Rogério Ceni e o fim da infância

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Rogério cercado de fãs. Não parece, mas sou um deles.

Há poucas coisas mais imbecis do que homens discutindo futebol.

_ Foi pênalti.

_ Não foi.

_ Meu time ganhou o Paulista de 79.

_ Meu time ganhou do seu por 5 x 0 em 82.

Vivo me perguntando a razão pela qual agimos assim e me arrisco a dizer que isso acontece porque na infância nos tornamos fãs de futebol e é nessa época que moldamos o nosso modo de torcer.

Crianças não tem o mesmo senso crítico que nós, não tem como comparar os jogadores que conhecem com craques do passado, por exemplo. Para as crianças os ídolos parecem maiores e mais importantes do que realmente são.

Na minha infância, jogadores do São Paulo hoje quase esquecidos tinham uma enorme peso. Eram figuras míticas, cada uma com super poderes. O lateral Getúlio (Gegê da Cara Grande) tinha o poder do chute atômico; Waldir Perez era um Globe Trotter que defendia pênaltis e fazia micagens divertidíssimas; Renato (Pé Mucho) tinha o poder do drible.

Naqueles tempos os boleiros eram fiéis aos clubes e por consequência, às suas torcidas. Biro-Biro e Zenon eram do Corinthians, Andrade era do Flamengo, Gatãozinho, do Juventos da Moóca. Isso reforçava a ligação que tínhamos com eles, nós garotos e eles ídolos.

Mas hoje crescemos e o futebol mudou. Guerrero, o ídolo do Corinthians joga no Flamengo, o são paulino Danilo é do Corinthians e o Santista Ganso está no São Paulo. Essa ligação entre atleta e torcida é frágil, poucos sabem o que é ter um craque para chamar de seu.

Rogério Ceni foi o último desta estirpe no Brasil. Foi são paulino a carreira toda, portanto, daqueles ídolos que fazem sentir que ainda somos crianças, torcendo por ele com carinho e ingenuidade. Sua parada fará com que olhemos para o São Paulo com olhos frios de adultos que somos. Iremos analisar as novas contratações pelo que realmente valem, iremos definir a atuação de um goleiro pelo que ele fez em campo. Sem Rogério, acreditaremos no comentarista da tv quando ele disser que o goleiro falhou.

Na condição de otimista doentio, sempre acredito que poderemos ter novos ídolos assim, mas o adulto em mim diz que depois de Ceni, restará o pragmatismo no futebol, com sua movimentação de dinheiro colossal e a triste declaração a cada compra e venda de jogador – “Sou profissional, preciso pensar na carreira…”

Há muito que falar de Rogério Ceni, pode-se tratar dos recordes , dos gols, das defesas. Eu porém, não estou preocupado com os resultados, com o índice de aproveitamento ou com o fim da liderança. Me preocupo menos ainda com o profissionalismo. Eu estou triste pois perco o último ídolo que me fazia torcer como criança.

Escolhi esse vídeo para ilustrar a matéria. É um jogo em que Rogério tinha 40 anos e tomou 3 gols. Ele estava voltando de contusão e longe da melhor forma.

 

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Dilma e o Tricolor

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Há duas coisas que angustiam os brasileiros nesta reta final de ano. A crise econômica que invadiu o país tal qual um tsunami, derrubando homens entre outros animais. E a crise no Tricolor, nosso amado time, cuja administração nos faz lembrar o congresso nacional, aquele poder da república que de palco de debates se transformou em balcão de negócios.

Já falei em outro artigo da semelhança entre o São Paulo e a Política nacional. Aqui, na minha opinião, há diferenças.

Tenho convicção que ambas as crises (a do Brasil e a do Morumbi) foram provocadas diretamente por seus presidentes, mas por motivos diferentes.

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, se mostrou ao longo da vida um brilhante administrador, foi um ótimo presidente do clube trinta anos atrás e é dono de um reconhecido escritório jurídico. No entanto, nesta gestão foi pego com batom na cueca umas 20 vezes, acusado de diversos esquemas. O desmando foi tanto que sua diretoria acabou de renunciar coletivamente, deixando o clube sem técnico e sem administração.

Já com Dilma é o contrário. Ao que parece ela não rouba, por outro lado não tem a menor noção de como se administra o país. Age como eu agiria se me colocassem para pilotar um porta-aviões. Sua inoperância é tamanha que outros acabam tomando o seu lugar, escolhendo seus ministros e tomando as decisões que ela não toma.

Essa semana, enquanto Aidar era esbofeteado pelo seu vice, Dilma pedia em discurso que cientistas criassem uma tecnologia para estocar o vento. Episódios que exemplificam bem as duas gestões.

E nós, pobres brasileiros tricolores, sofremos em dose dupla, vendo o país e o time batendo cabeça. Talvez eu seja apedrejado por isso, mas a dupla Aidar e Dilma vai acabar me dando saudades de Juvenal e Lula. Quem diria…

O Tricolor e a Política

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Falemos das duas coisas que mais preocupam os brasileiros: A Política e o Tricolor Paulista. Ambos em fase de agitação intensa e grande instabilidade.

O que a imprensa golpista não mostrou, o que a CPI escondeu e até o juiz Moro tirou dos autos é semelhança assustadora dos dois. Mas aqui, no “Toda Unanimidade”, temos plena liberdade editorial e portanto, revelaremos aos nossos leitores essa coincidência estarrecedora:

Muricy Ramalho e Dilma Roussef

Estão no cargo por direito, falam grosso e não tem paciência nas entrevistas. Nenhum dos dois gosta de amaciar com os subalternos e lhes falta jogo de cintura. Todo mundo diz que podem perder o cargo num curto prazo.

Rogério Ceni e Lula

Ao que parece, essa dupla manda mais que a dupla de cima. Senão, pelo menos é a quem Muricy e Dilma recorrem quando precisam conselhos.

Já foram elevados a mitos, cada um com uma história mais impressionante que o outro, mas hoje estão em péssima fase. Só seus fãs de verdade ainda os respeitam.

Ganso e PSDB

Todo mundo esperava deles mais do que apresentaram na vida, apesar disso gozam da simpatia da imprensa. Quando erram, suas falhas são logo perdoadas e quando acertam são comparados a deuses.

Pato e Aécio Néves

São charmosos, galãs e fazem enorme sucesso com as mulheres. Juntos detém a mais incrível coleção de ex-namoradas da história. De resto dividem opiniões, podendo ser amados ou odiados por parcelas da sociedade.

Luis Fabiano e Marina Silva

Outra dupla de quem esperávamos mais. Desempenham bem no geral, mas quando o embate é decisivo acabam encolhendo.

Preciso parar agora, estou indo comprar minha passagem para Brasília. A simples posse dessas informações garante a credencial para o interrogatório na CPI. Mas fiquem tranquilos, não vou abrir a boca. Esses segredos ficam entre nós e as torcidas do Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos…

O Culpado

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Não existe situação ruim sem um culpado. Se não há culpado, então precisamos encontrar alguém para atribuir a culpa. Qualquer um desde que o peso da responsabilidade pelo deu errado não caia sobre nossas cabeças.

E fomos nós os judeus, que inventamos o método. Já faz 3.000 anos que o bode pagou o pato. Expiou nosso pecados e ficou famoso.

3.000 anos depois quem está em crise é o São Paulo, meu time de coração que herdou o nome de um judeu que deixou de ser judeu há uns 2.000 anos. Mas isso não vem ao caso. Meu time está em crise e precisa de um culpado.

Os torcedores apontam o dedo em todas as direções loucos para acertar alguém e certos nomes são mais óbvios:

Juvenal Juvêncio –  O mentor de tudo, que toma uísque enquanto decide as contratações, que troca de técnico antes que gelo derreta no copo e solta bravatas tão engraçadas quanto arrogantes.

Rogério Ceni: O Inimigo número um dos nossos inimigos. Eles adoram culpá-lo, se bem que já faziam isso quando o time ganhava tudo. Hoje é culpado por perder pênaltis.

Luis Fabiano: É a estrela do ataque, não está bem, então porque poupá-lo?

Se olharmos do ponto de vista veterinário, poderíamos dizer que o Ganso deveria ser o bode a pagar o pato.

E assim se sucedem jogadores, dirigentes, árbitros e quem aparecer pela frente.

Pois bem, eu, este que escreve, contrariando uma tradição que começou com meu povo a três mil anos e se propagou especialmente no mundo corporativo contemporâneo assumo a culpa exclusiva pela situação do meu time tão querido. Sim, fui eu, podem atirar pedras, me entrego de joelhos ao julgamento público.

Explico.

Toda vez que paro em frente a um televisor para tentar ver um jogo do São Paulo, o time perde. Tem sido assim nos últimos 5 ou 6 meses (não por coincidência, o tempo da crise). Nossas poucas vitórias aconteceram nos dias em que, por impossibilidade ou medo, larguei mão de ver a partida. Já fiz os testes é assim que funciona. 100% de acerto.

Pois para alegria dos meus companheiros torcedores, anuncio que este ano não vejo mais os jogos e poupo todos e a mim mesmo do sofrimento. Adversários se preparem, agora nada segurará o Tricolor.

Falando muito mal

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Hoje queria muito falar mal de algo. De políticos gatunos, de futebolistas que não brilham no tricolor, da camada de ozônio que deve andar fazendo algo de errado ou do trânsito que me enche de tédio.

Mas nada aconteceu.

Nenhum político fez uma sacanagem em especial, meu time não jogou, a terra não tremeu e eu fiquei quieto no meu canto, esperando o dia e a hora certas para falar mal impiedosamente sei lá de que.