Poesia de pai para a filha 2

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O último texto que publiquei ficou muito bonito, falava de minha filha e de poemas que eu escrevia e que ela escreve.

 Porém escolhi um título tão ruim que quase ninguém leu. Decidi alterá-lo mas era tarde demais, o post ficou no passado.

Então reciclarei o título e vou publicar um soneto que escrevi dias antes do nascimento dela em 2006.

A Espera de Esther

Antes a vida tão certa e clara

O dia, a casa, o tudo saber

Em um dado momento o medo de ser

Depois a surpresa que se depara.

Antes o sonho, a esperança, o ideal

A confirmação, o cuidado e a fé

Em amar-se o que ainda não é

O que depois será tudo afinal.

Antes a espera, o torcer, a ansiedade

de pais e avós, de tios e amigos

O tempo, os meses, o aviso e o alarde

Um universo em ti resumido

Antes o silêncio encobrindo a cidade

Depois o teu choro rompendo o infinito

P.S. Há uma baita discussão no país sobre o papel da Cultura em tempos de crise. Eu me posiciono aqui, como besta e sonhador: A cultura e a arte podem nos salvar da crise, nos levar a outros mundos onde não há escassez de recursos, de gentileza, de entendimento e de moral. Podem ainda ajudar-nos a ver este mundo sobre outros prismas. Quem sabe assim possamos compreender o incompreensível e romper as barreiras invisíveis que nos dividem.

Poesia, de pai para filha

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Quando eu tinha 12 anos fiz esse poema para a escola:

 

O Duelo

 

Tirei minha espada, olhei para o céu 

Começa o Duelo, duelo cruel

 

E vendo sentada, de arquibancada,

a morte

 Ali o Eterno, esperando alguém

pra levar para o inferno

 

Dei um golpe no ouvido e ainda duvido

Como ele ficou apenas ferido

 

Tirou minha espada num golpe audaz

Jogou-a para longe, deixou-me incapaz

 

Termina o duelo e dois machões 

dormem ao lado em seus caixões

 

Era um texto pueril, dava pra perceber que eu me esmerava em escrever porém minhas preocupações eram fantasiosas e superficiais.

Lembrei deste texto ao ler uma poesia escrita pela minha filha de 10 anos (espero que ela não se ofenda pela reprodução sem pagamento de royalties). Foi feita para a escola e o tema eram os contos de fadas:

 

Caminho para a Liberdade

 

Quando você for caminhar

Menina do vestido vermelho como o fogo

Lembre-se do conselho que vou te dar

 

Quando estiver assustada 

Com medo e se sentindo assombrada

Menina que caminha pela floresta

não tente ficar parada

 

Quando estiver em um momento

Que se resume apenas em sofrimento

Menina do rosto sorridente 

Saiba que estará sempre em meu pensamento

 

E quando decidir no fundo do teu coração

que não precisa mais segurar minha mão

nem ouvir os meus tantos conselhos 

inimiga de lobos traiçoeiros

saiba que não terei receios.

 

O poema me emocionou. Minha filha aos 10 anos mostrou profundidade e maturidade que eu estava longe de alcançar aos 12. Isso para não falar da qualidade do texto em si.

Eu me coloquei no lugar do narrador dos versos dela e a vi como essa chapeuzinho valente que caminha clamando por liberdade.

Ela pertence a uma nova geração, mais avançada que a nossa. Creio que ser superado pelos filhos é o sonho de todo pai. Sinto que isso vai acontecer.

Será que sou corajoso como esse personagem ou como o espadachim que sonhei ser na infância? Em breve chegará o dia em que ela largará minha mão e não ouvirá mais os meus conselhos. Sei que desbravará inúmeras florestas e que estará em meu pensamento. Como não ter receios?

 

 

 

2 Anos do Joãozinho Quero-Quero

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Foto: Eduardo Barcellos

Há dois anos a união destas três pessoas resultou no lançamento do livro infantil Joãozinho Quero-Quero.

Eu havia escrito a primeira versão do texto no meu tempo livre, em casa, incomodado com a realidade das crianças atiradas ao mundo do consumo e sonhando em lançar um livro infantil.

Mostrei o texto para o Pedro Menezes que na condição de velho parceiro de aventuras se dispôs a ilustrar e fazer a arte completa.

Por essas coincidências difíceis de explicar (há mais mistérios entre o céu e a terra) reencontramos nossa amiga Lizandra Almeida justamente quando ela preparava o lançamento de sua editora, a Polén.

No dia 23 de Abril de 2014, a Polén nasceu. Nasceu nosso livro Joãozinho Quero-Quero. Eu e o Pedro nascemos como autores. E como tudo isso não fosse suficiente, nasceu João, filho do Pedro e da Renata.

Foi uma mudança completa na minha vida. Joãozinho Quero-Quero está se transformando em uma série de animação para a TV e já estou com outros livros a caminho.

De todas as alegrias que o livro deu (essa parte será piegas mas isso é inevitável), o melhor foi saber das crianças que pediram para os pais lerem infinitas vezes. Foi ouvir que escolas usaram o livro em atividades de classe. Enfim, é saber que a nossa mensagem pode ter ajudado algumas famílias a enfrentar este mundo de desejos e frustrações materiais.

Agradeço aos meus amigos-irmãos-parceiros por essa união e aos leitores, principalmente os pequenos. Espero de coração ter contribuído, iluminando um pouco o caminho que eles começaram a trilhar.

 

 

 

 

Prêmio Dardos

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O “Toda Unanimidade” foi indicado três vezes ao Prêmio Dardos. Pela Rose, autora do Blog, Psicologia e Contemporaneidade, pela Patrícia, do MorgauseDs e pela Bia do O Terceiro Ato. O  Prêmio Dardos é um selo virtual criado em 2008 pelo escritor espanhol Alberto Zambade, autor do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras. Zambade indicou ao prêmio 15 blogs, que indicaram outros 15 e assim sucessivamente, criando uma corrente na internet. O objetivo do prêmio é reconhecer e, consequentemente, divulgar o empenho de blogueiros para transmitir, por meio de sua criatividade, valores culturais, éticos, pessoais etc.

Sinto-me lisonjeado pelas indicações, ainda mais vindas de blogs que tanto admiro.

Regras do Prêmio Dardos:

Indicar 15 blogs que preencham os requisitos para receber o prêmio;
Exibir a imagem do selo;
Linkar o blog de quem recebemos a indicação;
Avisar aos blogs escolhidos.

Minhas indicações:

MorgauseDs

Caderno de observação de um filho

A Vida sem Crachá

Loucuras de Júlia

Mulher Vintage

Vale Mais

As Meninas do Cabelo Laranja

Regando Plantinhas

A Parte e o Todo em Mim

Resenha de Ontem

Vômitos Apaixonados

Nós Dois e o Mundo Todo

Clitóris Livre

Outros Sons

Pitacos e Achados

 

 

 

 

 

 

 

Amanda Nudes

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Amanda ouviu a expressão por acaso no rádio e não deu muita bola:

Manda nudes

Depois leu alguma coisa na internet, uma matéria que falava de uma atriz que fez fotos nuas com seu celular e teve sua imagem exposta indevidamente.

A expressão ficou na cabeça mas não entendia direito.

No almoço com duas colegas mais novas do trabalho, ela pediu explicações.

_ Que negócio é esse de manda nudes que o povo anda falando?

Amanda tinha 35 anos e uma vida social muito regrada. Morava desde a faculdade em São Paulo e sabia que nunca voltaria a Goiás. Passou boa parte desse período namorando mas agora estava sozinha.

_ Manda nudes, ué? É mandar foto pelada no Snapchat. – Claudia respondeu com uma imensa naturalidade.

Talvez isso fosse fácil de compreender para uma garota de 23 anos como a Claudia, mas Amanda ficou ainda mais confusa.

_ Devagar, o que é snapchat? Como assim mandar foto pelada?

As meninas riram da aflição da colega e explicaram. As pessoas, quando se paqueram ou estão saindo, agora trocam fotos nuas e fazem isso através de um aplicativo chamado Snapchat, em que as mensagem desaparecem sozinhas logo depois de abertas.

_ E vocês fazem isso? – Amanda estava horrorizada.

_ Claro que não. – As duas responderam em uníssono mas o olhar da Claudia era oblíquo, deixando Amanda com dúvidas em relação a veracidade da resposta.

As noites seguintes foram de angústia para Amanda. Ela não se lembrava de ter alguma fantasia sexual até então, mas a ideia de trocar fotos do corpo despido com um estranho a excitou.

Num dia vasculhou a internet até achar sites com imagens vazadas de nudes feitos por pessoas de todo o mundo e contemplou as fotos com fascinação.

Outra noite, despiu-se diante do espelho admirando as imperfeições do seu corpo.

Sempre sozinha, substituiu as novelas pela obsessão em relação a nova moda. Queria encontrar alguém para compartilhar os nudes. Baixou o Tinder, baixou o Snapchat, maquiou-se, colocou uma lingerie e testou várias poses.

Fez algumas fotos, não gostou, descartou. Fez novas fotos, algumas sensuais, outras quase pornográficas e as guardou com medo e esperança.

A noite avançava, ela entrou nos dois aplicativos ao mesmo tempo e desesperadamente procurou por um par. Marcou uma série de homens que lhe agradaram e até alguns que não lhe agradaram tanto. Atrapalhou-se com o funcionamento do Snap. Lembrou-se que não tinha amigas a quem podia pedir dicas. Também não havia homens no mundo real com quem pudesse trocar esse tipo de sacanagem.

Passadas algumas horas, não conseguiu um único contato no Tinder ou no Snapchat.

A madrugada engoliu a noite, ela ainda olhou sem muita esperança para o Whatsapp onde o único movimento vinha do grupo da família que compartilhava rostinhos felizes. Não havia quem pudesse se interessar pelas suas fotos nua. Amanda jogou-se na cama e chorou compulsivamente.

Sexo aos 40

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Amigos, criei um novo blog, o “Sexo aos 40”, para tratar de questões envolvendo relacionamento entre pessoas da nossa geração.
Estou usando um personagem como se fosse o autor do blog (esse da ilustração), para deixar bem claro que as histórias contadas não são necessariamente minhas.
No Sexo aos 40 teremos histórias reais e inventadas. Se tiver um relato divertido e quiser me mandar, sinta-se a vontade.

Eu no Rádio

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Amanhã, dia 06 de outubro às 13:30h, estarei no programa Gente Como a Gente da Rádio Globo (1100 AM) para uma conversa sobre “Como dizer não aos filhos”.

Antes que vocês se perguntem o porquê deste cronista ser convidado para um debate de tema tão específico, eu explico. Sou autor de Joãozinho Quero-Quero, que trata justamente de consumismo infantil.

Aliás, se você ainda não conhece o livro, ele conta com a arte brilhante do Pedro Menezes e com a edição primorosa da Pólen e pode ser comprado aqui ou em várias livrarias.

#ficaadica para o dia das crianças.

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