7 de setembro

7 de setembro

Sete de setembro

Viva o Brasil

Sobreviva o Brasil

Viva a alegria do brasileiro

Sobreviva aos gritos de quem te quer triste

Viva nossa cultura, mais linda não há

Sobreviva aos que atacam sua arte

Vivam os beijos de todos os sabores

Sobreviva ao culto das armas e da morte

7 de setembro

Viva o Brasil

Sobreviva o Brasil

Viva o amor

Sobreviva ao ódio

Viva o respeito

Sobreviva à grosseria

Viva o misturado

Sobreviva à intolerância

7 de setembro

Viva o Brasil das matas

Viva o Brasil das onças

Viva o Brasil do carnaval

Viva o Brasil dos corpos exuberantes

Viva o Brasil do ritmo

Viva o Brasil de portas e janelas abertas

Viva o Brasil do toucinho na feijuca

Da carne de sol

Da caipirinha

Do barreado

Viva o Brasil do abraço apertado

Viva o Brasil da criança que aprende

Do jovem que compartilha

Do idoso que sorri

7 de Setembro

Viva o Brasil que não é bandeira,

Brasil não é fronteira

O Brasil é gente, gente, gente

Gente de Portugal

Gente da África

Gente da Itália

Gente do Japão

Gente da Bolívia

Gente da Coréia

Gente do Haiti

Gente da Síria

Gente muçulmana

Gente do Candomblé

Gente do Afoxé

Gente Cristã

Gente de tribos nem conhecemos

Gente que estava aqui antes do Brasil ter nome e fronteira

Gente que é mais brasileira que as cores da Bandeira

Sete de setembro

Viva o Brasil do Amor

Viva o amor

Somente o amor

O Tempo do Amor

O Tempo do Amor

Quando minha filha tinha 5 ou 6 anos levei-a a uma reza em memória de uma tia recém falecida. Para distraí-la, uma prima deu-lhe papel e lápis. Quando saímos da reza, minha filha mostrou o que fizera.

A obra era o desenho de uma ampulheta em forma de dois corações, não toda bonita como essa da ilustração, mas num traço bem infantil. Logo abaixo, ela escreveu a frase.

Rápido, o tempo do amor está correndo.

Provavelmente o ambiente triste serviu de inspiração. Minha filha não tinha passado perto de experiências de morte até então. Eu perguntei sobre as suas motivações, mas ela se recusou a falar.

Creio que ao ver as pessoas se lembrando e ao sentir o clima de despedida, ela intuiu a finitude da vida. O tempo nos faz órfãos, o tempo corre indiferente aos nossos desejos e frustrações.

O pai babão fez o que qualquer pai babão faria: Enquadrei a obra e a pendurei na parede.

Acontece que agora, passados alguns anos, reparei neste quadro e para minha surpresa, o desenho e o texto se apagaram. Na parede havia uma folha em branco, mas no vazio pude ler uma mensagem subliminar.

Rápido, o tempo do amor está correndo.

Novamente e de uma forma inesperada o destino deu seu recado. Nada é perene. Nem os recados. O tempo do amor é finito como somos nós e por isso ele é tão importante. Não podemos parar a areia que cai da ampulheta, mas podemos usar o tempo da melhor forma possível. Quem está ao nosso lado hoje pode não estar na semana que vem e isso não é uma revelação incrível, é a maior das obviedades. Até uma criança de 5 ou 6 anos sabe.

O ódio venceu

O ódio venceu

Caros amigos, lamento informar que o ódio é maior e mais forte que o amor. Sei que isso vai entristecer a maioria dos leitores, mas devo dizer que somos exceções. Poucos ainda cultivam o esse sentimento tão ultrapassado como o amor. A maior parte dos brasileiros escolheu o ódio e está muito feliz com ele.

Não adianta um sujeito proferir mil palavras de amor, o ódio acaba com ele em um único disparo. John Lennon cantou Love, Love, Love e vejam o que foi feito. Martin Luther King pregou a igualdade e teve o mesmo destino,  assim como Gandhi ou aquele barbudo da Palestina que disse “amai ao próximo”.

Esse merece um parágrafo só para ele. Jesus ofereceu a outra face, perdoou seus algozes, conteve os apedrejadores. Mas no Brasil tem conservador dizendo que Jesus mandava matar vagabundo. São milhares de pessoas guiadas pelo novo profeta Olavo de Carvalho, que prega o ódio diariamente nas redes sociais.

Não importa que milhões de brasileiros dancem e brinquem o carnaval com suas famílias e amigos. Para o presidente do Brasil é necessário desmoralizar a festa e para isso basta colocar a imagem de dois degenerados nas redes. Pronto, o lindo trabalho das escolas de samba, a alegria da população brasileira, nada disso tem valor. Motivo suficiente para a horda cheia de ódio pedir a cabeça de gays e atacar a tudo e a todos.

Mas a cereja do bolo foi a morte de uma criança de 7 anos na semana passada. Muitos comemoram efusivamente nas redes sociais. Até o filho de um famoso presidente. Afinal, a criança era neta de um político de outro partido então sua morte mereceu fogos.

Agora, se você acha que a situação está feia e quer ingressar no time do amor para evitar o 7×1 do ódio, então atenção: Não adianta combater ódio com ódio. Comemorar facada, torcer por doença e festejar a desgraça alheia conta como gol contra. Cuidado, às vezes, parece que você está lutando pelo que é certo e quando se toca, acaba indo parar no outro time.

Não se iludam, estamos perdidos e seremos sempre minoria. A não ser que o mundo mude muito, as coisas são como são. Nossa única alegria é ter o coração leve por saber que estamos no time certo. Muito amor para vocês e muito amor para quem nos odeia. Um dia quem sabe, eles entenderão.

Um Lula para chamar de seu

Um Lula para chamar de seu

A Esquerda tem umas manias engraçadas.

Talvez a principal delas seja o fetiche por hashtags. Para a Esquerda, qualquer questão da humanidade pode ser resolvida por uma boa palavra de ordem precedida pelo jogo da velha. Depois é só colocar a dita na fotinho do perfil e pronto, cumpriu-se o dever cívico.

#golpe    #foratemer    #mariellevive   #lulalivre   #elenão

Mas há um fetiche talvez ainda maior da esquerda que é o fetiche pelo Lula. A esquerda é como aquela moça apaixonada que não importa o que faça o namorado ela sempre perdoa. Mesmo diante de todas as evidências, ouvimos entre suspiros – Me traiu? Duvido, ele é tão #fofo! 

Já a direita é uma moça que não tem namorado e inveja o amor da Esquerda por Lula. Não que ela queira o Lula para ela, muito pelo contrário. O que a direita queria era um namorado de verdade, alguém para se entregar do fundo do coração.

Primeiro tentou o namoro com o Aécio, mas durante o primeiro encontro ele deixou o celular na mesa do restaurante enquanto ia ao banheiro. Lá estavam gravadas mensagens desagradáveis de propinas de 2 milhões, de assassinato do primo. A Direita saiu do encontro correndo para que Aécio não pudesse ver suas lágrimas.

Depois tentou Cunha. Kataguri fez uma caminhada de mil quilómetros a pé para expressar seu apoio ao ex-deputado que acabou na cadeia. Novo engano.

Sem Cunha e Aécio surgiu uma rápida paixão pode Temer. Mas de novo fitas gravadas estragaram a paixão.

Daí veio Dória, o namorado perfeito, bem vestido, chic, falava francês. Um verdadeiro luxo. A direita acreditou nas suas mentiras por um tempo, mas ele resolveu dar o fora, renunciando ao amor que recebeu.

Luciano Huck desistiu do namoro antes de beijar, Geraldo parecia um bom moço mas faltava-lhe sex appeal, Amoedo beijou mas faltou pegada.

Eis que surge Bolsonaro, forte, másculo, macho alpha de verdade. Arma na cintura e dedo em riste, Bolsonaro pode ser para direita aquilo que o Lula representa para a Esquerda. O namorado dos sonhos.

E seus defeitos? A ignorância, a falta de projetos, burrice, corporativosmo, ausência de planos para o Brasil, o autoritarismo?

Ora, ninguém é perfeito. Afinal, o amor perdoa tudo.

Será que a direita finalmente achou um Lula pra chamar de seu?

 

Meu sucesso no Whatsapp

Meu sucesso no Whatsapp

Acordei e levantei-me com cuidado para não atrapalhar a moça que dormia ao meu lado. O nome dela é Karen e eu a conheci numa festa na noite anterior. Tomei uma ducha rápida e passei um café. Ela apareceu na porta da cozinha, vestindo minha camiseta com um sorriso sem graça.

Conversamos melhor na padaria, onde fizemos um brunch juntos. Ela é simpática e extrovertida e me surpreendeu com uma afirmação.

“Estava louca pra te conhecer”

“Como assim? Alguém falou de mim pra você?”

“No meu grupo de Whatsapp, o Viúvas do Grey. Todas te achamos fofo”.

Eu quis entender melhor a história. Como virei assunto no grupo de Whatsapp dela? Que grupo é esse?

Ela explicou que é um grupo de mulheres e uma tal de Vanessa (amiga da amiga) me compartilhou de um outro grupo que ela participava. Aparentemente ganhei alguma competição de solteiro mais interessante da semana. Assim, quando Karen me viu na festa, já estava interessada em mim.

Ela me mostrou a foto da Vanessa e eu não a conhecia. Mas, guardei o sobrenome para procurar no Facebook. Nada de amigos em comum.

Na noite seguinte fui jantar com dois casais de amigos e contei a história que me intrigava. Carolina, esposa do Rogério, trouxe luz ao caso.

“Uma amiga do meu grupo Advogadas PUC 98 se divorciou e eu te indiquei pra ela. Eu postei uns links das suas fotos do Face. Acho que eu dei uma exagerada nos elogios. Falei que você era pra casar.”

A confissão da Carol era um bom começo para entender o que se passara. Ainda assim, havia um gap entre as Advogadas da PUC 98 e as Viúvas do Grey. Será que os grupos tinham alguém em comum?

Mal tive tempo de ter dúvidas. Carolina com os dedos ligeiros já havia perguntado às amigas e descobriu que Karine havia compartilhado minhas fotos em outro grupo, o Runner do Tatuapé e que Carmem havia me sugerido para sua prima Ana Lúcia, que acabara de chegar de Cuiabá.

Em dois dias, Carolina, absolutamente curiosa e engajada, conseguira remontar a linha que separava a mensagem que ela enviara até o grupo da simpática Karen, o Viúvas do Grey. Minhas fotos e elogios cada vez mais exagerados sobre meu charme circulavam como piadas velhas em grupos de família.

Eu devia ter desconfiado.

Antes mesmo de conhecer Karen, desconhecidas começaram a pedir amizade no Facebook e a me seguir no Instagram. Eu ignorei o fenômeno no começo, mas não pude ignorar quando atingiu proporções épicas. Diziam já haver grupos de Viúvas do Marco Aurélio no Whatsapp. No Twitter, #marcoaureliofofo virou TT. Criaram memes com minhas fotos. Recusei um convite para ir ao programa da Luciana Gimenez.

Agora, quando entro em um restaurante, tenho a impressão que há olhos me fitando. Mesmo na rua, sinto dedos a me apontar. Percebo que sou assunto nas conversas em voz baixa no metrô.

Nunca mais fui a uma balada. Saí das redes sociais. Não quero ser celebridade, muito menos por um motivo tão estranho. Só não consigo evitar uma ou outra abordagem na rua quando respondo de forma seca.

“Não minha querida, apenas pareço com o Marco Aurélio, não sou fofo, não sou pra casar”.

O Romance do passado

O Romance do passado

Quando a gente chega aos 40 conhece uma série de pessoas com histórias parecidas. São pessoas que tiveram um romance marcante quando jovens e anos depois, ainda solitárias, se lembram desse affair como um ponto de quebra em suas vidas.

Triste mesmo é a forma que as tias se referem a essas pessoas.

“O Fernando é tão bonzinho, pena que o namoro com a Judith não deu certo”.

Só que o namoro da Judith foi há 17 anos. Judith já casou, teve dois filhos, operou a vesícula e mal se lembra do Fernando. Mas para ele e as tias, o fim daquele romance teria sido uma condenação à solidão.

Às vezes uma tia encontra Judith no shopping:

“Eu vi a Judith com o marido. Está feia. Eu não acho que ela é feliz”.

Mas de todos os romances frustrados da juventude, nenhum é tão triste como a história que contarei agora, história real, envolvendo pessoas muito famosas, cujos nomes protegerei já que não há como comprovar nada do que digo.

Essa história se passou no início dos anos 80 e envolveu os seguintes personagens.

Um cineasta amigo meu – Vamos chamá-lo de Cineasta

Uma modelo muito famosa – Chamemos de Senhorita X

Um esportista mundialmente famoso – Fica sendo o Craque

Um jovem ator de novelas – Doravante, Galã.

Quem me contou essa história foi o Cineasta que no início dos anos 80 fez um filme baseado numa música de sucesso da época, que falava de um automóvel.

O casal protagonista do filme era formado pelo Galã (na época ele fazia algum sucesso na TV) e a Senhorita X, que era uma modelo em acensão e namorava com o Craque.

Durante as filmagens, a equipe ficou semanas hospedada em uma cidade do interior. Senhorita X e o Galã começaram um namoro nos bastidores de maneira tórrida.

Me disse o  cineasta que Senhorita X estava apaixonada, queria largar seu famoso namorado para juntar-se ao Galã e este a recusou no final das filmagens.

Passaram-se os anos, a carreira do Galã foi curta, hoje ninguém lembra dele. Senhorita X, por outro lado,  abandonou o Craque e ascendeu ao estrelato, tornando-se uma das figuras mais famosas da TV brasileira, conhecida em vários países.

Trinta anos depois Galã e Cineasta encontram-se casualmente na feira, ambos senhores com mais de sessenta anos, arrastando seus chinelos enquanto apalpam frutas. Eles conversam lembrando os velhos tempos, o filme que fizeram juntos, a história de amor que não continuou. Perto deles, as pessoas que passam devem ser fãs da senhorita X e não tem ideia de quem seja Galã. Ele lamenta:

_ O pior é que não adianta eu contar a história do meu romance para ninguém. Quem iria acreditar?

Adeus Harry Potter. Muito obrigado!

Terminei o segundo livro do Harry Potter, A Câmara Secreta. Sei que não parece algo extraordário, a maioria das pessoas fez isso há muito tempo. Porém, esse foi um fato marcante para mim.

Até uns 4 ou 5 anos atrás eu inventava histórias diariamente para minha filha dormir. Era um desafio, ela era exigente. Eu espremia a cachola para botar ideias para fora.

Um dia, para facilitar a minha vida e porque ela já estava ficando grandinha, comecei a ler o primeiro Harry Potter. Minha filha dorme em casa de 4 a 6 dias por mês e muitas vezes ela está cansada e pega no sono logo que deita. Assim, eu levei anos para ler dois livros da saga e terminei neste final de semana.

Foram inúmeras noites repetindo o ritual e me embrenhando nas aventuras do bruxinho enquanto via minha filha crescer. No fim, ela já estava com 11 anos. Não é idade para ouvir histórias na cama, mas decidimos juntos ir até o fim deste e encerrar essa etapa da nossa relação.

Ao ler a última página percebi que virava também uma página da minha vida. Que abandonaria esse hábito como já abandonei muitas coisas que amava fazer.

– Nunca mais troquei uma fralda sem me me importar com o cheiro azedo.

– Nunca mais peguei minha filha no colo e a senti leve como um esquilo e nunca mais senti medo de tocar na moleira macia.

– Voltando ainda mais no tempo, nunca mais joguei futebol com os amigos num certo campo em São Bernardo que era nada e tudo ao mesmo tempo.

– Nunca mais sentei num banco de colégio acreditando que o futuro estava a minha frente e que eu poderia ser tudo o que quisesse.

– Nunca mais beijei meu avô.

Agora é a vez de, nessa eterna sucessão de abandonos, deixar para trás Hogwarts e as vozes que inventei para cada personagem. Minha filha vai terminar a saga lendo em silêncio como é mais adequado para sua idade.

Adeus Harry Porter, obrigado por estar ao meu lado nestas noites tão felizes.  Só espero que a voz que criei para você sobreviva na cabeça da Esther e que ela ressoe ainda que em pensamento, nos feitiços e magias da adolescência.