12 anos e os Playmobils

12 anos e os Playmobils

Minha filha fez 12 anos. Idade de mudanças físicas, hormonais e psicológicas. Para mim será um desafio. Mudo meu status de “pai de criança” para “pai de adolescente”.

Adolescente? Não é bem assim. O amadurecimento não é um processo linear. Minha filha é prova disso. Parece que dentro dela há uma criança lutando contra a adolescente que está nascendo.

Sei disso porque me lembro exatamente do meu aniversário de 12 anos, de como sofri por um Playmobil.

Eu tinha um caixa cheia deles. Playmobils de índio, de circo, mecânicos, cowboys… Eram meus brinquedo favorito e viviam amontoados numa grande caixa.

Pouco antes do meu aniversário a Playmobil lançou carros de corrida. Eram lindos, com rodinhas de borracha que podiam ser trocadas. Um sonho.

Porém, algo me dizia que eu não tinha mais idade para isso. Já começava a frequentar bailinhos e sonhar com as gatinhas da 6a. série ouvindo True, do Spandau Ballet. Eu queria muito os carrinhos de corrida, mas não queria parecer criança. Não queria parecer um boboca.

No fim, o Lúcio-criança falou mais alto e eu pedi o brinquedo. Acho que deve ter sido meu último.

No Ano seguinte, em meu bar-mitzva, ganhei envelopes de dinheiro e canetas-relógio. Depois disso vieram as roupas e minha vida foi degringolando até o dia que eu me vi feliz ganhando meias e pijamas – “Era exatamente o que eu precisava”.

Acontece com todo mundo, não há como evitar.

Por isso, torço para que ela prolongue ao máximo a infância, para que continue gargalhando vendo desenhos animados e fingindo ser Harry Potter na brincadeira com as amigas. Amadurecer é um processo de idas e voltas, mas uma vez que amadurecemos, a criança dentro de nós se vai. Fica para trás, torna-se uma lembrança.

Deus do céu, como sentirei saudades dessa criança.

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Previsões do pai Lucião para 2018

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Eu, desvendando o futuro, bunito que só.

Já contei que além de escritor, blogueiro e sãopaulino também tenho visões do futuro?

Sim, sou uma espécie de oráculo do subúrbio, recebo meus guias, jogos os búzios, leio as cinzas da galinha queimada e analiso astros e linhas da mão.

Portanto, compartilharei com você fiel leitor, revelações  bombásticas para o ano de 2018. Novidades que deixarão a todos estarrecidos. Podem salvar o link pois será ainda mais impressionante reler o texto daqui uns meses, diante da concretização das profecias.

Vamos a elas:

  • 2018 será um ano tenso no Brasil, os ânimos políticos estarão exaltados e as pessoas travarão intensos debates na redes sociais.
  • No dia 14 de fevereiro o Jornal Hoje fará uma matéria sobre o bloco do Bacalhau com Batata.
  • O MBL vai ofender muitas pessoas em suas redes sociais e nenhuma delas será o Temer ou o Dória.
  • Ainda em São Paulo, várias estações de metrô que estão atrasadas há anos ficarão prontas e terão animadas inaugurações comandadas pelo Alckimin.
  • Lula sofrerá novas condenações.
  • Marina Silva vai desapareecer depois da eleição.
  • A campanha da seleção na Copa será melhor que a de 2014.
  • O Corinthians será beneficiado pela arbitragem.
  • Haverá pelo menos 16 trocas de técnicos no Brasileirão.
  • Os eleitores do Bolsonaro xingarão muitas pessoas no Twitter.
  • Trump escandalizará o mundo com frases arrogantes e inadequadas para um homem público.
  • Você vai cair pelo menos 5 vezes no gemidão do Zap.
  • Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar serão indicados para a Bola de Ouro.
  • Anitta lançará alguns clipes sensuais.
  • Dilma se elege deputada.
  • Gilmar Mendes vai soltar o Jacob Barata umas 12 vezes.
  • A classe média paulistana vai recorrer a empréstimos de bancos para pagar ingressos de shows.
  • Marco Polo del Nero não vai à Copa.
  • Trivago vai anunciar bastante na TV a cabo.
  • O blog Toda Unanimidade vai virar mania nacional, tornando seu autor mais popular que o MC Guiné e o Felipe Neto juntos. Isso provará que o que todos querem mesmo é ler textão na internet.

Pode imprimir e colar na parede. A cada previsão concretizada faça um X. Posso ver na bola de Cristal a sua cara de espanto com os resultados.

 

A Bíblia e os aplicativos

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Deus vê tudo, sabe tudo e pode tudo. Antes de existir qualquer coisa existia Deus.

Portanto, para Deus, não haveria problema algum em criar aplicativos e smartphones desde o início dos tempos. Ele apenas omitiu isso na bíblia pois os Apps da antiguidade eram motivos de imensas frustrações.

Vocês estão prestes a conhecer a verdade até hoje não revelada, trazida a luz pela mão dos Templários Espaciais, seita secreta que guarda os livros sagrados mágicos e só se comunica com a humanidade através do Toda Unanimidade.

Vamos aos fatos:

Adão foi o primeiro usuário mundial do Tinder, não teve grandes dificuldades em fazer a conta, porém aborreceu-se rapidamente quando todas as suas buscas indicavam apenas a Eva. Passaram algumas gerações até que o aplicativo voltasse a fazer sucesso.

Noé, por sua vez, era um usuário fanático do Instagram, fotografava os animais da Arca mas também aborreceu-se. Nunca conseguiu mais de 5 curtidas numa foto. E só chegava às 5 quando a mulher não esquecia de carregar o celular.

Quando a terra secou e arca aproximou-se do monte Ararat a troca de Emojis foi intensa. Noé enviou para Deus um emoji de pomba e recebeu em troca uma folha de oliveira. Ao deixar a embarcação todos receberam emojis de arco-íris.

Moisés era daqueles que não sabia usar direito o Smartphone. Passou 40 anos perdido no deserto em busca da terra prometida e só no trigésimo nono ano alguém lhe mostrou o Waze.

Sansão era o maior fã das selfies. Egocêntrico, fez sucesso exibindo os longos cabelos e músculos torneados. Sucesso que incomodou Dalila e o resto da história todos sabem.

Os Haters do Twitter pegaram no pé do rei Salomão. Foram milhões de pedidos de #forasalomao quando ele sugeriu que se dividisse uma criança ao meio. Afinal, divisão igualitária é coisa de Comunista. Vai para o Oriente, gritavam alguns, já que Cuba ainda não existia.

Davi, por ser uma criança na época em que venceu Golias, era o único da bíblia que conseguiu usar o Snapshat e eu não posso dizer o que ele fez com o Snap porque não consigo entender esse aplicativo.

O único app que não havia naqueles tempos era o Uber, devido a inexistência de carros. Porém, o Biguber era igualmente eficiente e ajudou muito os três reis magos que nada conheciam de Israel.

O WhatsApp foi muito útil nos tempos de Jesus. O grupo “Apóstolos” mudou a história do mundo. O que não se pode confirmar é o vazamento de nudes da Maria Madalena. Quando perguntaram a Tomé ele foi evasivo: “Só acredito vendo”.

Falando em Jesus, seu vlog o alçou para a categoria de maior Influencer da humanidade reinando absoluto até o vlog do Maomé entrar no ar. O vídeo do sermão da montanha teve mais de 6 milhões de views, transformando Jesus no Gangnan Style do Império Romano.

Essas são apenas algumas das muitas histórias ocultas dos livros sagrados. Se os meus informantes me derem licença, trarei outras, igualmente reveladoras. Preciso me recolher agora para encontrar meu grupo divino. Torcendo que curtidas transcendentais enfeitem este post.

A biblioteca que se incendeia

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Semana passada fui ao enterro de uma senhora que morreu aos 100 anos.

Pensei nas infinitas histórias que morriam com ela. Nas lembranças da infância na Alemanha em crise, na viagem de navio que a trouxe ao Brasil, no quanto deve ter sido estranho trocar a Europa por um país distante, tão diferente. Pensei nas histórias que ouviu de seus pais, de seus avós, histórias passadas no século XIX. Com certeza daria para escrever um livro, ou mais que um livro.

Diz um ditado que cada velho que morre é uma biblioteca que se incendeia.

Nas últimos meses tive a sorte de ouvir muitas histórias de pessoas com mais de 80 anos. Retratos do passado.

Ouvi histórias de como um viaduto de Santo André tem o nome de um pedreiro competente ou de como um médico presenteou seu paciente com um pato (e isso era normal na época). Histórias de como minha avó comprava carpas e as mantinha vivas em sua banheira antes de prepará-las. Histórias de um rico fazendeiro em Minas que levava uma marmita dupla para o trabalho pois se sentia na obrigação de dividir a refeição com quem necessitasse. Histórias do meu tio avô que foi soldado em Israel e participou de terríveis batalhas no começo dos anos 50.

Conversei com uma senhora com Mal de Alzheimer que perdeu a memória recente e consegue se agarrar a lembranças dos anos 30 e 40, como se estas lembranças fossem suas únicas conexões com o mundo. Com certeza ela já se esqueceu de mim, mas ainda se recorda de como subia nos sacos empilhados no armazém do pai.

Enquanto caminhava no cemitério, cruzando o mar de de granito, eu lia os anos de nascimento nas lápides: 1919, 1922, 1913, 1931. Fazia um estranho frio para a época do ano e a garoa começava a nos gelar. Eu porém, sentia calor, um calor vindo do imenso incêndio, de milhares de bibliotecas, de milhões de livros. Havia reflexo das chamas, havia brasas brilhando em cada túmulo.

A super lua

super lua.jpegCaro leitor, pode parecer que estou aqui para contar vantagem, mas preciso dizer que escrevo diretamente da Bahia, sob a luz da lua mais brilhante dos últimos 60 anos.

A visão do mar de Arembepe iluminado num tom entre o prateado e o dourado jamais será esquecida. Só não mando fotos porque meu celular não registra essa maravilha de maneira minimamente aceitável.

Como posso descrever melhor o que vejo? Bom, talvez dizendo que  a luz da lua é tão forte que estou pensando em passar protetor solar, colocar os óculos escuros e pegar uma cor.

Sinto-me um privilegiado. Planejei essa viagem para aproveitar  o feriado e não sabia que a astronomia me reservaria uma visão dessas. Morando em São Paulo, sempre perdi os grandes eventos cósmicos. Eclipses e meteoros não conseguem competir com a poluição e o céu nublado da metrópole.

Morar na grande cidade nos condena a admirar a arquitetura de restaurantes, a beleza de exposições de arte, os jardins dos parques. Nos encantamos com o que nos é permitido ver.

Aqui em Arembepe as pessoas não tem opções de restaurantes e ainda menos obras arquitetônicas admiráveis (muito pelo contrário). Elas não vão à Mostra de Cinema, não comentam a exposição da vez e nem o carro da moda. Aqui o quente é comer o acarajé da Catita e tomar cerveja em cima do capô do carro.

Em Arembepe falta muita coisa.

Por outro lado, em Arembepe sobra a lua, a super lua. E o mar que brilha de noite como se estivéssemos em um filme de Fellini.

 

 

 

 

Uma passadinha no dermatologista

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Minha dose matinal

Dei uma passadinha dermatologista um tanto incomodado com umas manchinhas no braço. Dizem que devemos tomar cuidado com manchas disformes.

“Nada demais”- apontou o doutor – “Sua pele é muito clara, use protetor 50 diariamente”.

Passados uns meses andava meio deprimido e decidi ir ao psiquiatra que constatou falta de vitamina D.

“Vitamina D é um antidepressivo natural. Você devia tomar mais sol, tome essas cápsulas e ficará tudo bem”

Só que as capsulas aumentaram minha pressão. Nada que um bom cardiologista não resolva.

“Você toma duas doses por dia deste remédio, sempre após as refeições, porque ele é um pouco agressivo com a mucosa do estômago”.

Em três meses eu estava no gastro com um princípio de úlcera. Saí de lá com com sérias restrições alimentares e dois medicamentos em doses de oito horas. Um deles mexeu com a minha circulação, passei a usar diariamente meias de pressão e tomar umas gotas. O outro remédio alterou minha dose de testosterona e comecei a ter problemas de ereção.

O urologista me recomendou um antidepressivo para melhorar meu desempenho sexual, o que me deixou confuso e me levou de volta ao psiquiatra que aumentou a dose da vitamina D e sugeriu pílulas para dormir. Coisa difícil de fazer já que tenho remédios para tomar a cada duas horas na madrugada.

Foi então que começaram as arritmias, meu cardiologista incluiu Ritmonorm 300g no meu receituário e sugeriu que eu consultasse um endocrinologista,  parecia que meus hormônios estavam fora de lugar.

Passados 8 meses e 7 consultas em especialistas diferentes consegui acertar a minha dose de remédios. Tomo 24 pílulas diárias, uso as meias de pressão e coloquei um aparelho nos dentes para evitar o bruxismo. Tenho poucos efeitos colaterais, apenas uma sudorese constante, tonturas, queda de cabelos, vômitos ocasionais e incontinência urinária, que é a parte mais assustadora já que meu xixi às vezes sai verde, outras vezes sai roxo.

Pelo menos a minha pele está uma beleza, nenhuma manchinha.

 

Sexo aos 40

Estou sem tempo para escrever. Então fica difícil administrar dois blogs. Decidi então para o “Sexo aos 40”, onde eu usava o personagem Marco Aurélio para tratar das agruras de relacionamentos de quarentões e quarentonas.

Só para que não se percam pra sempre, nas próximas semanas replicarei uns textos que escrevi por lá:

 

O Alter Ego

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Quando nos separamos somos obrigados a enfrentar um mundo dos solteiros e enfrentar o mundo dos solteiros significa voltar  a paquerar e a ser paquerado.

Para um homem que manteve-se casado por muitos anos há alguns obstáculos para isso.

1 . Não nos sentimos preparados.

2 . A sensação de que fazemos algo moralmente errado.

3. Estamos fora de forma (Se você é casado tente se imaginar abordando uma mulher numa paquera, a gente nem sabe por onde começar).

4 . Há muitas tecnologias novas com as quais não estamos familiarizados (leia-se aplicativos).

Apesar dos obstáculos, estando no mundo dos solteiros, as paqueras e encontros acabam por ocorrer.

Acontece que eu também não tinha amigos solteiros ou separados, então contava as histórias que começava a viver para os amigos casados, nas noites em que eles tinham seus habeas corpus etílicos.

Foi quando percebi o impacto que minhas histórias tinham sobre eles.

Os casados queriam saber de tudo, se seu havia saído com alguém, como era a mulher, o que tinha acontecido. Qualquer relato sem graça parecia uma uma nova versão do 50 Tons de Cinza. Eles pediam especialmente que eu mostrasse as fotos das pretendentes nas redes sociais e qualquer uma, aos seus olhos, era uma musa digna de filme do 007.

Até que um me pediu:

_ Marco Aurélio, você não pode namorar nunca, você é o nosso Alter Ego. Você vive as aventuras que não podemos viver.

De certa forma, esse interesse dos amigos em minha aventuras ajudou a levantar a auto-estima que é sempre afetada nas separações.

No final acabei decepcionando meus amigos e voltei a me envolver seriamente em um relacionamento. Afinal, não se pode viver apenas de aplausos.