Rico que nem o Justus

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As ruas são uma fonte inesgotável de histórias e e essa caiu no meu colo quando eu estava no metrô.

Digo que caiu do céu porque o sujeito milagrosamente falava ao celular no vagão, a 80km/h, no num buraco no centro da terra. Coisa que não consigo fazer parado em meu escritório. Ou seja, trata-se definitivamente de uma intervenção divina.

O personagem da história é um homem de quarenta anos, feição rústica, pele morena e cabelos começando a pratear. Ele se vestia com roupas de qualidade duvidosa mas com inegável vaidade  e algum conhecimento de moda. A mim pareceu ter mais informação que dinheiro.

Ao telefone falava com uma mulher e pelo que deduzi ela encontrava-se numa situação econômica muito pior que há poucos anos.

Nosso personagem a consolava citando um determinado pastor e passagens do livro de Jó. Falava com firmeza e eloquência e eu cheguei a desconfiar que ele próprio pudesse ter experiência em apresentar-se em público, quem sabe na sua igreja.

Num determinado momento, para consolá-la, usou a si mesmo de exemplo:

_ Veja o meu caso, eu era muito rico, mas perdi tudo com bebida, drogas e mulheres.

E continuou:

_ Nos tempos em que trabalhei com o Lombardi, eu ganhei muito dinheiro, foi entre os nove e os catorze anos. Eu comprei casa, BMW, tudo… Eu era assim que nem o Justus.

Nesse ponto, para o meu azar e o azar de quem chegou aqui lendo atentamente e curioso em relação a este misterioso personagem, tive de descer do vagão.

Assim, sua fascinante  história ficará sem fim. Cada um que use sua imaginação para concluir a trama como quiser. Embora a conclusão da história pouco me interesse. O que me move é a alegria de cruzar a cidade com ouvidos atentos, prontos a captar os dramas de cada uma das caras anônimas que circulam por aí.

Se bem que secreta e paradoxalmente, eu sonhe com esse cidadão visitando meu blog, se reconhecendo no personagem e revelando quem foi esse pré adolescente. Rico que nem o Justus.

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Virei Viral com um beijo gay

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É a primeira vez que um texto meu viraliza nas redes sociais. Foram 900 acessos em dois dias.

Para quem não é do mundo do marketing, viralizar na internet significa que seu texto (ou vídeo ou foto) foi compartilhado espontaneamente por muitas pessoas, se propagando como um vírus.

Eu já havia dirigido vídeos que ultrapassaram um milhão de acessos, mas sempre havia uma empresa e uma agência por trás cuidando da divulgação e usando todas as técnicas possíveis para isso. Desta vez foi diferente, um mero texto divulgado no meu Face e no meu Twitter foi compartilhado por pessoas que não conheço.

Lógico que 900 acessos ainda é muito pouco, mas considerando que o ano passado inteiro meu blog teve uns 700, é uma grande evolução.

Muitas dessas pessoas que eu não conheço foram generosas nos elogios ao texto e isso mexe com o meu ego. Várias se divertiram, outras disseram que pensam como eu (será que isso é bom para elas?), uma delas me disse que tenho bom senso.

Agora vejo um desafio maior pela frente, continuar fazendo textos que tenham relevância para os leitores do blog. É bom saber que proporcionei um pouco diversão a algumas pessoas e quem sabe até mexi com certas convicções. Pretensioso, eu sei, mas hoje eu posso. Estou me sentindo célebre.

Malditas Havaianas

havaianas

_ “Nada mais lindo que um casamento”.  Pensam as mulheres do alto do seu romantismo clássico.  O Amor, a decoração, os vestidos novos, os docinhos, as lindas palavras ditas no altar, o choro da noiva ao abraçar a mãe.

Mas a nós,  homens, criaturas desprovidas de sensibilidade, nós que bocejamos impacientes mesmo na hora dos votos, a nós interessam outros detalhes, por diferentes motivos.

Sim, nas festas de casamento há muito que nos agrade. Tem uísque, vodka, amigos dividindo o uísque e a vodka…

A mim, particularmente, me agradam os montes e montes de batatas das pernas femininas desfilando enrijecidas por poderosos saltos agulha. Podem chamar de fetiche ou seja lá o que for, não há evento social que reúna tantos saltos, sandálias, pés com esmaltes absolutamente ilibados, vestidos revelando pernas e panturrilhas, lindas panturrilhas.

Lembra da moça sem graça do departamento pessoal? A que aparece em jeans, tênis, olheiras todo santo dia. Quem diria que ao calçar seus tacones e num vestido preto, colado ao corpo, se tornaria uma verdadeira musa roliudiana dos anos 50, uma espécie de Lana Turner de Osasco.

É mais ou menos assim, as mulheres  no dia a dia são todas “Clark Kents”, escondendo por trás dos óculos as verdadeiras identidades. O vestido está para elas como o traje está para o super herói. Ao vesti-lo, revelam seus poderes, suas armas e principalmente seus saltos altos e dedinhos vermelhos.

Pois nossas heroínas estão deslumbrantes. Cruzam os salões tremulando o tecido de seus vestidos enquanto tomamos nossos uísques e vodkas. E a festa está apenas começando. Sabemos que sentaremos em mesas de oito pessoas e falaremos com estranhos sobre futebol, economia e política. Mostraremos que somos inteligentes o suficiente para vestir o terno bem cortado que vestimos e esperamos o grande momento quando, com os buchos cheiros de molho madeira e álcool, as garotas invadem a pista aos primeiros acordes de Bizarre Love Triangle.

Percebemos a magia enebriados pelo uísque e a vodka. Proseccos circularam livremente nas mãos e bocas delicadas das moças. O salão está escuro. O tio avô do noivo chacoalha como se estivesse num baile de carnaval. Uma prima do interior dança com a irmã. Enfim o amor está no ar, e com ele a testosterona.

E quando o clímax da cena se aproxima, quando pensamos estar no céu, baixamos o olhar e vemos abismados que os lindos sapatos de salto sumiram. Isso mesmo, aquela plataforma encantada que havia transformado tia Adelaide na Sharon Stone simplesmente desapareceu. Sob os pés femininos surgem como pragas as famosas sandálias Havaianas. Aquelas que não deformam, não tem cheiro e não soltam as tiras.

Olhamos assustados. Cadê as panturrilhas durinhas? Cadê as moças altas a minha volta? Cadê a magia?

Não há mais nada. As musas-heroínas voltaram a ser as primas, amigas, esposas e tudo aquilo com o que já nos acostumamos. Os pés voltam a ter joanetes, as pernas estrias, o mundo problemas. Somos jogados de forma dura e imediata à realidade, ao concreto, ao amigo que passou do ponto e nos oferece um pedaço cortado da gravata do noivo.

É hora de ir, antes que apareça alguém de Crocs.