Acabem com a democracia

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O Brasil celebrando minha ideia

Já dizia Raul Seixas: “A solução pro nosso povo eu vou dar. Negócio bom assim ninguém nunca viu”.

Tal como ele, eu tenho a saída para o nosso país. E já adianto que a minha solução não é alugar o Brasil (embora não ache a proposta do Maluco Beleza de todo mal).

Mudemos a constituição ao meu modo, façamos a reforma política sob as regras que descreverei agora e teremos o país de nossos sonhos, o sistema perfeito e irretocável.

Em primeiro lugar esqueçam a democracia representativa como ela existe hoje. Nossos políticos apenas representam seus próximos interesses. Esqueçam a ditadura militar, os milicos estão muito felizes batendo continência e esperando suas aposentadorias fabulosas. Esqueçam a monarquia, os Orleans e Bragança preferem seus pijamas. Esqueçam o comunismo, a dieta de criancinhas dá azia em nossos frágeis estômagos.

Conheçam a Luciocracia.

Na Luciocracia todos os membros do legislativo serão escolhidos por sorteio puro e simples. E quem serão os candidatos? Qualquer brasileiro maior de 18 anos.

Assim caro leitor, a cada 4 anos o Faustão aparece na TV ao lado do Silvio Santos e do Datena e anuncia o nome dos 300 sorteados. E você assistirá ao sorteio com o coração na mão, torcendo para ter um salário decente pelos próximos 4 anos, com direito a apartamento funcional e vale transporte (porque carro oficial não existe na Luciocracia).

Entre os trezentos congressistas sortearíamos o primeiro ministro e a cada 4 anos trocaríamos a tropa toda.

Pensem:

  • Sem eleições não haveria motivo para as empreiteiras bancarem os candidatos.
  • A Verba partidária seria imediatamente transferida para o ministério da educação (o ministro seria um professor sorteado, evidentemente).
  • No final dos 4 anos bons e maus voltariam para os seus estados e novos membros seriam escolhidos.
  • O congresso teria uma representação mais fiel da sociedade: 1% de ricos, 51% de mulheres, 9% de fãs do Bolsonaro, 13% de São Paulinos, 5% de palmeirenses e assim por diante.

O plano é perfeito, nem precisa de grandes discussões, já está aprovado.

Eu não quero nada em troca pela salvação do Brasil. Apenas peço que diminuam as notícias de política no Jornal Nacional (saudades das notícias do bebê panda no zoológico) e que voltem as velhas tomadas. Basta de adaptadores.

 

 

 

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REFORMA DE POBRE

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Lá em São Bernardo, na minha infância, funcionava assim: Quando alguém queria mudar o visual da casa e não tinha dinheiro para uma nova decoração ou uma reforma propriamente dita, mudava os móveis de lugar. Colocava a estante no lugar da TV, as poltronas onde era a mesa de jantar e assim por diante. Comprava um tecido e jogava desleixadamente sobre o sofá e estava feito. Uma tarde de esforço da dona de casa e tínhamos uma sala novinha em folha.

O marido sempre era pego de surpresa. Chegava a noite  em casa e não sabia onde sentar, não encontrava o controle remoto, mas aceitava as mudanças apesar de alguns tropeços na primeira semana.

Penso que essa tática das donas de casa bernardenses dos anos 70 virou moda na indústria tecnológica contemporânea.

Tudo começou com a Microsoft. Desde o primeiro “Office”,  nós, pobres mortais, usamos sempre as mesmas funções: Salvar, centralizar, copiar, colar… Mas a cada versão os botões mudam de cara e lugar. Sempre que havia uma atualização, como maridos desatentos, tropeçávamos até a aprender novamente as disposição da tal “interface”. Passamos horas de nossas vidas adivinhando as novas localizações do botão de negrito.

Agora, outras grandes empresas inovadoras aprenderam a lição. É só mudar as coisas de lugar e  fica tudo novo. O Facebook acabou de fazê-lo em seu aplicativo e a Apple se mostrou uma digna bernardense em seu novo IOS 7.0. Alguns fãs defendem com entusiasmo:

_Você viu que tem um atalho novo para o Bluethooth?

_ Sim, claro, e isso muda toda a experiência. – Responderia o senhor gerente de marketing na conferência transmitida ao vivo pelo Youtube.

Eu do meu canto, sonho em ver dona Beatriz assumindo a presidência de uma dessas empresas, adornada em seu avental bordado e com de luvas de plástico em riste, para encher de criatividade os escritórios envidraçados do vale do silício.