Lutemos pelo que é certo

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Sejamos engajados. Lutemos pelo que é certo.

Vamos defender os homossexuais pintando de arco-íris nossos perfis.

Vamos defender os cartunistas franceses e a liberdade de expressão bradando: Je Suis Charlie.

Lutemos pelos índios mudando nossos sobrenomes para Guarani-Kaiowa. Lutemos pelo empoderamento da mulher. Enfrentemos o machismo e os tarados do metrô.

Mostremos nosso amor pela cidade levando os filhos para pedalar na inauguração das ciclofaixas.

Lembremos de expressar nosso luto a cada morte de artista ou intelectual.

Briguemos pelos diretos dos animais especialmente dos cães e gatos, expondo fotos de bichinhos maltratados e seus agressores.

Sejamos politizados, atacando ou defendendo a Dilma conforme nossa convicções.

Entremos em debates com amigos cujas afirmações não concordamos.

Compartilhemos fotos de famintos na África para revelar que nossa imensa preocupação não tem fronteiras.

Façamos textos condenando o Isis, o Boko Haran, o Tea Party e o Likud para que parentes e amigos saibam que nosso repertório político vai além de PT e PSDB.

Coloquemos frases bíblicas construtivas terminando assim: Quem é cristão compartilha!

Vamos repartir textos incríveis que ajudarão a todos em seus cotidianos miseráveis mesmo que falsamente assinados pelo Arnaldo Jabor.

Vamos defender os negros, os trans, o aborto, os palestinos, o direito ao sexo, os chefs de cozinha, a arte popular, a cerveja artesanal, a Ucrânia, os sem teto, o ajuste fiscal, o Timor Leste, a Luiza do Canadá, a oposição da Venezuela, os adolescentes mexicanos, a aposentadoria, os golfinhos e os ursos polares.

Ataquemos o consumo de carne, os alimentos transgênicos, a corrupção na Petrobras, o Lula, a poluição, o pum das vacas, o atraso nas obras, a Globo, as corporações, a mídia vendida, o Jô Soares, o Dunga, a CBF, os estádios da Copa, o funk ostentação, os assassinos, os menores, os inimigos dos menores, a Carminha da novela, os juízes do Supremo e os Estados Unidos.

Mostremos nossa correção bloqueando amigos reacionários ou comunistas (depende do gosto do freguês).

Mostremos a todos nossa luta, nossa preocupação com o mundo, nosso altruísmo, nossa bondade absoluta, nossa cultura e nossa superioridade ideológica

Conquistemos muitas curtidas para que nossos egos se sintam premiados com tamanho engajamento.

E, finalmente, compartilhemos este texto, para que o autor também possa sentir-se vaidoso de seu intelecto e brilhantismo

p.s. E por favor não saiam dizendo que foi o Jabor que escreveu.

Azevedos x Willis

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Não existe mais direita ou esquerda insistem alguns amigos em instrutivos debates de boteco. Sou obrigado a discordar. Chame do que for, as pessoas tem ideologias e são sim separadas em polos. Antigamente eram liberais ou conservadores, depois surgiu a esquerda e direita.

Aliás porque será que chamavam socialistas de “esquerda” e capitalista de “direita”? A posição de EUA e URSS no mapa apontava para o contrário.

Independentemente disso, as redes sociais mostram que a polarização está mais acirrada do que nunca.

Baseado em minhas timelines e dando um pouco de crédito aos amigos que acham que a classificação tradicional está ultrapassada, vou criar uma nova, mais adequada aos perfis que tanto digladiam pelas questões tupiniquins e universais:

Vamos chamá-los de: Azevedos x Willis

Quem são:

Os Azevedos:

  • Eles odeiam muitas coisas: O Lula, o PT, a Dilma, José Dirceu, Cuba, menores que cometem crimes, o MST, o Jô Soares, ciclofaixas fora do padrão de qualidade e pessoas que pensem de forma diferente da deles,
  • Eles gostam de muitas coisas: Livre Mercado, da revista Veja, do Lobão, do Danilo Gentile, do FHC, privatizações, operação Lava-Jato e de pessoas que concordem com eles.
  • Eles são muito solidários com políticos presos na Venezuela, com os povo oprimido de Cuba, com os cristão prosseguidos pelo ISIS e com os famintos da Coréia do Norte.
  • Ele não se importam com trabalho semi-escravo na China, com a situação de Gaza, com a corrupção quando não é do PT e com alimentos transgênicos .

Os Willis

  • Eles odeiam muitas coisas: multinacionais, o Alckimin, a Globo, o Eduardo Cunha, Israel, a Veja, a mídia golpista, o Joaquim Barbosa, o mercado financeiro, transgênicos e pessoas que pensem de forma diferente da deles,
  • Eles gostam de muitas coisas: Da Dilma, do blog Sakamoto, do DCM, dos movimentos sociais (todos), de estatais, de programas sociais, da palavra “empoderar” e de pessoas que concordem com eles.
  • Eles são muito solidários com os palestinos, trabalhadores braçais chineses, mulheres, homossexuais e pessoas pobres.
  • Ele não se importam com a liberdade de expressão em Cuba, com a corrupção do governo atual, com os homossexuais no Iran e com as mulheres do Isis .

Os dois grupos são divertidos, ambos gostam de montagens falaciosas e sarcasmo para defender seu ponto de vista. E o mais importante, nunca deixam de descredenciar seus opositores intelectuais.

Como no Brasil, já diria Ricardo Boechat, sofremos de tudo menos de tédio, a cada semana temos uma polêmica nova para animar tanto os Azevedos como os Willis.

O assunto dessa semana é a viagem dos Senadores de oposição à Venezuela e a discussão sobre a maioridade penal.

Mas não importa o tema, a polêmica, a discussão. Tanto para os Azevedos como para os Willis, as verdades são montanhas, não se podem mover. Então não há motivos para ouvir o outro lado ou pensar de forma diferente. Melhor rebater tudo, usar frases feitas e ganhar sempre a discussão. Ou ainda melhor, travar debates com pessoas que pensem sempre da mesma maneira, onde a unanimidade impera e não é preciso questionar-se.

A Conspiração

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Versão da esquerda

Em maio de 2014 as cinco maiores petrolíferas do mundo decidiram pegar todo o petróleo do pré-sal sem gastar num tostão. Deram um telefonema para o Rodrigo Constantino que concordou em fazer parte do plano. Foi ele quem fez a ponte com a Globo, a Veja e o Lobão.

O plano foi simples, convenceram a diretoria da Petrobras e o juiz Moro a fazer uma encenação de que a corrupção na Petrobras persistiu mesmo depois do governo FHC. Bancos estrangeiros depositaram enormes quantias em dólar na conta dos diretores da Petrobras e eles usaram este valor para dizer que eram corruptos e ajudavam o PT. O dinheiro serviu de prova. A imprensa pediu a privatização e os brasileiros (que não sabem pensar) ecoaram o pedido.

O golpe termina com a derrubada o PT, os militares conduzem FHC ao poder na condição de ditador vitalício, a Petrobras é vendida a preço de banana para George Soros e as reservas do pré-Sal são distribuídas gratuitamente para as petrolíferas estrangeiras.

Como cereja do bolo, os pobres ficam proibidos de entrar nos aeroportos.

Versão da direita

Fidel deseja terminar seu plano comunista antes que seja tarde demais. Ele chama o Lula e o José Dirceu e eles inventam o “Mais Médicos”. Uma forma do Brasil trazer 10 mil espiões cubanos e ainda pagar por isso.

Com ajuda de Nicolas Maduro e do exército do Stédile, o Golpe começa. A Globo e a Veja são estatizadas, livros de Paulo Freire são distribuídos e todas as empregadas domésticas e porteiros pedem a conta, passando a viver de bolsa família. O Sakamoto vira âncora do Jornal Nacional e o Cristo Redentor é substituído por uma estátua do Che Guevara.

Como ato final, o Governo Bolivariano comandado pelo filho do Lula proíbe voos para Miami, obrigando as elites a fugirem em jangadas improvisadas.

Brasileiros e brasileiras

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O Brasil já não é mais o país do futebol desde que os times mineiros pegaram a bola e não dividem com mais ninguém. Sem assunto depois desta triste descoberta, o brasileiro decidiu que política era o centro da suas preocupações. Foi às ruas, reivindicou, pediu hospitais padrão FIFA e soltou o verbo nas redes sociais.

Por meses observei os tipos e as demandas destes eleitores indignados e construí uma lista de personagens que ilustram bem a visão política deste país dividido:

Celso Pereira: Petista quarentão, continua sonhando com a vitória de Cuba sobre os EUA, apesar de fazer planos para financiar uma SUV com o salário o que ganha da repartição. Para ele Joaquim Barbosa é um Espião da CIA que a Folha deu um jeito de colocar no Tribunal. Celso defende que o mensalão foi criado pela imprensa para desviar a atenção do caso Alstom.

Plínio Monteiro Aranha: Economista, ajuda o pai a administrar algumas franquias de lanchonetes em shopping centers. Participou de uma manifestação que passou em frente ao seu escritório e gritava com vontade: _”Sem Partido! Sem Partido!”. Vê o PT como uma associação de sindicalistas demoníacos adestrados pelo Fidel Castro . Plínio defende prisão perpétua para Dirceu e Genoíno, embora não tenha paciência para entender a história do mensalão  e não saiba direito como foi o o esquema de corrupção.

Janaína Leite: Prestes a se formar em direito e já estudando para a magistratura, Janaína sente que faz parte integrante do processo político ao escrever em seu blog e participar de algumas reuniões no diretório da faculdade. Ela sabe que que o capital e as grandes corporações estão por trás de todos os problemas da nação e isso inclui a deterioração moral dos partidos de esquerda. Jana participou de várias manifestações, tirou fotos da violência policial e ocultou fotos das provocações dos manifestantes.

Eustáquio Magalhães: Seu Estáquio é morador da Vila Maria desde os tempos em que nadava no rio Tietê. Já votou no Jânio (em 60 e 85) , no Antônio Ermírio, no Quércia, no Fleury, no Collor e no Pitta, mas ele gosta mesmo é do Maluf. Agora, de alto dos seus 80 anos, é fã do Serra e está feliz porque finalmente prenderam alguns dos vagabundos que roubam o país. Seu maior sonho é a aprovação da pena de morte.

Boca: Prefere não usar o nome Ricardo Corazza e sim o apelido que ganhou na faculdade. Abandonou a mansão dos pais em Vitória para dividir um apartamento no Flamengo com alguns amigos que se formaram com ele. Todos recebem mesadas dos pais e usam o tempo para discutir softwares livres e criar novos formatos de jornalismo. A idéia é fazer uma coisa sem a manipulação do capital, bem livre, onde todos são repórteres e todos editam. Ele queria muito tomar borrachada da polícia para se sentir em 1968, mas ainda não conseguiu.

Jandir Freitas: Nunca leu uma matéria de jornal que não fosse do caderno de esportes e o lugar onde discute suas convicções políticas é a academia. Vive alardeando o problema da incapacidade dos nossos aeroportos na época da Copa, embora só tenha entrado em um avião duas ou três vezes. Está feliz com a prisão dos mensaleiros e adora falar mal do PT. Sua grande preocupação cívica atual é o alto valor dos impostos que tornam nossos carros muito mais caros que nos EUA.

Estes são apenas alguns. Creio que como estes, existem outros para alegrar as nossas redes sociais com mensagens cívicas e construtivas.