Eu, o Comentarista Político

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Resolvi dar uma guinada na carreira  e ingressar na profissão mais fácil que existe. Serei Comentarista político.

Acho que no passado o desafio desse profissional era maior, mas hoje tudo mudou. Principalmente depois que os memes substituíram os livros e que o Alexandre Frota tornou-se o a referência intelectual da direita.

Posso fazer melhor que a Jovem Pan e a Veja, dedicadas exclusivamente a falar mal do PT. Posso superar Reinaldo Azevedo, que tem como tema central “A Luta e a Glória de Reinaldo Azevedo”.

Vou falar de tudo e de todos, sem censura, sem medo e com total isenção. Vou esperar o meu primeiro milhão de seguidores antes de me vender como a “Isto É”.

Se todos ganham dinheiro com abobrinhas políticas, por que não eu?

E o tema da primeira coluna é: ELEIÇÕES 2018

Nem parece mas já está chegando, teremos eleições em breve e 4 dos 6 prováveis candidatos já se dedicam exclusivamente à campanha. Só Alckmin e Marina esperam.

Vamos aos candidatos divididos por ideologia.

Na esquerda:

Lula

O grande nome da esquerda brasileira está em plena campanha, cruzando o Nordeste atrás de lindas fotos para as redes sociais e imagens para a campanha. Apesar do bom desempenho entre 2002 e 2010, Lula não tem mais condições de aglutinar vários partidos no seu entorno. Sua arma principal para essa estratégia – la plata das incorporadoras e da Petrobras – se esgotou. Agora, acredito que seria um causador de atritos que pouco poderia acrescentar num momento tão difícil. Embora há que se considerar que só ele e FHC mostraram habilidade para governar a palhoça.

Ciro

Contundente nos discursos e rápido nos debates, Ciro tem um histórico de respostas intempestivas e alianças desfeitas.

Quem ouve seus discursos e explicações cheias de argumentos sente-se tentado a apoiá-lo.

Não poderá governar sozinho e não terá paciência para dividir o poder com o resto da esquerda e com os fisiologistas. Tem tudo para dar errado.

Marina

Marina é a Olimpíada da política. Só aparece a cada quatro anos. Quando der as caras eu falo dela.

Na direita:

Alckmin

Pouco carismático e pouco atuante fora de São Paulo. Tem uma grande vantagem: Não repete o discurso de ódio que a maioria propaga. Trata os adversários com respeito. Foi dos poucos que sempre chamou a Dilma de Presidenta.

Suas suspeitas de corrupção são discretas (para um partido que domina um Estado tão grande por 20 anos). Além disso, por ser do PSDB nunca enfrentará problemas com a justiça o que pode ajudar na estabilidade do governo.

Meio sem graça, nunca mostrou grandes atributos, ainda assim vejo como boa opção por não ser um semeador de ódio e por ter experiência em um Estado grande.

Dória

O Prefeito que está em campanha forte pelo planalto tem muito que aprender. Vídeos e selfies agradam os fãs das redes mas não ajudam na gestão. Além disso, tratar adversários e jornalistas como inimigos nunca acaba bem.

Embora tenha grande carisma, ainda não foi testado num público mais eclético que o paulistano. Sua grande vantagem é a aderência da direita, que pode ser importante para enfrentar a grande ameaça que paira sobre o Brasil, o candidato…

Bolsonaro

Bolsonaro lembra muito o Trump. Usa o ódio e a desilução como motivações do eleitorado. Embora esteja há 26 anos na política sem nunca ter feita nada (além de ofender as pessoas), passa a imagem de que não é político.

Não consegue formular uma frase com sentido, defende uma agenda econômica idêntica à da Dilma e servirá para turbinar toda a raiva e conflitos entre grupos que existem no Brasil. A grande meta da eleição será evitar que um mal deste tamanho nos atinja. Sua eleição levaria o Brasil ao status de Irã ou Indonésia.

 

 

 

 

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Pega na Mentira

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A novidade é que o povo está indignado e dessa vez não são os 20 centavos. Descobriram que os políticos mentiram nas últimas eleições. E quem está mais revoltado é o paulista, que foi engambelado pela Presidenta e pelo Governador.

Em muitos países a mentira não é bem vista, não se recomenda que os políticos falem uma coisa e façam outra. Aqui no Brasil não é bem assim, provavelmente esta é a primeira vez a mentira provoca uma reação tão negativa.

Falo isso com convicção. Desde sempre vejo políticos inventando as histórias mais estrambólicas em eleições e isso nunca foi problema para ninguém. O sujeito mostrava metrô que ainda não havia construído, hospital sem equipamento, escola sem professor, colocava uma musiquinha e estava tudo bem. _ “Vou construir 700 creches, 45 postos de saúde!” Depois ninguém se preocupava em verificar se ele fez ou não.

Houve uma época em que candidatos prometiam criação de postos de trabalho, um dizia que seriam 8 milhões e aí o concorrente trucava com 10 milhões. Mais fácil que blefar no poker.

Sempre me perguntei porque as pessoas insistiam em acreditar. Aliás, como em tudo na nossa ação política, a capacidade do Brasileiro aceitar ser embromado é seletiva, muda conforme seu gosto partidário. Assim, os Petistas não engolem as mentiras do Alckmin, mas acreditam em qualquer palavra que saia da boca do Zé Dirceu, e vice-versa.

Mas creio que esse tipo de ingenuidade não ocorra somente em nossas escolhas políticas. Quantas pessoas não se deixam enganar graciosamente em suas relações amorosas ou profissionais? Quantas mulheres não investem em relacionamentos com homens que as traem ostensivamente e preferem acreditar que eles realmente fazem hora extra todos os sábados a noite? Quantos jovens entram numa empresa trabalhando 16 horas por dia com a promessa de que isso irá trazer mais oportunidades futuras?

O brasileiro aceitou o plano Collor, fiscalizou os supermercados em nome do Sarney, comprou ações da Petrobras incentivado pelo Lula. Sempre estamos dispostos a acreditar.

Talvez Dilma e Alckmin tenham confiado demais nisso, em nosso histórico de autoengano e acharam que a mentira não precisava ter limite. Deu errado.

Penso que estamos num bom momento para mudar nossas atitudes. E sugiro que como primeiro ato, passemos a desconfiar mais dos políticos antes de nos engajarmos em suas campanhas. Cobrar o adversário é mais fácil. Se petistas e tucanos exigirem mais de seus próprios candidatos estaremos num caminho melhor. Pode ser ingenuidade minha, mas prefiro acreditar nisso.

Esquerda x Direita

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Fui educado para ser marxista. Não em casa. Lá, eles focavam mais em me ensinar a lavar os alimentos antes de comer ou não cair na piscina depois das refeições.

Porém tenho a impressão que todos os professores que tive do colégio a faculdade eram marxistas.

Lembro-me do Takara, lá em Santo André, quando nos ensinou que a história da humanidade era a história das lutas de classe. Ainda posso sentir o ar de satisfação dele ao pronunciar aquelas palavras.

Anos depois, pura incoerência, éramos doutrinados no Marxismo numa faculdade de publicidade. O lugar de aprender os estratagemas capitalistas para seduzir os ingênuos consumidores era usado para disseminar os ideais de Gramsci e Engels. E se isso não fosse absurdo o suficiente, a cada aula que tínhamos ensinando as benesses da ditadura do proletariado um país comunista caía, com a população nas ruas celebrando sua libertação.

Eu não tinha discernimento para  ter uma opinião muito profunda na época e como todo garoto de dezoito que sonha um mundo melhor, repetia o que me ensinavam: O Capital escraviza o homem, os imperialistas nos dominam, a grande imprensa está a serviço do Capital e dos imperialistas, vocês podem imaginar o resto.

Com o passar do tempo, lendo, ouvindo, conversando e estudando, comecei a mudar meu ponto de vista. Me interessei por textos de economistas de direita como o Delfim Neto ou Luis Mendonça de Barros. Gostava porque eles citavam fórmulas, tabelas, números. Coisas que passaram a fazer mais sentido para mim do que o discurso marxista que eu havia aprendido. Sem perceber, estava gostando do sarcasmo do Paulo Francis e entendendo porque os americanos idolatravam Ronald Reagan.

Não demorou muito para me decepcionar com tudo o que ouvia da esquerda e isso me deixava cada vez mais feliz. Percebi que muito do que aprendera na faculdade era uma coleção de clichês e muitas mentiras. Me senti traído pelos professores terem omitido que Stalin e Mao eram os maiores assassinos do século XX. Como assim? Quer dizer que os militares brasileiros não são mais malvados que eles? Não entendia por que a esquerda defendia o Irã, onde a mulheres e homossexuais eram discriminados e o país sequer era socialista.

Desenvolvi especial aversão  à dialética do Engels e a frase dita com tanto orgulho pelo professor Takara. Percebi que a História é muito maior que a “história das lutas de classe”.

Quanto mais eu lia a Marilena Chaui, mais eu gostava do Roberto Campos e via no liberalismo uma chance maior de conquistar o que seria minha grande utopia na adolescência, um mundo com mais oportunidades, onde os pobres tivessem escolas decentes, empregos, acesso a saúde e dinheiro o suficiente para uma vida digna. Não queria mais a igualdade, queria apenas que não houvesse gente na miséria.

Mais uma coisa importante me afastava da esquerda. Eu considerava o discurso dos esquerdistas carregado de ódio e revanchismo. Sempre degradando os empresários e a classe média. Eu havia me tornado um empresário de classe média e lutava todos os dias para manter minha empresa e as pessoas que nela trabalhavam.  Não preciso nem dizer minha aversão pela (já falei dela, né?) Marilena Chaui.

Só que algo mudou nos últimos dois anos, especialmente depois das manifestações de 2013. Algo que se intensificou nestas eleições. A direita saiu da toca. Isso mesmo, agora poderia ter amiguinhos com quem conversar pelas redes sociais, amiguinhos que falariam de Adam Smith, comentariam os livros do Thomas Friedman e do Steven Levitt. É bom ser um direitista sem culpa.

Mas esperem, o que é isso? Algo de estranho está acontecendo!

O povo de direita fala numa revolução cubana no Brasil, em bolivarianismo. Culpa o nordestino pela indolência, o pobre pela pobreza. Reclama de aeroportos lotados, do excesso de brasileiros em Orlando.

“O Brasil está virando a Venezuela”!

“Eu pago imposto para vagabundo não trabalhar!”

“Quer defender o povo vai prá Cuba!”

Ei amigos, o que é isso? Vocês estão vociferando clichês! Isso mesmo, frases feitas e cheias de ódio. Assim como a esquerda fez durante toda a minha vida. Os novos heróis da direita, quase todos da Veja, parecem a Marilena Chaui de camisa azul. Cadê as análises inteligentes? Cade os números? Cadê o Delfim, cadê o Roberto Campos?

Ninguém me ouve. O Barulho dos gritos é muito alto.

De repente, me vi intelectualmente isolado e confuso, perdido no meio de uma guerra de discursos vazios e ofensas mútuas. A esquerda me decepcionou no passado, a direita está me abandonando agora. Me resta correr ao aeroporto lotado e fugir, não para Cuba, angústia da direita, nem para Miami, fim da esquerda, mas para o Butão onde o conceito de Felicidade Interna Bruta foi inventado por um rei de nome impronunciável e onde me livrarei das discussões políticas nas redes sociais.