Uma passadinha no dermatologista

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Minha dose matinal

Dei uma passadinha dermatologista um tanto incomodado com umas manchinhas no braço. Dizem que devemos tomar cuidado com manchas disformes.

“Nada demais”- apontou o doutor – “Sua pele é muito clara, use protetor 50 diariamente”.

Passados uns meses andava meio deprimido e decidi ir ao psiquiatra que constatou falta de vitamina D.

“Vitamina D é um antidepressivo natural. Você devia tomar mais sol, tome essas cápsulas e ficará tudo bem”

Só que as capsulas aumentaram minha pressão. Nada que um bom cardiologista não resolva.

“Você toma duas doses por dia deste remédio, sempre após as refeições, porque ele é um pouco agressivo com a mucosa do estômago”.

Em três meses eu estava no gastro com um princípio de úlcera. Saí de lá com com sérias restrições alimentares e dois medicamentos em doses de oito horas. Um deles mexeu com a minha circulação, passei a usar diariamente meias de pressão e tomar umas gotas. O outro remédio alterou minha dose de testosterona e comecei a ter problemas de ereção.

O urologista me recomendou um antidepressivo para melhorar meu desempenho sexual, o que me deixou confuso e me levou de volta ao psiquiatra que aumentou a dose da vitamina D e sugeriu pílulas para dormir. Coisa difícil de fazer já que tenho remédios para tomar a cada duas horas na madrugada.

Foi então que começaram as arritmias, meu cardiologista incluiu Ritmonorm 300g no meu receituário e sugeriu que eu consultasse um endocrinologista,  parecia que meus hormônios estavam fora de lugar.

Passados 8 meses e 7 consultas em especialistas diferentes consegui acertar a minha dose de remédios. Tomo 24 pílulas diárias, uso as meias de pressão e coloquei um aparelho nos dentes para evitar o bruxismo. Tenho poucos efeitos colaterais, apenas uma sudorese constante, tonturas, queda de cabelos, vômitos ocasionais e incontinência urinária, que é a parte mais assustadora já que meu xixi às vezes sai verde, outras vezes sai roxo.

Pelo menos a minha pele está uma beleza, nenhuma manchinha.

 

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Sexo aos 40

Estou sem tempo para escrever. Então fica difícil administrar dois blogs. Decidi então para o “Sexo aos 40”, onde eu usava o personagem Marco Aurélio para tratar das agruras de relacionamentos de quarentões e quarentonas.

Só para que não se percam pra sempre, nas próximas semanas replicarei uns textos que escrevi por lá:

 

O Alter Ego

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Quando nos separamos somos obrigados a enfrentar um mundo dos solteiros e enfrentar o mundo dos solteiros significa voltar  a paquerar e a ser paquerado.

Para um homem que manteve-se casado por muitos anos há alguns obstáculos para isso.

1 . Não nos sentimos preparados.

2 . A sensação de que fazemos algo moralmente errado.

3. Estamos fora de forma (Se você é casado tente se imaginar abordando uma mulher numa paquera, a gente nem sabe por onde começar).

4 . Há muitas tecnologias novas com as quais não estamos familiarizados (leia-se aplicativos).

Apesar dos obstáculos, estando no mundo dos solteiros, as paqueras e encontros acabam por ocorrer.

Acontece que eu também não tinha amigos solteiros ou separados, então contava as histórias que começava a viver para os amigos casados, nas noites em que eles tinham seus habeas corpus etílicos.

Foi quando percebi o impacto que minhas histórias tinham sobre eles.

Os casados queriam saber de tudo, se seu havia saído com alguém, como era a mulher, o que tinha acontecido. Qualquer relato sem graça parecia uma uma nova versão do 50 Tons de Cinza. Eles pediam especialmente que eu mostrasse as fotos das pretendentes nas redes sociais e qualquer uma, aos seus olhos, era uma musa digna de filme do 007.

Até que um me pediu:

_ Marco Aurélio, você não pode namorar nunca, você é o nosso Alter Ego. Você vive as aventuras que não podemos viver.

De certa forma, esse interesse dos amigos em minha aventuras ajudou a levantar a auto-estima que é sempre afetada nas separações.

No final acabei decepcionando meus amigos e voltei a me envolver seriamente em um relacionamento. Afinal, não se pode viver apenas de aplausos.

O PT, o Corinthians e a Legião Urbana

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Eles dividem opiniões

Sempre me pergunto o motivo pelo qual tantas pessoas odeiam o PT com tamanha intensidade. Se questiono os  meus amigos, as respostas são mais ou menos previsíveis:

_ “Porque o PT rouba” – Dirá alguém que votou inúmeras vezes no Maluf e não se importa quando Cunha, Temer ou Aécio metem a mão no dinheiro público.

_ “O Brasil está em crise” –  Diz o outro que odiava o PT  igualmente nos anos de crescimento do governo Lula.

_ “O PT é autoritário” – Diz ainda um que defende a ditadura militar.

No geral são respostas incoerentes, que não me ajudam a decifrar o mistério.

Creio que há motivos para não se gostar do PT, assim como há motivos parecidos para se odiar qualquer outro partido. Só não entendo por que o ódio ao PT é tão desproporcional.

Isso me lembra o Corinthians*, que inspirava ódio em seus adversários mesmo quando estava no fundo do poço.

Talvez a resposta esteja no fã do Legião Urbana. Aquele que pede que se toque Faroeste Caboclo toda vez que vê alguém carregando um violão. O sujeito que depois de umas cervejas gruda na gente e começa a discursar sobre a força poética do Renato Russo. A moça que chora toda vez que ouve “Pais e Filhos”.

O fã do Legião Urbana é o chato perfeito. Assim como o Corinthiano ou  o Petista. Seu amor vira religião e seu discurso pregação.

Toda vez que alguém diz “Fora Temer” vem na minha cabeça o insuportável “Toca Legião” que ouvia sempre que subia ao palco com minhas bandas de Rock. Não é muito diferente do “aqui é Corintcha”, ou do “Toca Raul” ou do “Em nome de Jesus”, dito por testemunhas de Jeová que nos acordam às oito da manhã num domingo chuvoso.

A garra e a fidelidade dos Petistas chegam a ser comoventes, mas a intensidade do discurso traz mais desafetos que admiradores. Assim como o bando de loucos conquista mais secadores que solidariedade. Uns acreditam no Golpe assim como outros acreditam no Mundial de 2000.

Talvez os três fãs devessem repensar seus erros, analisar sua parcela de culpa na perseguição a seus ídolos.

Ou pode ser que isso tudo seja uma grande viagem minha. Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão?

 

*Talvez essa comparação só faça sentido aos paulistas, mas você pode transportar para o time de sua preferência em seu próprio estado.

Pessoas de bem

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O mundo está cheio de pessoas de bem, quase santos que creem em Deus prezam pelos costumes, a justiça e os bons hábitos da sociedade.

Fale em corrupção e as pessoas de bem logo se mostrarão contrárias a essa aberração, fale de pobreza a elas serão caridosas e benevolentes.

Pessoas de bem são o bastião do futuro, são a prova de que o caminho da humanidade é plácido e brilhante.

Pessoas de bem mudam as cores dos seus avatares no facebook a cada atentado no mundo ocidental.

Outras pessoas de bem reclamam que ninguém muda os avatares quando acontecem atentados na Africa (e isso é tudo o que fazem pela Africa).

Pessoas de bem rezam muito. E depois de rezar atiram pedras em outras que saem do terreiro de umbanda, isso quando as pessoas de bem não queimam o terreiro de umbanda.

Pessoas de bem aumentam o preço dos repelentes em suas lojinhas assim que leem notícias sobre Zika Vírus.

Pessoas de bem podem acusar as outras sem provas, desde que algum jornalista (ou blog obscuro) levante uma suspeita. Se for mentira, tudo bem.

Pessoas de bem fazem de tudo para não pagar impostos, afinal, o Estado não retorna nada para elas.

Pessoas de bem podem xingar uma atriz na rua, chamá-la de puta. Afinal, ela tem convicções políticas diferentes.

Pessoas de bem podem pedir que o professor deixe de educar.

Pessoas de bem podem perseguir, atacar e ofender todos que pensam de forma diferente.

Pessoas de bem podem pregar o ódio entre as classes sociais.

Pessoas de bem lutam contra o direito dos gays de adotar seus filhos ou terem um casamento  feliz.

Pessoas de bem precisam ofender os outros nas redes sociais.

Pessoas de bem usam aplicativas que indicam onde estão os radares e assim podem correr bastante com seus carros.

Pessoas de bem querem que seus bairros, sua cidade e seu país só tenham pessoas parecidas com elas, das suas mesmas características físicas e religiões.

Pessoas de bem gostam de levar a babá vestidinha de branco no clube aos domingos.

Pessoas de bem sé acreditam em quem corrobora com suas opiniões.

Pessoas de bem viram o rosto quando um pedinte está na calçada.

Pessoas de bem não se importam com o sofrimento alheio, este sofrimento só é importante quando ele serve para provar suas ideias e convicções.

Pessoas de bem esticam seus tapetinhos estampados e se ajoelham em oração, mostrando sua fé antes de degolarem os infiéis.

Pessoas de bem vestiram lençóis com capuzes para queimar cruzes e negros.

Pessoas de bem executaram inimigos políticos.

Pessoas de bem não se importaram com o nazismo e assistiram em silêncio seus vizinhos serem arrancados de casa e levados para campos de concentração e guetos.

Deus me livre das pessoas de bem.

 

Nada de novo sob o sol

O vazio de ideias.pngNormalmente escrevo nas segundas-feiras à noite. Me impus essa rotina para alimentar o blog. Hoje é quarta-feira e só agora decidi fazer o meu texto. Isso aconteceu por um triste motivo.

Não encontrei  assunto.

Minhas crônicas são inspiradas nesse mundinho em que vivemos, com destaque para aquele enorme país que ocupa a costa leste da América do Sul. E o que aconteceu ultimamente?

Um maluco religioso jogou um caminhão contra uma multidão na França. Tentativa de golpe militar num país muçulmano. Republicanos celebram um candidato republicano. Petistas reclamam do golpe. Cunha continua solto.

Tudo segue como sempre.

Diante deste quadro de imensa monotonia, sou obrigado a surrupiar citações de um livro de 3.000 anos em onde o escritor já dizia:

Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

Também não a nada de novo no blog. Perdoe-me caro leitor. Vamos torcer juntos para que algo diferente aconteça no mundo. Quem sabe como:

  • Fanáticos religiosos comecem a entender que Deus é amor.
  • Pessoas ricas fiquem satisfeitas com suas fortunas.
  • Apareçam políticos honestos com vontade de contribuir para o país.
  • Pessoas respeitam o fato de sermos todos diferentes.

Enquanto isso não acontece, vai ser difícil se inspirar.

Trocando a política pelo primeiro amor

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O texto de hoje estava na minha cabeça há dias. Falaria de golpe (ou não golpe), Panamá, STF e essas coisas que todos adoram falar hoje em dia.

Mas ocorreu que ontem passei para minha filha um filme que achei no Netflix e não via faz tempo: Little Manhattan (que no Brasil milagrosamente virou O ABC do Amor).

O filme é lindo, divertido e muito tocante. Conta a história da primeira paixonite de um menino de 10 anos que se encanta com a coleguinha das aulas de Karatê.

Vejam o trailer, que simpático. O menino hoje cresceu. É o Peeta de Jogos Vorazes.

Minha filha adorou e sendo uma menina de 10 anos, me fez pensar que em breve sofrerá do mesmo mal que afligia o personagem. A paixão. Quão grande é esse sentimento nos adolescentes e quão pequenos são seus recursos para encarar tamanho amor. 

Ela enfrentará decepções, ansiedades, desgostos, grandes surpresas. Ficará desesperada, beijará um pirralho espinhudo achando que ele é o homem de sua vida. Sentirá o coração bater tão forte como se fosse saltar para fora do peito. Chorará sozinha no quarto.

Eu morrerei de ciúmes e terei um pouco de inveja. Saudades dos tempos em que a vida ainda era um roteiro por escrever.

Meu primeiro amor aconteceu aos 11 anos. Foi uma paixão platônica por uma menina de 12 da minha classe. Era linda e muito mais madura que eu. Não tive a menor chance com ela. Éramos apenas (snif) bons amigos.

Lembro de um bailinho de garagem (meu Deus na casa de quem?). Durante a dança da vassoura passamos uma música inteirinha colados, como se nada mais existisse no mundo. Ela não aceitou a vassoura de ninguém. Foi glorioso mas a história terminou aí.

Ela saiu do colégio no ano seguinte e eu só a vi nos tempos de faculdade. Havia começado a namorar um conhecido meu. Os anos se passaram e a garota sumiu de vez e por ironia, esse namorado se tornou um dos meus melhores amigos.

Queria voltar no tempo, encarar o mundo com a ingenuidade da minha filha. Esquecer de tudo o que eu aprendi e acreditar que cada história de amor é definitiva. Queria que o mundo se bastasse no restrito universo dos meus amigos de escola e minhas paixões. Queria sonhar com uma garota e ainda assim achar que o futebol do intervalo é mais urgente do que o amor.

Sofrerei cada vez que minha filha sofrer. Mas não esquecerei da sorte que tem em viver uma idade tão gostosa.

 

P.S. E você? Ainda se lembra do primeiro amor?

 

Eu, o Crente

 

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O mundo comemora, os jornais noticiam, cientistas confirmaram a teoria de Einstein que trata de ondas gravitacionais.

Eu até explicaria para o leitor o que isso significa, mas não o farei porque não consegui minimamente compreender o fenômeno mesmo, lendo o infográfico do UOL.

Fiquei tão excitado como no dia em que o CERN provou que existem partículas minúsculas que são ainda menores que as partículas minúsculas que já se conhecia.

Ao que parece, estão tentando entender o Universo e suas origens.

Antes dos cientistas, os religiosos explicavam essa origem de outra forma. A bíblia, por exemplo, diz o seguinte:

No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

Já segundo os Gregos, Caos era um Deus solitário que reinava sobre o nada e ele, cansado da solidão, criou Gaia. Gaia criou Eros, Urano e os deuses foram brigando, transando e comendo (literalmente) uns aos outros e em algum momento criaram a Terra.

Para os astecas, no princípio, tudo era negro e morto. Um dos deuses, Nanahuatzin, se lança a uma fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, outro deus joga-se na mesma fogueira transformando-se em Lua. Os deuses vão se sacrificando e virando elementos até a Terra nascer.

E para os Cientistas toda a energia do universo estava concentrada em um único ponto, não havia nada fora dele e não existia o tempo. Esse ponto explodiu e formou o sol, a lua, a galáxia de Orion, os buracos negros, o tempo, as ondas gravitacionais e a Scarlett Johansson.

Coloquei os mitos e a explicação científica em sequência de propósito, para mostrar que em relação ao surgimento do mundo,  acreditar nos cientistas exige a mesma dose de fé do que acreditar no deus Nanahuatzin.

Não vou dizer que eles estão errados, mas minha mente não consegue ver lógica em um ponto que explode e gera tudo. Eu assisti a série Cosmos, li explicações  e continuo achando tudo isso tão excitante como a descoberta de partículas menores que as outras partículas.

Se é para não entender uma explicação ou outra, então prefiro as versões mitológicas. Prefiro acreditar no deus Caos, no sacrifício de Nanahuatzin ou discutir o significado de “O espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.

Cansei da ciência, cansei da lógica, as mil matérias sobre ondas gravitacionais me fizeram sentir falta dos deuses pagãos. Que voltem todos eles, Baco, Eros, Mercúrio, Tutatis, Belenos, Baal, Tupã, Afrodite e Iara. Façamos rituais nus dançando entre fogueiras, pedindo chuva.  Nosso Deus único está muito solitário e não consegue evitar que seus filhos se matem aos montes. A frieza da exploração científica não evitou que se criasse a bomba atômica. Quem sabe as cores e nuances dos seres elementais venham nos redimir.