Tá Liberado

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Ei Petista, você que gritou golpe, pixou Fora Temer, colocou a foto do Lula no seu perfil, tá liberado ficar puto com a Dilma por saber que o ministro da Fazenda negociava pessoalmente propina. Tá liberado se sentir traído por ela saber que a própria campanha era irrigada por grana de corrupção.

Ei coxinha, você que votou no Aécio dizendo que estava cansado dos corruptos. Você que tocou vuvuzela na Paulista em frente ao Pato do Skaf. Tá liberado para bater panelas quando o programa do PSDB passar na TV ou nos discursos do Temer. Não é vergonha.

Amigo de esquerda, você que disse que a Lava Jato era um plano pra quebrar a Petrobras, daqui em diante você está livre para se indignar pelo Lula ter recebido 14 milhões em dinheiro, por ele ter ajudado a elite das empreiteiras a se locupletar com dinheiro público. Você pode cara, não é incoerência. Pode tentar.

E você caro revoltado, que apoiou Cunha, Temer e companhia, não tem problema nenhum postar que o Serra é corrupto, se sentir traído pelo Alckimin e seu cunhado. Assumir  que a queda de Dilma nada teve a ver com combate a corrupção (muito pelo contrário).

É permitido gente, podem experimentar, não precisa xingar só os seus velhos inimigos. Se o seu ídolo meteu a mão no nosso bolso, você pode ficar bravo com ele também. Isso não vai te fazer uma pessoa pior.

Tá liberado.

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Será que sou petista?

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O autor com sua camisa comunista da Puma, comprada na Centauro do Pátio Higinópolis.

Sou humano, confesso, por mais que resista não escapo das discussões em redes sociais. Mea culpa, mea maxima culpa. E o tema do momento, como não pode deixar de ser, é o balaio de gatos que alguns insistem em chamar de política nacional.

Em um desses embates virtuais fui chamado de petista por um sujeito que não concordava comigo ao falar de um tema qualquer. Provavelmente ele tentou me ofender.

Façamos parênteses. Sou um sujeito inseguro e facilmente influenciável. Certa feita, numa conversa de Whatsapp, uma amiga disse que eu estava muito gay. Fiquei horas em dúvida se ela tinha razão. Lembrei que sou são-paulino, que gosto de vinho rosé e dos Smiths. Só tive certeza da minha condição de hétero quando me ocorreu que não via nada na Madonna. Acho uma cantora meio enfadonha.

Resolvida a questão da sexualidade, voltemos ao meu petismo. Sou ou não petralha?

Afinal, eu gosto do Chico Buarque e não gosto do Alexandre Frota. Esses são indícios muito fortes de que uma estrela vermelha bate em meu coração. Mas serão suficientes? Vejamos outras provas:

_ As brigas nas redes me fizeram bloquear duas pessoas no FB. Um Anti-Petista raivoso e e um petista que beira a imbecilidade.                 Prova inconclusiva

_ Eu não gosto do Reinaldo Azevedo e do Rodrigo Constantino.  Prova de Petismo

_ Eu achei o governo do Lula bom, no geral. Gostei do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Prouni, das reservas internacionais…        Prova Petista

_ Eu acho que o FHC também foi um ótimo presidente.   Prova antipetista

_ Eu acho a Dilma a pior presidente possível. Acho que ela não tem a menor capacidade para ocupar o cargo que ocupa.                                      Prova antipetista

_ Eu gostei do programa “Mais Médicos”.                  Devo ser petista

_ Acho a prisão do Zé Dirceu 100% justa.                    Virei coxinha

_ Eu acho que a bicicleta é um meio de transporte ótimo.  Sou muito petista

_ Eu sou contra a volta dos militares.                          Petista

_ Eu acho que os governos Lula e Dilma são culpados exclusivos pela terrível situação da Petrobras.                                                                              Agora sou Tucano.

_ Acho que Lula não consegue explicar como usa tantas propriedades que não estão em seu nome. Me cheira a ocultação de patrimônio.             Sou antipetista.

_ Acredito que o Estado deva ser pequeno.                Tucano neoliberal

_ Eu acho um absurdo a divulgação de grampos com o objetivo de constranger as pessoas publicamente.                                                                      Virei petista de novo.

_ Não participei de nenhuma manifestação.              Agora fiquei na Dúvida

_ Não suporto o Corinthians.                                           Total coxinha.

Bom, estou com preguiça de apurar o placar. Sou são-paulino e placares sempre me entristecem. Vou terminar por aqui e deixar que o leitor tire suas conclusões. A opinião de vocês é muito importante para mim. Afinal, sou ou não petista?

 

 

 

 

 

Uma família em crise

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Uma família que conheço enfrenta uma terrível crise de relacionamento. Se o leitor tiver uma dica de como ajudá-los pode me mandar que prometo que chegará a eles.

A mãe, dona Coxinha tem dois filhos, o Esquerdinha e o Direitinha. Esquerdinha é casado com a Petê e Direitinha casado com Debê.

Acontece que dona Coxinha nunca gostou da Petê, implicava com ela desde os tempos de namoro.

_ Essa moça não presta meu filho, ela não é de boa família. Ela só está ao seu lado por interesse.

_ Mãe, estamos casados há mais de 10 anos e ela me ajudou a prosperar e nunca fez nada que te atrapalhasse. Você só implica!

Era fato, por anos Petê trabalhou e o patrimônio de Esquerdinha só crescia. Ele argumentava:

_ Ela me faz feliz. Você tem preconceito, mãe. Você não gosta dela porque ela não é de família tradicional como a Debê.

Até que um dia, dona Coxinha flagrou Petê traindo esquerdinha. Ela até fotografou a mulher aos beijos com seu amante. Isso aconteceu na mesma época em que Esquerdinha entrava numa enorme crise financeira, totalmente endividado pelos gastos excessivos da esposa. Petê comprava carros a prestação, roupas e fazia muitas doações, sem se preocupar com o orçamento familiar.

Dona Coxinha não perdoou:

_ Tá vendo meu filho, eu sempre disse que ela não prestava.

_ Mas mãe, ela me fez feliz por muitos anos, ela trabalhou e me ajudou a prosperar. E além disso a senhora também viu a Debê trair o Direitinha e não está falando nada.

_ Não muda de assunto menino!

E assim chegamos a situação atual desta família. Esquerdinha está brigado com a mãe, com o irmão e com a cunhada. Ele defende a esposa por quem ainda é apaixonado. Direitinha está morrendo de raiva da cunhada. Tanto ele como dona Coxinha sabem das puladas de muro de Debê, mas só se importam com os erros da Petê. Esquerdinha vê preconceito nisso e no fim ninguém se entende. A única coisa certa é que nenhuma das noras quer abrir mão do casamento.

Enfim, se alguém conhecer um bom conselheiro amoroso ou um pai de santo daqueles, eles aceitam indicações. Pois nesse caso, nem terapia familiar resolve.

Que ódio

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Já experimentou falar com os dentes cerrados? Tente. Veja que falando assim parecemos vilões de novela. Ainda mais se a frase for agressiva. Faça um teste com a clássica fala de folhetim televisivo: “Vou acabar com aquela vigaristazinha de subúrbio”. Você perceberá que ficou uma perfeita Carminha ou uma Odette Roitman (para os mais velhos).

Não usamos esse tom de voz no nosso cotidiano. Em geral ele é reservado para brigas especiais como naquela hora em que seu gato aparece com um rato morto na cozinha ou o maridão com batom brega na cueca. Se você fala com os dentes cerrados todos dias, recomendo enfaticamente que busque um psicólogo (e um dentista).

Só que em nossas queridas redes sociais (e não só nelas) a fala com dentes cerrados e caixa alta virou regra.

O que fez com que o pacato brasileiro, aquele a quem Sério Buarque de Holanda chamava cordial, ficasse assim? É um tal de xingar a invejosa, de responder ao Palmeirense, de atacar a opinião do outro, de bloquear o velho amigo…

Ou as pessoas estão com a paciência no nível “Michael Douglas em Dia de Fúria” ou a cordialidade e a passividade tupiniquins não passam de uma lenda.

Acho que as duas explicações tem um punhado de verdade.

Depois de 500 anos sendo mal tratados pelos sujeitos que usam carro oficial, depois de aguentar desmandos e incompetência que vão desde o palácio presidencial até a atendente do posto de saúde, o brasileiro perdeu o bom humor.

Agora piadinhas sobre a situação não bastam, sofrer o ano inteiro para se divertir no carnaval não é suficiente e, portanto, nossos amigos dos gabinetes precisam começar a caprichar, caso contrário (e isso já está acontecendo), enfrentarão uma população com a faca entre os dentes.

Por outro lado, a história do brasileiro cordial, passivo, povo que caminha bovinamente para seu destino infeliz não é (e nunca foi) real. A história do Brasil é feita de revoltas e muito sangue. Guerras regionais, levantes e cangaços mostram que nosso povo tem sim o seu limite.

Agora me pergunto onde o ódio vai nos levar? Vejo petistas torcendo para a água acabar de vez e assim prejudicar o Alckimin. Vejo Tucanos torcendo para a economia do Brasil se escangalhar para que o PT afunde no lodo.

Eu não gosto dessa ideia. Penso que os políticos vem e vão e por pior que sejam quero continuar pagando minhas contas e tomando banho de chuveiro.

Penso também que no fundo, o que todos querem é um sociedade com mais oportunidades, respeito, segurança, saúde e aquela coisa toda que os políticos nos prometem nas propagandas de TV. Penso que todos concordam que o funcionário público, seja ele atendente do balcão da prefeitura, policial, juiz ou senador, trabalha para nos servir e para isso não precisa de carros especiais ou mordomias.

Em outras palavras, quem joga tachinhas na ciclofaixa não vai prejudicar o Haddad, mas pode machucar uma criança. Quem põe fogo na Banca de jornais não vai derrubar o Beto Richa, mas vai acabar com o sustento de um jornaleiro.

Nós brasileiros, que andamos bradando uns contra os outros cada vez mais, deveríamos tentar encontrar o verdadeiro motivo de nossas indignações e soluções positivas para os nossos problemas.

Dentes cerrados são importantes e inevitáveis nos dias de hoje. Mas se apertar demais é capaz de termos dentes quebrados e nada ganharemos com isso.

É o amor

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Me chamem de piegas e eu chorarei de emoção.

Preciso avisar aos leitores que este texto não terá a arrogância pseudo-intelectual dos meus outros. Não me levem a mal, apenas resolvi abrir meu coração.

Sou daqueles que pega o violão numa noite solitária para tocar “Moça” do Wando ou “O que é que há” do Fábio Júnior.

Sou daqueles que continua precisando de lenços para rever o Dumbo. Aliás, prefiro nem falar do Rei Leão senão sou capaz de deitar no chão em posição fetal com o polegar na boca e perder o resto do dia.

Sim, eu gosto dos clipes com os atores se abraçando nos finais das novelas ou dos filmes românticos dos anos 50 em que as moças pareciam asmáticas de tanto suspirar.

Resumindo, o amor me emociona. Há coisa mais inexplicável do que ele? Nos une a estranhos, nos faz solidários a dor alheia. Amamos quem convive conosco, amamos pessoas distantes, amamos animais de estimação e não encontramos razão e lógica para isso.

Nada mais espontâneo do que o prazer de estar na companhia de um velho amigo. Porém o que faz com que filtremos as pessoas do nosso convívio de forma que uns nos tragam esse prazer e outros não? Não me venham com respostas racionais, falo dessa coisa sem sentido que aproxima corintianos de palmeirenses, carnívoros de vegetarianos, aristotélicos de platônicos, Tucanos de Petistas. Ops, será que exagerei?

Pois é, consultando minhas grandes fontes de entendimento do mundo, as redes sociais, vejo que esse tal de amor anda meio em baixa ultimamente. E não falo de terras distantes onde se cortam cabeças e queimam livros. Falo daqui, do nosso Brasil dividido entre petralhas e coxinhas.

Não há mais discursos. Ouço gritos de raiva, textos em caixa alta e dedos apontados. A defesa de cada um é o ataque ao outro:

_ Por que votei no Aécio? Porque o PT blábláblá blá!!!!!

_ Por que votei na Dilma? Por que nos tempos do FHC bláblábláblá!!!

Os comentários de qualquer postagem tem tudo, menos amor. Idem para os discursos de governo e oposição.

Além disso, agora surgiram uns fanáticos religiosos na política que pregam o ódio e pedem a decapitação de gays ou opositores, criando uma espécie de Isis tupiniquim.

Afinal, queremos construir algo ou simplesmente destruir o outro e provar para todos que estávamos certos desde o começo?

Eu gostaria de imitar as torcidas de Grêmio e Internacional e unir a todos numa mesma arquibancada, um do ladinho do outro. Cada um torce para quem quiser mas sem palavrões e golpes baixos. Iria ainda mais longe, substituiria o hino nacional por “We are the World” de forma que pudéssemos cantar todos abraçados num lindo coral. Juntaria o MPL, os caminhoneiros, os black blocs, os articulistas da Veja, o Lobão e o Luis Nassif nessa arquibancada para terminar a canção com todos de braços dados, o amor conquistando novamente os corações e eu, como era de se esperar, banhado pelas lágrimas ou em posição fetal no chão da sala.

Pega na Mentira

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A novidade é que o povo está indignado e dessa vez não são os 20 centavos. Descobriram que os políticos mentiram nas últimas eleições. E quem está mais revoltado é o paulista, que foi engambelado pela Presidenta e pelo Governador.

Em muitos países a mentira não é bem vista, não se recomenda que os políticos falem uma coisa e façam outra. Aqui no Brasil não é bem assim, provavelmente esta é a primeira vez a mentira provoca uma reação tão negativa.

Falo isso com convicção. Desde sempre vejo políticos inventando as histórias mais estrambólicas em eleições e isso nunca foi problema para ninguém. O sujeito mostrava metrô que ainda não havia construído, hospital sem equipamento, escola sem professor, colocava uma musiquinha e estava tudo bem. _ “Vou construir 700 creches, 45 postos de saúde!” Depois ninguém se preocupava em verificar se ele fez ou não.

Houve uma época em que candidatos prometiam criação de postos de trabalho, um dizia que seriam 8 milhões e aí o concorrente trucava com 10 milhões. Mais fácil que blefar no poker.

Sempre me perguntei porque as pessoas insistiam em acreditar. Aliás, como em tudo na nossa ação política, a capacidade do Brasileiro aceitar ser embromado é seletiva, muda conforme seu gosto partidário. Assim, os Petistas não engolem as mentiras do Alckmin, mas acreditam em qualquer palavra que saia da boca do Zé Dirceu, e vice-versa.

Mas creio que esse tipo de ingenuidade não ocorra somente em nossas escolhas políticas. Quantas pessoas não se deixam enganar graciosamente em suas relações amorosas ou profissionais? Quantas mulheres não investem em relacionamentos com homens que as traem ostensivamente e preferem acreditar que eles realmente fazem hora extra todos os sábados a noite? Quantos jovens entram numa empresa trabalhando 16 horas por dia com a promessa de que isso irá trazer mais oportunidades futuras?

O brasileiro aceitou o plano Collor, fiscalizou os supermercados em nome do Sarney, comprou ações da Petrobras incentivado pelo Lula. Sempre estamos dispostos a acreditar.

Talvez Dilma e Alckmin tenham confiado demais nisso, em nosso histórico de autoengano e acharam que a mentira não precisava ter limite. Deu errado.

Penso que estamos num bom momento para mudar nossas atitudes. E sugiro que como primeiro ato, passemos a desconfiar mais dos políticos antes de nos engajarmos em suas campanhas. Cobrar o adversário é mais fácil. Se petistas e tucanos exigirem mais de seus próprios candidatos estaremos num caminho melhor. Pode ser ingenuidade minha, mas prefiro acreditar nisso.