O Lado Bom da Ditadura 2

O Lado Bom da Ditadura 2

Há uns anos fiz um texto chamado “O Lado Bom da Ditadura”. De umas semanas para cá, esse texto passou a ser bastante acessado. Achei curioso. Como um texto antigo de um blog obscuro começa a receber leitores do nada?

A resposta está no Google. As pessoas estão pesquisando sobre o lado bom da ditadura e acabam me achando. Não sei o que as motiva mas imagino.

Rapazotes, fãs do Bolsonaro, entram em embates nas redes contra democratas e recorrem ao Google para encontrar argumentos. Pobres internautas, chegam ao Toda Unanimidade esperando apoio e encontram meu texto cínico e provocador. Eles devem ficar um pouco decepcionados.

Não tem problema, se quiserem argumentos sobre este tema tenho apenas um que exponho abaixo. Pode usar para esbanjar entendimento político contra seus adversários virtuais:

Algumas democracias no mundo: Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Japão, Dinamarca, Coreia do Sul, Israel e Suécia.

Algumas ditaduras no mundo: Cuba, Arábia Saudita, Venezuela, Coreia do Norte e Síria.

Em qual time você quer colocar o Brasil?

*Na foto, o governador não eleito Paulo Maluf dá um abraço gostoso no General Figueiredo.

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“Rogério Ceni nu” ou “Como a internet é inusitada” (post com dois títulos).

Rogerio ceni nu

Para quem não manja de internet, essa história pode parecer esquisita. Então vou tentar explicar.

Quem tem uma página ou blog tem mecanismos para saber de onde vem a audiência. Um destes mecanismos é o “Termos de Busca”.

Ou seja, quais palavra o sujeito digitou no google e acabou achando o seu Blog/site.

Pois é, por favor vejam na imagem acima, a busca que alguém fez e veio parar no meu blog.

Quero ver os especialistas em SEO me explicarem isso.

Einsteins

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Minha turma de amigos no buteco de hoje em dia

Quando foi que as pessoas ficaram tão inteligentes? Eu devia estar distraído quando isso aconteceu, juro que não vi.

Há não muito tempo havia aqueles antenados em moda, havia entendidos em política, experts em vinho ou cozinheiros que sabiam todas as receitas. Agora a mesma pessoa entende de carros, motos, vinhos, cafés, é chef de cozinha, fala de história, descreve os filmes do Fellini , ouve jazz, conhece todos os modelos de smartphones, sabe de tudo de horóscopo e Tai-chi-chuan.

Será que eu perdi alguma coisa?

Além do povo ficar mais inteligente, as coisas ficaram mais complicadas. Eu não posso mais tomar um vinho se não souber descrever os taninos, as notas altas e os terroirs da Califórnia. Não posso mais assistir a um jogo do Tricolor se não puder diferenciar o 3-5-2 do 3-2-1-2. Não posso mais comer um chocolate sem saber a porcentagem de cacau e não posso nem tomar um café, porque quando o garçon pergunta se eu prefiro um Livanto ou um Ristretto, eu começo a chorar convulsivamente clamando por uma média.

Eu ainda me me sinto o moço do ABC que quando pedia a pizza na Padaria Central não se importava com o Glúten da massa ou se o molho de tomates vinha do Vesúvio. Eu fazia cooper* sem um relógio medir minha pulsação e a performance não era transformada em em tabela e arquivada na nuvem. Tampouco me importava o tipo de amortecimento do tênis. E a  cerveja… Bom a cerveja merece um capítulo à parte.

Capítulo da Cerveja

No tempo que éramos menos inteligentes íamos tomar cerveja e pronto. Sentados em cadeiras dobráveis pedíamos o que tinha no boteco e uma noite inteira de risadas não custava mais que umas dez passagens de ônibus.

Agora, criaturas complexas que nos tornamos, somos obrigados a saber sobre o malte, o lúpulo, o teor alcoólico e o tipo de filtragem. Metade da conversa serve para ostentar nossos conhecimentos em fermentação e cultivo de trigo e no resto do tempo olhamos para o cardápio tentado escolher entre as 200 marcas da bebida. No final, passamos no cartão meio salário mínimo e as antigas dez passagens de ônibus pagam o estacionamento.

Fim do Capítulo da Cerveja

Tenho medo que no futuro a moda se espalhe para todos os campos do conhecimento humano e na cama, diante de uma amante nua e sedenta de amor, pararemos para debater as teorias de Freud sobre a fixação oral no desenvolvimento infantil.

Enfim, o mundo muda depressa, a chance de ter o Google e a Wikipedia guardados no bolso mudou muito nossas vidas. Ao que parece, em poucos anos todos ficaram muito inteligentes.

Todos menos eu, que continuo um palpiteiro de boteco, seja entre paredes de azulejos engordurados, seja aqui, diante da tela brilhante que me ilumina real e metaforicamente.

* Cooper era a corrida de antigamente. Uma corrida raíz.