Waldiiiiiiirrrrr

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Waldir e sua irreverência

Primeiro é preciso lembrar ao leitor que sou um nostalgico doentio. Depois, se alguém ainda não sabe, que sou São Paulino. Portanto, é fácil entender a tristeza com a morte de Waldir Peres.

Waldir era um ótimo goleiro que alternava relances de gênio e frangos gloriosos. Como jogou no São Paulo por toda a minha infância, sempre que me metia a catar no gol eu gritava – “Waldiiiiiir – a cada ponte espantando a bola Dente de Leite pra escanteio.

A característica mais famosa do Waldir era a sua irreverência. Ele jogava como se estivesse na pelada com os amigos, irritando os adversários e fazendo verdadeiras palhaçadas em campo. Nos pênaltis ele urucava o batedor, arrancava a grama e jogava na bola, chegou a passar a mão na bunda de um adversário na final de um Brasileirão. Ainda assim, era mais fácil ele sair abraçado por um jogador do outro time do que arranjar uma briga.

Isso é um detalhe muito importante se a gente comparar com o futebol tão sem graça de hoje.

A irreverência perdeu para o futebol militar. Agora cada time se diz um time de guerreiros. A comparação de jogos com batalhas virou corriqueira. Não me espanta o fato de haver tantas brigas fora de campo. Se um jogador faz um comentário simpático ao adversário imediatamente ele se torna um traidor do manto sagrado.

Naqueles tempos jogadores não eram deuses, mitos ou guerreiros. Os times não eram soberanos ou imortais. Os jogos não eram guerras. Tudo transitava no campo do espetáculo. Não precivamos chamar o Zico de Deus ou Monstro. Aliás, o apelido de “Galinho” lhe caía melhor. O mesmo acontecia com Roberto Dinamite, Sócrates, Falcão, Pita, Dicá, Reinaldo e tantos craques que nos enchiam os olhos.

Bastava que jogassem bola. Craques não tinham chuteiras personalizadas, não tinham pontuação nos videogames, não tinham fisiologistas, psicólogos, nutricionistas e manicures a seus pés.

Não troco todos os guerreiros, samurais, imortais, soberanos, mitos, lendas e deuses do futebol moderno por um  único frango do Waldir Peres. O luxo de 10 arenas multiuso mega-blaster-techs não vale o sorriso da foto que ilustra este texto.

 

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Rogério Ceni e o fim da infância

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Rogério cercado de fãs. Não parece, mas sou um deles.

Há poucas coisas mais imbecis do que homens discutindo futebol.

_ Foi pênalti.

_ Não foi.

_ Meu time ganhou o Paulista de 79.

_ Meu time ganhou do seu por 5 x 0 em 82.

Vivo me perguntando a razão pela qual agimos assim e me arrisco a dizer que isso acontece porque na infância nos tornamos fãs de futebol e é nessa época que moldamos o nosso modo de torcer.

Crianças não tem o mesmo senso crítico que nós, não tem como comparar os jogadores que conhecem com craques do passado, por exemplo. Para as crianças os ídolos parecem maiores e mais importantes do que realmente são.

Na minha infância, jogadores do São Paulo hoje quase esquecidos tinham uma enorme peso. Eram figuras míticas, cada uma com super poderes. O lateral Getúlio (Gegê da Cara Grande) tinha o poder do chute atômico; Waldir Perez era um Globe Trotter que defendia pênaltis e fazia micagens divertidíssimas; Renato (Pé Mucho) tinha o poder do drible.

Naqueles tempos os boleiros eram fiéis aos clubes e por consequência, às suas torcidas. Biro-Biro e Zenon eram do Corinthians, Andrade era do Flamengo, Gatãozinho, do Juventos da Moóca. Isso reforçava a ligação que tínhamos com eles, nós garotos e eles ídolos.

Mas hoje crescemos e o futebol mudou. Guerrero, o ídolo do Corinthians joga no Flamengo, o são paulino Danilo é do Corinthians e o Santista Ganso está no São Paulo. Essa ligação entre atleta e torcida é frágil, poucos sabem o que é ter um craque para chamar de seu.

Rogério Ceni foi o último desta estirpe no Brasil. Foi são paulino a carreira toda, portanto, daqueles ídolos que fazem sentir que ainda somos crianças, torcendo por ele com carinho e ingenuidade. Sua parada fará com que olhemos para o São Paulo com olhos frios de adultos que somos. Iremos analisar as novas contratações pelo que realmente valem, iremos definir a atuação de um goleiro pelo que ele fez em campo. Sem Rogério, acreditaremos no comentarista da tv quando ele disser que o goleiro falhou.

Na condição de otimista doentio, sempre acredito que poderemos ter novos ídolos assim, mas o adulto em mim diz que depois de Ceni, restará o pragmatismo no futebol, com sua movimentação de dinheiro colossal e a triste declaração a cada compra e venda de jogador – “Sou profissional, preciso pensar na carreira…”

Há muito que falar de Rogério Ceni, pode-se tratar dos recordes , dos gols, das defesas. Eu porém, não estou preocupado com os resultados, com o índice de aproveitamento ou com o fim da liderança. Me preocupo menos ainda com o profissionalismo. Eu estou triste pois perco o último ídolo que me fazia torcer como criança.

Escolhi esse vídeo para ilustrar a matéria. É um jogo em que Rogério tinha 40 anos e tomou 3 gols. Ele estava voltando de contusão e longe da melhor forma.

 

“Rogério Ceni nu” ou “Como a internet é inusitada” (post com dois títulos).

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Para quem não manja de internet, essa história pode parecer esquisita. Então vou tentar explicar.

Quem tem uma página ou blog tem mecanismos para saber de onde vem a audiência. Um destes mecanismos é o “Termos de Busca”.

Ou seja, quais palavra o sujeito digitou no google e acabou achando o seu Blog/site.

Pois é, por favor vejam na imagem acima, a busca que alguém fez e veio parar no meu blog.

Quero ver os especialistas em SEO me explicarem isso.

Dilma e o Tricolor

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Há duas coisas que angustiam os brasileiros nesta reta final de ano. A crise econômica que invadiu o país tal qual um tsunami, derrubando homens entre outros animais. E a crise no Tricolor, nosso amado time, cuja administração nos faz lembrar o congresso nacional, aquele poder da república que de palco de debates se transformou em balcão de negócios.

Já falei em outro artigo da semelhança entre o São Paulo e a Política nacional. Aqui, na minha opinião, há diferenças.

Tenho convicção que ambas as crises (a do Brasil e a do Morumbi) foram provocadas diretamente por seus presidentes, mas por motivos diferentes.

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, se mostrou ao longo da vida um brilhante administrador, foi um ótimo presidente do clube trinta anos atrás e é dono de um reconhecido escritório jurídico. No entanto, nesta gestão foi pego com batom na cueca umas 20 vezes, acusado de diversos esquemas. O desmando foi tanto que sua diretoria acabou de renunciar coletivamente, deixando o clube sem técnico e sem administração.

Já com Dilma é o contrário. Ao que parece ela não rouba, por outro lado não tem a menor noção de como se administra o país. Age como eu agiria se me colocassem para pilotar um porta-aviões. Sua inoperância é tamanha que outros acabam tomando o seu lugar, escolhendo seus ministros e tomando as decisões que ela não toma.

Essa semana, enquanto Aidar era esbofeteado pelo seu vice, Dilma pedia em discurso que cientistas criassem uma tecnologia para estocar o vento. Episódios que exemplificam bem as duas gestões.

E nós, pobres brasileiros tricolores, sofremos em dose dupla, vendo o país e o time batendo cabeça. Talvez eu seja apedrejado por isso, mas a dupla Aidar e Dilma vai acabar me dando saudades de Juvenal e Lula. Quem diria…

O Melhor Jogador de Todos os Tempos

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Essa discussão do melhor de todos os tempos não existia na minha infância. Naquela época (e os mais velhos defendem isso até hoje) o melhor do mundo era o Pelé e pronto. Sem discussão. Só depois da Copa de 1986 alguns argentinos quiseram colocar o Maradona no posto, acirrando a já famosa rivalidade regional. Hoje ainda, para apimentar a conversa,  há um novo Argentino na parada, que encanta aos fãs da arte e surge como recordista de qualquer coisa, o Messi. Aos mais novos, esse é a grande referência.

Mas estão todos errados. Nem Pelé, nem Maradona e nem Messi merecem o título. O melhor jogador de todos os tempos é o “Ganso Imaginário”.

Poucos perceberam que  existem três Gansos. O Ganso do Santos, que era uma jovem revelação ao lado do Neymar, o Ganso do São Paulo, um sujeito de grande talento e preguiça ainda maior e o maior deles o “Ganso Imaginário”, que une todos os predicados que um jogador pode ter. Ele finaliza como ninguém, é inteligente e seu chute da entrada da área supera a Didi, Cristiano Ronaldo ou Nelinho. Como passador, então, faz Zidane corar de vergonha. Ele corre, marca, ataca, defende, tem vigor físico. E se há alguma dúvida de seu reinado, é só lembrar que muitos diziam ser ele bem superior a Neymar.

Fico até com pena do Ganso real, deve ser muito difícil ser comparado a todo o momento com Ganso Imaginário e saber que nunca será ele.

Isso faz pensar em como a memória das coisas boas nos engana.

Quantas vezes revemos um filme que nos encantou no passado e ficamos decepcionados com ele hoje em dia? E quando voltamos a um restaurante que foi especial em um momento da vida e nos decepcionamos com o filet à parmegiana que nos enchia de alegria?

A música de nossa juventude, os craques da infância, a casa de praia em que fomos com a primeira namorada, as roupas, os cheiros, qualquer coisa envolvida em boa nostalgia se transforma em algo difícil de superar.

O Ganso paga por isso até hoje. Jogou bem num time em que tudo dava certo, as peças se encaixavam, todos eram jovens e encantavam. E ainda estava ao lado do Neymar, o único craque brasileiro de sua geração. Seria melhor que as pessoas parassem de compará-lo com “aquele” Ganso, que só existe na fantasia romântica das nossas memórias distorcidas pela nostalgia. Deixem o jogador ser o mediano talentoso que é.

E que as nossas boas lembranças continuem nos traindo, enchendo de doçura e sentido este mundinho amargo em que vivemos.

Viva a América, o país que salvou o futebol

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O assunto no planeta desde ontem é a prisão dos executivos da FIFA. Entre eles está nosso brasileiríssimo José Marin Marin, um dirigente que nunca vi ser elogiado quem quer que seja.

Aliás, se há uma unanimidade no Brasil é o ódio aos cartolas e especialmente aos cartolas da CBF. Criei meu blog pensando nelsonrodrigueanamente em ser contra qualquer unanimidade, mas nesse caso não consegui.

É curioso, num planeta alucinado por futebol, onde se movimentam valores descomunais de dinheiro e todos sabiam das tramoias e safadezas da FIFA, nunca houve uma ação de verdade contra a entidade.

Foi necessário que os americanos, os tais xerifes do mundo, chegassem para colocar ordem na casa.

Nesse ponto, a ganância dos dirigentes da FIFA os traiu. Nos EUA tem tanto dinheiro que levar o futebol aos americanos engordaria em muito o montante que circula no esporte. Só que nos EUA também tem um tal de FBI e certas práticas lá não são bem vistas.

Como diria Caetano, “para os americanos branco é branco, preto é preto”. No verso da música ele falava em racismo, mas podemos usar essa lógica maniqueísta para entender como pensam os sobrinhos do Tio Sam. Lá, certo é certo, errado é errado e bandido é bandido. Todos devem pagar pelos crimes, sejam pequenos batedores de carteira, sejam dirigentes da FIFA que fazem contratos fraudulentos com fornecedores.

Aqui somos o país do “veja bem”, “não é bem assim”, “tadinho dele” e os mesmo executivos podem nos pilhar à vontade. Afinal, não iríamos atrapalhar a Copa das Copas.

As vezes me pego questionando os xerifes do mundo e suas arbitrariedades, mas é bom saber que temos um irmão mais velho, grande e mau humorado capaz de nos proteger dos bad guys de vez em quando.

Afinal, é neste irmão que pensamos quando vemos o ISIS destruir pessoas e tesouros históricos e alguém pergunta – Ninguém vai fazer nada?

Os americanos ainda tem a cintura dura e não aprenderam prazer misterioso de um drible da vaca (como se fala drible da vaca em inglês?). Mesmo assim, ontem, fizeram pelo futebol mais do que poderíamos sonhar. Golaço do nosso irmão mais velho que se continuar assim vai virar também o dono da bola.

O Tricolor e a Política

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Falemos das duas coisas que mais preocupam os brasileiros: A Política e o Tricolor Paulista. Ambos em fase de agitação intensa e grande instabilidade.

O que a imprensa golpista não mostrou, o que a CPI escondeu e até o juiz Moro tirou dos autos é semelhança assustadora dos dois. Mas aqui, no “Toda Unanimidade”, temos plena liberdade editorial e portanto, revelaremos aos nossos leitores essa coincidência estarrecedora:

Muricy Ramalho e Dilma Roussef

Estão no cargo por direito, falam grosso e não tem paciência nas entrevistas. Nenhum dos dois gosta de amaciar com os subalternos e lhes falta jogo de cintura. Todo mundo diz que podem perder o cargo num curto prazo.

Rogério Ceni e Lula

Ao que parece, essa dupla manda mais que a dupla de cima. Senão, pelo menos é a quem Muricy e Dilma recorrem quando precisam conselhos.

Já foram elevados a mitos, cada um com uma história mais impressionante que o outro, mas hoje estão em péssima fase. Só seus fãs de verdade ainda os respeitam.

Ganso e PSDB

Todo mundo esperava deles mais do que apresentaram na vida, apesar disso gozam da simpatia da imprensa. Quando erram, suas falhas são logo perdoadas e quando acertam são comparados a deuses.

Pato e Aécio Néves

São charmosos, galãs e fazem enorme sucesso com as mulheres. Juntos detém a mais incrível coleção de ex-namoradas da história. De resto dividem opiniões, podendo ser amados ou odiados por parcelas da sociedade.

Luis Fabiano e Marina Silva

Outra dupla de quem esperávamos mais. Desempenham bem no geral, mas quando o embate é decisivo acabam encolhendo.

Preciso parar agora, estou indo comprar minha passagem para Brasília. A simples posse dessas informações garante a credencial para o interrogatório na CPI. Mas fiquem tranquilos, não vou abrir a boca. Esses segredos ficam entre nós e as torcidas do Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos…