Livros e mais livros

CONVITE_SP_MF.jpgCaros amigos e leitores,

dia 29/10, às 15h, eu e o Pedro Menezes vamos lançar nossos dois novos livros infantis e ficarei muito feliz em encontrar vocês lá, na Martins Fontes da Paulista.

Os dados e detalhes vocês encontram na arte aqui do Post.

É uma alegria muito grande ver dois filhotes ganhando vida.

Os livros já estão a venda no site da Pólen:

https://polenlivros.lojavirtualnuvem.com.br/

Vejo vocês lá.

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Adeus Harry Potter. Muito obrigado!

Terminei o segundo livro do Harry Potter, A Câmara Secreta. Sei que não parece algo extraordário, a maioria das pessoas fez isso há muito tempo. Porém, esse foi um fato marcante para mim.

Até uns 4 ou 5 anos atrás eu inventava histórias diariamente para minha filha dormir. Era um desafio, ela era exigente. Eu espremia a cachola para botar ideias para fora.

Um dia, para facilitar a minha vida e porque ela já estava ficando grandinha, comecei a ler o primeiro Harry Potter. Minha filha dorme em casa de 4 a 6 dias por mês e muitas vezes ela está cansada e pega no sono logo que deita. Assim, eu levei anos para ler dois livros da saga e terminei neste final de semana.

Foram inúmeras noites repetindo o ritual e me embrenhando nas aventuras do bruxinho enquanto via minha filha crescer. No fim, ela já estava com 11 anos. Não é idade para ouvir histórias na cama, mas decidimos juntos ir até o fim deste e encerrar essa etapa da nossa relação.

Ao ler a última página percebi que virava também uma página da minha vida. Que abandonaria esse hábito como já abandonei muitas coisas que amava fazer.

– Nunca mais troquei uma fralda sem me me importar com o cheiro azedo.

– Nunca mais peguei minha filha no colo e a senti leve como um esquilo e nunca mais senti medo de tocar na moleira macia.

– Voltando ainda mais no tempo, nunca mais joguei futebol com os amigos num certo campo em São Bernardo que era nada e tudo ao mesmo tempo.

– Nunca mais sentei num banco de colégio acreditando que o futuro estava a minha frente e que eu poderia ser tudo o que quisesse.

– Nunca mais beijei meu avô.

Agora é a vez de, nessa eterna sucessão de abandonos, deixar para trás Hogwarts e as vozes que inventei para cada personagem. Minha filha vai terminar a saga lendo em silêncio como é mais adequado para sua idade.

Adeus Harry Porter, obrigado por estar ao meu lado nestas noites tão felizes.  Só espero que a voz que criei para você sobreviva na cabeça da Esther e que ela ressoe ainda que em pensamento, nos feitiços e magias da adolescência.

2 Anos do Joãozinho Quero-Quero

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Foto: Eduardo Barcellos

Há dois anos a união destas três pessoas resultou no lançamento do livro infantil Joãozinho Quero-Quero.

Eu havia escrito a primeira versão do texto no meu tempo livre, em casa, incomodado com a realidade das crianças atiradas ao mundo do consumo e sonhando em lançar um livro infantil.

Mostrei o texto para o Pedro Menezes que na condição de velho parceiro de aventuras se dispôs a ilustrar e fazer a arte completa.

Por essas coincidências difíceis de explicar (há mais mistérios entre o céu e a terra) reencontramos nossa amiga Lizandra Almeida justamente quando ela preparava o lançamento de sua editora, a Polén.

No dia 23 de Abril de 2014, a Polén nasceu. Nasceu nosso livro Joãozinho Quero-Quero. Eu e o Pedro nascemos como autores. E como tudo isso não fosse suficiente, nasceu João, filho do Pedro e da Renata.

Foi uma mudança completa na minha vida. Joãozinho Quero-Quero está se transformando em uma série de animação para a TV e já estou com outros livros a caminho.

De todas as alegrias que o livro deu (essa parte será piegas mas isso é inevitável), o melhor foi saber das crianças que pediram para os pais lerem infinitas vezes. Foi ouvir que escolas usaram o livro em atividades de classe. Enfim, é saber que a nossa mensagem pode ter ajudado algumas famílias a enfrentar este mundo de desejos e frustrações materiais.

Agradeço aos meus amigos-irmãos-parceiros por essa união e aos leitores, principalmente os pequenos. Espero de coração ter contribuído, iluminando um pouco o caminho que eles começaram a trilhar.

 

 

 

 

Coisas da Bahia

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Paulo é um rapaz de 21 anos que atende num café no Quadrado de Trancoso. Zeloso do trabalho, é suficientemente humilde para não se considerar um barista, embora trate da bebida  carinho e esmero. Fala de alguns tipos de café enquanto usa a balança de precisão para fazer uma infusão diferente, 30g de café, 175g de água e muita prosa.

Herdei do meu pai o hábito de conversar com estranhos e Sílvia sofre do mesmo mal, então, quando viajamos, conhecemos muitos tipos, mas Paulo é um tipo mais que raro.

Fala do pais com veneração e trata seu chefe e tutor como o mesmo respeito. Do pai, mestre capoeirista, herdou a arte, com a mãe morou em muitos locais, inclusive navios de Cruzeiro.

Me conquistou ao contar que as pessoas tinham pouco acesso a livros em Trancoso. Incomodado com isso, criou uma biblioteca itinerante. Ele adaptou na bicicleta um carrinho e conseguiu os livros através de doações.

Seu dia é dividido em três partes: De manhã dá aulas de capoeira para as crianças, à tarde roda com sua bici-biblioteca oferecendo livros a quem precise, à noite serve café com rigor matemático.

Conheço muita gente que reclama da vida, gente que aos 21 anos estudava nas melhores faculdades e já tinha ido a Disney mais vezes que o Pateta. Paulo por sua vez, não tem do que reclamar. Ele trilha o seu caminho e melhora a vida das pessoas a sua volta. Ainda faz parecer que somos velhos amigos nos primeiros minutos de conversa.

Creio que há algo a se aprender com gente assim.

 

p.s. Eu peguei o cartão loja Cheia de Graças onde fica o café para enviar a ele meu livro e queria sugerir que o leitor generoso fizesse o mesmo. Sonhei com centenas de livros chegando de surpresa pelo correio para ajudar a bici-biblioteca. Só que a loja não tem endereço no cartão e nem nos sites. Só aparece assim: Loja Cheia das Graças, Quadrado – Trancoso. Aqui está a foto dela. Só tenho o telefone: 73 3668-1492

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Eu no Rádio

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Amanhã, dia 06 de outubro às 13:30h, estarei no programa Gente Como a Gente da Rádio Globo (1100 AM) para uma conversa sobre “Como dizer não aos filhos”.

Antes que vocês se perguntem o porquê deste cronista ser convidado para um debate de tema tão específico, eu explico. Sou autor de Joãozinho Quero-Quero, que trata justamente de consumismo infantil.

Aliás, se você ainda não conhece o livro, ele conta com a arte brilhante do Pedro Menezes e com a edição primorosa da Pólen e pode ser comprado aqui ou em várias livrarias.

#ficaadica para o dia das crianças.

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O livro menos vendido da história

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Caros leitores, vejam que interessante. Poucos meses atrás, a Amazon/Kindle criou um concurso de contos. Creio que seu intuito incentivar autores a publicar seu próprio e-book no Kindle.

Digo isso pois para participar éramos obrigados a publicar o conto como se fosse um livro. Inclusive colocando-o à venda na loja da Amazon.

Eu segui as instruções e publiquei o conto com o intuito de participar do concurso (que não ganhei) e nem pensei em divulgar o libreto (vamos chamá-lo assim daqui em diante).

Não via sentido em cobrar por algo que as pessoas obtém gratuitamente aqui no “Toda Unanimidade”. Aliás, se é difícil convencer alguém a ler algo de graça, imagine cobrando.

Seguindo esse raciocínio coloquei o menor preço que podia no meu libreto, U$0,99. Juro que era pouco há uns meses, mas agora com o dólar nas alturas virou uma pequena fortuna.

Eu provavelmente teria me esquecido dele não fosse um depósito que a Amazon fez na minha conta com o valor de um livro. Ou seja, um ser humano, em algum lugar, pagou pelo libreto. E como consta no relatório abaixo, foi no dia 23 de julho.

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De alguma forma essa descoberta me fez feliz. O Joãozinho Quero-Quero está em várias livrarias e agora o “Enquanto Isso no Proctologista” vendou um exemplar. Me sinto mais autor do que nunca. Justamente quando o blog chega 5.000 views no ano.

Mas não se preocupem, vocês que gostam do Toda Unanimidade não precisarão pagar por ele. Espero que no futuro, um anunciante faça isso por vocês. Agora, se quiserem conhecer melhor o livro menos vendido do mundo, ele está aqui e misteriosamente mais barato, modestos U$0,91.

p.s. Se alguém de vocês for o meu único comprador não me conte. Prefiro manter o mistério e fantasiar que fui lido pelo Luis Fernando Veríssimo ou pela Scarlett Yohansson.

Enquanto isso, no Mercado

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Agora há pouco no Extra (aquele pequenininho de bairro), duas funcionárias que trabalham repondo produtos nas gôndolas conversavam sobre livros. Senti-me impelido a entrar na conversa.

Elas me disseram que são viciadas em livros, conhecem novos autores, acompanham blogs de escritores e citaram vários de quem nunca ouvi falar.

Não vou dizer que ver duas moças simples, tão cultas e interessantes, me reacendeu a esperança de que este país tem futuro. Isso seria clichê, exagero e quase mentira.

Mas quando saí do estabelecimento estava mais feliz do que quando entrei.