A homeopatia e a polarização do Brasil

A homeopatia e a polarização do Brasil

Uma vez, conversando com meu amigo Miguel, defendi a homeopatia. Eu me lembrava com carinho de um homeopata que tratava minha família quando eu era criança.

Meu amigo refutou meus argumentos. Disse que não havia comprovação científica da eficácia da homeopatia, deu a entender que a homeopatia era picaretagem, charlatanismo.

Fiquei muito contrariado. Chegando em casa, encontrei no no Google bons argumentos e textos convincentes, mandei para ele.

Mas Miguel era duro na queda. Ele também sabia usar o Google e quem diria, ele também encontrou textos que coincidiam com seu ponto de vista.

Eu não quis ficar para trás e comecei a pesquisar ainda mais sobre o assunto. Li grossos livros, participei de simpósios, fiz cursos online. Mandei inúmeros textos e argumentos para o Miguel. Ele por sua vez também se tornou especialista no assunto, entrevistou cientistas, assistiu a documentários e nunca deu o braço a torcer.

Eu passei a me tratar apenas com homeopatia e nunca mais falei com Miguel, aquele teimoso cabeça dura.

Acho que essa história ajuda a entender a polarização do Brasil.

Muitos brasileiros tem suas convicções e para eles defender o Livre Mercado, ou a Renda Mínima Universal é muito importante.

Mas para a maioria das pessoas, essas questões nunca foram tão fundamentais. Até poucos anos atrás, ser “de esquerda” e “ser de direita” não era um traço de personalidade, uma marca que carregamos na testa.

De repente, com tantas discussões no Facebook, Whatsapp, no Twitter, começamos a procurar autores que confirmavam nossas convicções. Ganhar o debate virtual passou a ser mais importante do que o próprio tema do debate.

Assim como eu quis vencer a disputa pela verdade da homeopatia, boa parte das pessoas que conheço simplesmente quer ter razão. Daí só lê aquilo que interessa. Só segue nas redes sociais quem credencia suas opiniões.

A verdade é que antes da discussão com Miguel, eu não nunca me importei muito com a homeopatia, mal sabia como funcionava. Aliás preciso confessar também que eu nunca li os textos que o Miguel me mandava.

Pensando bem, ser fã da homeopatia ou não, é pouco importante. Provavelmente o que eu e o Miguel queremos é ter saúde, receber o melhor tratamento médico sempre. Talvez a gente deva pensar assim também em relação à política.

P.S. Esse texto não representa uma conciliação com o Bolsonarismo. Bolsonarismo não tem nada a ver com isso. Bolsonarismo é doença mental misturada a ignorância e perversão.

A decadência da esquerda

A decadência da esquerda

Fazer matérias sobre o ostracismo da esquerda está virando clichê. Até Luís Carlos Prestes concordaria que a esquerda não vive um bom momento, sem pautas definidas, união e força de atuação. Enquanto parte dos progressistas insistem no culto semimessiânico a Lula, outra parte debate a ética de se usar fantasia de índio no carnaval.

O PT aceita qualquer aliança (sempre aceitou) desde que seja o protagonista. Ciro tem um projeto absolutamente individual, o PSOL perde tempo homenageando ditadores do passado e o PCdoB, depois de 20 anos, descobriu que não é mais comunista. Cada um no seu canto, todos sem a força do partido bolsonarista que ainda nem foi criado.

A direita por outro lado comemora vitória aos tiros para o alto. A bolsa subiu, os juros caíram, a Amazônia pega fogo e os índios voltarão a ser catequizados. Melhor do que isso, nas palavras do Ministro Guedes, pobre não vai mais viajar para o exterior – “Que viajem para Cachoeiro do Itapemirim”! 

Só eu, com minha visão pouco convencional, considero a decadência da direita ainda maior que a da esquerda.

A direita que já teve como ídolos nomes como Churchill, Margaret Thatcher ou Roberto Campos, tem hoje como grande líder intelectual um paraquedista preguiçoso, desonesto e cheio de rancor.

O grupo de pessoas que chegou ao governo com a nova direita inclui: Um ex-ator pornô com várias condenações na justiça, um astrólogo aposentado que ganha a vida vendendo falsos cursos de filosofia, políticos ligados a milícias do Rio, um Ministro da educação inimigo dos professores. Enfim, um punhado de gente preconceituosa, homofóbica e cheia de ódio. Aliás, eu diria que o ódio é o sentimento dominante da nova direita.

Livros de Machado de Assis são cesurados, o AI-5 reaparece como sugestão na boca do filho do presidente e do Ministro da Economia, a ciência é contestada, o Ministro do Meio Ambiente defende a destruição da Amazônia e na Secretaria de Cultura, um vídeo oficial recria a comunicação nazista de Goebbels.

O presidente do Brasil ofende o pai de uma chanceler da ONU, o presidente do Brasil ofende a Primeira Dama da França, o Presidente do Brasil publica pornografia nas redes sociais, o Presidente do Brasil ataca a imprensa, o Presidente do Brasil proíbe propaganda do Banco do Brasil por ter modelos negros e Gays. 

Lendo assim, nem parece verdade, mas tudo isso aconteceu e foi apenas 1% das maluquices e maldades que a direita vem exercendo desde 2019.

A única coisa que a nova direita tem hoje é o poder. Fora isso não tem valores, não tem quadros com grande capacidade administrativa, não tem pensadores sérios e não tem um projeto consistente.

Enfim, embora seja hegemônico, não há nada a se admirar nesse grupo. Se esta é proposta da direita, então prefiro a velha política, ou até mesmo a esquerda fragmentada e sua utopia juvenil.

Creio que podem ainda surgir novas lideranças e alianças mais interessantes, tanto de esquerda como de centro, ou até mesmo grupos de direita não atrelados ao ataque à cultura e à negação da ciência. Hoje o futuro parece assustador, sem alternativas empolgantes. Mas é justamente esse vácuo que pode abrir espaço para novos projetos, espero que melhores.

Um Lula para chamar de seu

Um Lula para chamar de seu

A Esquerda tem umas manias engraçadas.

Talvez a principal delas seja o fetiche por hashtags. Para a Esquerda, qualquer questão da humanidade pode ser resolvida por uma boa palavra de ordem precedida pelo jogo da velha. Depois é só colocar a dita na fotinho do perfil e pronto, cumpriu-se o dever cívico.

#golpe    #foratemer    #mariellevive   #lulalivre   #elenão

Mas há um fetiche talvez ainda maior da esquerda que é o fetiche pelo Lula. A esquerda é como aquela moça apaixonada que não importa o que faça o namorado ela sempre perdoa. Mesmo diante de todas as evidências, ouvimos entre suspiros – Me traiu? Duvido, ele é tão #fofo! 

Já a direita é uma moça que não tem namorado e inveja o amor da Esquerda por Lula. Não que ela queira o Lula para ela, muito pelo contrário. O que a direita queria era um namorado de verdade, alguém para se entregar do fundo do coração.

Primeiro tentou o namoro com o Aécio, mas durante o primeiro encontro ele deixou o celular na mesa do restaurante enquanto ia ao banheiro. Lá estavam gravadas mensagens desagradáveis de propinas de 2 milhões, de assassinato do primo. A Direita saiu do encontro correndo para que Aécio não pudesse ver suas lágrimas.

Depois tentou Cunha. Kataguri fez uma caminhada de mil quilómetros a pé para expressar seu apoio ao ex-deputado que acabou na cadeia. Novo engano.

Sem Cunha e Aécio surgiu uma rápida paixão pode Temer. Mas de novo fitas gravadas estragaram a paixão.

Daí veio Dória, o namorado perfeito, bem vestido, chic, falava francês. Um verdadeiro luxo. A direita acreditou nas suas mentiras por um tempo, mas ele resolveu dar o fora, renunciando ao amor que recebeu.

Luciano Huck desistiu do namoro antes de beijar, Geraldo parecia um bom moço mas faltava-lhe sex appeal, Amoedo beijou mas faltou pegada.

Eis que surge Bolsonaro, forte, másculo, macho alpha de verdade. Arma na cintura e dedo em riste, Bolsonaro pode ser para direita aquilo que o Lula representa para a Esquerda. O namorado dos sonhos.

E seus defeitos? A ignorância, a falta de projetos, burrice, corporativosmo, ausência de planos para o Brasil, o autoritarismo?

Ora, ninguém é perfeito. Afinal, o amor perdoa tudo.

Será que a direita finalmente achou um Lula pra chamar de seu?

 

Mulheres x Bolsonaro

Mulheres x Bolsonaro

A divisão entre direita e esquerda nunca teve a ver com feminismo.

Feminismo é a luta das mulheres por direitos iguais aos dos homens, seja no capitalismo, seja no comunismo.

Direita e esquerda tradicionalmente é uma divisão entre fãs do capitalismo e fãs do socialismo. Na minha opinião, até mesmo esse conceito está superado. Hoje, direitistas apoiam um Estado menor, com um enfoque liberal e o povo da esquerda sonha com o Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), nos moldes da Europa ocidental dos anos 70. Ambos são capitalistas.

Curiosamente, por motivos que desconheço, a direita brasileira, especialmente  a mais extremada,  colocou a luta contra o feminismo como uma de suas pautas fundamentais.

O Pastor Feliciano diz que os direitos femininos destroem a família e estimulam o homossexualismo; Otávio de Carvalho diz que feminismo é coisa de mulher trouxa; Rodrigo Constantino diz que Scarlett Johansson ficou horrorosa por cortar o cabelo curto ao estilo feminista.

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Será que a Scarlet feminista ficou mesmo horrorosa?

A extrema direita anda dizendo até que feminismo é comunista, seja lá o que isso quer dizer.

Toda essa problemática não passaria de uma curiosidade nas redes sociais se não fosse Bolsonaro, representante da Extrema Direita, liderar a corrida presidencial de 2018 com chances reais de vitória.

Bolsonaro seguindo os passos da direita radical se coloca contra o feminismo, repete o padrão do patriarcado e faz o estereótipo do homem macho tradicional. Ele tem mais de 20% das intenções de voto porém enfrenta uma rejeição de 40% do eleitorado. Sua principal barreira para chegar ao Planalto são justamente as mulheres.

Por motivos ideológicos e sem qualquer explicação lógica, a direita radical decidiu se posicionar contra o feminismo e justamente essa decisão está impedindo a direita de tomar o poder. Talvez isso sirva de lição a todos aqueles que preferem seguir a cartilha de determinado grupo ideológico no lugar de ter uma visão mais pragmática sobre os temas urgentes que nos afligem.

Se isso é ruim para os políticos, ainda é pior para as pessoas comuns que andam nas ruas, atrasam prestações e tomam café coado. Se as mulheres querem direitos, isso é totalmente legítimo, são elas que sentem na pele as diferenças de tratamento em relação aos homens. Me pergunto por que o feminismo soa como ameaça para tanta gente.

 

Será que sou petista? — Toda Unanimidade

Post de 2016 para matar saudades…

Sou humano, confesso, por mais que resista não escapo das discussões em redes sociais. Mea culpa, mea maxima culpa. E o tema do momento, como não pode deixar de ser, é o balaio de gatos que alguns insistem em chamar de política nacional. Em um desses embates virtuais fui chamado de petista por um sujeito que […]

via Será que sou petista? — Toda Unanimidade

Eu, o Comentarista Político

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Resolvi dar uma guinada na carreira  e ingressar na profissão mais fácil que existe. Serei Comentarista político.

Acho que no passado o desafio desse profissional era maior, mas hoje tudo mudou. Principalmente depois que os memes substituíram os livros e que o Alexandre Frota tornou-se o a referência intelectual da direita.

Posso fazer melhor que a Jovem Pan e a Veja, dedicadas exclusivamente a falar mal do PT. Posso superar Reinaldo Azevedo, que tem como tema central “A Luta e a Glória de Reinaldo Azevedo”.

Vou falar de tudo e de todos, sem censura, sem medo e com total isenção. Vou esperar o meu primeiro milhão de seguidores antes de me vender como a “Isto É”.

Se todos ganham dinheiro com abobrinhas políticas, por que não eu?

E o tema da primeira coluna é: ELEIÇÕES 2018

Nem parece mas já está chegando, teremos eleições em breve e 4 dos 6 prováveis candidatos já se dedicam exclusivamente à campanha. Só Alckmin e Marina esperam.

Vamos aos candidatos divididos por ideologia.

Na esquerda:

Lula

O grande nome da esquerda brasileira está em plena campanha, cruzando o Nordeste atrás de lindas fotos para as redes sociais e imagens para a campanha. Apesar do bom desempenho entre 2002 e 2010, Lula não tem mais condições de aglutinar vários partidos no seu entorno. Sua arma principal para essa estratégia – la plata das incorporadoras e da Petrobras – se esgotou. Agora, acredito que seria um causador de atritos que pouco poderia acrescentar num momento tão difícil. Embora há que se considerar que só ele e FHC mostraram habilidade para governar a palhoça.

Ciro

Contundente nos discursos e rápido nos debates, Ciro tem um histórico de respostas intempestivas e alianças desfeitas.

Quem ouve seus discursos e explicações cheias de argumentos sente-se tentado a apoiá-lo.

Não poderá governar sozinho e não terá paciência para dividir o poder com o resto da esquerda e com os fisiologistas. Tem tudo para dar errado.

Marina

Marina é a Olimpíada da política. Só aparece a cada quatro anos. Quando der as caras eu falo dela.

Na direita:

Alckmin

Pouco carismático e pouco atuante fora de São Paulo. Tem uma grande vantagem: Não repete o discurso de ódio que a maioria propaga. Trata os adversários com respeito. Foi dos poucos que sempre chamou a Dilma de Presidenta.

Suas suspeitas de corrupção são discretas (para um partido que domina um Estado tão grande por 20 anos). Além disso, por ser do PSDB nunca enfrentará problemas com a justiça o que pode ajudar na estabilidade do governo.

Meio sem graça, nunca mostrou grandes atributos, ainda assim vejo como boa opção por não ser um semeador de ódio e por ter experiência em um Estado grande.

Dória

O Prefeito que está em campanha forte pelo planalto tem muito que aprender. Vídeos e selfies agradam os fãs das redes mas não ajudam na gestão. Além disso, tratar adversários e jornalistas como inimigos nunca acaba bem.

Embora tenha grande carisma, ainda não foi testado num público mais eclético que o paulistano. Sua grande vantagem é a aderência da direita, que pode ser importante para enfrentar a grande ameaça que paira sobre o Brasil, o candidato…

Bolsonaro

Bolsonaro lembra muito o Trump. Usa o ódio e a desilução como motivações do eleitorado. Embora esteja há 26 anos na política sem nunca ter feita nada (além de ofender as pessoas), passa a imagem de que não é político.

Não consegue formular uma frase com sentido, defende uma agenda econômica idêntica à da Dilma e servirá para turbinar toda a raiva e conflitos entre grupos que existem no Brasil. A grande meta da eleição será evitar que um mal deste tamanho nos atinja. Sua eleição levaria o Brasil ao status de Irã ou Indonésia.

 

 

 

 

Esquerda x Direita x Amor (parte 2)

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A Lente do Amor

Comecei a falar deste tema num post anterior (esse aqui). É um assunto complexo que move paixões.

O sujeito acorda um belo dia e se coloca um rótulo: “Sou reaça”. A partir desse dia ele usa uma lente e vê tudo de um único ponto de vista: Economia, direitos humanos, educação… O mesmo ocorre com com quem usa o prisma da esquerda.

Pois eu sugiro meu a gente faça um teste e substitua as duas lentes pela lente do amor.

Funciona assim:

Um prefeito de direita propõe uma ação na cidade, tipo mudar o horário das escolas. Pela lente da esquerda o cara é um canalha que quer vender a alma dos alunos aos imperialistas. Pela lente da direita os alunos precisam ter mérito em qualquer horário. E pela lente do amor?

Por ela nos preocupamos se vai ter ônibus para os alunos, pensamos no horário dos pais que levam os filhos pequenos, ouvimos as justificativas do prefeito para tal medida. Depois a gente se posiociona.

Vou dar exemplo mais factuais:

Feminismo

Não tem nada a ver com esquerda x Direita, mas por um motivo estranho, os coxinhas começaram a detonar as feministas e os mortadelas as defendem cegamente. E pela lente do amor?

Pela lente do amor direitos iguais e proteção contra a violência são sempre essenciais. Mas as pessoas que amam não gostam quando as feministas dizem que todo homem é um opressor ou estuprador como muitas dizem por aí. Isso não é amor.

Manifestaçãoes

O amor adora manifestações. Adora gente na rua marchando por um ideal, braços dados, caminhando, cantando e seguindo a canção. Mas as lentes do amor não gostam de gente quebrando tudo ofendendo quem pensa diferente, agredindo por ideologia.

Meio ambiente

O amor adora os bichos e as florestas, há que se defender o que restou delas. Mas temos de entender o ponto de vista do agricultor que rala para caramba e enfrenta pragas, mudanças no clima, ocilações de preço…

Agora é sua vez.

Da próxima vez que alguém te perguntar sobre golpe, escolas, velocidade nas vias, privatizações, impostos, bicicletas, corrupção, eleições, Lava Jato, Cuba, Temer, hospitais, Bolsa Família ou armas, tire as lentes da esquerda, tire a lente da direita e coloque as lentes do amor. Faça um teste, veja se ficam bem em você. Aposto que te ajudarão demais. E será ainda melhor para quem está em seu entorno.

 

 

 

 

 

 

Esquerda x Direita x Amor (parte 1)

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Caros leitores (vocês três), perdoem minha ausência. Ando atarefado com o lançamento dos meus dois novos livros (em breve mais detalhes) e acabei não conseguindo aparecer por aqui.

Volto com um tema que pretendo tratar em mais de um post.

O que é ser de esquerda ou de direita? O que são esses caminhos ideológicos que definem a visão política de praticamente todo mundo? Através deste painel com perguntas e respostas, todos entenderão esses conceitos tão complexos.

Pra que foi criada a divisão Esquerda x Direita?

A divisão do mundo entre esquerdistas e direitistas foi inventada em 2004 por um funcionário da Google para aumentar o fluxo de usuários no Orkut. Mesmo com o fim da avó das redes sociais, os memes zoando mortadelas e coxinhas nunca pararam de aumentar.

Hoje, a briga entre direita e esquerda é a mola base de sustentação do Twitter e do Facebook.

O que são pessoas de direita, a.k.a. coxinhas?

Pessoas de direita são figuras curiosas. Sua principal característica é o ódio ao Lula.

Elas tem lindos terraços em sua casa que usam para bater panelas quando a Dilma discursa. Vamos a algumas características:

  • Elas acham que o Chico Buarque é burro e tem grande admiração pelo intelecto do Alexandre Frota.
  • Elas sofrem de mutismo quando fala-se da corrupção dos partidos que não são o PT.
  • Elas acham que o Olavo de Carvalho é filosofo, que o Constantino é economista e que a Veja faz jornalismo.
  • Nos casos mais graves, eles torcem pelo Bolsonaro e odeiam gays, mulheres que pensam, esquerdistas, democratas e pessoas educadas.

O que são pessoas de esquerda, a.k.a. Mortadelas?

Pessoas de esquerda são tipos que gostam de causas. Eles defendem o negro, o palestino, a mulher, o Lula… Eles gostam muito de defender coisas. Também gostam de defender ideias. Mesmo algumas sem nenhum sentido.

  • Esquerdistas são emotivos, eles pensam  com o coração, se comovem com aquele discurso que só pega adolescentes ou com o Suplicy cantando Dylan.
  • Eles acreditam que o dinheiro publico é infinito e que qualquer plano para racionalizar o uso deste dinheiro é uma interferência do imperialistas.
  • Elas trabalham em espaços compartilhados, defendem o escambo  como forma de pagamento, nunca foram funcionários registradas e mesmo assim defendem a a CLT.
  • Elas gritam palavras de ordem.
  • Nos casos mais graves, obstruem a mesa de votação do Senado.

O que querem os Coxinhas?

Zoar os mortadelas.

O querem os Mortadelas?

Zoar os Coxinhas.

Existem políticos de Direita ou de Esquerda?

A maioria dos políticos caga para as posições ideológicas. Eles gostam de mamar na máquina pública. Vejam o exemplo do Kassab que era Serrista do DEM, saltou para para o barco do governo se tornando ministro e grande apoiador da Dilma e de última hora votou pelo impeachment e agora defende Temer.

Porém, um grupo minoritário de políticos tem visão ideológica.

O que querem os políticos de direita?

Um estado menor, liberdade econômica e se possível uma tetinha para mamar.

O que querem os políticos de Esquerda?

Um estado maior, um colchão social grande e se possível uma tetinha para mamar.

Por que você colocou o “Amor” no título do post?

Ele vai aparecer na história, mas esse texto já está muito grande. Em breve escrevo a continuação e introduzo o tal do amor.

Vai acabar o post assim mesmo?

Vou

 

 

Direita Volver

vitória da direita.pngDilma foi deposta, o Brexit passou, a Argentina é governada por um empresário, Trump levou a América, Dória é prefeito, Bolsonaro está mais forte. O mundo deu uma guinada para a direita.

Enquanto a galera da barbona se lamenta, coxinhas de todos os cantos celebram entusiasmados.

Penso em meus amigos sociólogos, publicitários, jornalistas, escritores e cineastas, cheios de diplomas e cursos no exterior, sendo superados por caipiras americanos e por aqueles malucos que foram defender o Trump na Paulista.

Aceitemos, neste momento a direita está em alta. Basta saber o que é direita.

Na minha juventude era bem claro, direita era capitalista e esquerda socialista. A direita queria que os EUA vencessem a guerra fria e a esquerda torcia pela União Soviética.

Hoje não existe União Soviética e nem guerra fria, o comunismo é uma extravagância tal qual a volta da monarquia, não dá para ver as coisas como víamos nos anos 70.

O que direita? O que é esquerda?

Durante os 8 anos do esquerdista Lula nenhuma empresa foi estatizada no Brasil, o mercado financeiro estava a 100 por hora e a bolsa subiu. Que Socialismo é esse?

Trump, o herói anticomunista, ganhou as eleições prometendo fechar as fronteiras aos produtos importados, tomar medidas protecionistas, típica agenda da esquerda. O capitalismo se baseia no livre comércio.

Aliás, nos anos 70, os militares brasileiros (sonho da ultradireita) também fechavam as fronteiras para importação. Os milicos eram totalmente estatizantes. Eles criaram a Embraer, o ITA, a Eletronuclear, Itaipu… Nem o PT fez tanta estatal. Aliás, o PT abriu muito mais fronteiras do que fechou.

Na cidade de São Paulo a pauta da direita e da esquerda tem a ver com a velocidade em que os carros trafegam nas grandes avenidas enquanto no Arizona, a questão envolve Mexicanos ilegais.

Enquanto eu fico confuso, Trump abraça seu principal aliado global, o ex-chefe da KGB Wladimir Putin, o partido comunista da China oprime os trabalhadores para que as empresas prosperem e o bilionário Bill Gates promete acabar com doenças na Africa.

Não sou sociólogo ou historiador, mas meu QI mediano me diz que essa polarização de direita e esquerda não é tão clara como fanáticos de ambos os lados vêem. Assim sendo, nem a torcida entusiasmada e nem os lamentos dos derrotados fazem tanto sentido.

 

 

 

Minha doutrinação marxista (e a Escola Sem Partido)

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Eu e meus coleguinhas em 1979

Fui doutrinado no marxismo desde a 5a. série.

Começou no ginásio do Colégio Pirâmide em São Bernardo, mas se agravou mesmo no ensino médio do Singular, com o professor Takara. Ele nos ensinou que a história da humanidade era a história das lutas de classe. Ele disse que essa era a maior lição que tinha a ensinar.

Na Eca-USP, onde estudei publicidade, foi ainda mais radical. Maria Immacolata, Celso Federico e outos nos apresentavam a dialética de Hegel, a escola de Frankfurt e Gramsci.

Porém, parece que meus professores foram um tanto incompetentes em seus intuitos doutrinatórios.

Meus amigos do Pirâmide e do Singular (salvo raras exceções) são todos capitalistas/coxinhas/direitistas e odeiam o PT.

Até entre os egressos da ECA, famosa pelo pensamento de esquerda, há desde petistas fanáticos até colunistas da Veja. Um colega meu escreve blogs para o exército.

E eu?

Juro que não sei em que me transformei. Talvez o leitor fiel do Blog possa me ajudar. No geral acho os dois discursos estúpidos e rasos. Discordo de todo mundo.

Contei essa historia porque há uma discussão no congresso e na sociedade da tal “Escola Sem Partido”. Em que alguns grupos querem tirar a ideologia de esquerda que supostamente permeia nossas escolas.

A “Escola Sem Partido” é também uma Ong e no seu site há a explicação. Diz que a escola não existe para educar as crianças nos que diz respeito a ética, moral, política ou religião, pois desrespeitaria as posições e valores dos pais.

Eu já vi matérias mostrando livros com viés claramente político-partidários indicados pelo MEC e não concordo com seu conteúdo.

Porém, a neutralidade do Escola sem Partido é das maiores mentiras que já vi. A tal neutralidade é a ultra direita disfarçada e o desejo de tirar a visão crítica dos jovens.

Por trás de respeitar a religião está tirar Darwin dos currículos.

Por trás da neutralidade na história, está a defesa da ditadura que começou em  1964.

Por trás de não falar de ética e moral está o fim da defesa da mulher, do gay, do negro…

A doutrinação de esquerda que me foi dada  era ruim, cheia de falácias e utopias bobas. Mas ainda assim, é muito melhor que está sendo proposto. No mínimo, ensinava a contestar, a questionar, a duvidar.

O projeto da Escola Sem Partido é a pior coisa ser introduzida no Brasil desde que os Europeus introduziram seus vírus e bactérias em 1500.

p.s. Esse texto ficou sério e chato, para animar segue uma musiquinha com o coral do exército vermelho: