Grampearam o presidente

Já grampearam o presidente. Nada de novo. Aconteceu com os últimos 3. Com ou sem motivo, se você ganha uma faixa verde-amarela pode ter certeza que nela já tem um microfone escondido.

Porém, com o Moro no Governo vai ser mais difícil divulgarem uma conversa indevida, ou pelo menos, deveria ser mais difícil. Pois este blogueiro conseguiu em primeira mão uma gravação de hoje cedo feita diretamente do gabinete presidencial. Prepare-se leitor, você saberá tudo o que acontece no coração do comando tupiniquim.

Na conversa abaixo transcrita, Bolsonaro interage com um assessor ainda não identificado. Estamos no sétimo dia de mandato e o diálogo começa assim que ele chega ao trabalho, logo depois de beijar o retrato do Trump.

– Bom dia, pega o meu Ipad que hoje eu tô com umas tiradas ótimas para zoar os petralhas no Twitter.

– Não podemos mais, senhor presidente. Agora o Secom será responsável por suas postagens em todas as mídias sociais. Lembra?

– Lembro, catzo. Mas aquelas bicha fica me zuano direto (sic). Não posso nem responder?

– Infelizmente não, excelência.

O presidente fica um pouco em silêncio. Ouve-se um barulho de batuque na mesa, depois ele retoma.

– Será que tem uns jornalistas na frente do prédio? Eu posso ir adiantando as novidades da economia pra eles…

– O Paulo Guedes me pediu para não deixar vossa excelência falar de economia. Disse para que eu tentasse evitar de qualquer maneira.

– É verdade. Ele e o Marcos Cintra me proibiram mesmo…

Novo silêncio.

– O senhor quer outro exemplar de palavras cruzadas?

– Não precisa. Vamos dar um pulo no Congresso. Eu vou ameaçar quem vota contra o Governo. É hora dos esquerdistas vagabundos verem quem manda nessa merda.

– Senhor presidente, o Onyx já deixou claro que o senhor não pode fazer isso, lembra? Atrapalha a articulação.

– Tem  razão, no tocante a articulação, tem de ficar tudo bem articulado.

Silêncio constrangedor. 8 minutos depois…

– Olha de novo a minha agenda. Tem certeza que não tem nada?

– Tem uma visita ao Colégio Militar. O senhor vai discursar para os adolescentes.

– Excelente, perfeito! Convoque a imprensa, separe meu paletó, chame meus filhos.

– Os filhos não presidente, por favor os filhos não!

Homens de Rosa

A polêmica da semana é a ministra Damares dizendo que meninas devem vestir rosa e homens azul. Evidentemente a frase não se refere a padrões da moda, mas comportamento. Ela quer dizer que homens e mulheres devem ter seus papéis sociais tradicionais resgatados.

Não é um decreto governamental que vai regredir os 100 anos de avanço das mulheres na sociedade, mas o fato curioso reforça uma impressão que tenho do novo governo.

O presidente não gosta de governar e não tem o menor interesse por assuntos chatos como impostos, leis, déficit primário ou metas de inflação.  Ele gosta de lacrar em redes sociais e irritar a esquerda no Twitter. A escolha de alguns ministros malucos, incluindo a tal ministra das meninas de rosa, tem a ver com isso.

O pior é que a esquerda mordeu a isca e deve passar os próximos 4 anos fazendo memes contra as bobagens do presidente sem grandes articulações e saídas alternativas.

Enquanto isso Paulo Guedes, Onyx e Moro governam em triunvirato.

Pode dar certo, pelo menos do ponto de vista das classes médias e altas, na bolha onde vivo. Meu círculo de amizades pertence à camada da sociedade que frequenta o Outback, uma galera que não dá 1% da população.

Para esses, se 200 cidades ficam sem médicos ou se índios são dizimados para plantar soja não faz a menor diferença. Mesmo o aumento criminoso dos salários mais altos do governo não é problema. O importante é xingar o PT e se preocupar com a saúde dos venezuelanos.

Enquanto a ministra Damares fazia seu pronunciamento a bandeira que tremulava atrás dela não era brasileira. Nossa bandeira não ficou vermelha, mas está muito longe do verde e amarelo. Quem sabe não abandonamos de vez essas cores e adotamos uma bandeira azul e rosa que agradará a ministra e lembrará um dos poucos orgulhos nacionais que unem homens e mulheres, laicos e religiosos, o Guaraná Jesus.

Manual Prático do Voto – Presidente

Manual Prático do Voto – Presidente

Para fechar a série que ensina ao (e)leitor os macetes do voto, vamos ao cargo que mais interessa: O Presidente, aquele que veste a faixa verde-amarela no peito e desce a rampa com os jogadores quando o Brasil ganha a Copa.

Em nossos tempos de nervos à flor da pele, essa é provavelmente a eleição que mais vai mexer com as paixões do Brasileiro e não preciso ir longe nas explicações. Depois que as acusações de corrupção pipocaram, a paciência do povo se esgotou. As pessoas estão brigando em família, radicalizando as posições políticas e pior que isso, mandando memes chatos no Whatsapp.

Mas a verdade é que o povo não sabe exatamente o que esperar de um presidente. Por isso eu fui iluminado com meu talento blogueiro, para afastar de vez as dúvidas e revelar a fórmula definitiva para escolher o candidato.

Note que não vou dizer em quem você vai votar, mas dar-te-ei, caro leitor, o caminho para uma decisão sem dúvidas e frustrações, respeitando a visão de mundo que é diferente para cada um.

Afinal, o que esperar de um presidente? Vou elencar algumas virtudes que espero de um presidente e afirmo democraticamente que só essas importam.

1 – Capacidade administrativa

Essa é das virtudes a que menos importa. O Brasil tem uma máquina complexa mas altamente especializada. É uma função que tecnocratas bem colocados podem fazer bem. Nesse quesito parece que Ciro e Alckmin saem na frente. Mesmo com todas as besteiras gigantes do governo Alckmin, não dá pra dizer que ele desconhece  a máquina. Meirelles também vai bem nesse quesito. Não adianta achar que empresário é administrador público. São talentos diferentes, exemplo disso foi o empresário Dória que foi totalmente incompetente em São Paulo.

2 – Visão estratégica

No final do Século XIX os americanos começaram o metrô de Nova Iorque. A cidade ainda não precisava de um sistema de trens subterâneos mas os americanos construiam o metrô pensando nos 100 anos seguintes.

Outro exemplo: Os EUA tem petróleo a rodo, nadam em petróleo, mas exploram pouco as próprias reservas e importam bastante. Eles guardam o que chamam de reserva estratégica, pensando no futuro quando o preço será bem maior.

Basicamente, eu diria que a visão estratégica é a capacidade de ver mais longe e ter uma visão de país que se pretende atingir.

Aparentemente todos os candidatos tem esse tipo visão. Bolsonaro que é mais míope delegou o serviço para o Paulo Guedes. Este tem visão, concorde-se ou não com ela. O problema é que Paulo Guedes não será eleito, podendo ser dispensado a qualquer ataque de nervos do chefe e nesse caso teríamos um presidente que não tem ideia do que fazer no planalto.

O fato dos candidatos terem visão estratégica, não significa necessariamente que seus planos sejam bons, apenas indica que eles tem um caminho.

3 – Capacidade de liderança

É o poder de fazer as pessoas a sua volta seguirem as suas ideias. Quem trabalha numa grande corporação sabe muito bem a diferença de um líder para uma pessoa muito inteligente. A pessoa muito inteligente pode ser um ótimo técnico, mas quem move o grupo em torno das ideias é o líder.

Um líder capaz consegue reunir mais votos no congresso sem pagar um preço tão alto. Dilma sem capacidade de liderar tinha de usar cargos e dinheiro para conseguir o que queria. Deu no que deu.

Falem o que quiser, mas perto do Lula, qualquer um é pequeno neste quesito. Lula se tornou líder do maior sindicato do Brasil, para depois se tornar líder do maior partido de esquerda do Brasil para praticamente se tornar o líder da esquerda mundial e o presidente do Brasil. Governou com 90% do congresso ao seu lado e tinha boa entrada em qualquer país. Não teremos alguém assim.

Dentre os candidatos, Bolsonaro que nunca liderou nada está mostranso-se capaz de angariar as pessoas em seu entorno, mesmo sem apresentar grandes ideias. Os outros ainda não mostraram esse talento.

4 – Inspiração

Um presidente tem de inspirar seu povo. Países que entram em guerra por exemplo, ganham confiança com as palavras de seus líderes. O mundo se lembra dos discursos de Churchill, Kennedy ou Gandhi.

O problema é que hoje em dia num mundo tão dividido as inspirações de uns causam aversão a outros. Parte da direita se inspira em Bolsonaro, Danilo Gentile e Olavo de Carvalho. A direita menos raivosa adora economistas como Amoêdo, Pérsio Arida e Gustavo Franco e a esquerda se inspira em Lula, Haddad e Manuela.

Os EUA são o exemplo desta divisão. Obama inspirou meio país por 8 anos e Trump está inspirando a outra metade agora.

Creio que é uma tarefa quase impossível alguém ser uma inspiração que una o país.

5 – Identificação 

Vejo que muitos amigos executivos e empresários irão votar no Amoêdo. Eles se identificam com sua ideias e com sua imagem. Ele é um cara parecido como meus amigos e chegou no topo da carreira empresarial.

O mesmo aconteceu com Lula. Ele era o nordestino, o homem do chão de fábrica, totalmente identificado com quem tinha a mesma origem.

Vejo nesse quesito a força do Bolsonaro. Ele declara com todas as letras seus ódios e preconceitos. Coisa que está no coração de muitos brasileiros e que os outros políticos jamais tiveram coragem de fazer (mesmo os que compartilham estes valores). Essa atitude encantou muita gente. Além disso o jeito simplista com que ele encara as questões é o mesmo de milhões e isso tem trazido uma enorme aderência para sua campanha. Sem o Lula na disputa, Bolsonaro é imbatível nesse quesito.

Sobra pouco para os outros. Haddad consegue a identificação dos jovens moderninhos de esquerda. De resto não vejo muito força nos outros candidatos.

A identificação tem ainda um componente aspiracional. O candidato de certa forma nos reflete e nos melhora. Ele pode ser a versão de você que deu certo. O Lula era o peão que deu certo, Amoêdo é o executivo que deu certo e Bolsonaro, o brasileiro frustrado que deu certo.

6 – O ar do tempo (zeitgeist, como dizem os alemães)

Alguns candidatos são as pessoas certas na hora errada. Ulisses Guimarães era um político de primeira grandeza, admirado até por opositores, mas quando saiu para presidente em 1989 não era o que o Brasil queria e não teve a menor chance. Mesmo Lula com sua força no operariado perdeu varias eleições até vencer em 2002.

Não sei explicar isso mas há momentos em que o mundo está mais liberal, momentos em que o mundo está mais conservador, momentos em que a sociedade quer mudança e momentos em que se quer continuidade.

O ar de 2018 pede mudanças, o ar de 2018 tem mais radicais conservadores e mais gente (não paradoxalmente) querendo discutir a discriminalização das drogas e do aborto, há mais gente preocupada com a violência e mais gente se mostrando violenta.

Me parece que o discurso do Amoêdo de aversão à política tradicional e os xingamentos do Bolsonaro tem mais adesão aos ares de 2018. Isso não é uma virtude ou defeito.

Conclusão

Agora você mesmo pode pegar a lista dos candidatos e compará-los com estes critérios. Seu candidato inspira? Tem visão? Sabe administrar? É um líder? Enfim, dá até para fazer uma tabelinha no excel e atribuir notas como os skills dos jogadores de futebol do Game FIFA 2018.

Seguindo minhas orientações você vai encontrar o candidato ideal para o seu perfil. Vá em frente e não precisa me agradecer, depois eu passo o número da minha conta.

Meu voto

Me arriscando a perder o restante dos leitores, digo que penso em votar no Ciro mas posso mudar conforme os ventos. Acho que estou mais preocupado em não ter o Bolsonaro como presidente do que em saber quem vai vestir a faixa.

E você leitor, já escolheu seu candidato?

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O Prefeito e o Presidente

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No começo foi fácil, dava certo para o prefeito e para o presidente.

Diga que vai mudar as velocidades das Marginais e lá estavam as manchetes, estavam os fãs entusiastas e os desesperados opositores.

Fale de um muro no México, crie uma crise internacional pelo Twitter, ponha as redes sociais aos seus pés e fature artigos e mais artigos no mundo inteiro exibindo o topete arrogante.

Meus Deus como é fácil, dá pra fazer todo dia.

Pinte os grafites de cinza, ofenda os muçulmanos,  fantasie-se de lixeiro, proponha leis absurdas, tire do site da CET informações sobre queda de acidentes, apague do site da Casabranca matérias sobre aquecimento global, ofenda os grafiteiros, ofenda os latinos.

As dificuldades começaram no segundo ano, quando o prefeito se vestiu de veterinário  numa visita ao zoológico e não havia nenhum repórter para fazer o registro.

Enquanto isso, no hemisfério norte, o presidente usou as redes para chamar o Papa de maricas, mas nem os seguidores nem a imprensa se impressionaram. Sequer o Vaticano enviou qualquer resposta.

Foi quando o presidente e o prefeito perceberam que para manter a atenção do público e da imprensa precisavam se esforçar mais.

O presidente começou a ofender mais gente e de forma ainda mais gratuita. Chamou Steve Wonder de “porco cegueta”, disse que o Abraham Lincoln tinha uma barba ridícula e que planejava fechar a Disney para evitar a gritaria infernal daqueles pirralhos.

O prefeito se fantasiou de macaco, de Incrível Hulk, de Lula (ele até se esforçou para imitar a voz rouca) e baixou um decreto autorizando à Guarda Civil jogar tinta cinza nos tatuados que andavam pelas ruas. Nada adiantou.

No final de seus mandatos os dois estavam irreconhecíveis, silenciosos e exibindo sintomas de depressão. O prefeito fantasiou-se de mendigo e passou dias na cracolândia sem ser reconhecido. O presidente saiu pelas ruas e xingou um caminhoneiro que fazia seu lanche numa barraca de cachorro-quente. Apanhou como nunca.