Invasão Zumbi

Invasão Zumbi

O ano é 2030, uma década depois da última tragédia global, o mundo se vê diante da maior ameaça de sua história, uma invasão zumbi.

Aparentemente tudo começou com um vazamento numa  instalação nuclear do Irã. A crise evoluiu muito rápido, em pouco tempo havia zumbis em todos os continentes. Cada pessoa atacada por um zumbi logo se transformava em um comedor de cérebros, as autoridades demoraram a responder à ameaça.

Algumas cidades estavam conseguindo conter a invasão construindo muros imensos, mas no Brasil a solução ainda era contestada e como vocês podem imaginar, uma imensa polêmica se instaurou.

Eu separei alguns posts do Twitter de 2030 e  através deles vocês poderão entender o que se passa e os diferentes pontos de vista.

Presidente Felipe Neto – Estamos em processo adiantado no projeto de construção de muros, em breve se iniciam as obras, será um enorme investimento. Até termos os muros pedimos que os brasileiros fiquem em casa.

Ex-ministro Paulo Guedes – A melhor forma de conter os zumbis é reduzir os salários e cortar as férias.

Veja São Paulo –  Confira os melhores bares em bunkers para sair em São Paulo.

João Amoedo – É um absurdo o Estado gastar com a construção de muros. Precisamos diminuir os impostos que meu banco paga.

Eduardo Bolsonaro (em prisão domiciliar) – Se todo mundo tivesse armado nada disso teria acontecido.

Ex-presidente Lula – O PT não aceita qualquer união para conter essa crise de zumbis, podemos resolver isso sozinhos.

Marco Feliciano – Deus me avisou que só o dízimo pode conter os zumbis do diabo. Deposite agora mesmo na minha conta número XXXX-X

Ciro Gomes – Se os muros custarem até 11% do PIB, considerando uma taxa Selic de 2,25%, podemos calcular um déficit primário de 14,7 bilhões mais o abono do salario mínimo, desde que o imposto sobre dividendos não ultrapasse o teto de gastos, descontada a inflação de 1984.

Doria – Precisamos privatizar os muros.

Léo Dias – A Anitta é falsa e não tem talento.

Folha de São Paulo – Infográfico explica a invasão Zumbi

Uol – Bruna Marquezine posta fotos de seu bunker

G1 – Mulher mata marido bêbado com paneladas e diz que o confundiu com um zumbi

Carlos Bolsonaro – O velho teatro das tesouras volta a agir mais descarado: Os traíras vermelhos alinhados com os tucanos e com os gulosinhos biografados.

Malafaia – Deus me avisou que só o dízimo pode conter os zumbis do diabo. Deposite agora mesmo na minha conta número XXXX-X

Véio da Havan – Não dá para parar a economia por um ataquezinho de zumbis.

Augusto Nunes – E o PT?

Caio Copolla – Nos EUA morre mais gente engasgada do que devorada por zumbis.

Gilberto Gil – A questão da zumbilização da sociedade, tem a ver com a tropicalização da cultura enquanto manifestação do morto e do vivo. É o ser baiano encontrando seu caminho no vácuo da sociedade de consumo. Ou não.

Estado de São Paulo – Zumbis ou PT, uma escolha difícil

Edir Macedo – Deus me avisou que só o dízimo pode conter os zumbis do diabo. Deposite agora mesmo na minha conta número XXXX-X

Boulos – O verdadeiro Zumbi é o capitalismo de devora o cérebro do trabalhador

Abraham Weintraub – Esses zoombes devem ser coiza de xinês ou de comunizta

Datena – Tem matar tudo esses zumbis vagabundo aí!

Guga Chakra – A região de Marcazi, onde surgiram os primeiros zumbis é de etnia Naari, com uma população 16% sunita.

Cabo Daciolo – Glória a Deuxx

Ricardo Salles – Só a destruição da Amazônia e das populações indígenas pode conter os zumbis

Felipe Mello – Pode vir atacante, pode vir zumbi que por mim não passa

Craque Neto – Pelo que entendi os mortos vivos são como o Ganso, só que com fome.

Manuela Dávila – As zumbis mulheres são 50% da população, mas só devoram 10% dos cérebros.

Roberto Jefferson – O PTB só vota a favor da construção dos muros se minha filha virar ministra da dezumbinação.

Ex-presidente Jair Bolsonaro (em prisão domiciliar) – E daí se morrer gente no tocante a isso aí de zumbis?

Rubens Barrichelo – Fiquem em casa, lavem as mãos e só saiam de máscara.

Eu estava lá

Eu estava lá

Amigos, como vocês devem ter visto na TV, eu estava lá. Usei de meus contatos secretos e apareci de bicão no pronunciamento do Bolsonaro. Tenho informações privilegiadas que só quem está no coração do poder possui. Como não consigo guardar segredo, contarei agora os detalhes picantes do evento.

Em primeiro lugar, preciso dizer que a cerimônia toda foi uma chatice para nós que estávamos lá de figurantes. Tirando o presidente que falou e o tradutor que traduziu, todo o resto precisou de uma força mental tremenda para ficar  parado, sem se mexer, sem rir e pior de tudo, sem olhar para o celular. Imagina o Eduardo Bolsonaro… Acho que ele nunca havia ficado tanto tempo sem mentir no Twitter.

Eu estava bem do lado da Damares e subi na bíblia dela para parecer mais alto. Damares estava séria, melhor que o Nelson Teich que deu uma beliscadas no traseiro do Ernesto Araújo. Pode parecer mentira, mas o clima do ministério bolsonarista é de total zoeira. Pior que ônibus de excursão de colégio.

Cinco minutos antes do início da transmissão, Paulo Guedes em seu sotaque de malandro carioca apostou com o General Heleno que iria ficar sem sapatos. E não é que o super ministro ficou a transmissão toda de meias?

Quando o Eduardo Bolsonaro chegou alguns ministros contestaram sua presença, mas ele argumentou que o Mourão também não era ministro. Mourão prontamente respondeu que não era ministro mas em breve seria Presidente. Todos riram.

Descobri que ninguém da turma era muito fã do Moro. Ao que parece, ele nunca quis participar da Zoeira, sempre foi muito sério. Quando o Salles ligava no meio da noite para passar trote ele reclamava com o Bolsonaro no dia seguinte. Um mala.

De repente fui abordado por um grupo que não me reconheceu, estavam preocupados que eu fosse um petista infiltrado. Menti, dizendo que era o Governador do Acre. Damares ainda perguntou o que era o Acre, Weintraub disse que era um Estado do Nordeste. Todos me cumprimentaram com reverência e ficou tudo bem.

Logo no começo da fala alguém soltou um Pum. A cara do Nelson Teich ficou deformada, ele ficou zonzo o resto do evento. Foi quando Paulo Guedes vestiu a máscara de proteção.

Tirando esses pequenos incidentes foi tudo muito chato. Bolsonaro falou, falou, falou e nós ficamos lá, fazendo pose e esperando o final para aplaudir.

Quando Bolsonaro estava saindo do recinto, Mourão começou a assobiar a música do Meme do caixao . Todos riram.

Previsões para o futuro próximo

Previsões para o futuro próximo

Dizem que é muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro.

Imagine em 2013, quantos diriam que o deputado fascista que só tinha espaço no programa da Luciana Gimenez seria um dia o presidente do Brasil. Quem imaginaria que o Ator pornô Alexandre Frota seria um deputado de destaque e que Aécio frequentaria o baixo clero? Poucos especialistas tem uma visão futurista apurada e para a alegria de vocês eu sou um deles.

Vamos às previsões para o futuro próximo. Anotem, imprimam, tudo vai se cumprir.

Abril de 2020 – Com o agravamento da epidemia do coronavírus, a paciência da população se esvai. O povo está economicamente arrasado e não aguenta mais ouvir notícias de conhecidos que são internados ou pior ainda, morrem.

Alguns políticos importantes acabam morrendo também, um ou outro ministro, parlamentares e nomes conhecidos de Brasília.

Maio de 2020 – Moro dá uma entrevista na Globonews, Bolsonaro fica com ciúmes da exposição do Ministro e o demite, como já havia feito com Mandetta.

A popularidade de Bolsonaro vai para  o chinelo. Os vídeos dos corpos empilhados em galpões editados com a fala da “gripezinha” acabam com o que sobrou dele. O Impeachment é desnecessário, Braga Neto dá uma dura tão forte em Bolsonaro que assustado, pede para sair. Como caridade o exército deixa que ele faça a visita diária ao cercadinho do Palácio onde os mesmos imbecis ainda oram por ele.

Junho de 2020 – O Brasil está desolado com os mortos e com as idas e vindas da quarentena. O governo Mourão está segurando a onda até as eleições marcadas para outubro. Os partidos estão desacreditados, não há esperança. Até os possíveis candidatos estão mais assustados do que entusiasmados.

Neste mesmo mês este texto é redescoberto nas redes e espanta a todos pela precisão das previsões. Ele é compartilhado por milhões e todos querem saber quem é o autor, dono de tamanha perspicácia.

Em Julho já sou uma celebridade, dou entrevistas nos blogs e TV’s. Minha live é vista até por cantores sertanejos, sou o centro do Roda Viva.

Nesse mesmo mês alguns partidos começam a me ligar.

Julho de 2020 – Minha candidatura é lançada, Átila Iamarino é o vice. Fico orgulhoso da capa da Istoé: A Solução Lúcio.

Outubro de 2020 – Sou eleito e aclamado por um movimento que une o Brasil. A confiança é tanta que os empresários investem bilhões em novos projetos. A economia está salva. O Veio da Havan tatua o meu nome em seu glúteo esquerdo.

Outubro de 2040 – Levo meus netos para ver minha estátua no lugar onde ficava o Borba Gato. Uso a mascará do Groucho Marx para não ser reconhecido pelos fãs. O Brasil está salvo.

P.S. Semana que vem publico os próximos números da mega-sena e a lista de títulos do Diniz pelo São Paulo.

Bolsonaro, Tubarão e Chernobyl

Bolsonaro, Tubarão e Chernobyl

No começo do filme Tubarão, corpos começam a aparecer nas praias. Um oceanógrafo avisa ao prefeito de que um tubarão assassino está na região. O prefeito tem outras preocupações. É temporada de turistas, as praias estão cheias assim com os hotéis.

_ Não podemos atrapalhar a economia da cidade. Você vai causar pânico!

No fim o tubarão come um monte de gente, numa tragédia que poderia ser evitada.

Esse tipo de história tornou-se clichê no cinema. A estrutura é:

1. Um cientista descobre um vulcão para explodir, uma avalanche eminente ou uma invasão zumbi.

2. Ele avisa as autoridades.

3. Os políticos (ou empresários) ignoram para:

3.a. Não causar pânico;

3.b. Não prejudicar as eleições;

3.c. Não prejudicar a economia;

4. A catástrofe acaba acontecendo.

Seria bom se isso ficasse restrito só ao cinema mas esses erros se repetem no mundo real.

O filme Titanic mostra como o engenheiro que construiu o navio pediu que não se usasse a velocidade máxima na primeira viagem, era melhor testar a embarcação. O empresário dono do barco recusou, queria bater todos os recordes para ganhar as manchetes dos jornais. O resultado todos sabemos.

Em Chernobyl, quando a usina explodiu, os cientistas tentavam alertar para a gravidade da situação, por outro lado, burocratas comunistas não queriam alarde, diziam que os cientistas estavam exagerando. No final tivemos um dos mais graves acidentes do século XX.

O erro se repetiu em Wuhan, onde surgiu a Covid-19. Os médicos alertaram a chegada de uma nova doença altamente contagiosa. As autoridades locais ignoraram os alertas e o vírus se alastrou.

Como você estava esperando, chegou a hora de falar do Brasil.

Bolsonaro repete aquilo que fizeram todos os vilões de filme, age como os o prefeito da cidade do tubarão e como comunistas de Chenobyl e Wuhan. Ele ignora a gravidade de uma das piores ameaças da humanidade. O resultado é inevitável. Quem vai julgá-lo é a história. Mas a vida não é filme, milhares de mortes acontecerão no Brasil devido a sua irresponsabilidade. Serão pessoas de verdade, pessoas que amamos.

Eu torço que seus crimes também sejam julgados pelos homens. A atitude do presidente tem nome, chama-se assassinato em massa.

A decadência da esquerda

A decadência da esquerda

Fazer matérias sobre o ostracismo da esquerda está virando clichê. Até Luís Carlos Prestes concordaria que a esquerda não vive um bom momento, sem pautas definidas, união e força de atuação. Enquanto parte dos progressistas insistem no culto semimessiânico a Lula, outra parte debate a ética de se usar fantasia de índio no carnaval.

O PT aceita qualquer aliança (sempre aceitou) desde que seja o protagonista. Ciro tem um projeto absolutamente individual, o PSOL perde tempo homenageando ditadores do passado e o PCdoB, depois de 20 anos, descobriu que não é mais comunista. Cada um no seu canto, todos sem a força do partido bolsonarista que ainda nem foi criado.

A direita por outro lado comemora vitória aos tiros para o alto. A bolsa subiu, os juros caíram, a Amazônia pega fogo e os índios voltarão a ser catequizados. Melhor do que isso, nas palavras do Ministro Guedes, pobre não vai mais viajar para o exterior – “Que viajem para Cachoeiro do Itapemirim”! 

Só eu, com minha visão pouco convencional, considero a decadência da direita ainda maior que a da esquerda.

A direita que já teve como ídolos nomes como Churchill, Margaret Thatcher ou Roberto Campos, tem hoje como grande líder intelectual um paraquedista preguiçoso, desonesto e cheio de rancor.

O grupo de pessoas que chegou ao governo com a nova direita inclui: Um ex-ator pornô com várias condenações na justiça, um astrólogo aposentado que ganha a vida vendendo falsos cursos de filosofia, políticos ligados a milícias do Rio, um Ministro da educação inimigo dos professores. Enfim, um punhado de gente preconceituosa, homofóbica e cheia de ódio. Aliás, eu diria que o ódio é o sentimento dominante da nova direita.

Livros de Machado de Assis são cesurados, o AI-5 reaparece como sugestão na boca do filho do presidente e do Ministro da Economia, a ciência é contestada, o Ministro do Meio Ambiente defende a destruição da Amazônia e na Secretaria de Cultura, um vídeo oficial recria a comunicação nazista de Goebbels.

O presidente do Brasil ofende o pai de uma chanceler da ONU, o presidente do Brasil ofende a Primeira Dama da França, o Presidente do Brasil publica pornografia nas redes sociais, o Presidente do Brasil ataca a imprensa, o Presidente do Brasil proíbe propaganda do Banco do Brasil por ter modelos negros e Gays. 

Lendo assim, nem parece verdade, mas tudo isso aconteceu e foi apenas 1% das maluquices e maldades que a direita vem exercendo desde 2019.

A única coisa que a nova direita tem hoje é o poder. Fora isso não tem valores, não tem quadros com grande capacidade administrativa, não tem pensadores sérios e não tem um projeto consistente.

Enfim, embora seja hegemônico, não há nada a se admirar nesse grupo. Se esta é proposta da direita, então prefiro a velha política, ou até mesmo a esquerda fragmentada e sua utopia juvenil.

Creio que podem ainda surgir novas lideranças e alianças mais interessantes, tanto de esquerda como de centro, ou até mesmo grupos de direita não atrelados ao ataque à cultura e à negação da ciência. Hoje o futuro parece assustador, sem alternativas empolgantes. Mas é justamente esse vácuo que pode abrir espaço para novos projetos, espero que melhores.

Bolsomiriam

Bolsomiriam

Miriam saiu do culto emocionada. Mal sentia o peso da bojuda bíblia na bolsa, muito menos se incomodava com o aperto entre outros fieis no ônibus. As palavras do pastor ecoavam em sua cabeça – “Cada um de nós tem uma missão de Deus! O Senhor nos dá uma tarefa única e um talento especial para cumpri-la”.

Miriam nunca havia pensado ser importante. Fora sempre uma coadjuvante em sua própria vida. Era a faxineira do salão de beleza. Ajudou as 3 irmãs a preparar seus casamentos, mas ela mesma jamais vivera um grande amor. Sempre costurou lindos vestidos de festa, mas suas roupas eram velhas e feias.

Na saída do Culto ainda abordou o pastor.

_ O senhor acha mesmo que Deus me escolheu para uma missão importante.

_ Tenho certeza. Se ele ainda não revelou a missão para você, em breve vai revelar.

Miriam sonhava em receber a missão de Deus, mas a única coisa que recebia eram Zaps sobre o Bolsonaro. Diversas fotomontagens do político. Em algumas ele estava vestido de super-herói, em outras, estava ao lado de Jesus e com uma aparência celestial. Numa terceira o texto era inspirador.

_ Deus me deu a missão de livrar o Brasil do Satanás do comunismo. Ao seu lado vencerei.

Miriam percebeu a importância daquele homem. Ele iria enfrentar o Satanás do Comunismo! Isso sim era uma missão importante. O Satanás do comunismo. Miriam começou a pensar que ela poderia também ter uma missão: ajudar o Bolsonaro na luta quase impossível que ele travaria contra o mal. “Esse homem deve ser uma espécie de santo, nem a facada matou ele”.

No mesmo dia ela organizou as dezenas de memes que havia recebido com mensagens políticas. Apagou as bobagens em homenagens a outros políticos e estudou o que podia sobre o Capitão e sua luta messiânica.

A primeira mensagem ela mandou para o pastor. Era uma imagem de Bolsonaro pilotando um tanque e atropelando alguns negros vestidos como assaltantes.  “Vamos metralhar os vagabundos”, ela ainda complementou com um toque pessoal: “Cumprindo a missão!”

O pastor respondeu com um emoji de piscadinha que Miriam imediatamente interpretou como um incentivo. O pastor apoiava sua missão. Imediatamente começou a soltar dezenas de mensagens para amigos e parentes. A maioria começava com “Isso a Globo não mostra”. Quanto mais mensagens mandava, mais recebida de volta, num nítido sinal da providência divina.

A partir deste dia, Miriam não era mais a faxineira quase invisível do Salão, não era mais a moça do bairro que costurava vestidos a preços baixos. Miriam era uma missionária do Senhor, era uma soldada que empunhava o celular tal qual uma espada, distribuindo a mensagem divina. Eis uma mulher com uma missão! O Satanás do comunismo que se cuide…

Peladões na Faculdade

Peladões na Faculdade

Se você não tem estômago forte é bom parar por aqui. Esse texto é para quem consegue lidar com imagens chocantes.

As instituições, supostos exemplos de moralidade, onde professores e acadêmicos deveriam se unir para trazer o que há de mais avançado em nossa cultura se tornaram centro de balbúrdia e picardias estudantis. Mesmo me considerando uma pessoa liberal e avançada, minha pesquisa me levou a tal baixeza que fiquei em dúvida se seria capaz de dividir com o leitor minhas descobertas.

Não há o que dizer, depois de se inteirar das informações que estou prestes a compartilhar, o leitor concordará comigo que estas instituições de ensino precisam de uma interferência urgente, quem sabe até mesmo, o fechamento definitivo.

Vamos às acusações:

1 – Na universidade de Harvard, em Boston, duas vezes por ano os estudantes correm nus de madrugada, em uma festa chamada Primal Scream.

2 – Com muito beijo na boca, muita tinta no corpo e pouquíssima roupa, a Universidade de Stanford na Califórnia celebra a primeira lua cheia do outono.

3 – Já na universidade de Santa Cruz, também na Califórnia, os estudantes correm nus para celebrar a primeira chuva do ano, desrespeitando o nome sacro da instituição e se arriscando a pegar um resfriado.

4 – Ainda na Califórnia, na Universidade de Berkeley, os estudantes correm nus na semana da prova final. Essa Califórnia é uma vergonha. Duvido que alguma empresa prospere por lá.

5 – A decadente universidade de Princeton, em Nova Jersey, tomou vergonha na cara e acabou com as Olimpiadas Nuas que ocorreram dos anos 1970 até 1999.

6 – O estado do Arizona é muito tradicional, portanto, jamais poderia imaginar que na Universidade Estadual de Phoenix, eles estivessem fazendo um esforço para bater o recorde mundial de corrida de peladões.

Se você teve coragem de chegar até aqui, venha comigo. Vamos juntos pedir o fim do ensino superior gratuito no Brasil e principalmente, o corte de todo o investimento em pesquisa e pós-graduação nas terras tupiniquins. Essa balbúrdia precisa acabar!!! Vamos evitar que o ensino brasileiro se torne decadente como nos exemplos acima. E principalmente, evitar que pobres e negros estudem. Senão, no futuro, vai faltar gente para manobrar os carros e lavar as calcinhas da classe média e isso quase tão ruim como um peladão na faculdade.

O limite do pragmatismo

O limite do pragmatismo

Sempre achei que se um dia encontrasse um dos membros da família Bolsonaro, me negaria a estender a mão. Os Bolsonaros são a antítese dos meus valores. O oposto de tudo o que prezo e acredito.

Porém, semana passada encontrei um deles e não foi isso que aconteceu. Estendi a mão e sorri, pois estava num evento de trabalho. Agi como um profissional. Fui pragmático e contei essa história no último post.

Temi a reação dos amigos, mas aparentemente os elogios foram maiores que os puxões de orelha. Mesmo assim a situação me instigou a fazer uma reflexão.

Até que ponto podemos abrir mão de nossas convicções por pragmatismo?

Minha atitude na Rio2C poderia ter consequências desastrosas. Se eu ofendesse o político todo o diálogo de nosso setor estaria comprometido. Uma atitude irresponsável poderia afetar a vida e o emprego de 300.000 pessoas que trabalham no audiovisual.

A política é feita assim, de diálogo. É absolutamente comum no mundo inteiro que adversários tomem decisões juntos em função interesses institucionais.

Mas será há limites para o pragmatismo? Num exemplo exagerado, se o encontro fosse com Hitler eu deveria ter o mesmo sangue frio?

Bolsonaro age por convicções e abandona o pragmatismo. Briga com todos, não abre canais de diálogo, ofende povos e países sem se preocupar com as consequências econômicas e diplomáticas de seus atos. Isso faz dele mais nobre?

Na minha opinião, essa convicção de que somos o grande exemplo de retidão moral nos aproxima mais do fanatismo do que da verdade. Há mais honestidade em quem tem dúvidas de suas convicções do que em tem certezas absolutas. Ao não ouvir o diferente, não crescemos, não aprendemos, não evoluímos.

Por outro lado, não há o que se aprender com o ódio, com quem apoia a tortura, com quem defende a morte, o preconceito, a homofobia, a mentira e o ódio como forma de exercer o poder.

De certa forma, eu abracei o capeta e superei meus próprios limites em nome do diálogo e ainda não sei se me orgulho ou se me arrependo disso.

Adeus dia da mentira

Adeus dia da mentira

Escrevo esse texto em primeiro de abril, que antigamente era chamado de dia da mentira.

Nesse dia costumávamos enganar nossos amigos com pequenos trotes, dizíamos ao mais tímido da escola que a gata da classe havia se apaixonado por ele ou fingíamos acreditar no mundial do Palmeiras. Qualquer coisa que rendesse risadas ingênuas.

Mas isso foi no passado, no tempo que havia mentiras. Hoje o próprio conceito de mentira morreu e com ele, a celebração do primeiro de abril.

Tudo começou quando a mentira (ou paia como chamávamos nos anos 70) mudou de nome e ganhou a alcunha de Fake News. Isso deu uma aura americana e sofisticada à velha paia. Agora, o sujeito que é pego com batom na cueca passou a culpar a lavanderia e a namorada não pode mais chamá-lo de mentiroso, afinal, isso é apenas fake News.

O próprio termo Fake News já está ficando ultrapassado. Afinal, inventam também mentiras sobre o passado. Dizem que o nazismo era de esquerda e que o Golpe de 64 foi democrático. Podemos dizer que são fake olds.

Porém, nada disso tem sentido. Em 2019 não há mais verdade ou mentira. Cada um acredita no que quer.

Uns dizem que o Cristiano Ronaldo joga mais que Pelé, outros acreditam que a Terra é plana; uns dizem que vacinas são uma arma comunista para destruir o cristianismo e Olavo de Carvalho diz que cigarros fazem bem. Cada um de nós está livre para acreditar no que quiser: Nas explicações complexas do Tite, na pureza do Lula, na inteligência do Bolsonaro e nas boas intenções do MBL.

A reforma trabalhista vai criar 6 milhões de empregos, Lulinha é dono da JBS, a Globo é comunista,  o Alexandre Frota é um exemplo de moralidade, Doria ficará 4 anos na prefeitura, Haddad distribui mamadeiras de piroca, Trump não é fantoche do Putin, a Scarlett Johansson é feia… Verdade ou mentira?  Tanto faz, quem se importa?

O ódio venceu

O ódio venceu

Caros amigos, lamento informar que o ódio é maior e mais forte que o amor. Sei que isso vai entristecer a maioria dos leitores, mas devo dizer que somos exceções. Poucos ainda cultivam o esse sentimento tão ultrapassado como o amor. A maior parte dos brasileiros escolheu o ódio e está muito feliz com ele.

Não adianta um sujeito proferir mil palavras de amor, o ódio acaba com ele em um único disparo. John Lennon cantou Love, Love, Love e vejam o que foi feito. Martin Luther King pregou a igualdade e teve o mesmo destino,  assim como Gandhi ou aquele barbudo da Palestina que disse “amai ao próximo”.

Esse merece um parágrafo só para ele. Jesus ofereceu a outra face, perdoou seus algozes, conteve os apedrejadores. Mas no Brasil tem conservador dizendo que Jesus mandava matar vagabundo. São milhares de pessoas guiadas pelo novo profeta Olavo de Carvalho, que prega o ódio diariamente nas redes sociais.

Não importa que milhões de brasileiros dancem e brinquem o carnaval com suas famílias e amigos. Para o presidente do Brasil é necessário desmoralizar a festa e para isso basta colocar a imagem de dois degenerados nas redes. Pronto, o lindo trabalho das escolas de samba, a alegria da população brasileira, nada disso tem valor. Motivo suficiente para a horda cheia de ódio pedir a cabeça de gays e atacar a tudo e a todos.

Mas a cereja do bolo foi a morte de uma criança de 7 anos na semana passada. Muitos comemoram efusivamente nas redes sociais. Até o filho de um famoso presidente. Afinal, a criança era neta de um político de outro partido então sua morte mereceu fogos.

Agora, se você acha que a situação está feia e quer ingressar no time do amor para evitar o 7×1 do ódio, então atenção: Não adianta combater ódio com ódio. Comemorar facada, torcer por doença e festejar a desgraça alheia conta como gol contra. Cuidado, às vezes, parece que você está lutando pelo que é certo e quando se toca, acaba indo parar no outro time.

Não se iludam, estamos perdidos e seremos sempre minoria. A não ser que o mundo mude muito, as coisas são como são. Nossa única alegria é ter o coração leve por saber que estamos no time certo. Muito amor para vocês e muito amor para quem nos odeia. Um dia quem sabe, eles entenderão.