Shaná Tová

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Domingo começa o ano novo judaico, entramos em 5776.

Como o ano novo em qualquer tradição, é uma data que marca a esperança no começo de um novo ciclo.

E faz tempo que a necessidade de um recomeço não era tão urgente e sentida como hoje.

Então acho que vale a pena incluir nas nossas orações e desejos (cada um reza na língua e do jeito que sabe) alguns pedidos especiais.

– Que o mundo entenda que somos todos seres humanos, sejamos sírios, americanos, japoneses ou do Sudão. Há 70 anos havia crise de refugiados judeus sobreviventes de campos de concentração. Hoje são outros povos sofrendo a mesma dor. Sejamos solidários como muitos foram conosco no passado.

– Que os brasileiros entendam que a nossa opinião sobre as coisas não é mais importante do que a opinião do outro. Que as discordâncias sejam tratadas com respeito.

–  Que nossos governantes, sabe-se lá como, encontrem caminhos melhores para nos livrar do nó que eles mesmos nos enfiaram.

–  Que a gente saiba cobrar deles com firmeza, mas com respeito à democracia e às pessoas que pensam diferente da gente.

– Que o mundo encontre um jeito de se livrar do fanatismo que tenta apagar com tiros de metralhadora ideias contrárias. Ideias não morrem com tiros. Aliás, cada vez que alguém morre defendendo uma ideologia, ela se fortalece.

– Que as pessoas entendam que somos cada vez menores e mais interligados, não adianta pensar em benefícios locais ou de grupos. As ideias tem de trazer benefícios globais.

– Que cada um saiba que a responsabilidade de cuidar do planeta é de todos. Não adianta postar uma foto do urso polar esfomeado se você joga as pilhas velhas no lixo comum.

Enfim, espero que me perdoem a pieguice, sou assim ás vezes, especialmente nesses datas especiais. Sinto vontade de abraçar os amigos e dizer coisas que vem do coração, quase consigo ouvir “Imagine” tocando como a trilha sonora de um filme.

Na foto, um casal de refugiados se beija comemorando a chegada em segurança a uma ilha grega. Achei uma boa forma de mostrar que mesmo nos momentos de maior dificuldade, precisamos manter a esperança e a ternura.

Shaná Tová Umetuká

Que seja um ano bom e doce

Por quem os sinos dobram

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Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

Escrito por John Donne no sec. XVII

(Ilustração de Islam Gawish)

Sim aos refugiados

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Vou usar esse espaço para um pequeno manifesto que nada tem em comum com as crônicas que gosto de escrever.

O Brasil devia se oferecer para receber um número determinado de refugiados sírios e afins. Outros países da América Latina também deveriam fazer isso.

Quantos? Não sei, com certeza uns milhares.

Hoje já tempos essa política de receber refugiados, mas devemos ir mais longe, o mundo vive uma emergência.

Recebemos anteriormente fugitivos de guerras e fome: Italianos, espanhóis, libaneses, bolivianos, judeus, alemães, poloneses, coreanos, japoneses e outros ajudaram a criar o que temos de mais bonito, o nosso multiculturalismo.

Dilma, faça o que é certo, abra as nossas portas e tente convencer nossos vizinhos a fazer o mesmo.