viu Valéria bebendo no balcão.

Era daqueles bares escuros que combinam mais com martinis do que com cerveja. Valéria olhava de volta enquanto alisava com os dedos uma taça de Manhattan.

Giovanni pegou seu Negroni e parou ao lado dela.

_ Se incomoda se eu ficar aqui?

_ De jeito nenhum – Ela tirou os cabelos que cobriam parte do rosto e apresentou-se – Prazer, Valéria.

_ Eu sou Giovanni.

Ambos estavam fascinados pela beleza do outro.

Se você não se incomodar – Ele falava enquanto puxava uma folha impressa do bolso do Blazer – eu gostaria que você assinasse esse termo antes de qualquer conversa.

Ela assustou-se, mas pegou o papel curiosa, reparando no timbre do famoso escritório jurídico. Tratava-se de uma autorização.

Eu ____________________________, portadora do RG n.º _____________, inscrita no CPF/MF sob o n.º _________________, residente e domiciliada a rua ____________________________________ , autorizo Giovanne Barros Magalhães, portador do RG n.º12.236.265-6, inscrito no CPF/MF sob o n.º 126.125.963.2, residente e domiciliado a al. Itu no. 42 apto 206 a conversar comigo.

Declaro que esta conversa começou de forma consentida e estou ciente que podem surgir intenções de paquera ou interesse para futuro relacionamento.

Declaro ainda que o presente termo não implica em um compromisso amoroso atual ou futuro, podendo a conversa ser interrompida sem explicação prévia por qualquer uma das partes sem prejuízo para ambos e sem necessidade de desacordo por escrito.

No final havia um espaço para datas e assinaturas.

Valéria mal conseguiu disfarçar o espanto enquanto Giovanni explicava.

_ Eu sei que parece estranho, mas eu sou advogado e já vi amigos e clientes passando por poucos e boas. Eu me sentiria melhor se você assinasse. Faz parte das paranóias da minha profissão.

Valéria teria interrompido a conversa se Giovanni não fosse tão bonito. Além disso, ela era consultora de RH e tentava fechar um contrato com o escritório dele havia meses. Se a paquera não desse certo, poderia ser um ótima oportunidade de network. Assinou o papel com uma rubrica qualquer e meteu-se na conversa um tanto desanimada pela atitude esquisita do rapaz.

Porém, passados uns minutos e uns goles, as afinidades começaram a aparecer. Ambos eram fãs do George Harrison, de desenhos animados antigos e dos livros da coleção Vagalume.

Falaram da infância, de trabalho, de relacionamentos que não deram certo e não demorou para o olhar de cada um puxar o do outro como se houvessem imas em suas córneas.

Quando entrou no carro dele, Valéria já havia se esquecido completamente do termo que assinara. Beijaram-se no primeiro semáforo e quando pararam em frente ao prédio onde morava ela o convidou para subir.

Então ele sacou mais uma autorização parecida com a primeira, em que ela confirmaria por escrito que o sexo seria consentido e não havia sofrido nenhuma pressão ou constrangimento para ir para a cama com ele.

Irritada, Valéria desceu imediatamente do carro, bateu a porta e entrou sem olhar para trás. Giovanni sentiu-se muito mal, sabia que havia perdido uma mulher incrível, mas não tinha o que fazer, eram novos tempos e não poderia correr riscos. Voltou pra casa resignado, sem qualquer arrependimento.

 

 

 

 

 

 

 

Séries e mais séries

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Lola irritava-se – “Que mania as pessoas tem de falar de séries de TV!”.

Lola trabalhava muito, chegava em casa cansada e tinha que dar atenção ao filho, ao marido, ao cachorro, cuidar de seus afazeres, ligar para a mãe… Nunca teria tempo para assistir uma novela americana sobre zumbis.

O problema é que quando conseguiam marcar um cervejinha no bar  ou um jantar no apartamento de amigos esse era o assunto predileto.

“Eu acho que o House morre no final.”

“Eu sou apaixonada pelo Draper.”

“Essa sexta temporada não está tão boa. O Jake perdeu a graça.”

” Não me conta nada que eu perdi o último episódio.”

E lá ficava Lola calada e cabreira de não lembrar de um personagem desde a Rachel de Friends nos anos 90.

Até que um dia Lola se separou. O filho passou a ficar ora lá, ora cá e o cachorro, traidor, escolhera o ex-marido.

Assim, sem que houvesse pedido, Lola ganhou um bem que há anos perdera, o tempo. Passou a ter algumas noites por semana que pertenceriam apenas a ela. Então presenteou-se com o direito de assistir às séries de TV de que tanto ouvira falar.

Assinou o Netflix e começou com Narcos, já que sempre ficara em silêncio enquanto os amigos elogiavam a atuação do Wagner Moura. Gostou tanto do primeiro episódio que assistiu seis em sequência. No manhã seguinte chegou atrasada ao trabalho e passou o dia inteiro com sono.

Depois disso a situação piorou. Bastava começar qualquer série que sentia uma angustia imensa que só se resolvia no último episódio. Perdia madrugadas, se irritava quando o filho demorava a dormir. Começou a ter problemas gerados pela falta de atenção no trabalho,  passava o dia ansiosa pelo destino de Walter White ou de Frank Underwood. Chegou a ver um episódio inteiro de Demolidor escondida dentro do banheiro do escritório.

E isso tudo não a ajudou nas conversas com as amigas em bar. Isso porque não havia tempo de  ir a bares ou ver as amigas. Ela desmarcava encontros, perdia compromissos, faltava a eventos. Tinha muito o que assistir, eram séries e mais séries.

 

O Dia em Que o Whatsapp Parou

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Manu acordou e logo puxou o celular que estava no criado mudo para ter certeza de que não era um pesadelo: O Whatsapp não funcionava.

Na noite anterior aguardara com ansiedade o horário previsto para a interrupção do serviço, ainda com esperanças de que tudo não passasse de um boato. Infelizmente era verdade e nada podia fazer.

Chegou a mesa do café sentindo uma angústia difícil de explicar. O rádio dava as notícias da manhã, incluindo a da liminar que proibia o aplicativo. Seus pais conversavam como todos os dias, falando do trabalho ou da programação do final de semana. Manu segurava o celular, com vontade de ler os “bom dias” dos amigos e de ver ícones de rostos sorrindo, mas isso não aconteceu.

Entediada, começou a observar o movimento da cozinha enquanto comia. O pai falava gesticulando, levantava-se para preparar novas torradas, exibia seu sorriso matinal. A mãe limpava migalhas que caiam a mesa e usava o reflexo da garrafa térmica como espelho para ajeitar os cabelos. Era nítido o carinho de um pelo outro e Manu nunca tinha reparado nisso.

Mais tarde, no ônibus a caminho da FAAP, Manu pensou que o tédio ia matá-la. Segurava o celular como se o calor da mão pudesse derrubar a decisão judicial e sem melhores alternativas passou a prestar atenção no caminho. O Pacaembú era um bairro bonito, árvores frondosas, casas antigas e o velho estádio. Percebeu nos prédios alguns estilos arquitetônicos sobre os quais estava estudando.

Na faculdade, a luta contra o tédio continuava, sentiu-se obrigada a acompanhar o que os professores diziam nas aulas.

Mesmo com os amigos, a conversa era diferente. Claro que o assunto era o Whatsapp, mas as pessoas falavam de um jeito esquisito, olhando umas para as outras, respondendo, prestando atenção. Por um momento teve a impressão de que nunca havia visto os olhos de certas pessoas. Fazia parte de um grupo habituado a olhar para baixo.

Na volta pra casa decidiu ler no ônibus, coisa que não fazia há tempos. Estava encalhada no  100 Anos de Solidão. Gostava do livro mas não encontrava muito tempo para ele.

Só que não conseguiu ler nem duas páginas. Um aviso sonoro vindo do Iphone revelou que a liminar havia sido cassada. O Whatsapp ressuscitara. Guardou o livro na mochila e começou a mandar rostinhos felizes para todos os grupos.

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