“Rogério Ceni nu” ou “Como a internet é inusitada” (post com dois títulos).

Rogerio ceni nu

Para quem não manja de internet, essa história pode parecer esquisita. Então vou tentar explicar.

Quem tem uma página ou blog tem mecanismos para saber de onde vem a audiência. Um destes mecanismos é o “Termos de Busca”.

Ou seja, quais palavra o sujeito digitou no google e acabou achando o seu Blog/site.

Pois é, por favor vejam na imagem acima, a busca que alguém fez e veio parar no meu blog.

Quero ver os especialistas em SEO me explicarem isso.

Einsteins

Captura de Tela 2014-10-01 às 12.14.36

Quando foi que as pessoas ficaram tão inteligentes? Eu devia estar distraído quando isso aconteceu, porque juro que não vi.

Há não muito tempo havia aqueles antenados em moda, havia entendidos em política, experts em vinho ou cozinheiros que sabiam todas as receitas. Agora a mesma pessoa entende de carros, motos, vinhos, cafés, é chef de cozinha, fala de história, descreve os filmes do Fellini , ouve jazz, conhece todos os modelos de smartphones e sabe de tudo de horóscopo e Tai-chi-chuan.

Será que eu perdi alguma coisa?

Porque não só o povo tá mais inteligente, como também as coisas ficaram mais complicadas. Eu não posso mais tomar um vinho se não puder discorrer sobre taninos, notas altas e os terroirs da Califórnia. Não posso mais assistir a um jogo do Tricolor se não puder diferenciar o 3-5-2 do 3-2-1-2. Não posso mais comer um chocolate sem saber a porcentagem de cacau e não posso nem tomar um café, porque quando o garçon pergunta se eu prefiro um Livanto ou um Ristretto, eu começo a chorar convulsivamente clamando por uma média.

Eu ainda me me sinto o moço do ABC que quando pedia a pizza na Padaria Central não se importava com o Glúten da massa ou se o molho de tomates vinha do Vesúvio. Eu fazia cooper sem um relógio medir minha pulsação e a performance não era transformada em em tabela e arquivada na nuvem. Tampouco me importava o tipo de amortecimento do tênis. E a  cerveja… Bom a cerveja merece um capítulo a parte.

Capítulo da Cerveja

No tempo que éramos menos inteligentes íamos tomar cerveja e pronto. Sentados em cadeiras dobráveis pedíamos o que tinha no boteco e uma noite inteira de risadas não custava mais que umas dez passagens de ônibus.

Agora, criaturas complexas que nos tornamos, somos obrigados a saber sobre o malte, o lúpulo, o teor alcoólico e o tipo de filtragem. Metade da conversa serve para ostentar nossos conhecimentos em fermentação e cultivo de trigo e o resto do tempo passamos olhando para o cardápio tentado escolher entre as 200 marcas da bebida. No final, passamos no cartão meio salário mínimo e as antigas dez passagens de ônibus pagam o estacionamento.

Fim do Capítulo da Cerveja

Tenho medo que no futuro a moda se espalhe para todos os campos do conhecimento humano e na cama, diante de uma amante nua e sedenta de amor, pararemos para debater as teorias de Freud sobre a fixação oral no desenvolvimento infantil.

Enfim, o mundo muda depressa, a chance de ter o Google e a Wikipedia guardadas em nossos bolsos mudou muito nossas vidas. Ao que parece, em poucos anos todos ficaram muito inteligentes.

Todos menos eu, que continuo um palpiteiro de boteco, seja lá, entre as paredes de azulejos engordurados, seja aqui, diante da tela brilhante que me ilumina real e metafóricamente.

* Na foto, pessoas comuns no boteco de hoje