O Golpe, explicado tim tim por tim tim.

Captura de Tela 2017-05-23 às 10.18.06.pngFoi Golpe. Foi uma armação dos tucanos com a Globo, o PMDB e a Lava Jato para desvalorizar a Petrobras e entregar a estatal para os gringos. Prova disso é que o PMDB queria acabar com Lava Jato e só podia faze-lo tirando a Dilma que não estancava o sangue da operação. Afinal, foi o PT que criou a Lava Jato que persegue todos menos o Tucanos. Antes do PT a Polícia Federal não podia trabalhar. Se bem que o Aécio vai ser preso por entregar uma mala de dinheiro para o dono do helicóptero de cocaína. Mas a prisão do Aécio foi um plano dos comunistas da Globo e dos artistas lei Rouanet para tirar a atenção sobre o Lula, que nunca é preso. Provavelmente tem coisa com o Moro que soltou o Youssef no caso Banestado. Tem também o Teori, que sempre trabalhou para o PT mas quando caiu o avião, a culpa foi do PT que já matou o Celso Daniel. É evidente que a Veja queria evitar os pobres nos aeroportos e a Fiesp queria a acabar com a CLT, afinal, o PMDB do Skaf paga as contas do MBL e a JBS do filho do Lula pagava mesada para o Aécio e para o Cunha, o deputado que perseguia a Dilma e foi preso pelo Moro que trabalha para o FBI e, assim como o Cunha, também perseguia a Dilma. Já a lei Rouanet, criada pelo Sarney, pagou um show do ex-genro do Chico Buarque, então, ele aceitou apoiar o PT que trabalha para o Venezuelano Chavez mesmo depois de morto. Enquanto isso, os Irmãos da dupla goiana Wesley e Joesley, sócios do filho de Lula que limpava bosta de elefante, fogem dos blackblocs no apê de trinta milhas em Nova York, cidade onde Dória passeia com Loures, o da mala de dinheiro do Temer. Longe dali, Bolsonaro manda todos a merda e diz que vai distribuir uma arma para cada brasileiro enquanto evita que se lembre que ele foi terrorista nos anos 80. Já o Reinaldo Azevedo tece longos elogios ao Reinaldo Azevedo e se esquece da Marisa, a verdadeira culpada, aquela que falava palavrões como o Ciro, o impoluto, que brada “fora Temer”.

E a Marina?

Essa ninguém encontrou.

Eu estava errado

Esse vídeo de 1996 é imperdível. Nele, Paulo Maluf se defende. Ele havia proibido o cigarro nos restaurantes e os jornalistas se mostravam indignados com a medida. Os mesmos jornalistas também atacavam o prefeito por ele obrigar o uso de cinto de segurança.

O tempo mostrou que Maluf estava certo e TODOS os jornalistas que o entrevistavam tinham uma visão retrógrada.

Eu não me lembrava de forma alguma dessa polêmica, mas tenho certeza que em 1996 eu estaria do lado dos jornalistas, mesmo sem nunca ter fumado. Eu estava errado.

Em 1996 eu era odiava tanto o Maluf que falaria mal mesmo que ele inventasse a cura da Aids. Qualquer atitude do Maluf era abominável aos meus olhos.

21 anos depois fica evidente o papel de ridículo dos jornalistas e isso me pensar nos dias de hoje.

Será que continuo errando? Será que minha antipatia por Dória não faz que eu julgue seus atos de forma preconceituosa. Como verei daqui a 20 anos os julgamentos que faço hoje? Que erros acabamos cometendo graças a nossas convicções?

Não seria mais inteligente se:

_ Os petistas se julgassem a corrupção do PT com o mesmo rigor que colocam na questão do Pixo.

_ Os coxinhas batessem as panelas contra a corrupção Tucana da mesma forma que o fazem quando a Dilma discursava.

_ O Reinaldo Azevedo aceitasse que a ciclofaixa é importante, apesar de ter sido colocada por um petista.

_ O Ricardo Noblat entendesse que por mais que ele ame o Temer, é inadequado um presidente trabalhar para livrar corruptos da cadeia.

imagine daqui a 20 anos, quando em todas as cidades grandes os carros não puderem ultrapassar as 25 milhas por hora, como será assistir os debates sobre a velocidade nas marginais.

Que tal leitor começar a mudança dentro de você, admitindo os erros de quem você admira e aceitando os acertos daqueles que você odeia.

Quem sabe assim veremos os políticos de forma mais humana? Quem sabe assim poderemos entender um pouco mais aqueles de quem discordamos. Quem sabe poderemos ser menos grosseiros nas redes sociais.

O PT, o Corinthians e a Legião Urbana

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Eles dividem opiniões

Sempre me pergunto o motivo pelo qual tantas pessoas odeiam o PT com tamanha intensidade. Se questiono os  meus amigos, as respostas são mais ou menos previsíveis:

_ “Porque o PT rouba” – Dirá alguém que votou inúmeras vezes no Maluf e não se importa quando Cunha, Temer ou Aécio metem a mão no dinheiro público.

_ “O Brasil está em crise” –  Diz o outro que odiava o PT  igualmente nos anos de crescimento do governo Lula.

_ “O PT é autoritário” – Diz ainda um que defende a ditadura militar.

No geral são respostas incoerentes, que não me ajudam a decifrar o mistério.

Creio que há motivos para não se gostar do PT, assim como há motivos parecidos para se odiar qualquer outro partido. Só não entendo por que o ódio ao PT é tão desproporcional.

Isso me lembra o Corinthians*, que inspirava ódio em seus adversários mesmo quando estava no fundo do poço.

Talvez a resposta esteja no fã do Legião Urbana. Aquele que pede que se toque Faroeste Caboclo toda vez que vê alguém carregando um violão. O sujeito que depois de umas cervejas gruda na gente e começa a discursar sobre a força poética do Renato Russo. A moça que chora toda vez que ouve “Pais e Filhos”.

O fã do Legião Urbana é o chato perfeito. Assim como o Corinthiano ou  o Petista. Seu amor vira religião e seu discurso pregação.

Toda vez que alguém diz “Fora Temer” vem na minha cabeça o insuportável “Toca Legião” que ouvia sempre que subia ao palco com minhas bandas de Rock. Não é muito diferente do “aqui é Corintcha”, ou do “Toca Raul” ou do “Em nome de Jesus”, dito por testemunhas de Jeová que nos acordam às oito da manhã num domingo chuvoso.

A garra e a fidelidade dos Petistas chegam a ser comoventes, mas a intensidade do discurso traz mais desafetos que admiradores. Assim como o bando de loucos conquista mais secadores que solidariedade. Uns acreditam no Golpe assim como outros acreditam no Mundial de 2000.

Talvez os três fãs devessem repensar seus erros, analisar sua parcela de culpa na perseguição a seus ídolos.

Ou pode ser que isso tudo seja uma grande viagem minha. Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão?

 

*Talvez essa comparação só faça sentido aos paulistas, mas você pode transportar para o time de sua preferência em seu próprio estado.

Coxinhas, petralhas e a vizinha fofoqueira

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Todos conhecem a figura da vizinha fofoqueira. É uma personagem do imaginário Brasileiro.

Ela passa o dia na janela, espalhando que a filha da Dona Cacilda anda com um bando de vagabundos. Ela conta a todos que o cachorro do seu Heitor faz cocô na calçada.

Ela finge ignorar que o filho dela é o melhor amigo da filha da dona Cacilda, que eles  pertencem a mesma turma. E que o gato dela já quebrou vasos de quase todos os moradores da rua.

Enfim, todos concordamos que a vizinha fofoqueira devia cuidar da própria família no lugar de falar da vida dos outros.

Porém, em termos de política, somos todos a vizinha fofoqueira.

Explico:

Quando o Paulo Bernardo foi pego, todos os petistas bradaram em coro:

“_ Só prendem quem é do PT! Cadê a prisão do Cunha? Moro golpista! Globo golpista!”

Eles não disseram uma palavra em relação ao esquema sofisticado de corrupção criado pelo  ex-ministro petista.

Por outro lado, quando Janot pediu a prisão dos caciques do PMDB, os antipetistas postavam:

“_ Por que não prendem o Lula? Esse Janot trabalha para o PT!”

Eles se calaram em relação aos muitos milhões recebidos pelos corruptos peemidebistas.

Fico triste com o momento do Brasil e sonho com um país melhor. Acho que essa melhora passará por uma auto-crítica além da óbvia troca de acusações.

Sonho em ver os petistas clamando pela prisão dos dirigentes corruptos de seu partido. Sonho em ver os antipetistas batendo panelas contra a corrupção e não apenas contra a Dilma.

O conhecimento popular nos ensina a olhar para o próprio umbigo antes de atacar os outros e essa é sempre uma boa ideia.

Petistas, melhorar o PT é mais urgente que voltar ao poder.

Antipetistas, o governo já mudou, quando vocês vão se preocupar com o ATUAL presidente, no lugar de sonhar com revanchismos e vingancinhas?

Saiamos das janelas do Face e do Twitter e usemos o velho e-mail para cobrar o NOSSO partido e os políticos em quem votamos para que tenham uma atitude melhor. Ofender o vizinho nunca resolveu e não vai resolver nada.

 

Duas mentiras sobre o Impeachment

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Há dois discursos nesta discussão sobre o afastamento da Dilma que não me convencem. Um da direita e um da esquerda.

1 – O impeachment faz parte da luta contra a corrupção

Eu tenho 45 anos. Já fui enganado milhares de vezes na vida e aprendi a ser um pouco mais atento a certas milongas.

Ninguém vai me convencer de que Temer, Cunha, Roberto Jefferson, Feliciano, Maluf, Rodrigo Maia, PSD, PP, PR estão lutando contra a corrupção.

2 – O Impeachment é um golpe das elites contra as conquistas sociais.

Esses mesmo deputados e partidos acima pertenceram a base governista desde 2002. Eles apoiaram Lula e votaram a favor da criação do Bolsa Família, do  Fies, das Cotas, do Prouni e de todas as conquistas sociais. Se eles fossem representar as elites na luta contra a ascensão dos pobres eles teriam derrubado Lula em 2003.

Talvez os historiadores um dia encontrem os motivos dessa crise toda. Meus parcos conhecimentos em ciência política me fazem crer que tem a ver com a falta de habilidade da Dilma em domar a alcateia que sustentou o PT nos últimos 14 anos.

 

 

É Golpe?

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Especialistas debatendo a legalidade do processo de Impeachment aos olhos da constituição

Não sei se o leitor do Toda Unanimidade percebeu mas algumas pessoas tem discutido nas redes sociais a legalidade do processo de impeachment.

Eu já disse anteriormente que não sou lá muito inteligente e por essa razão não sei o que a constituição diz a respeito do assunto.

Porém, como não quero ficar em silêncio nas conversas de botecos e nem nos grupos de zapzap, decidi pensar no assunto. E pensarei em voz alta, aqui no blog.

Quem sabe você, leitor, me ajuda a chegar a uma conclusão.

Minha intuição

Minha intuição diz que as tais pedaladas não são motivos para impixe (perdoem, tenho preguiça de escrever aquele palavrão complicado).

A manutenção das regras, das instituições e a confiança no sistema democrático são muito importantes para um país. Acho que tirar um presidente eleito é um trauma e só deve ser feito em casos em que o motivo legal seja bastante claro.

Mas minha intuição vale muito pouco. Estamos num país regido por uma constituição e é ela quem manda. Então precisamos da…

Opinião dos especialistas 

Se eu não entendo ouvirei quem entende: Juristas famosos* e amigos advogados.

Vejo então que há opiniões divergentes. Uns dizem que é constitucional e outros pensam o contrário.

Mesmo percebendo que parte destas opiniões é contaminada por visões ideológicas pessoais, não se pode negar que existem muitos argumentos bons de gente que entende do assunto garantindo a legalidade do processo.

Então, não é golpe. É um debate que envolve a constituição e faz parte do jogo democrático.

Só que…

Onde a coisa se complica

Não vejo o menor interesse dos deputados que lutam pelo impixe em relação a discussão legal. Eles decidiram tirar a presidente e fazem apenas um teatro, cumprindo o rito processual sem se importar com quaisquer argumentos ou fatos do Processo. Isso parece Golpe.

Por outro lado, os defensores do governo também não se importam com debate. Usam a discussão legal como desculpa para defender a Dilma. Usam o argumento do Golpe como campanha para levantar a sua torcida.

Enfim, não é golpe, já que lei dá espaço na lei para esse tipo de debate e consequentemente de processo, mas também está longe de ser um procedimento que mostra a maturidade de nossas instituições republicanas.

E a minha vontade? **

Eu desejo que o governo caia.

Acho que seria mais agradável e menos sofrido se a Dilma renunciasse. Como isso não deve acontecer torço para um impixe rápido.

Dilma é uma presidente muito ruim. Ela recebeu um país que crescia, tinha inflação baixa, desemprego nulo e contas em dia.  Quando assumiu em 2011 ela também tinha o congresso a seu favor.

Se em condições tão favoráveis ela conseguiu produzir esse caos, imagine agora com o país desgovernado. Não acho justo que milhares de empresas fechem, que milhões de pessoas percam seus empregos em troca de alguma convicção legalista.

Sofreremos com o impixe, mas creio que a manutenção de Dilma represente um sofrimento ainda maior à população.

E a corrupção?

Eu não falei dela porque pra mim esse processo nada tem a ver com corrupção. Acho até que a Lava Jato pode ter sérios problemas num governo do PMDB. Veremos.

Como diria Roberto Jefferson, é uma questão de escolher o bandido favorito.

E Você?

Qual a sua opinião caro leitor? É golpe?

 

* Entre os juristas famosos desconsiderei a opinião Janaína Number of The Beast. Só leio os que não gritam e nem imitam pomba gira.

** Faço essa observação depois de alguma reflexão: Minha vontade não significa que algo é justo ou injusto, apenas indica um desejo sujetivo.

 

A escalada do ódio

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Na foto, Rodrigo Constantino pregando a cassa aos artistas de esquerda.

Quando crianças brigam e um adulto vai separá-las é inevitável ouvir a desculpa clássica:

“Foi ele que começou.”

Com alguns adultos da nossa querida e polarizada sociedade não é diferente. A violência e o ódio estão ultrapassando o espaço virtual e os grupos de Whatsapp para chegar as ruas e isso não é bom.

Os coxinhas dizem que quem começou foram os petralhas e vice-versa. Eu não tenho as coisas registradas em calendário para saber, mas tenho certeza que alguns formadores de opinião contribuíram e continuam contribuindo para transformar o debate numa rinha.

Começamos pelo suposto filósofo Olavo de Carvalho. Digo suposto porque o vídeo abaixo mostra que ele não usa o tipo de linguagem que se espera de um filósofo, nem o mesmo tipo de raciocínio. Ultimamente ouvi muita gente desmerecendo o Lula porque ele fala palavrões. Pelo jeito, alguns deles fazem parte da filosofia moderna.

De qualquer forma, na última quinta-feira, em plena semana santa, uma mulher agrediu Dom Odilo. Será que foi incentivada pelo vídeo abaixo?

A filosofia anda me decepcionando muito. Nos meus tempos de USP, Marilena Chauí era uma espécie de Madonna dos professores universitários. Era a grande estrela. Líamos seus livros com a mesma dedicação que o Olavo de Carvalho lê as encíclicas do Vaticano. Pois vejam este o discurso famoso da filósofa da esquerda. Percebam o tom com que ela expõe  seus argumentos e notem que ela pede desculpas por estar sem voz. E o mais assustador. Ouçam o apoio da platéia enquanto ela joga lenha na nossa triste fogueira do ódio de classes.

Mas não pensem que o incentivo ao ódio é exclusividade dos filósofos.

Já ouviram falar em jornalistas? Aqueles sujeitos com a importante missão de informar a população?  Aqueles que aprendem desde o primeiro dia de aula a importância da isenção. A responsabilidade do seu ofício. Pois, bem, jornalistas tem feito coisas muito estranhas.

Vejam o tom com que o jornalista Reinaldo Azevedo trata um ministro do STF. Vejam a frase “Vão ter que se acertar com a população”. É quase um chamado ao linchamento, talvez físico, com certeza intelectual. É uma tipo de jornalismo que incentiva com a humilhação completa de quem pensa diferente. E não é a única vez. Não basta discutir o tema, é preciso difamar a parte contrária.

 

E quando vamos para o lado vermelho da força o que encontramos? Mídia Ninja, Jornalistas Livres, supostos profissionais da notícia vasculhando as passeatas que encheram as ruas para encontrar uma imagem que remeta a luta de classes. Pronto, a voz de 6 milhões não precisa ser ouvida. “Temos uma foto da babá com o carinho. Todo o resto não interessa. Podemos usar a luta de classes a nosso favor.”

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Não é a toa que um bispo apanhou na missa, não é a toa que intimidaram o Chico Buarque, não é a toa que minha amiga foi xingada no metrô por uma professora petista. Se os jornalistas agem assim, se os filósofos agem assim, se os políticos agem assim, porque nós haveríamos de agir de outra maneira?

Eu lhes respondo.

Temos que agir de outra maneira porque não há coxinha ou petralha qe não sonhe com mais segurança, educação melhor e saúde de qualidade. Se cada um parar um pouco de gritar e começar a ouvir, o tom da conversa muda.

Não creiam que esses sujeitos são melhores que nós ou exemplo de algo. Gaste algum tempo ouvindo os argumentos das pessoas equilibradas que pensam de forma diferente a sua (sim, elas existem). Na hora de discordar evite o sarcasmo, evite elevar o tom de voz, evite as letras maiúsculas.

E antes que comecem a argumentar, já vou avisando. Eu não quero saber quem começou.

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E fica um recadinho final, pra terminar o texto de um jeito fofo. Roubei do Alessandro Bender.