Desejos de ano novo

Desejos de ano novo

Que em 5779 não tenhamos pessoas sendo esfaqueadas nas ruas

Que em 5779 não tenhamos incêndios em museus

Que em 5779 as campanhas políticas falem em amor e não em ódio

Que em 5779 tenhamos união

Que em 5779 tenhamos empregos

Que em 5779 os venezuelanos famintos sejam acolhidos e protegidos

Que em 5779 livros sejam mais importantes que armas

Que em 5779 os problemas reais sejam resolvidos e os imaginários esquecidos

Que em 5779 as crianças estejam em ótimas escolas

Que em 5779 as pessoas tenham forças para seguir em frente, mesmo que as dificuldades nos digam que não há mais por onde ir.

Que em 5779 a esperança vença a desesperança

Que em 5779 as palavras ditas com educação vençam os gritos inflamados

Que em 5779 cada um pense em quem está ao seu lado

Que em 5779 todos aprendam que não adianta rezar na igreja e tratar mal o garçon

Que em 5779 as mães não precisem chorar por seus filhos

Que em 5779 tenhamos coragem para enfrentar os obstáculos

Que em 5779 tenhamos sabedoria para entender que a maioria dos obstáculos está dentro de nós

Que em 5779 tenhamos música, teatro, shows, livros e filmes para todos

Que em 5779 as pessoas entendam que para Deus somos todos iguais

Que em 5779 tenhamos paz

Que 5779 seja doce para cada um de vocês

 

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Ligando na Vivo

Ligando na Vivo

Esse é o relato da terceira tentativa de ligar na Vivo – 10315 –  para cancelar uma linha.

Nas duas primeiras passei por centenas de menus até a linha ficar muda justamente quando parecia estar perto de ser atendido.

14:09 – Robot atende rápido e dá duas opções

14:10 – Robot pede para eu digitar o número da minha linha, eu digito mas o robot não reconhece. Eu digito o meu CPF. O Robot não reconhece pela segunda vez.

14:11 – Digito o meu CPF de novo e o robot me transfere para vivo Móvel.

Recebo este protocolo: 20185061603106

14:12 – No menu há opção de mudar para Vivo Fixo e é o que eu faço.

Recebi este novo protocolo: 20185061653297

14:13 – Novo menu, digito a tecla de cancelamento. A tecla 4 de cancelamento não funciona e peço para chamar o representante na tecla 8.

14:14 – Yuri me atende e eu explico para ele e passo o número da linha. Yuri diz que a linha é residencial e que não liguei para o setor certo. Ele me transfere para outro setor.

14:17 – Musiquinha de espera. Uma espécie de Bossa Nova com a flauta fazendo a melodia.

14:18 – Sidnéia me atende. Eu passo as informações e ela me põe na espera.

14:20 – A musiquinha voltou.

14:21 – O Ayrton me atendeu agora e pediu novamente os dados. Ele pede para eu aguardar em linha.

14:22 – A ligação fica com aspecto de mudo, conforme Ayrton me alertou.

14:26  – Ayrton pode um momento.

14:29 – A ligação caiu pela 3a. Vez.

Pelo menos os 20 minutos perdidos da minha vida serviram para escrever este texto. Quem sabe alguém da Vivo veja e resolva me ajudar.

 

Uma guitarra muda

Uma guitarra muda

Conheci o Velhinho quando tínhamos 11 anos. Nossos pais contruíram casas de campo no mesmo condomínio e caímos na mesma classe na escola. Em pouco tempo éramos inseparáveis, nos encontrando 7 dias por semana.

Logo veio a adolescência e começamos a crescer juntos.

Éramos CDF´s e competíamos pelas melhores notas na escola e essa era a única competição em que eu era páreo para ele. O Velhinho era o melhor em qualquer esporte, fazia um sucesso incrível com as meninas e ainda era um fenômeno no violão.

Quando éramos adolescentes, decidimos ser roqueiros. Cada um se esforçou para aprender um instrumento. Eu era o baixista da banda (aquele que ninguém da bola). O Velhinho era o vocalista e guitarrista solo. Ele brilhava.

Com todas as diferenças, havia harmonia entre nós. Eu fazia as letras, ele musicava.

Levou uns 3 anos para percebermos que não podíamos tocar juntos, ele era muito talentoso. Tanto que largou o Direito para fazer faculdade música. Eu segui a carreira de “não músico”, mantendo o baixo e o violão ao meu lado por toda a vida, mas nunca estudei. Não sei a diferença de um colchete para um sustenido.

Por toda juventude compartilhamos sonhos e projetos, estivemos juntos em inúmeros momentos mas fomos atropelados pela vida. Cada qual com sua rotina, com sua família, nos víamos cada vez menos. Mas as aventuras que vivemos na adolescência haviam criado um amálgama que nos unia. Não importa quanto estávamos distantes, éramos sempre os velhos amigos de infância.

Creio ter faltado nos últimos dois ou três encontros da velha turma, ele também não pôde ir ao último aniversário da minha filha. É a vida, não é mesmo? Tantos compromissos, trabalho, filhos… Nossas últimas conversas  aconteceram por Whatsapp.

Às vezes pensava nele quando ouvia algo musicalmente muito bom ou quando tirava no violão uma música difícil – “O Velhinho ia gostar dessa aqui“. Eu queria mostrar para ele um arranjo que fiz para “Love of My Life”, mas isso não será possível.

Um estúpido acidente de moto levou o Velhinho embora dois dias atrás, deixando uma guitarra muda e um mundo de pessoas petrificado.

Meu violão continuará tocando mais triste até que o tempo permita aceitar essa perda e lembrar com carinho do velho amigo. Até lá, cada nota, cada acorde, cada vibração das cordas vai trazer o vazio deixado por alguém cuja missão de vida foi espalhar harmonia. Missão cumprida lindamente.

O suicídio de Janaína

O suicídio de Janaína

Muitos dirão que a decisão radical de Janaína foi intepestiva, passional. Algo deve ter se passado com ela. Porém, o que Janaína estava prestes a fazer havia sido planejado há algum tempo e seria executado com toda a tranquilidade.

Ela estava sozinha em casa. Era a noite em que o namorado ia à pós-graduação. Janaína decidiu abrir uma garrafa de Pinot Noir para saborear o momento. Baixou a luz para um tom suave e se acomodou na chaise long do terraço. Do 18o. andar, em seu apartamento, as luzes da cidade pareciam distantes.

Ela abriu o notebook. Antes do ato final, resolveu rever sua vida registrada no Facebook, primeiro passando os olhos no feed.

Havia  fotos de lugares distantes e mapas indicando viagens aéreas. Pessoas felizes fazendo selfies em Paris, na Disney e em Inhotim. Havia gente colocando fotos de gatos e reclamando do governo. Muita fake new sobre diversos assuntos e alguns textos pedindo a liberdade do Lula e investigações sobre Marielle. Janaína sentiu um tédio profundo, tomou mais um gole do vinho  e voltou novamente a atenção para o Facebook, deste vez passou a rever as inúmeras fotos que já havia publicado.

Lembrou sua viagem para a Califórnia, o curso de patisserie em São Francisco e os amigos que fez na época. Tinha fotos ainda mais antigas, do tempo em que fora casada. Jorge, o ex-marido aparecia em algumas exibindo seu sorriso que um dia fora sincero e depois tornou-se sarcástico. Ele ainda curtia um ou outro post de Janaína, mandava felicitações frias em seu aniverário. Era um homem bonito, apesar de tudo, tinha de admitir.

Reviu fotos de diversas fases profissionais. Da carreira infeliz no departamento contábil de uma construtora, das tentativas de se estabelecer como chefe até abrir a loja de bolos personalizados. Havia muitas fotos de bolos. Em formatos diversos. Bolos com noivinhos, com cachoros esculpidos em glacê, bolos que comemoraram nascimentos, aniversários, bodas de ouro. Não podia negar, seus bolos fizeram muitas pessoas felizes. Porém, o talento culinário era maior que o administrativo e Janaína, endividada, teve de fechar a loja.

Ao rever as fotos do Facebook, muitas emoções vinham à tona, muitas coisas boas Mas  isso não seria suficiente para mudar sua decisão. Ainda assim, como sabia que era a última vez que fuçava o Face, voltou-se novamente ao feed. Tantas pessoas, tantos posts, tão pouco que a interessava. Egos e mais egos, mentiras e polêmicas inúteis. Mesmo os amigos e amigas de coração, pareciam menos interessantes na rede. Novamente a sensação de tédio voltou, chegou a hora de desligar, iria seguir os passos que planejara.

***

Uma hora depois, quando Miguel chegou da faculdade, encontrou Janaína no terraço, ainda bebendo o vinho. Ele pegou uma taça e se dirigiu à garrafa.

“Alguma celebração especial?”

“Cometi meu suicídio social.”

“Oi?”

Ela levou a taça a boca antes de explicar.

“Apaguei minha conta no Facebook.”

Ele respondeu desinteressado.

“Fez bem.”

 

Embratel – Capítulo final?

Embratel – Capítulo final?

Segunda-feira, 4/6/2018, fiz um comunicado à Anatel reclamando do meu problema infindável com a Embratel.

A Embratel me ligou agora, 06/06/2018 as 10:18, uma moça chamada Natália

O protocolo 20181679526494 me foi passado.

Natalia fez perguntas para confirmar os dados da conta e leu a reclamação que fiz na Anatel.

Ela afirmou que cancelou 1.906,02 das dívidas indevidas que a Embratel me cobrava há meses.

Aparentemente resolvi uma questão que se arrastava como pode-se ver nesse post.

Sou acometido por uma mistura de sentimentos. Um lado meu quer dar cambalhotas na paulista coberto por purpurina. Outro lado continua cabreira, como se na semana que vem um funcionário da Embratel fosse me ligar de novo para me cobrar pela milésima vez.

Caro leitor, sugiro que se use o site da Anatel para registro de reclamações. Parece um canal bastante eficiente.

Prezadas Claro e Embratel. Darei um voto de confiança a vocês. Vou acreditar que  tudo está funcionando.

E com esperança, copio o letreiro dos filmes hollywoodianos dos anos 40:

THE END

*** Atualização de 07/6/2018 – A Embratel acaba de me ligar cobrando a mesma conta.

 

 

 

 

 

Bocó de Mola

Bocó de Mola

Sou um nostálgico doentio. A idade faz isso. Quando era jovem me aborrecia com a ladainha do meu pai saudoso do bonde* e do Frank Sinatra. Hoje minha filha tem de me aguentar lembrando do Videocassete Betamax e do Ritche.

Porém a coisa que me faz mais falta é o vocabulário. Lembro com um aperto no coração do jeito que a gente falava antigamente. Principalmente dos xingamentos.

Não tinha essa de lixo humano, petralha ou coxinha, tão usados hoje em dia. Havia termos pitorescos como “cabeça de pudim, “Pedro Bó” ou “bocó de mola”. Sinto imensa falta deles. Acho até que se as pessoas discutissem hoje usando o “bocó de mola”, as diferençcas nas redes sociais seriam amenizadas.

Imagine uma briga de torcida organizada. Corinthianos gritam “Pedro Bó” para ofender Palmeirenses. Seria impossível haver uma morte.

Aliás quando eu era jovem a coisa mais ofensiva que vinha da torcida era o seguinte:

_ É canja, é canja, é canja de galinha, arranja outro time pra jogar na nossa linha!

Hoje usa-se o “Vai tomar no cu” em coro até no campeonato infantil de Judô do clube Pinheiros. Tempos horríveis.

Naquela época não havia Fake News. dizíamos “paia”. Um mentiroso como o Dória seria paieiro ou paiudo, depende da cidade. Diríamos assim:

_ Só um bocó de mola para acreditar nas paias do Dória.

Eram bons tempos…

Entendeu, Pedro Bó?

*Bonde era um meio de transporte, não tinha nada a ver com baile funk.

** Na foto do post: Eu no dia em que ganhei um videocassete Betamax.

*** Depois da postagem alguns leitores disseram que eu estava tam-tam ou lelé da cuca.

O prédio caiu? Bom pra nós!

O prédio caiu? Bom pra nós!

Como funciona a ciência?

De uma maneira grosseira podemos dizer que a ciência existe graças à observação dos fatos. Desde os tempos mais antigos o homem observava de onde o sol nascia e onde descia, observava o movimento das ondas, o comportamento dos bichos e daí tirava suas conclusões, aprendia a lei natural.

Observação e aprendizado. A base do nosso conhecimento.

Mas no Brasil as regras nunca são as mais normais, não é mesmo? No Brasil, são os fatos que devem servir às ideias e não o contrário.

Aqui as pessoas tem ideias tão arraigadas, certezas tão certas, convicções tão convictas que os fatos pouco importam.

Lembro do Ricardo Amorim atribuindo a vitória da Espanha na Copa de 2010 ao Neoliberalismo, seja lá qual for o raciocínio que o levou a isso. Vejo a Gleici do PT defendendo a democracia na Venezuela, usando o mesmo racicínio sem sentido.

O prédio que desmoronou no centro de São Paulo é um exemplo perfeito dessa característica tupiniquim. A queda de um edifício que havia sido invadido por famílias muito pobres pode nos dar muitas lições e pode ser uma oportunidade para pensar melhor a questão da moradia. Há muitas perguntas para serem respondidas:

_ O que fazer com as centenas de edifícios vazios que existem nos centros das cidades?

_ Considerando os padrões de segurança desses prédios abandonados, essas invasões são aceitaveis?

_ Numa cidade como São Paulo, trabalhadores que ganham um ou dois salários mínimos conseguem ter moradia? É possível pagar um aluguel se você ganha cerca de R$1.000,00 por mês?

_ Quem são as pessoas que vivem nessas invasões? O quanto ganham?

_ Quem são os movimentos que promovem as invasões?

Antes de tentar responder a essas perguntar e minimamente entender os fatos, já havia gente explorando a queda do prédio:

_ São vagabundos!

_ Só o meu partido defende os sem teto.

_ São membros de uma facção criminosa! (essa veio do Dória)

_ Meu pai comprou a própria casa, não precisou invadir nada! (Danilo Gentile)

_ A culpa é do neoliberalismo…

Enfim, não são poucos os que querem aproveitar a queda do prédio para ganhar pontos com o eleitorado ou tentar provar seus pontos de vista. O mesmo aconteceu com a crise de 2015 e com tudo que sucede ao Sul de Parador. Ignoramos as chances de aprender com os erros para repeti-los indefinidamente cheios de orgulho, batendo no peito com autoridade como se entendêssemos 10% do que está acontecendo.