Kids committing suicide

Kids committing suicide

O título do post foi tirado de uma música do Pink Floyd – The Post War Dream – que eu idolatrava na adolescência. Na época, a frase era tão terrível como distante. Hoje, tantos anos depois, é ainda mais terrível, justamente por estar tão próxima.

Minha filha estuda na escola onde dois adolescentes cometeram suicídio nas últimas duas semanas. É impossível ficar indiferente.

Se a morte de crianças e adolescentes nos assombra, o suicídio é mais assustador. Afinal, parece que ser algo que nós pais deveríamos e poderíamos ter evitado.

Não sei dizer se isso é possível e muito menos se eu seria capaz de identificar em minha filha os sinais do desespero que afligiu esses garotos. Afinal, somos todos companheiros de barco nessa sociedade de infelizes e desesperados. Como poderia ser diferente com os adolescentes?

Tudo vira competição, motivo para nos compararmos, para exibicionismo. Até nossa diversão.

_ “Ei eu tenho 50 anos e vou a todos os Shows de Rock!”

_ “Estou na praia em plena quarta-feira! Como sou feliz!

_ “Vejam, eu tenho uma família funcional perfeita”.

_ “Eu supero todos os limites da preparação física”!

_ “Olhem para mim! Minhas opiniões políticas são maduras e irrepreensíveis!”

Tantos adultos carentes implorando por joinhas nas redes sociais. Enquanto isso, na reunião da família funcional perfeita, todos comem em silêncio, cada um com os olhos grudados na tela do celular”.

Não há que se culpar os pais, nem os conheço e rezo para que Deus os conforte. É preciso olhar no espelho e tentarmos ser pessoas melhores para ajudar essa geração de jovens.

Convivo com muitos adolescentes e me surpreendo com garotos e garotas maravilhosos, bem educados e muito mais informados do que minha turma era no passado distante. Não podemos perder pessoas tão boas. simplesmente não podemos.

Para encerrar, deixo vocês com um clássico do Renato Russo: “Ela se jogou da janela do quinto andar, nada fácil de entender”.

 

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Vou chorar

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A imagem que faço de mim

Já contei a vocês que choro?

Choro muito, choro pelos mais diversos motivos. Filmes, livros, histórias, comerciais de Tv, locuções do Galvão Bueno, replays de gols do Palhinha… Sou um sentimental.

Comecei a listar mentalmente e decidi expor alguns exemplos das coisas que me fizeram chorar:

Filmes: À Procura da Felicidade, O Milagre de Anne Sullivan, Laços de Ternura, Cinema Paradiso, O Campeão, Peixe Grande, A Vida é Bela, Lado a Lado, Noites de Cabíria, Imitação da Vida, Filadelfia (esse eu tive uma crise de choro no carro, quando tentava sair do estacionamento do Shopping), Tarde Demais para  Esquecer, que é o maior melodrama da história.

Animações: Dumbo, Toy Story 3, Divertidamente.

Livros: Patrimônio (Philip Roth), Manoelzão e Miguilim (Guimarães Rosa), Reparação do Ian McEwan.

Quadros (sim, eu chorei no museu): Baile no Moinho da Galette (Renoir) e o Guernica (Picasso).

Séries de TV: Glee, outro episódio do Glee, quando cantam Imagine no Glee, quando o menino lembra do pai no Glee…

Acontecimentos: Morte do Telê Santana, posse do Obama, Morte do John Lennon. A morte do Lennon é um fato curioso, eu era criança e não me importei na época. Mas até hoje, eu penso no assunto e me comovo terrivelmente. Piora se ouço a música do Beto Guedes: “Oh minha estrela amiga, por que você não fez a bala parar”?

Enfim, choro não apenas pelas coisas tristes, choro pelas coisas belas e choro quando vou contar que chorei ou quando tento me lembrar de uma fala do filme. Enfim, sou quase patético.

Mas escrevi tudo isso para contar que domingo chorei por um motivo muito especial, eu chorei ao ver minha filha cantando Beatles com um grupo musical da escola.

Foi covardia, minha filha num grupo no estilo Glee cantando músicas do John Lennon.

A paternidade é a mais fascinante experiência da vida. Mudamos nosso entendimento do mundo ao obervar uma criança desde seus primeiros dias. Um chorão como eu se encanta com as diferentes conquistas. A criatura que tem dificuldades em fazer as coisas mais simples como engolir saliva ou engatinhar de uma hora para outra escreve uma poesia ou te supera no Clash of Clans.

Ela tem 11 anos. Em breve chegará a adolescência, os namoros, as decepçcões, as conquistas, o vestibular, o primeiro emprego…

Vou precisar de lenços de lenços, mutos deles.

 

Viver de amor

Amor de avó

Ah, o sonho dos apaixonados! Viver de amor.

“Não precisamos de nada, se estivermos juntos teremos um ao outro e é o que importa”

Quem acredita nisso? Talvez os adolescentes. Nós adultos sabemos que a vida não é bem assim. Ela nos cobra muito mais do que amor e os relacionamentos idem. Passa o tempo e ficamos cínicos. Há quem acredite que um companheiro razoável que divida as contas e seja limpinho valha mais que uma paixão avassaladora.

Acho que até pouco tempo eu tinha uma opinião formada. Acreditava que era impossível “viver de amor”.

Mas mudei de opinião nas últimas semanas observando minha avó que acabou de fazer 90 anos.

Percebi que com o tempo, para ela, a maioria das coisas perdeu importância. Ela não tem força para longas caminhadas e não pode sair andando por aí. Viagens ou compras são muito difíceis e acabam sendo evitadas. Ela quase não ouve, mesmo com o aparelho de audição e é comum que se desinteresse pelas conversas ao seu redor.

Não se importa com as novidades das novelas, não quer saber se o Janot denunciou o Cunha e está se preocupando cada vez menos com os pequenos problemas que povoam as conversas de família em almoços dominicais.

Basicamente, minha avó se interessa em abraçar e beijar as pessoas que ama o máximo possível e em externar o quanto gosta de todos.

Ela não era uma avó particularmente carinhosa na minha infância. Era daquelas que governavam a casa e as panelas com primor, sua torta de maçã e seu Gefilte Fish eram épicos. Gostava de todos e sempre foi uma boa avó. Mas estava mais para uma regente do lar do que para uma ilustração de Norman Rockwell. Super detalhista no orçamento familiar, sempre teve uma calculadora na cabeça e era atenta às necessidades de cada membro da família.

Agora, em seu mundo de silêncio, vive de beijos e abraços, absolutamente feliz com cada contato que tem conosco e com as poucas amigas sobreviventes.

Sorte dela poder viver de amor. Espero que cada um de nós alcance esta etapa da vida com um pouco de saúde e estando próximos aos que realmente importam. Pois tenho certeza que nessa idade, curtidas no Instagram de nada nos valerão.