Resumão das sacanagens de ontem

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Dia cheio para os jornalistas, foram tantas notícias bombásticas que algumas mal tiveram tempo de no espantar. Para que a gente não esqueça de nenhuma, fiz um resumão.

Da menos impressionante para a mais impressionante.

1 – PF faz operação contra membros do COB e Cabral que compraram votos para garantir a Olimpíada no Rio.

Bacana. Palmas para a PF. Mas sem novas. Tudo mundo já sabia, né?

2 – Malas com milhões achadas no apartamento do Geddel

A imagem é assustadora, tanto que encobriu as outras notícias, mas também ninguém imaginava que o Geddel era honesto. Eu fico pensando nele, que além de perder esse dinheiro todo ainda precisa tentar convencer a patuleia que a grana não era dele. Dia difícil.

3 – Janot faz denúncia contra a cúpula do PT.

Me surpreendeu. Sempre achei que o Janot pesava a mão contra os adversários do PT e era mais leve com a galera do Lula. No fim ele atirou para todos os lados antes de se afastar da PGR.

4 – Gravação de Joesley cita Supremo, PGR e José Eduardo Cardozo.

Essa é a grande informação cabeluda que ficou em segundo plano no meio de tantas notícias.

O que eles falam do Janot e do seu braçao direito, Marcelo Muller, é de arrancar os cabelos. Aparentemente Marcelo Muller já trabalhava para a JBS quando ainda era procurador da República.

Para quem não lembra, depois disso, o Marcelo Muller se desligou da PGR e tornou-se sócio do Trench, Rossi e Watanabi, escritório de advocacia que atende à JBS. Isso desqualifica totalmente o trabalho de Janot e da PGR.

Contra o Supremo, ainda não me parece haver nada consistente. Parece que a JBS quis contratar o Cardozo e ele não aceitou. A ver. Apenas Janot e Muller ficaram em situação extremante constrangedora.

Resumo feito, espero que tenha sido útil. Se souberem de outros apartamentos com grana dentro me avisem. Eu faço uma visitinha lá antes de denunciar para a PF.

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O Golpe, explicado tim tim por tim tim.

Captura de Tela 2017-05-23 às 10.18.06.pngFoi Golpe. Foi uma armação dos tucanos com a Globo, o PMDB e a Lava Jato para desvalorizar a Petrobras e entregar a estatal para os gringos. Prova disso é que o PMDB queria acabar com Lava Jato e só podia faze-lo tirando a Dilma que não estancava o sangue da operação. Afinal, foi o PT que criou a Lava Jato que persegue todos menos o Tucanos. Antes do PT a Polícia Federal não podia trabalhar. Se bem que o Aécio vai ser preso por entregar uma mala de dinheiro para o dono do helicóptero de cocaína. Mas a prisão do Aécio foi um plano dos comunistas da Globo e dos artistas lei Rouanet para tirar a atenção sobre o Lula, que nunca é preso. Provavelmente tem coisa com o Moro que soltou o Youssef no caso Banestado. Tem também o Teori, que sempre trabalhou para o PT mas quando caiu o avião, a culpa foi do PT que já matou o Celso Daniel. É evidente que a Veja queria evitar os pobres nos aeroportos e a Fiesp queria a acabar com a CLT, afinal, o PMDB do Skaf paga as contas do MBL e a JBS do filho do Lula pagava mesada para o Aécio e para o Cunha, o deputado que perseguia a Dilma e foi preso pelo Moro que trabalha para o FBI e, assim como o Cunha, também perseguia a Dilma. Já a lei Rouanet, criada pelo Sarney, pagou um show do ex-genro do Chico Buarque, então, ele aceitou apoiar o PT que trabalha para o Venezuelano Chavez mesmo depois de morto. Enquanto isso, os Irmãos da dupla goiana Wesley e Joesley, sócios do filho de Lula que limpava bosta de elefante, fogem dos blackblocs no apê de trinta milhas em Nova York, cidade onde Dória passeia com Loures, o da mala de dinheiro do Temer. Longe dali, Bolsonaro manda todos a merda e diz que vai distribuir uma arma para cada brasileiro enquanto evita que se lembre que ele foi terrorista nos anos 80. Já o Reinaldo Azevedo tece longos elogios ao Reinaldo Azevedo e se esquece da Marisa, a verdadeira culpada, aquela que falava palavrões como o Ciro, o impoluto, que brada “fora Temer”.

E a Marina?

Essa ninguém encontrou.

Tá Liberado

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Ei Petista, você que gritou golpe, pixou Fora Temer, colocou a foto do Lula no seu perfil, tá liberado ficar puto com a Dilma por saber que o ministro da Fazenda negociava pessoalmente propina. Tá liberado se sentir traído por ela saber que a própria campanha era irrigada por grana de corrupção.

Ei coxinha, você que votou no Aécio dizendo que estava cansado dos corruptos. Você que tocou vuvuzela na Paulista em frente ao Pato do Skaf. Tá liberado para bater panelas quando o programa do PSDB passar na TV ou nos discursos do Temer. Não é vergonha.

Amigo de esquerda, você que disse que a Lava Jato era um plano pra quebrar a Petrobras, daqui em diante você está livre para se indignar pelo Lula ter recebido 14 milhões em dinheiro, por ele ter ajudado a elite das empreiteiras a se locupletar com dinheiro público. Você pode cara, não é incoerência. Pode tentar.

E você caro revoltado, que apoiou Cunha, Temer e companhia, não tem problema nenhum postar que o Serra é corrupto, se sentir traído pelo Alckimin e seu cunhado. Assumir  que a queda de Dilma nada teve a ver com combate a corrupção (muito pelo contrário).

É permitido gente, podem experimentar, não precisa xingar só os seus velhos inimigos. Se o seu ídolo meteu a mão no nosso bolso, você pode ficar bravo com ele também. Isso não vai te fazer uma pessoa pior.

Tá liberado.

Eu estava errado

Esse vídeo de 1996 é imperdível. Nele, Paulo Maluf se defende. Ele havia proibido o cigarro nos restaurantes e os jornalistas se mostravam indignados com a medida. Os mesmos jornalistas também atacavam o prefeito por ele obrigar o uso de cinto de segurança.

O tempo mostrou que Maluf estava certo e TODOS os jornalistas que o entrevistavam tinham uma visão retrógrada.

Eu não me lembrava de forma alguma dessa polêmica, mas tenho certeza que em 1996 eu estaria do lado dos jornalistas, mesmo sem nunca ter fumado. Eu estava errado.

Em 1996 eu era odiava tanto o Maluf que falaria mal mesmo que ele inventasse a cura da Aids. Qualquer atitude do Maluf era abominável aos meus olhos.

21 anos depois fica evidente o papel de ridículo dos jornalistas e isso me pensar nos dias de hoje.

Será que continuo errando? Será que minha antipatia por Dória não faz que eu julgue seus atos de forma preconceituosa. Como verei daqui a 20 anos os julgamentos que faço hoje? Que erros acabamos cometendo graças a nossas convicções?

Não seria mais inteligente se:

_ Os petistas se julgassem a corrupção do PT com o mesmo rigor que colocam na questão do Pixo.

_ Os coxinhas batessem as panelas contra a corrupção Tucana da mesma forma que o fazem quando a Dilma discursava.

_ O Reinaldo Azevedo aceitasse que a ciclofaixa é importante, apesar de ter sido colocada por um petista.

_ O Ricardo Noblat entendesse que por mais que ele ame o Temer, é inadequado um presidente trabalhar para livrar corruptos da cadeia.

imagine daqui a 20 anos, quando em todas as cidades grandes os carros não puderem ultrapassar as 25 milhas por hora, como será assistir os debates sobre a velocidade nas marginais.

Que tal leitor começar a mudança dentro de você, admitindo os erros de quem você admira e aceitando os acertos daqueles que você odeia.

Quem sabe assim veremos os políticos de forma mais humana? Quem sabe assim poderemos entender um pouco mais aqueles de quem discordamos. Quem sabe poderemos ser menos grosseiros nas redes sociais.

A Moralização do Brasil

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No dia da votação do Impeachment eu estava no metrô a caminho de um churrasco. Viajava meio desgostoso pensando que a quebra institucional traria muitos problemas para o país, que era triste ver nossa democracia tão debilitada.

No mesmo vagão havia muita gente animada. Vestiam roupas e adereços verde-amarelos e pensavam de forma oposta a minha. Um rapaz que estava com esposa e filho me dizia que seria o começo da moralização do Brasil, um momento histórico.

Mais tarde, assisti um pouco da votação na TV. Cada um dos nobres deputados fez um pequeno discurso (numa língua que parecia um português arcaico) tratando de honradez, de resgate aos valores, de Deus e da família.

Muitos dos meus amigos me garantiram que era o fim da corrupção.

Hoje, quase um ano depois, decidi fazer um apanhado dos projetos de lei propostos pelos mesmos nobre deputados e  seus partidos desde a fatídica data. Vamos a eles:

Lendo a lista acima surgiu uma pulga do tamanho de um besouro atrás da minha orelha. Estou começando a desconfiar dos nobres congressistas. Tenho a sensação que as intenções deles teriam um fundo de auto-preservação.

Talvez seja exagero meu, as coisas devem estar mesmo nos trilhos, afinal não ouço mais o rufar de panelas nem vejo as ruas repletas de patriotas.

Qual a sua opinião, caro leitor? Será que estou sendo muito descrente?

O político e a empreiteira

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Ele avançou pelo recepção da empreiteira com passos tímidos. O tamanho do prédio o impressionara. Não sem motivo, o hall de entrada tinha proporções exageradas, a luz do sol atravessava as paredes de vidro espelhado e vazia brilhar o mármore do piso.

Diante de uma das recepcionistas, anunciou:

“Vim falar com o seu Marcelo”.

“Qual Marcelo?”.

“Ué? O Dono. O homem que manda”.

A recepcionista estranhou os modos e as roupas simplórias do visitante.

“O senhor é aguardado?”

“Eu sou político, minha filha. Não preciso marcar hora.” Respondeu transformando a timidez em prepotência.

O tom alto da voz chamou a atenção dos seguranças que se aproximaram discretamente. Outros visitantes que estavam na fila também se interessaram pela conversa.

“Qual o nome do senhor?”

“Claudisson Silva, mas meu apelido é Kaka do Posto”.

A essa altura a segurança já se comunicava por rádio e o departamento de RP havia sido avisado. A recepção estava cheia. Fornecedores engravatados, portadores segurando pastas, candidatos a vagas de emprego e entregadores de lanchonetes testemunhavam a cena.

A recepcionista pediu que o homem esperasse num sofá ao lado, alguém desceria para atendê-lo.

Em 4 minutos apareceu um assessor gordinho, apertado em um terno Hugo Boss e chamou o homem de lado.

“Prazer, eu sou político, Kaka do Posto. O senhor é o seu Marcelo?”

“O Marcelo não está. Eu posso te ajudar?” O assessor falava baixo na esperança de que o homem o imitasse.

“Eu sou político. Eu tenho apelido. Eu vim porque estou precisando de um dinheirinho”.

As pessoas na fila da recepção encaravam os dois. O Assessor vislumbrou a porta que dava para a escada de emergência e puxou Claudisson até lá. Atento, um segurança os acompanhou.

Isolados pela escada, o clima mudou.

“Político o Caralho!” Esbravejou o assessor enquanto procurava um grampo na roupa do visitante. Este, se defendeu puxando um papel dobrado do bolso.

“Olha aqui então” Bradou mostrando o diploma de posse. Claudisson era vereador eleito em Jandira. Conhecido como Kaka do Posto.

O assessor olhava o diploma xingando mentalmente o chefe que o colocara naquela situação. Kaka do Posto insistia.

“Eu sou vereador, eu tenho apelido. Eu sei que vocês ajudam tudo que é político com apelido. Eu tô ferrado de grana”.

“Taqueopariu, era o que me faltava”. Depois de xingar o mundo o assessor agiu de improviso, sacou uma nota de R$100,00 da própria carteira e ofereceu.

“Só isso?” resmungou Kaka. O assessor olhou para o segurança com cara de súplica e ouviu como resposta.

“Só tenho vinte”

“Serve!” Sorriu o visitante.

“Então pega essa grana e some da minha frente”.

Kaka pegou as duas notas o mais rápido que pode, deu uns passos na direção da saída, mas parou repentinamente e voltou-se para o assessor.

“Tem algum prá condução?”

Obteve um dedo do meio como resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinco Brasileiros

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1.

Pirulito é o apelido de Clairyson Silva. Prestes a completar dezoito anos ele recebeu uma oferta para trabalhar no estoque de um supermercado. Os novecentos reais de ordenado ajudariam a família e lhe renderiam umas sobras para a baladinha do final de semana.

Pirulito queria mais e trocou as duas horas de ônibus até o centro e a carteira assinada por um trampo de olheiro na boca.

Agora ele exibe um tênis de mil reais para as novinhas do baile funk.

2.

Jorge Fernando Machado tinha orgulho do cargo  – Analista de Compras II – em uma indústria de auto-peças. Dava para pagar as prestações do apartamento juntando o salário com o da esposa, professora numa escola do bairro. Só não sobrava para luxos. A viajem à Disney era adiada ano após ano.

Jorge queria mais e fez alguns acertos com certos fornecedores que precisavam garantir contratos melhores.

Agora ele vai todo ano para o exterior. A família nunca posta as fotos das viagens em redes sociais.

3.

Priscila Cortez jamais vai se esquecer do dia em que passou no concurso da magistratura. Ela adora dizer no clube que é juíza. Só que nas mesmas conversas, quando as amigas contavam sobre casas em Aspen, ela se sentia inferiorizada.

Priscila queria mais e combinou com um advogado amigo que facilitaria a vida de alguns dos seus cliente.

Agora Priscila também tem uma casa em Aspen.

4.

Eduardo Becker só começou a trabalhar aos 30 anos na construtora do pai. Antes, estudou e curtiu a vida. Escolheu fazer a pós-graduação em Berna, para estar bem no Centro da Europa. Ao voltar, tornou-se CEO da empresa.

Eduardo queria mais e fez um plano de crescimento que envolvia a construção de obras públicas. Contava para isso com o apoio de Miguel, seu velho amigo, atual governador de Santa Catarina.

Agora a construtora da família detém alguns bilhões em contratros de obras com o governo e Eduardo é padrinho do neto do Presidente da República.

5.

Maria de Lourdes Rosário está desempregada há anos e vive de faxinas ocasionais. Ela nunca pegou nada de ninguém.

Maria de Lourdes quer mais e por isso faz aulas noturnas para ser manicure.

Agora, ela está na fila de um hospital qualquer na periferia, rezando para que a dor no peito não seja nada demais.